Teste Aprilia Tuono V4 2021 - Viajar noutra dimensão

Porque há várias formas de viajar, a Aprilia reinventou a Touno V4 nesta versão de 2021, para aqueles que gostam de chegar mais cedo!

andardemoto.pt @ 21-7-2021 10:26:17 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Aprilia Tuono V4 | Moto | Motos

O segmento das motos naked de alta cilindrada está efervescente, com motos de diversos fabricantes que se querem assumir tecnologicamente no mercado. O que não é normal é pretenderem atribuir a essas motos características turísticas. Mas foi isso que a Aprilia fez com esta nova geração da Tuono de 2021.

Além da versão Factory, que mantém a sua apetência mais desportiva, surge agora a versão base, com uma vocação mais estradista, que apesar de manter toda a eletrónica da sua irmã, vê a sua ciclística ligeiramente modificada para ser mais propícia às longas tiradas, eventualmente com passageiro.

Desde o momento que dei arranque ao motor, ainda nas instalações do importador, a Officina Moto, fiquei impressionado pelo desempenho do motor. O som rouco e grave emitido pelo escape, que nem parece homologado pela norma Euro5, deixava antever uma entrega de potência e níveis de diversão muito para lá do normal.


Efectivamente, 175 cavalos de potência e mais de 120Nm de binário não é algo com que tenha que me entender todos os dias, por isso a expectativa era grande.

Não foram necessários muitos minutos para, entre o trânsito citadino, perceber que a Tuono não está no seu ambiente nessas circunstâncias, sobretudo devido à relação da transmissão final mais longa que, a par com o caráter do motor V4 pouco dado a baixos regimes, obriga a trocas de relação mais frequentes, reagindo com desagrado, sob a forma de uma pouca capacidade de resposta e um funcionamento bastante desagradável e pouco melódico.

Mas mal me desembaracei das rotundas e dos semáforos pude perceber para o que esta italiana foi realmente concebida. O seu objectivo é tragar quilómetros a alta velocidade, desfrutando de todas as ajudas electrónicas, do equipamento de alto nível e da ciclística requintada.


Acima das 5000rpm, a Tuono devolve qualquer movimento do acelerador com enorme prontidão e pujança, envolta num troar de escape que não deixa ninguém indiferente. A caixa de velocidades é suave e precisa, dotada de um quickshifter extremamente competente a alta rotação, mas que não impressiona nos regimes mais baixos, sobretudo em redução.

O pacote electrónico oferece diversos modos de condução, seis para ser mais preciso, sendo que cada um dos pré-definidos altera automaticamente as diferentes funcionalidades.

Reservados à condução em estrada a Aprilia desenvolveu três modos, sendo que um é personalizável. Para uma eventual utilização em circuito, a marca italiana criou outros três modos, sendo que dois deles são também personalizáveis.

No entanto, aqueles motociclistas com mais apetência para rolar em circuito, podem contar com a mais vocacionada e bem apetrechada versão Factory cujas semelhanças e diferenças pode ver em detalhe se clicar aqui.



Entre as diferentes regulações disponíveis está a potência do motor, a intervenção do controlo de tração, o “anti-wheelie”, o sistema de deteção do levantamento da roda traseira e controlo do efeito travão-motor, este último uma novidade absoluta na Aprilia, e ainda a intervenção do ABS e do controlo de tracção, ambos assistidos por uma unidade de medição de inércia.

Claro que não podia faltar o Cruise Control, para aumentar o conforto em viagem, ou ainda o Launch Control, para arranques na grelha de partida, e o Pit Limiter, que pode eventualmente também ser usado entre os semáforos, para evitar mais do que prováveis excessos de velocidade.

Confesso que, numa primeira fase, apenas me dediquei a tentar avaliar as diferenças entre o modo Tour e o modo Sport, resistindo à tentação de experimentar os modos de pista. Ao perceber que nenhum deles melhorava substancialmente o comportamento a baixa rotação, selecionei definitivamente o modo Sport, por ser aquele em que o motor mostra melhor as suas reais potencialidades e, sem alterar nenhum dos parâmetros de fábrica além do controlo de tracção, cuja intervenção restringi substancialmente mas sem o desligar, limitei-me a explorar a fantástica ciclística.


O quadro e o generoso novo braço oscilante, ambos em alumínio, proporcionam um suporte extremamente rígido à suspensão. A forquilha Sachs de 43 mm de diâmetro, totalmente ajustável, com um curso 120mm e o amortecedor igualmente assinado pela Sachs e totalmente ajustável, com um curso de 129mm, garantem que ambas as rodas com jantes de liga leve e calçadas com os fabulosos pneus Pirelli Diablo III, permanecem coladas ao piso, seja sob aceleração ou sob forte travagem.

