Teste SYM Maxsym TL 508 - Mais próxima do topo
A Maxsym TL mudou a sua designação de 500 para 508. Mas mais do que um número, a última versão da proposta da SYM para o segmento das maxi-scooters está mais potente, melhor equipada, e com um preço que se mantém altamente concorrencial. Fomos testá-la.
andardemoto.pt @ 11-7-2023 07:00:00 - Texto: Pedro Alpiarça | Fotos: Luis Duarte
Estas scooters musculadas nutrem legiões de fãs nos mercados franceses, espanhóis e italianos. Terão eles condições diferentes de circulação nas grandes cidades? Vias mais largas, limites de velocidade mais permissivos? Seremos nós mais tacanhos no que toca à aquisição de uma máquina que mistura performance e utilidade de forma única, só porque cedemos ao preconceito de ter uma scooter? Talvez. Ou então, simplesmente não conseguimos justificar o seu valor tendo em conta o nosso poder de compra…
E é neste enquadramento que referimos que a nova SYM Maxsym TL 508 custa sensivelmente menos 3 mil euros que a versão base da referência no segmento (uma japonesa cujo nome começa num T e acaba em Max). Nos dias em que estivemos aos seus comandos, tentámos perceber o porquê de não se verem tantas máquinas destas nas nossas estradas, tarefa árdua e exigente, à qual nos dedicámos a fundo. Muitas vezes, literalmente.
Comecemos por vos dizer que a unidade ensaiada induzia ao engano, visto que este “azul-quase-roxo” não se encontra disponível no nosso país. Um “Cinzento Nardo” e um “Preto Mate” serão as opções possíveis de escolha, vestindo uma silhueta compacta e de formas contidas, sem grandes alterações em relação ao modelo que precede. A nova Maxsym continua a identificar-se mais como uma 400 com esteroides do que uma scooter GT com devaneios de Gold Wing, e ainda bem, porque na sua curta distância entre eixos (1543 mm) encontramos um indicador de agilidade e dinamismo.
A iluminação full LED tem uma assinatura visual discreta mas com pormenores interessantes, sobretudo quando tentamos perceber o espectro de luz do farol traseiro (tecnologia denominada de LED OPTICAL FILM). Não adorámos a textura de alguns plásticos com vontade de imitar carbono, mas os espelhos rebatíveis são uma importante adição quando tentamos passar no chamado “buraco da agulha”.
A qualidade de vida a bordo é agradável, temos dois compartimentos de arrumos para pequenos objectos, sendo que num deles conseguimos albergar e carregar (graças a uma tomada USB 3.0) um smartphone de dimensões razoáveis. Os comutadores foram claramente desenhados a pensar - única e exclusivamente - na sua função (mas não se sentem excessivamente plásticos) e debaixo do assento conseguimos colocar facilmente um capacete integral, sobrando algum espaço outros volumes de menores dimensões. Sendo iluminado e com revestimento alcatifado, a sua capacidade está a par do que a concorrência oferece, mas longe das irmãs de menor cilindrada (fruto da maior dimensão e posicionamento do motor bicilíndrico). Um pormenor por nós muito apreciado foi o travão de parque associado ao descanso lateral, uma solução simples mas bastante prática e confortável de utilizar.
De chave no bolso (graças ao novo sistema keyless) preparamo-nos para dar vida ao motor, e imediatamente nos adaptamos à boa posição de condução proporcionada pelo amplo assento e pelo guiador largo e bem posicionado. Os 795 mm de altura ajudam a conseguir um fácil acesso ao solo. O dimensionamento deste triângulo ergonómico, é fundamental para que estejamos confortáveis a manobrar a Maxsym em espaços exíguos, e de facto rapidamente damos por nós a desenhar verdadeiras faenas no meio das feras de quatro rodas. Os 227 Kg estão disfarçados pela boa distribuição de massas, e acabam por se tornar irrelevantes nesta arte. Para aqueles que têm as pernas mais curtas, o espaço reservado à colocação dos pés, acaba por posicionar as mesmas com um ângulo demasiado aberto, um facto que requer alguma habituação.
