Teste Harley-Davidson Sportster S - Cruiser do Futuro

A Harley-Davidson está numa fase de reestruturação e os novos modelos, destinados a uma nova clientela, não deixam de impressionar, seja pela inovação, seja pelas prestações dinâmicas.

andardemoto.pt @ 2-11-2021 07:56:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Harley Davidson Sportster S 2021 | Moto | Sportster

Quando comecei a preparar mentalmente este texto, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a reação e os comentários negativos dos meus colegas fotógrafo e paginador, relativamente à escolha do capacete que usei nesta sessão de fotos. Queriam algo de estilo mais retro, mais ao estilo Harley.

Se não leu aquilo que eu sinto pelo Schuberth M1 Pro, o capacete que pode ver nestas fotos, fique a saber que este é um dos meus favoritos para uma utilização urbana e extra-urbana, sobretudo em motos que convidam, ou nos obrigam, a ritmos mais calmos, ou moderados.

Trata-se de um capacete que parece simples mas é tão revolucionário e tão tecnológico como a própria Haley-Davidson Sportster S, a protagonista deste teste, que posso mesmo dizer que estão perfeitos um para o outro.

À semelhança das velhas Harley-Davidson Sportster, os capacetes do passado eram minimalistas, parcos em conforto e suspeitos em termos de segurança. Dependiam não do estilo, mas antes da disponibilidade de recursos, finanças e, logicamente, do desenvolvimento tecnológico.

Com o avanço da tecnologia e dos conhecimentos sobre anatomia, fisiologia e traumatologia, os capacetes foram paulatinamente melhorando o seu conforto e nível de proteção, até finalmente começarem a ter preocupações em termos de conforto, melhorando os níveis de ruído e ventilação assim como a facilidade de utilização e manutenção, além da capacidade de comunicação. Mesmo os do tipo Jet, como é o caso do Schuberth M1 Pro. 

Mas para alguns motociclistas tudo isso é dispensável e, tal como há quem prefira conduzir uma velha Harley-Davidson 100% analógica, também há quem esteja disposto a riscos e sacrifícios em nome de um estilo ou de um qualquer outro imaginário, e usa capacetes cuja eficácia é seriamente questionável no desempenho do propósito para que foram criados. 

Tudo isto para dizer que, quem esperar encontrar na nova Harley-Davidson Sportster S uma moto minimalista e evocativa de um estilo verdadeiramente old school, pode desenganar-se. 

A nova desportiva da marca de Milwaukee, além da silhueta baixa e esguia, pouco tem a ver com as velhas, modestas e simples Sportsters de antigamente, incluindo até as mais recentes e populares Forty-Eight ou Seventy-Two. Da geração anterior a Sportster S herdou o nome e o carisma da marca. Pouco mais.

Foi submetida a uma profunda operação de rejuvenescimento que se estendeu dos cilindros à suspensão, passando pelo quadro, e a um refinamento tecnológico até agora inexistente numa cruiser, menos ainda uma do seu segmento. Agora, a nova Sportster S faz justiça à sua designação, mostrando-se incomparavelmente mais rápida e controlável que as suas obsoletas antecessoras. Quase que se poderia dizer que este novo modelo é a sua antítese.

A Sportster S, anunciada como o modelo de topo da futura gama, já foi alvo da atenção do Andar de Moto, e pode ficar a conhecer todos os seus detalhes técnicos se clicar aqui, pelo que, nestas linhas, vou evitar debitar a ficha técnica.

Mas não posso deixar de falar sobre alguns dos aspectos mais tecnológicos, sobretudo aqueles que protagonizam maior importância no desempenho final do conjunto. Como tal, e sem qualquer admiração, o motor é o primeiro da lista. 

Com menos vibrações e uma nota de escape interessante, mas bastante longe do velho e típico “potato potato potato”, a nova Sportster S está muito mais perto do desempenho de uma V-Rod do que das suas antecessoras.

Segundo as más-línguas, terá sido a V-Rod, um modelo que foi descontinuado em 2017, e o seu motor Revolution desenvolvido em parceria com a Porsche Design, em finais do século passado, que inspirou a criação da nova Sportster S.

Claro que com todo o desenvolvimento tecnológico, o novo motor, que partilha a mesma engenharia básica e lhe acrescenta, entre uma série inenarrável de pequenas modificação, uma vela dupla em cada cilindro e abertura de válvulas variável, consegue debitar uma cavalagem semelhante, mas com um binário mais elevado a mais baixa rotação, com menos cerca de 80 quilos de peso, o que lhe confere uma relação peso/potência muito interessante, que se reflete em arranques canhão e acelerações muito interessantes.


Em comparação com o Milwaukee Eight, este motor Revolution Max é muito mais rotativo, muito mais elástico e sobe de rotação de forma mais alegre ao longo de toda a escala do taquímetro, com menos vibração e maior elegância, revelando-se muito mais tolerante com a utilização da caixa de velocidades.

Esta, por sua vez, tem um accionamento muito mais suave, direto e preciso.
Mas é a eletrónica que tem um papel realmente importante, tanto a debitar a potência como a manter as rodas bem coladas ao asfalto, sendo a responsável por proporcionar elevados níveis de confiança durante a condução.

