Teste Aprilia Tuono V4 Factory - Afinada para a pista
A nova Tuono V4 Factory é uma powernaked afinada para a pista. Suspensões eletrónicas, ciclística redefinida, um aPRC ainda mais evoluído e um design arrebatador fazem desta uma das melhores Aprilia que podemos comprar.
andardemoto.pt @ 13-9-2021 15:18:54 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
Se há
algo que a mudança para um novo regulamento europeu, como por exemplo o recente
Euro5, nos garante, é que os fabricantes
aproveitam essa mudança para
disponibilizar versões atualizadas dos seus modelos mais importantes, ou
então aproveitam mesmo para renovar por completo esses modelos.
É precisamente isso que acontece com a
Aprilia Tuono V4, com a
powernaked de Noale a passar a cumprir com as normas Euro5, mas também a
apresentar-se ao serviço profundamente renovada.
Aqui no Andar de Moto já testámos
a versão base Tuono V4, uma
variante que adota uma temática mais turística, mais confortável e pensada para uma
utilização em estrada. Porém, a gama powernaked de Noale é ainda composta
pela variante mais exótica e chamativa.
A nova Aprilia Tuono
V4 Factory é a versão afinada para pista, elevando a performance e eficácia do
“trovão” italiano (Tuono significa
trovão em italiano) para patamares de excelência acessíveis ao comum
motociclista que procura desfrutar do melhor que existe no segmento das naked
de alta cilindrada.
Para além do quadro dupla trave em alumínio que deriva diretamente da sua irmã
superdesportiva RSV4, a Tuono V4 Factory
apresenta-se ao serviço com um poderoso motor de quatro cilindros
em V
a 65 graus. Nesta geração a cilindrada mantém-se nos 1077 cc, embora o limite de rotações suba
ligeiramente, e assim o V4 ganha 300 rpm
extra para brincar.
Não tem a potência extrema de algumas rivais como a Ducati Streetfighter V4, a MV
Agusta Brutale 1000 RR (estas duas estão acima dos 200 cv) ou ainda a
KTM 1290 Super Duke R e a Triumph Speed
Triple 1200 RS (estas últimas atingem os 180 cv). Porém, a italiana de Noale
apresenta uma potência assinalável de 175 cv
e o binário máximo está nos 121 Nm. Números suficientemente elevados
para tornar esta naked da Aprilia numa
moto temida pela concorrência, mas
também um excelente motivo de conversa entre os amigos que encontramos no café
e adoram comparar números.
O aumento de rotações para um teto máximo de 12.800 rpm deriva da utilização da
nova centralina Magneti Marelli 11MP. Mais poderoso do que nunca, este “cérebro” que controla todos os parâmetros
eletrónicos da Tuono V4 Factory
conta com parametrizações de injeção novas, mais precisas, que trabalham
em conjunto com algumas novidades mecânicas ao nível das molas das válvulas, mais leves. Os 175 cv são disponibilizados na sua totalidade um
pouco acima nas rotações quando comparamos com a geração anterior, 350 rpm para ser mais exato.
Numa moto tão desportiva como é esta Factory, e mesmo tendo em conta que tem
menos carenagens do que a RSV4, o que efetivamente a torna numa naked, é
notório que o motor V4 se torna bastante
“quentinho” quando circulamos a baixa
velocidade. Se queremos potência, o reverso da medalha é um aumento de
temperatura.
Mas em cidade não é o ambiente ideal para conduzir esta italiana, até porque a sua transmissão longa acaba por
obrigar a trabalhar mais com a caixa para manter as rotações num nível que
impede os quatro cilindros de protestarem com algumas vibrações mais excessivas.
É em plena estrada de montanha ou em percursos mais abertos que podemos então
desfrutar da excelência do trabalho realizado pela Aprilia nesta nova geração Tuono
V4 Factory. O quadro mantém-se como o grande destaque. Mas agora o novo
braço oscilante, de reforços
inferiores, adotando o estilo das
MotoGP, garante uma maior rigidez e
baixa o centro de gravidade.
Isto resulta, e isso é notório assim que
podemos acelerar com maior impetuosidade, numa melhor tração mecânica enquanto
o Pirelli Supercorsa SP V3 traseiro se agarra ao asfalto, empurrando os 209 kg
de peso a cheio rumo à curva seguinte.
