Teste BMW R1250RT - Requinte Turístico

Para viajar, para impressionar, para encantar, para desfrutar, para ir a todo o lado, com estilo, a RT é única na sua classe e nível de desempenho. 

andardemoto.pt @ 20-9-2021 17:03:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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BMW R 1250 RT | Moto | Tour

Desde há muito que me rendi aos encantos da RT. As linhas distintas, o conforto que proporciona, tanto ao nível da aerodinâmica como da suspensão, a instrumentação completa e, sobretudo, o irrepreensível comportamento dinâmico, há muito que me cativaram e, quando penso numa grande viagem, esta é a primeira moto que imagino como companheira.

Apesar do seu aspecto imponente, dominado pelo grande volume das carenagens, a RT é uma moto que impressiona pela agilidade. Enquanto as grandes turísticas são óptimas para fazer quilómetros em auto-estrada, esta BMW sente-se sobretudo à vontade nas mais contorcidas e degradadas estradas secundárias, ou nos mais intrincados centros históricos.

O seu segredo está no facto de, basicamente, ser uma GS que, em vez de fato de ginástica, está vestida para uma soirée de luxo.

Imenso espaço para condutor, passageiro e bagagem, um motor mais do que suficiente para manter ritmos interessantes e que nos brinda com uma excelente capacidade de resposta e uma sonoridade viciante, uma boa autonomia, uma ciclística extremamente competente para enfrentar qualquer tipo de estrada e uma iluminação soberba, são os grandes argumentos da RT desde que a primeira versão foi lançada no mercado há cerca de 40 anos.

Mas a BMW não pára de fazer evoluir a sua “dynamic tourer” e, para esta versão de 2021, dotou-a com a mais recente inovação tecnológica no mundo das motos: o Cruise Control Adaptativo, disponível como acessório de fábrica.

Destinado sobretudo a quem tem que fazer muitos quilómetros em auto-estrada, este sistema permite programar a velocidade máxima a que pretendemos circular, e não nos preocuparmos mais com isso.

Caso seja necessário reduzir a velocidade, o sistema que funciona com a ajuda de um dispositivo de radar, detecta o obstáculo (normalmente o carro ou camião que circulam mais lento na sua frente), e regula a velocidade em conformidade, mantendo uma distância que pode ser programada, até que volte novamente a ter espaço livre à sua frente, altura em que o sistema acelera até atingir a velocidade inicialmente programada.

Basicamente evita ter que se desligar o cruise control, e ter de o voltar a ligar novamente. Parece pouco, mas na prática, e com o passar dos quilómetros, é realmente uma grande ajuda para manter a atenção focada no trânsito.

Outro grande upgrade da RT, nesta versão de 2021, é o impressionante painel de instrumentos, composto por um inovador TFT a cores com 10,25 polegadas de diagonal, que tem uma resolução de 1920x720 pixels.

O seu formato alongado permite que seja configurado em duas secções, o que lhe permite, por exemplo, exibir em simultâneo as informações sobre a condução e o mapa de navegação ou as informações sobre o estado da moto. Uma cobertura anti risco e anti reflexo proporciona uma visibilidade impecável em qualquer situação.



A seleção dos vários painéis de informação é feita através do multicontrolador, o botão em forma de anel, exclusivo da BMW, que está instalado ao alcance do polegar e indicador esquerdos, e que se revela extremamente prático. 

O painel conta ainda com sistema de emparelhamento via Bluetooth com dois canais, para ligar o sistema de intercomunicador do capacete do condutor, e um smartphone que, caso seja de dimensões normais, conta com um compartimento à prova de água, ventilado e dotado de carregador de bateria. Com a BMW Motorrad Connected App, uma aplicação gratuita disponível para iOS e Android, pode-se aceder a muitas outras funcionalidades, nomeadamente a partilha de rotas.

Mas a BMW R1250RT de 2021 tem muito mais novidades. A começar pela iluminação LED, com o farol dianteiro a incluir função de curva, e que espalha o foco de luz, de forma horizontal, mesmo quando a moto está inclinada.

O sistema ainda conta com luzes de cortesia como a “follow me home” que mantém o farol ligado durante alguns segundos depois de desligada a ignição, e que se revela oportuno quando se estaciona a moto em locais escuros.

Também o sistema de travagem automática em piso inclinado, conta agora com diversas funções selecionáveis, que incluem travão de estacionamento automático sempre que é detectada uma inclinação superior a 3%. Claro que este sistema só funciona com o motor em funcionamento, mas é uma solução perfeita para ajudar na subida ou descida do passageiro.

A suspensão electrónica ganhou ajuste automático, de acordo com o modo de condução selecionado e o tipo de piso detectado, assim como ajuste de nível automático. Possui ainda dois modos de regulação, um mais confortável e outro, o “dynamic”, com uma taragem mais desportiva, que podem ser selecionados em andamento, a partir de um botão dedicado.

