As motos que venceram o Dakar

Fique a conhecer todas as motos que ganharam o Dakar até ao ano 2000. Sim, porque a partir daí a KTM tem dominado a mais dura prova do mundo!

andardemoto.pt @ 12-1-2018 03:13:01

Tudo começou há 40 anos. O Paris-Dakar Rally foi criado pelo francês Thierry Sabine, um aventureiro motociclista que em 1977, durante a prova Abidjan-Nice, se perdeu no Deserto do Ténéré e acabou por idealizar uma prova que pudesse desafiar os pilotos mais aventureiros. A partir de então, dedicou literalmente a resto da sua vida à organização do grandioso evento, até ter falecido, a 14 de Janeiro de 1986, no Mali, quando o helicóptero em que se deslocava se despenhou contra uma duna, sob uma súbita tempestade de areia. Mas o Dakar não parou, e até aos dias de hoje, continua a ser um verdadeiro desafio para homens e máquinas.

Abaixo deixamos-lhe um breve resumo das diversas motos (e pilotos) que venceram o Rali Dakar, até ao final do século passado. Isto porque, a partir de 2001 e até 2017, a KTM venceu todas as edições realizadas.

Ainda não sabemos o desfecho da edição de 2018 por isso, falaremos da marca austríaca, e do seu invulgar domínio do Dakar, noutra ocasião.

1979 Yamaha XT500

Cyril Neveu concedeu à Yamaha XT500 o título de primeira vencedora do Dakar

Cyril Neveu concedeu à Yamaha XT500 o título de primeira vencedora do Dakar

 A primeira edição da mais dura prova do mundo, em 1979, à época denominada por  “Oasis Rally”, partiu de Paris, em direcção a Dakar, no dia 26 de Dezembro 1978. A caravana, com 182 participantes, dos quais 90 eram motociclistas,  tinha pela sua frente 12.000km de pistas, desertos e incertezas que iriam demorar pelo menos 20 dias!

E foi uma pequena moto, com um motor monocilíndrico que debitava uns escassos 32cv, muito leve, com apenas 140kg, mas ainda assim capaz de atingir velocidades na ordem dos 160km/h, que pelas mãos de Cyril Neveu venceu a prova dois anos consecutivos (1979 e 1980).

Em 1979, e pela mão de Gilles Comte, conseguiu também o segundo lugar e na edição de 1980, os quatro primeiros classificados na categoria de motos, todos eles pilotavam uma Yamaha XT500.

1981 BMW R80 G/S

Hubert Auriol e a sua BMW R80 GS, em 1981

Hubert Auriol e a sua BMW R80 GS, em 1981

A história de sucesso das BMW GS começou aqui. Apresentada ao mundo em Setembro de 1980, equipada com um motor boxer de 800cc que debitava uns interessantes 50cv, e com um peso de apenas 170kg, a BMW R80 G/S levou à vitória Hubert Auriol, com uma vantagem de 3 horas sobre o segundo classificado, na chegada ao Lac Rose.

1982 Honda XL 500R

Cyril Neveu a "voar" na sua Honda XL 500R

Cyril Neveu a "voar" na sua Honda XL 500R

1982 foi o ano da grande exposição mediática do Dakar. À conta do filho da então primeiro-ministro britânica Margaret Thatcher, Mark Thatcher, que participou na prova nesse ano, se ter perdido no deserto do Sahara e de ter estado desaparecido durante 4 dias, o facto foi noticiado exaustivamente. Foi então que o Dakar, com as suas dificuldades e os seus riscos, ficou a ser conhecido por todo o mundo!

Cyril Neveu, entretanto contratado pela Honda, explorou todo o potencial do conjunto da pequena Honda XL 500R, cujo motor refrigerado a ar debitava uns bem modestos 32cv, beneficiando do seu peso pluma de apenas 137kg. Foi a primeira moto de aventura a utilizar uma suspensão traseira pro-link do tipo monoshock. Beneficiando da desistência das BMW, o francês conquistou uma inesperada vitória que despertou as ambições do gigante japonês.

1983 BMW R100 GS

Gaston Rahier era minúsculo comparado com a imponente BMW R100 GS

Gaston Rahier era minúsculo comparado com a imponente BMW R100 GS

Face às desistências das BMW no ano anterior, a marca Bávara regressa em força ao Dakar com uma GS reformulada, com uma nova suspensão com maior curso, e um motor mais potente. 

E Hubert Auriol aproveita a vantagem e volta a vencer o Dakar, numa edição em que apenas terminaram 29 das 132 motos inscritas. A R100GS venceu ainda em 1984 e 1985 pela mão do pequeno, mas exímio piloto belga, Gaston Rahier.


1986 Honda NXR 750V

Cyril Neveu, Honda NXR 750V, Dakar 1986

Cyril Neveu, Honda NXR 750V, Dakar 1986

1986 foi ano da morte do fundador da Dakar, Thierry Sabine, vítima de um acidente de helicóptero equanto dirigia a prova. Foi também a mais longa edição do Dakar alguma vez disputada, com cerca de 15.000km de extensão, cumpridos em 22 esgotantes dias.

Desenhada de raiz para vencer o Dakar, a Honda NXR 750V cumpriu o objectivo. Foi a primeira moto de aventura com refrigeração por líquido. Uma capacidade para 59 litros de combustível, que acrescia a um peso de 208 kg, e o motor bicilíndrico em V, que conseguia atingir uma velocidade máxima de 177km/h, foram vantagens que deram a Cyril Neveu a oportunidade de vencer mais um Dakar, feito que repetiu novamente em 1987.