A distribuição de pesos é perfeita, o
equilíbrio do conjunto transmite confiança para puxarmos pela Tuono
V4 Factory ao seu limite, e com muita distância livre ao solo podemos
inclinar esta naked para ângulos bastante pronunciados sem raspar com os
poisa-pés no asfalto. A posição de condução mantém-se relativamente semelhante
ao que estamos habituados a encontrar numa naked deste segmento.
O guiador elevado deixa o condutor perfeitamente confortável e sem causar
grande stress nos pulsos. Ainda assim, o
tronco do condutor fica um pouco mais descaído sobre o depósito de
combustível, que com quase 18 litros de
capacidade, apresenta um novo formato.
Neste aspeto a Aprilia esteve muito
bem, e o novo desenho das laterais do
depósito permite ao condutor apoiar bem as pernas em curva. E nos momentos de
travagem mais forte é fácil fixar os joelhos ao depósito, distribuindo então o esforço físico entre
braços e pernas de forma mais eficiente, o que se traduz em menor esforço.
E de facto não é necessário fazer muito esforço para nos divertirmos aos
comandos da nova Tuono V4 Factory. Rápida em aceleração, com o motor V4 a mostrar enorme
disponibilidade por volta das 4.000 rpm,
os quatro pistões de 81 mm de diâmetro movem-se para cima e para baixo com uma
velocidade incrível, transmitindo
alguma vibração, apenas o suficiente
para conferir um certo caráter ao seu funcionamento. A partir das 6.000 rpm
o V4 de Noale “explode” enquanto rodamos o punho direito e
desfrutamos de uma ligação quase umbilical entre o nosso punho e o motor.
A roda da frente quer levantar, mas a combinação da aerodinâmica evoluída,
com destaque para as pequenas asas embutidas nas compactas carenagens duplas, e
da função “anti-wheelie”, garante que
a Tuono se mantém estável e avança sem
que o condutor seja obrigado a cortar muito o acelerador.
A velocidade sobe a um ritmo alucinante.
E isso é facilmente percetível enquanto olhamos para a grande quantidade de
informações apresentadas no novo painel de instrumentos TFT de
5 polegadas, com a velocidade em maior
destaque bem ao centro.
Para garantir que podemos explorar e usufruir de tamanha performance, a Aprilia evoluiu ainda mais o seu pacote
eletrónico. O aPRC – Aprilia Performance
Ride Control atinge nesta versão 2021
uma excelência bastante superior. Usando
as informações recolhidas pela plataforma de medição de inércia de 6
eixos, o novo aPRC conta com parametrizações mais refinadas,
tornando-se mais suave nas intervenções que efetua nas várias ajudas eletrónicas.
Mantendo algumas opções da geração anterior, como o controlo de tração ou
o “anti-wheelie”, a Aprilia adiciona agora novidades
interessantes do ponto de vista da personalização
da moto.
O Aprilia Engine Map permite selecionar
um de três níveis de entrega da potência,
op que altera a forma como o motor
V4 responde aos impulsos no acelerador, enquanto o Aprilia Engine Brake, também ajustável em 3 níveis, desbloqueia o ajuste do efeito travão motor.
Anteriormente, estas duas opções estavam integradas nos modos de condução, e
não era possível o seu ajuste individual.
Para quem não pretender perder muito tempo a selecionar as diferentes
intensidades das ajudas eletrónicas de forma individual, dois modos de condução para estrada
pré-definidos (Tour e Sport) e um modo de pista (Race) definem de forma
automática a intervenção do aPRC de
acordo com parâmetros que a casa de Noale acredita serem os mais apropriados
para determinadas situações.
Quem quiser um comportamento mais personalizado, o modo User para estrada e os
dois modos de pista Track 1 e
Track 2 permitem um grau de
personalização superior.
Sem entrar em grandes detalhes sobre a forma como cada opção do renovado
aPRC funciona, até porque será impossível abordar o
comportamento da Tuono V4 Factory
falando de cada opção de forma individual, podemos definir o funcionamento das ajudas
eletrónicos como muito bom, a roçar a
excelência.
Para uma condução descontraída, o controlo de tração, ajustável em andamento através dos botões
dedicados no punho esquerdo, colocado em nível 4 a 6 será o mais indicado.
Acima disso o TC vai-se notar de forma mais intensa e corta
bastante a aceleração. Abaixo do nível 4 o seu funcionamento é bastante menos
notório, e quando entra em ação é mais suave.