Apesar disso, neste caso, e por estar mal habituado, senti a falta de uma regulação electrónica, equipamento que consegue um milagroso compromisso entre o conforto e um imperceptível afundamento da frente e da traseira, sobretudo quando se pretende aproveitar o ABS e o controlo de tração equipados com uma unidade de medição de inércia, que permitem prolongar a travagem muito para lá da entrada em curva, e uma aceleração contundente mas sem sobressaltos sob aceleração, ainda com a moto inclinada.

No caso da Touno V4 ou se sacrifica um pouco o conforto, ou é preciso ter em conta alguma resposta mais brusca da suspensão, sobretudo no momento de largar o travão dianteiro na entrada da curva. Nada que não se consiga remediar com uma condução menos agressiva. Ou com estradas melhores que as nossas.


Aliás, este é um dos pontos em que acho que a Aprilia devia ter aproveitado para marcar a diferença com esta moto, já que a versão Factory conta com suspensões semi-activas. Afinal, como dizia o anúncio, a potência não é nada sem controlo, e para a suspensão poder digerir o ímpeto de uma condução que explore os 170cv que o motor debita, sobretudo em ambiente rodoviário, é preciso muito mais do que uma afinação manual.

Por seu lado, a travagem revelou-se isenta de qualquer reparo. Equipada com pinças Brembo M50 monobloco, com 4 pistões e instalação radial, discos de 300mm de diâmetro e bomba radial com tubagens em malha de aço, mostrou-se potente, doseável, incansável, com o ABS a passar praticamente desapercebido, reagindo com muita rapidez quando entra em ação, e que, graças à Bosch à sua unidade de medição de inércia, permite travar a fundo em descidas, sem corrermos o risco de fazer descolar a roda traseira.

Mas numa moto pensada para viajar, há outros fatores tão ou mais importantes do que o motor ou a ciclística! 



Por isso a Aprilia apostou na ergonomia e conseguiu uma posição de condução bastante agradável, elevada o suficiente para aliviar a carga nos pulsos, e com os poisa-pés colocados em posição recuada, mas sem obrigar a uma demasiada flexão dos joelhos. O assento é confortável e espaçoso, e a proteção aerodinâmica é mais do que suficiente para não se ter que parar frequentemente para limpar a viseira.

O passageiro também tem bastante espaço para se mover, e conta com bom suporte para os pés e mãos. Numa posição mais elevada, graças ao assento independente e elevado, usufrui também de boa visibilidade para desfrutar da paisagem.

O painel de instrumentos tem um ecrã TFT a cores com 5 polegadas e é bastante legível e completo. O interface do utilizador é relativamente simples de usar, e apenas o botão para ligar o cruise control e fixar a velocidade pretendida se mostrou demasiado sensível, a necessitar de alguma paciência, sobretudo em pisos menos regulares.

Outro pormenor importante para quem viaja é a autonomia. Não posso dizer que a Tuono V4 seja referencial nesse aspecto, já que os 18 litros de capacidade total do depósito de combustível apenas conferem uma autonomia prática, isto é até atingir a reserva, na ordem dos 200 quilómetros.

O fabricante indica consumos de 7,2 litros aos 100, mas foi bastante optimista, e quem quiser realmente desfrutar do V4, vai gastar bastante mais do que isso. De qualquer forma, o único problema é mesmo o escandaloso preço da gasolina, que pelos vistos não incomoda muita gente. Basta olhar para preço dos combustíveis em Espanha. Mas adiante. 

Outro fator que me impressionou foi a iluminação, potente, com um foco bem espalhado, e que inclusivamente conta com farois de curva, activados automaticamente pela unidade de medição de inércia, conforme a inclinação, para iluminarem o interior da curva. As luzes de circulação diurnas, em LED de alto brilho, contam com um sensor que as desactiva, ligando as luzes de médios automaticamente quando a luminosidade do dia diminui. Também os piscas contam com um sistema de auto-cancelamento.
Para resumir, a nova Tuono V4 é uma moto diferente que se afigura como uma alternativa desportiva para quem gosta de grandes viagens. O conforto é elevado e as ajudas à condução contribuem para diminuir a fadiga e deixar o condutor mais focado durante períodos mais longos.

O motor revela-se surpreendente no seu desempenho a médios regimes, conseguindo imprimir andamentos muito interessantes, mas carece de elasticidade, tornando-se pouco interessante nos regimes mais baixos. A ciclística proporciona momentos de condução extremamente agradáveis, proporcionando elevados níveis de confiança, pecando apenas por não ter instalada a suspensão semi-activa da versão Factory, que a levavam para um patamar muito superior.

Se ficou curioso, se pretende uma moto para grandes passeios terapêuticos, eventualmente com passageiro, se não resiste ao charme de uma italiana escultural ou de um motor V4, então tente marcar um Test-Ride num dos concessionários da marca e descubra como pode viajar noutra dimensão.

Equipamento:

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Aprilia Tuono V4 | Moto | Motos

andardemoto.pt @ 21-7-2021 10:26:17 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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