Teste ATAC ADV 125: Aventureira Quanto Baste
Fomos testar uma ATAC, a marca desenvolvida especificamente para o nosso país pela Lusomotos, mais concretamente uma scooter de perfil crossover, a ADV 125, para percebermos o seu posicionamento no mercado hipercompetitivo das 125.
andardemoto.pt @ 5-3-2026 08:20:19 - Texto: Pedro Pereira Fotos: Luís Duarte
Quando ouvi pela primeira vez o nome da marca, dei por mim a pensar que, há algumas décadas, existia um sistema chamado ATAC que a Honda usava nos seus motores a dois tempos. A sigla significava Automatic Torque Amplification Chamber e correspondia à designação usada para descrever uma válvula, do tipo borboleta, que permitia gerir a saída dos gases do motor, permitindo aumentar o binário a baixa rotação, sem comprometer a resposta nos regimes mais elevados.
Depois deste devaneio, volto à nova máquina com a chancela da Lusomotos, que tem neste modelo uma scooter de perfil mais aventureiro (daí a designação ADV, abreviatura de ADVenture) em que saltam imediatamente à vista os pneus mais largos, tal como toda a estrutura da moto em posição mais elevada.
Num momento em que a diversidade está na ordem do dia, esta ADV não traz nada de novo ao segmento das 125 cc, pois já existem várias marcas com modelos crossover, mas esta scooter tem “boa pinta” e este branco brilhante fica-lhe bem, no entanto fica a dúvida se merece ficar suja de barro.
As primeiras impressões são marcantes
A primeira vez que a vi ao vivo foi exatamente quando iniciei o test ride e as expectativas não eram altas. Uma scooter com ar de aventura, a custar 2.790 Euros (mais despesas) e com uma presença que não difere muito das suas adversárias… será que tem argumentos para singrar ou será apenas mais uma?
Se quiser, podemos ir até um pouco mais longe: fará sentido termos scooters deste perfil? Não servem realmente para um off-road muito violento e os pneus mais largos pioram consumos e retiram performance. Não será mais forma que função?
Mas tudo isso é irrelevante se pensarmos que o mercado as valoriza e o seu uso citadino faz sentido, tal como a posição de condução mais elevada e a maior capacidade de absorção nas ratoeiras que proliferam nas nossas estradas.
Esteticamente esta ATAC ADV 125 resulta bem. Há harmonia nas suas linhas, com uma frente mais volumosa e elevada, onde se destaca a iluminação bem conseguida e um pára-brisas com regulação em duas posições. Não que as performances sejam assim tão elevadas para o vento nos castigar, mas mais proteção contra os elementos é sempre bem-vinda.
Quando nos aproximamos mais, percebemos que houve contenção nos custos e que há pormenores de acabamento a rever. Mas ainda assim, no global, a ATAC 125 consegue surpreender em vários pontos, incluindo o desempenho do motor, bastante linear e económico, ou o amplo assento do condutor, ainda que se revele algo escorregadio.
Quando nos aproximamos mais, percebemos que houve contenção nos custos e que há pormenores de acabamento a rever. Mas ainda assim, no global, a ATAC 125 consegue surpreender em vários pontos, incluindo o desempenho do motor, bastante linear e económico, ou o amplo assento do condutor, ainda que se revele algo escorregadio.
A distância entre eixos relativamente curta não compromete a estabilidade do conjunto, mas não ajuda na posição de condução nem no espaço para as pernas, sobretudo para quem prefere adotar uma postura de condução com as pernas mais esticadas.Debaixo do assento existe espaço para um capacete jet não muito grande e uma segunda área de arrumação. Na lateral esquerda do escudo dianteiro, há um compartimento com bastante capacidade, perfeito para guardar o telemóvel, a carteira ou o comando da garagem e é lá que encontramos uma tomada USB. Pena que não tenha fechadura.
Impressões de condução
O motor de 125 cc, com refrigeração por líquido, é capaz de debitar 14,5 cv às 8.750 rpm a partir de um binário máximo de 12 Nm registado às 8.250 rpm. A sua resposta é suave e o som da bonita ponteira de escape é apenas um murmúrio. A zona vermelha do conta-rotações surge por volta das 8.000 rpm (próximo dos 100 km/h), mas consegue ir mais além, sobretudo se o relevo e o vento ajudarem!
O peso está bastante bem distribuído e o motor dá conta do recado, pelo menos até aos 80 ou 90 km/h, velocidade que atinge com desenvoltura.
Em pisos de pior qualidade, escuta-se um ou outro chocalhar, mas vamos bem instalados, ainda que as suspensões, sem qualquer regulação, tenham alguma dificuldade em digerir o asfalto de pior qualidade. Esse efeito é mitigado pelos largos pneus, nas medidas 130/70-14 à frente e 110/80-13 atrás, de marca Cordial, que cumpriram com mérito o teste, até mesmo com chuva.
A travagem conta com um disco em cada eixo, sendo o dianteiro suave e progressivo e o traseiro, pelo contrário, mais brusco e potente que, se acionado com alguma energia, facilmente bloqueia a roda traseira!
O consumo de combustível, como seria de prever, é de passarinho. Apesar desta ATAC ter ainda menos de 1000 km, os consumos registados foram inferiores a 3 litros aos 100 e a autonomia é um dos seus pontos fortes. Há apenas a considerar que o depósito de combustível, colocado em posição elevada, no túnel central, pode complicar a acessibilidade a condutores mais baixos ou com mobilidade reduzida.
Para o passageiro, o espaço é suficiente e o material que cobre o assento tem até mais aderência que o do condutor. Apesar de apresentar pegas bem desenhadas para o passageiro, falta-lhe um suporte traseiro para carga. Os dois amortecedores, com bonito efeito estético dos reservatórios de expansão, ajudam a suavizar o asfalto, mas só até determinado ponto e o seu desempenho não melhora com dois ocupantes.
Notas finais
A estética pode ser um importante fator de escolha em qualquer moto, mas na ADV 125 este é um ponto a seu favor.
Se procura uma scooter nova, por um preço competitivo, focada no essencial, sem grandes floreados ou tecnologias, mas que seja capaz de o transportar de forma económica, confortável, simples e descomprometida, então faz todo o sentido deitar o olho à ADV 125.
Entre o valor pedido e aquilo que oferece, o fiel da balança pende nitidamente para o segundo lado e acaba por ser uma compra mais racional do que se possa imaginar. Pessoalmente era capaz de ter uma, para um uso diário em ambiente urbano, deixando a “moto maior” para usar nas restantes circunstâncias.
Equipamento:
Capacete: SMK Gullwing
Casaco: Merlin Hixon
Luvas: Alpinestars Crestone Gore Tex
calças: Alpinestars Merc
Botas: TCX Street 3
andardemoto.pt @ 5-3-2026 08:20:19 - Texto: Pedro Pereira Fotos: Luís Duarte
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