Por outro lado, o “anti-wheelie” continua muito eficaz, como sempre foi,
mantendo a roda dianteira bem próxima do asfalto, mesmo quando os 175 cv e os 121 Nm tentam fazer o contrário. Nas
novidades eletrónicas destaco o controlo do travão motor. A maior parte do tempo preferi conduzir a Tuono
V4 Factory com o AEB em nível 1, o menos forte, sentindo o
V4 mais solto na entrada em curva. Porém, em nível 3 é claramente um efeito
travão muito acentuado, o que ajudará a abrandar mais rapidamente a moto.
Em condução, tudo isto resulta numa experiência enriquecedora do ponto de vista de um motociclista que gosta de sentir
adrenalina e emoções fortes. As rotações sobem rapidamente, o motor sente-se sempre pronto, e as trocas de caixa acontecem de forma ainda
mais precisa do que anteriormente.
O curso do seletor de caixa é curto, o tato é suave, mas suficiente para sentirmos que a caixa
passou de mudança. O “quickshift” apenas fica ativo a partir das 4.000 rpm.
Isso faz com que em cidade seja
necessário usar a embraiagem por cabo, o que ao fim de algum tempo se torna um
pouco cansativo, pois embora não sendo
“pesada”, é menos leve do que uma embraiagem hidráulica.
Por outro lado, o sistema permite agora reduzir de caixa sem usar a embraiagem
e mantendo o acelerador aberto. E por falar em travagem, as pinças Brembo M50 mantêm-se como uma
excelente opção para uma proposta como a
Tuono V4 Factory. A bomba PR17 controla de forma precisa a
potência de travagem, garantindo um
nível de “feedback” na manete muito acima da média.
O momento inicial da “mordida” das pinças monobloco nos discos de 330 mm é
algo a que temos de nos habituar. Mas
após alguns quilómetros, rapidamente
percebemos que temos à nossa disposição um sistema de travagem muito
eficaz, com capacidade de digerir
rapidamente os nossos exageros.
Para isso também conta, claro, a eficácia do sistema de controlo eletrónico das
suspensões. A Aprilia optou pelo aclamado sistema Öhlins Smart EC 2.0, que disponibiliza três modos de
funcionamento ativos, e três modos fixos. Em todos eles é possível ajustar
diferentes parâmetros e tendo por base um objetivo final, como por exemplo mais apoio em curva.
Mais do que as inúmeras opções a que acedemos através do menu de forma
intuitiva, o que realmente impressiona é a capacidade de gerir as
transferências de peso e a forma como os maiores impactos são amortecidos.
Nas travagens mais fortes a dianteira mantém-se imperturbável, estável,
ajudando o condutor a sentir tudo aquilo que a roda da frente está a
fazer, mesmo nos momentos de condução mais agressiva e em que antigamente as
suspensões eletrónicas ofereciam um
“feedback” um pouco vago.
Nas acelerações, o amortecedor TTX36 aguenta a pressão, e efetivamente
trabalha em conjunto com o braço oscilante para garantir tração, reduzindo assim a necessidade do controlo de
tração intervir, o que se traduz em maior aceleração e velocidade.
E com tudo isto, divertimo-nos muito
mais!
Veredicto - Aprilia Tuono V4 Factory
Se a versão base da Tuono é mais propícia para viajar, esta nova Factory é sem sombra de dúvidas uma moto que se sente
muito mais à vontade quando a conduzimos
de forma agressiva ou em pista, onde
podemos soltar toda a ferocidade dos seus 175 cv. É uma naked que, graças às pequenas carenagens, oferece uma relativamente boa proteção
aerodinâmica.
Não é uma moto para quem se está a iniciar nestas andanças. É preciso saber o que se tem debaixo de nós e
todo o potencial que está incluído neste conjunto com ADN de moto de competição. No entanto,
a Aprilia Tuono
V4 Factory é também fácil de
explorar, uma moto bem conseguida do
ponto de vista estético, boa qualidade de construção, e muito bem equipada de série.
O pacote eletrónico e o seu motor V4 são
os grandes destaques. Mas tudo funciona
em uníssono. E o resultado é uma moto de
excelência, capaz de nos deixar com a
adrenalina a “bombar” forte nas veias. A
Aprilia Tuono V4 Factory
é uma das melhores naked do mercado,
e nesta nova geração, ainda mais
afinada para a pista, torna-se numa
proposta quase irresistível.
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção:
Capacete X-lite X803 RS Ultra Carbon
Fato REV’IT! Akira
Luvas REV’IT! Jerez 3
Botas TCX RT-Race
Galeria de fotos Aprilia Tuono V4 Factory
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