É o caso da travagem combinada que beneficia da assistência duma unidade de medição de inércia, proporcionando assistência permanente em curva ao ABS bem como ao Controlo de Tração, e ao sistema "anti-cavalinho", sendo que no caso dos dois últimos o sistema pode ser desligado, para gáudio dos mais afoitos e dos acrobatas.

Por seu lado, o acelerador eletrónico permite diversos modos de condução, com intervenção na entrega de potência e no efeito travão motor, e disponibiliza Cruise Control. 

A suspensão dianteira e traseira são totalmente ajustáveis, manualmente, utilizando uma forquilha invertida Showa com bainhas de 43 mm e um amortecedor da mesma marca, com reservatório externo, que possui ajuste de pré-carga do hidráulico através de um manípulo convenientemente localizado.

Em pisos nivelados, dificilmente encontrados em estradas ou ruas portuguesas, o desempenho da suspensão é francamente bom, anulando as pequenas irregularidades do asfalto e mostrando um bom comportamento em curva e sob travagem.

A forquilha tem um curso de 91,44mm, suficiente para garantir a compostura quando o piso fica ligeiramente degradado, mas no entanto, o curso reduzido do amortecedor traseiro, com apenas 50,8mm de amplitude, compromete seriamente o conforto e a integridade da coluna vertebral do motociclista, nas estradas mais esburacadas.

Os grandes pneus, fabricados especificamente para a Sportster S pela Dunlop, causam um grande impacto visual, sobretudo o dianteiro, de medida 160/70, que apesar de tornar a direção um pouco lenta nas manobras à mão, praticamente não afecta a condução. 

O painel de instrumentos, em TFT a cores, permite emparelhar um smartphone e o sistema de intercomunicação do capacete, e desfrutar de diversas funcionalidades interessantes, como a gestão de chamadas ou o GPS, com um interface simples e lógico, a que se acede através de diversos botões bem posicionados, numa configuração muito parecida com a usada na nova Pan America, com quem também partilha o motor.

A iluminação é em LED integral e nem falta a monitorização da pressão dos pneus nem o sistema “keyless”, ou sem chave, que incorpora alarme, mas que infelizmente não está ligado à tranca da direção nem ao tampão do depósito de combustível, que necessitam da chave fornecida em separado.

A posição de condução é tipicamente cruiser e potencia as sensações transmitidas pelo impressionante motor, mas é pouco ergonómica, com os pés para a frente e o guiador largo, baixo e avançado, sendo mais propícia para pequenas deslocações do que para grandes viagens.

Até porque o depósito, com uma capacidade para apenas 11,8 litros de combustível, mesmo que se consigam consumos na ordem dos 5,1 litros aos 100 quilómetros, como indicado pelo fabricante, proporciona autonomias práticas inferiores a 200 quilómetros.

Outro aspecto a considerar é o calor emitido pelo motor e escape que, num dia quente e no meio do trânsito urbano, e apesar de o cilindro traseiro apenas bombar ar enquanto ao ralenti, pode ser sentido com alguma intensidade, sobretudo ao nível da coxa direita.

A proteção aerodinâmica, como seria de esperar numa moto deste tipo, é exígua, mas a visibilidade é boa, mesmo para trás, apesar dos pequenos espelhos retrovisores colocados na extremidade do guiador. O assento, colocado a apenas 734 mm do chão, favorece as estaturas mais baixas e manobrar os 228 kg de peso a cheio é uma tarefa relativamente fácil.

A qualidade de construção é irrepreensível sob todos os aspectos. Não há vibrações nem ruídos parasitas e a sensação de robustez é grande.

As ponteiras de escape em aço Inox, o acabamento acobreado das cabeças dos cilindros e tampas do motor, o braço oscilante em treliça de tubos de aço, prolongado para servir de suporte de matrícula, as manetes reguláveis, a ausência quase total de tubos e cabos em redor do motor e as bonitas jantes de alumínio fundido, são uma prova do empenho que a Harley-Davidson colocou no desenvolvimento desta nova moto.

Resumindo, a Sportster S salta à vista pelo seu design, de inspiração Bobber com acabamentos a negro. Delicia-nos com o seu desempenho dinâmico e conquista-nos com o prazer de condução, revelando-se bastante intuitiva e fácil de inserir em curva e até mesmo de manobrar.


Apesar da sua configuração, a inclinação lateral é suficiente para enfrentar a maioria das curvas sem receio de raspar com os poisa-pés no asfalto e a travagem é mais do que suficiente para uma condução despreocupada, graças ao material de fricção assinado pela Brembo.

A transmissão final por correia contribui para um reduzido nível de vibrações e ruído, que potencia a sensação de solidez que o conjunto oferece. 

Estará a Harley-Davidson empenhada em definir as Cruiser do Futuro? Parece que sim, a avaliar pela velocidade com que este modelo está a sair dos stands e as encomendas se empilham em lista de espera!

Equipamento:

Neste teste usámos o seguinte equipamento de proteção e segurança:

Capacete Schuberth M1 Pro

Blusão RSW Dennis

Calças RSW Peter

Botas TCX Rook

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Harley Davidson Sportster S 2021 | Moto | Sportster

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