Teste Aprilia Tuareg 660 - Um novo rumo

A Aprilia concebeu uma nova moto que faz subir a parada do segmento, com um nível de equipamento muito acima da média, num conjunto que é um verdadeiro regalo para os sentidos.

andardemoto.pt @ 1-2-2022 02:34:06 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

Esta entrada pode parecer demasiado publicitária, mas a verdade é que não me saem da memória os bons momentos que passei aos comandos desta nova Aprilia Tuareg 660.

Quando peguei nela para este teste, tinha como referência o desempenho do bicilíndrico que a equipa, por já ter rodado com ele na congénere RS660. Uma unidade motriz extremamente agradável e potente, mas simultaneamente compacta, desenvolvida a partir do banco de cilindros dianteiro do extremamente eficaz motor V4 de 1100cc das RSV, do qual herda os conceitos e medidas que lhe conferem raça e uma homologação Euro5.

Desde então que ansiava pôr as mãos na Tuareg 660. E a principal razão era, sem dúvida, as prestações do motor, mais especificamente o prazer de condução que ele consegue proporcionar. 

Agora, adaptado a uma moto de tipologia trail, com a eletrónica reprogramada e uma linha de escape diferente, apesar de a potência ter baixado dos 100 para os 80 cavalos, proporciona uma maior entrega de potência a baixos regimes, sendo na prática ainda mais impressionante e divertido de conduzir.

Segundo dados de fábrica, 75% dos 70 Nm de binário encontram-se disponíveis logo às 3.000 rpm, e a transmissão final mais reduzida (à custa de um pinhão de ataque com apenas 15 dentes, em vez dos 17 das suas congéneres RS e Tuono 660) torna a resposta ao acelerador praticamente instantânea, seja em manobra, por maus pisos, seja em estrada, na saída da curva ou para ultrapassagens. Na prática, a sua grande elasticidade permite rolar sem grandes preocupações com a mudança engrenada.

A caixa de velocidades é bastante precisa e o seu accionamento é muito leve, mas mostra alguma rusticidade no pedal, que merece o benefício da dúvida pelo facto de a moto que tive oportunidade de testar, apenas registar pouco mais de 1000 quilómetros no odómetro. Pena que esta unidade não tivesse instalado o quickshifter, que é apenas disponibilizado como acessório opcional.

Em termos de consumos a Tuareg 660 é bastante espartana, pelo que o seu depósito de combustível, com uma capacidade para 18 litros, permite facilmente autonomias a rondar os 400 quilómetros.

Graças à configuração de combustão assimétrica, derivada da ignição a 270º, a nota de escape e o ressonar da admissão são bastante fortes e tornam a condução muito excitante, pelo que a embraiagem, deslizante, assistida e accionada por cabo, e que se mostra extremamente leve e doseável na manete, é uma grande aliada nas reduções mais violentas.

Além do motor vir efectivamente mais cheio e agradável de conduzir a baixos e médios regimes, a sua configuração compacta permitiu à Aprilia conceber um quadro esguio, bastante estreito entre as pernas, dotado de uma ciclística que se lhe adapta na perfeição e que resulta num excelente comportamento dinâmico em qualquer tipo de piso. 


A grande agilidade provém do baixo centro de gravidade e do desempenho das suspensões. O depósito de combustível colocado muito em baixo, atrás do motor e bem centrado na moto, permitiu ainda aos engenheiros de Noale colocar a caixa de ar muito elevada, o que facilita a limpeza do filtro e proporciona uma grande vantagem caso se tenha que cruzar cursos de água.

Também graças à centralização de massas a Tuareg 660 é rápida e intuitiva na inserção em curva e estável tanto na entrada, sob travagem, como na saída, sob aceleração. Apesar do longo curso da suspensão (240 mm em ambos os eixos), o afundamento é bastante controlado, permitindo ritmos extremamente rápidos com muita confiança.

Fora de estrada, a suspensão, que é completamente regulável e que até inclui regulação remota da pré-carga do amortecedor traseiro, consegue também fazer maravilhas, mantendo tração mesmo quando o piso se torna demasiado irregular, proporcionando uma elevada estabilidade em qualquer situação e uma boa resposta à distribuição do peso nos poisa-pés. A grande altura livre ao solo também permite ultrapassar facilmente obstáculos mais complicados.



A roda dianteira de 21 polegadas é uma mais-valia para o fora de estrada, mas não impede um excelente desempenho no alcatrão. O mesmo é válido para os excelentes pneus Pirelli Scorpion Rally, a que as jantes raiadas permitem uma montagem sem câmara de ar, e cujo comportamento em asfalto é impressionantemente bom, permitindo à Tuareg 660 mostrar sem reservas o seu elevado potencial.

No que à travagem diz respeito também só há aspetos positivos. Equipada com material Brembo, apresenta uma mordida bastante forte e uma grande dosagem em ambas as rodas. Também graças ao bom desempenho dos pneus, o ABS raramente chega a intervir.