E ficaria aqui bastantes mais páginas se fosse descrever com detalhe todas as funcionalidades que a electrónica disponibiliza nesta moto, e até poderia parecer que seria só isso que a RT tem para oferecer. Mas não!

A RT é muito mais do que uma vitrine tecnológica. É uma moto de viagem que encanta sobretudo pelo seu comportamento dinâmico.

Aos comandos desta versão Option 719 Mineral White Metallic, o que mais me chamou a atenção foi o desempenho do motor. O boxer bicilíndrico com tecnologia ShiftCam, um sistema de variação de abertura das válvulas de admissão, disponibiliza 120Nm de binário logo às 2.000 rpm, crescendo linearmente até aos 143Nm às 6.250 rpm, momento em que está perto de registar 137cv de potência máxima às 7.750rpm.


Com uma tão grande disponibilidade de potência, o prazer de condução está garantido, mais ainda quando potenciado por uma caixa de velocidade muito suave e precisa, equipada com um sistema de quickshifter que funciona na perfeição, mesmo a baixa rotação. Basta apanhar-lhe o jeito!

Claro que a potência não serve para nada se não puder ser controlada, por isso, também a ciclística impressiona, seja ao nível da suspensão, que é referencial, seja ao nivel da travagem, que, como seria de esperar é também ela de grande eficácia, com uma mordida potente, e uma dosagem quase cirúrgica da manete e do pedal.

O sistema conta com repartição automática do esforço de travagem por ambas as rodas, e graças à Unidade de Medição de Inércia (IMU) de seis eixos, o ABS tem função “cornering”, que permite manter a travagem até bem para lá da entrada em curva.

Nesse momento, pode-se acelerar com convicção, já que o controlo de tracção trata de manter a roda traseira bem colada ao asfalto, enquanto a suspensão mantém o conjunto nivelado, sem qualquer afundamento, contribuindo para uma estabilidade impressionante, impossível de encontrar em motos que não estejam equipadas com este sistema, e que confere elevados níveis de confiança que contribui para uma condução mais descontraída e, consequentemente menos fatigante, sobretudo em condições desfavoráveis.


Mas não é só para andar depressa que a RT está preparada. Para podermos atravessar devagar um centro urbano e desfrutar da paisagem, o cruise control, além da já mencionada função adaptativa, também pode ser accionado logo a partir dos 20km/h, garantindo um andamento suave, sem solavancos, que se revela muito interessante quando se viaja com passageiro, sobretudo quando o piso não é muito regular.

O sistema sem chave é outro dos grandes argumentos da RT, já que é menos um factor a necessitar de ser controlado. A chave fica sempre guardada no bolso, não sendo necessária nem para trancar as malas ou a direção, nem para abrir o depósito de combustível.

E já que estou a falar dele, a sua capacidade para 25 litros de combustível, é suficiente para garantir grandes tiradas sem paragens. A marca anuncia consumos de 4,75 litros/100km sob a norma WMTC, e na prática, mais ou menos a cumprir os limites de velocidade legais, conseguem-se facilmente médias na casa dos 5,5 litros/100km.

Mas claro que, se quisermos desfrutar dos arranques de 0-100 em menos de 4 segundos, e deixarmos a admissão e o escape respirarem a plenos pulmões, vamos ter consumos muito mais elevados. No entanto, em auto estrada, é perfeitamente possível fazermos paragens a cada 300 quilómetros, de duas em duas horas, mesmo com passageiro e carga, antes de entrarmos na reserva. 

Manobrar a RT pode parecer muito mais difícil do que é na realidade. Seja a baixa velocidade, seja à mão, as manobras são simplificadas pelo baixo centro de gravidade proporcionado pelo motor boxer, que faz os quase 280 quilos em ordem de marcha anunciados pela marca, parecerem muito mais leves. Por falar em carga, a RT tem capacidade para carregar cerca de 220 kg no total.

Os condutores de estatura mais baixa vão ter alguma dificuldade em chegar com os pés ao chão. A marca disponibiliza assentos que reduzem um pouco a altura, mas também penalizam o conforto. Para os condutores de estatura mais alta existem assentos que ajudam a manter as pernas menos fletidas, e a BMW também disponibiliza um ecrã mais elevado, que usa igualmente a funcionalidade de regulação elétrica em altura.

O preço base da BMW R1250RT começa ligeiramente acima dos 20.000 euros, mas a versão aqui mostrada, com pintura Mineral White Metallic e que conta com diversos packs e alguns acessórios de fábrica, incluindo alguns da gama premium Option 719, cifra-se bem acima dos 28.500 euros.

Muito fica por dizer sobre a RT. Por isso, se está à procura de uma moto para viagem, mas que também permite uns passeios de descoberta ao fim-de-semana, então não hesite e marque um test ride num dos concessionários da marca.

Neste teste usámos o seguinte equipamento de proteção e segurança:


Capacete Nolan N100-5 Plus

Blusão REV'IT! Offtrack

Luvas REV'IT Dirt 3

Jeans RSW Peter

Botas TCX Jupiter 4 GTX

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