O novo motor é a grande novidade desta TL 508. Agora homologado sob as directrizes da norma Euro 5, aumentou a sua cilindrada e ganhou potência. O bicilíndrico paralelo tem agora 508 cc, e debita uns saudáveis 45,5 cv às 6750 rpm (entregando 49,9 Nm de binário, às 5250 rpm), valores que a aproximam das concorrentes directas. A atitude solícita e cheia nos médios regimes é a principal característica que o define. Nos primeiros milímetros de curso sente-se a transmissão por corrente, tornando a resposta mais directa do que poderíamos julgar numa scooter sobredimensionada. Nada a que não nos adaptemos sem dramas de maior, até porque a grande vantagem destas máquinas é a sua capacidade de conquistar o espaço à sua frente, livrando-nos de situações complicadas. Esta solução terá sempre o óbice de uma óbvia manutenção em comparação com a tradicional correia, mas não é a única maxi-scooter a usar corrente (a Honda Forza 750 também usa este tipo de transmissão final).
Nas vias mais rápidas, apreciamos a protecção aerodinâmica oferecida pelo conjunto frontal, o ecrã é bem dimensionado e sobretudo bem intencionado na sua posição mais elevada. O ajuste é possível com recurso a ferramenta, e uma polegada abaixo é tudo que podemos esperar se quisermos estar mais expostos aos elementos.
Enquanto divagamos sobre estes pequenos grandes pormenores e a sua relevância no valor final, a Maxsym assume um controlo voraz sobre os acontecimentos quando o velocímetro ultrapassa os três dígitos. As recuperações são lestas e até mesmo surpreendentes, e não existem vibrações notórias que nos incomodem, graças a um bom trabalho de engenharia motriz. A nota de escape é entusiasta e reflete a personalidade característica do motor (os dois pistões movem-se em simultâneo, a 360º, mas dispõe de um terceiro “falso cilindro” para questões de equilíbrio), que muito embora não goze de um desenvolvimento fenomenal no último terço, compensa com a sua entrega contundente a meio do seu espectro rotativo.
Chegados a uma zona de traçado mais encadeado, torna-se evidente que temos debaixo de nós uma ciclística muito bem desenvolvida. Se as suspensões já tinham evidenciado toda a sua classe nos pisos empedrados, num andamento mais empenhado surgem as notas de robustez e desportividade que nos dão confiança para apertar o ritmo. Temos forquilhas invertidas com bainhas de ⌀41 mm no eixo dianteiro seguras por duas mesas de direcção (à semelhança de uma moto convencional), e uma suspensão traseira composta por um mono amortecedor (ajustável na pré-carga) que trabalha o braço oscilante de alumínio com recurso a um brilhante sistema multilink. Este amortecimento torna-se muito eficaz a debelar torções e aliada à travagem potente (na frente temos dois discos recortados de ⌀275 mm mordidos por uma pinça radial de quatro pistões, e na roda traseira temos um disco ⌀275 mm), permite-nos alguns brilharetes nas entradas em curva mais optimistas. Há uma certa progressividade mecânica na acção da travagem e das suspensões, mas a rigidez do conjunto é notória e agradece-se a precisão.
Dinamicamente, esta SYM Maxsym TL 508 surpreendeu-nos de sobremaneira, fazendo uso da sua distribuição de peso (50/50) para as ágeis transferências de massa, e com muito boa capacidade de atingir ângulos sem raspar material (normalmente, quem sofre é o descanso central, servindo de avisador). Os pneus Maxxis Supermaxx S3 (120/70 no eixo dianteiro e 160/60 no eixo posterior) estão à altura do desafio, faltando comprovar a sua eficácia nos dias mais cinzentos. Claro que nessas alturas podemos contar com um controlo de tração desenvolvido de raiz para este novo modelo, que nunca se mostrou intrusivo nestas condições.
E como a convivência diária com uma máquina desta tipologia tem de casar com uma certa sensibilidade económica, os consumos abaixo dos 5L/100km são muito bem-vindos. O depósito de 12,5 L poderia ser maior, assim como a inexplicável ausência de autonomia ou de média calculada. O display TFT faz uns truques engraçados ao alterar a informação central, mas podemos sempre contar com uma boa legibilidade em todo o seu conjunto. Nem o pequeno orifício frontal que permite a montagem de uma camera de filmar foi esquecido.
Com este importante update na sua Scooter mais desportiva, a intenção da SYM é bastante clara, e na nossa opinião, bem conseguida. A Maxsym TL 508 está mais rápida, mantém a sua eficácia ciclística e apresenta novas soluções a nível da sua praticabilidade. Tudo isto sem perder a sua principal e surpreendente vantagem, o seu preço (10,499 €). A rival conterrânea de Taiwan, a Kymco AK 550, também fez melhoramentos no seu porta estandarte, e estivemos na sua apresentação em terras lusas. Em breve, montaremos um comparativo para vos contarmos tudo.
andardemoto.pt @ 11-7-2023 07:00:00 - Texto: Pedro Alpiarça | Fotos: Luis Duarte
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