No ano de estreia, a “Desert Queen”, como então foi baptizada, ainda conseguiu um pleno no pódio, com Gilles Lalay a reclamar para si o segundo lugar da geral, e Andrea Balistrieri, o terceiro.

Foi esta moto de competição que esteve na origem da consagrada Honda Africa Twin XRV650, produzida entre 1988 e 1989, quando foi substituída pela XRV750.

1988 Honda NXR 800V

 Paris-Dakar 1988 - Orioli com a NXR 800V a caminho da vitória

Paris-Dakar 1988 - Orioli com a NXR 800V a caminho da vitória

Uma versão melhorada da NXR, com uma cilindrada aumentada e uns pequenos acertos técnicos, que continuou a escrever o sucesso da Honda no Dakar por mais dois anos consecutivos. Edi Orioli levou-a ao mais alto lugar do pódio em 1988. 

E em 1989 a Honda NXR 800V consegue fazer Gilles Lalay vencer finalmente o seu primeiro Dakar.

1990 Cagiva Elefant 900

Edi Orioli conquistou a primeira vitória para uma marca italiana no Dakar

Edi Orioli conquistou a primeira vitória para uma marca italiana no Dakar

Com a Honda retirada da grande prova, Edi Orioli assina com Claudio Castiglioni o contrato para a sua participação no Dakar de 1990, aos comandos da Cagiva Elefant 900, moto que já andava em desenvolvimento há alguns anos.

A inovadora moto, apresentava 188kg de peso e um motor V2 desmodrómico refrigerado a ar, proveniente da Ducati 900SS (a Ducati era à data propriedade da Cagiva) que debitava 68cv de potência.

Dominando a concorrência de forma autoritária, o piloto italiano conquistava assim a sua segunda vitória no Dakar, e a primeira para uma marca italiana, tendo voltado a repetir a vitória, com a mesma moto, em 1994.

1991 Yamaha XTZ750

Stéphane Peterhansel leva à vitória a sua mítica “Super Ténéré”

Stéphane Peterhansel leva à vitória a sua mítica “Super Ténéré”

Este foi finalmente o ano de Stéphane Peterhansel levar à vitória a mítica “Super Ténéré”. Uma moto derivada da versão de produção, a XTZ750 SuperTénéré, lançada em 1989 e que apresentava, além do motor bicilindrico, DOHC, com 10 válvulas e 802,5cc, a debitar 75cv, um peso a seco de 194kg, a que iria juntar-se a carga representada pelos dois depósitos de combustível com uma capacidade conjunta para 64 litros.

A partir da edição de 1992 até 1998, a Yamaha, já com uma versão melhorada da sua máquina, baptizada de YZE850T, e Stéphane Peterhansel, venceram todas as provas, excepção feita ao ano de 1996 em que Edi Orioli ganhou a sua 4ª e última edição do Dakar, mas também ele aos comandos de uma Yamaha YZE850T.

Na edição de 1998 já a KTM representava uma séria ameaça, tendo colocado 9 motos nos 10 lugares de topo da classificação, atrás da Yamaha de Peterhansel.

1999 BMW F650RR

Richard Sainct conseguiu impôr a sua  BMW F650RR à armada da KTM

Richard Sainct conseguiu impôr a sua BMW F650RR à armada da KTM

Mais ou menos a repetir-se o cenário do ano anterior, Richard Sainct conseguiu impôr a sua  BMW F650RR à armada da KTM, que logo atrás de si colocou 3 motos nos 4 primeiros lugares, tendo a vitória escapado a Thierry Magnaldi por escassos 4 minutos.

A nova BMW estava equipada com um motor monocilindrico de 700cc e debitava 75cv. Contava com 2 depósitos de 12 litros, e 3 depósito de 7 litros cada, um colocado ao centro e dois atrás, em posição lateral, perfazendo um total de 45 litros de combustível, cujo peso somava aos 168kg da moto.

No ano 2000, com uma versão melhorada e vestida das cores da Gauloises, a BMW F650RR volta a vencer pela mão de Richard Sainct, e fez um pleno que ocupou os primeiros 4 lugares da tabela de classificação geral.


Curiosidades:

Pilotos com mais vitórias no Dakar Rally (de 1979 a 2017):

  • Stephane Peterhansel - 6 vitórias
  • Marc Coma, Cyril Despres, Cyril Neveu - 5 vitórias
  • Edi Orioli - 4 vitórias
  • Richard Sainct - 3 vitórias
  • Hubert Auriol, Fabrizio Meoni, Gaston Rahier - 2 vitórias

Países com mais vitórias no Dakar Rally (de 1979 a 2017):

  • França - 5  (Auriol, Despres, Neveu, Peterhansel, Sainct)
  • Italia - 2 (Meoni, Orioli)
  • Espanha -2 (Coma, Roma)

Marcas com mais vitórias no Dakar Rally (de 1979 a 2017):

  • KTM - 15 vitórias
  • Yamaha - 9 vitórias
  • BMW - 6 vitórias
  • Honda - 5 vitórias
  • Cagiva - 2 vitórias

Dakar Rally (Lista de vencedores de 1979 a 2017):

andardemoto.pt @ 12-1-2018 03:13:01