O pacote eletrónico é bastante completo. O acelerador eletrónico disponibiliza modos de condução que podem ser instantaneamente selecionados, mesmo em andamento, incluindo um modo completamente personalizável, que permite definir diversos parâmetros como o efeito travão-motor (com 3 níveis) o nível de intervenção do ABS (com dois níveis e que pode também ser completamente desligado em ambas as rodas, apesar de em modo offroad o ABS ser automaticamente desligado na roda traseira).


Este modo personalizável também permite selecionar a intervenção do controlo de tracção, que pode ser regulado em 4 níveis, tal como o nível de entrega de potência do motor. A Tuareg 660 inclui ainda cruise control e um suporte multimédia no painel de instrumentos, em TFT a cores com cinco polegadas de diagonal, que permite emparelhar um smartphone e dois intercomunicadores, e gerir chamadas telefónicas e mensagens, além de reproduzir indicações GPS curva a curva.

O interface do utilizador é extremamente intuitivo, permitindo navegar os diversos menus através de um joypad bastante bem colocado no punho esquerdo.

Apenas o botão de accionamento do cruise control, comum a diversos modelos da Aprilia, é que não me convence, por ser demasiado sensível e tornar difícil a sua ligação em pisos irregulares, sobretudo com luvas mais grossas.

Para resumir as minhas impressões tenho que mencionar a posição de condução, que encontrei perfeita, tanto sentado como em pé, com muito espaço para fazer manobras e a permitir um bom suporte ao ser muito estreita entre pernas.

A proteção aerodinâmica é muito aceitável, indicada para uma utilização fora de estrada, mas podia ser melhorada para utilização em asfalto. Por isso a Aprilia disponibiliza um ecrã pára-brisas 4 centímetros mais alto, opcional, mas que também não permite regulação em altura.

A minha estatura de metro e oitenta encaixa na perfeição no posto de condução, com os joelhos bem protegidos pela carenagem, e mesmo motociclistas de estatura mais baixa não vão ter dificuldade em apoiar ambos os pés no chão.

Mas o grande argumento da Tuareg 660 é efectivamente o desempenho dinâmico. À alegria com que o bicilíndrico sobe de rotação e à confiança que a ciclística transmite em qualquer situação e que a torna extremamente divertida de conduzir, acresce a excelente capacidade de travagem e a grande agilidade que demonstra em manobra, sobretudo fora de estrada.

Sem dúvida uma moto que vem dar um novo rumo a um segmento que é dos mais interessantes para uma utilização de aventura, seja em asfalto ou fora dele.

Parecendo ainda mais leve do que realmente é, a facilidade com que permite contornar obstáculos e definir a trajetória pretendida torna-se quase desconcertante. Mesmo para quem, como eu, não faz muita questão de andar em pisos menos firmes, a Tuareg 660 revela-se provocadora, incentivando a que se exija mais dela para apreciar a forma como, com extrema precisão, responde às mais diversas solicitações.

A iluminação integral em LED, com uma assinatura luminosa bastante impactante, é outro dos pontos a destacar, sobretudo ao nível do farol dianteiro, potente e bem direcionado.

A qualidade de construção é irrepreensível, com bons acabamentos e pormenores muito interessantes. No entanto, alguns aspetos são um pouco decepcionantes, como o tampão do depósito, em plástico e sem dobradiça, ou a falta de regulação em altura do ecrã pára-brisas.


Para terminar, e apesar de normalmente não fazer comentários à estética das motos, costumo até dizer que gosto mesmo é de andar nelas e que, aos seus comandos, aquilo que menos me entusiasma é a estética, tenho que admitir que as linhas desta Tuareg me agradam bastante.

Não admira, porque também gosto imenso da Moto Guzzi V85TT, que foi igualmente desenhada por Mirko Zocco, no Piaggio Advanced Design Center, em Pasadena na California, sob a liderança do bem conhecido Miguel Galluzzi, o veterano argentino que começou a sua carreira na Cagiva, passou pela Ducati, onde entre outras motos desenhou a Monster original e a ST2, ingressando na Aprilia em 2006, sendo actualmente o responsável pelo design do grupo Piaggio.

A Aprilia Tuareg 660 vai estar disponível em 3 esquemas cromáticos, por 12.200€ nas opções de cor Acid Gold (nas imagens) e Martian Red, enquanto a opção de cor Indaco Tagelmust, que é uma homenagem à Tuareg 600 Wind de 1988 que participou oficialmente do Rally Paris-Dakar, tem um PVP de 12.900€.

Equipamento

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:

Capacete Schuberth C5

Luvas REV’IT Arch

Fato Rev’It! Poseidon 2 GTX

Botas TCX Clima Surround GTX

andardemoto.pt @ 1-2-2022 02:34:06 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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