Rali Dakar 2021 – O guia completo com pilotos portugueses, regras e percurso

A 43ª edição do Rali Dakar tem início marcado para o próximo 2 de janeiro com o prólogo em Jeddah. Serão 12 etapas novamente nas areias da Arábia Saudita e num percurso totalmente novo, onde os pilotos das motos têm novas regras. A armada portuguesa nas motos tem cinco pilotos inscritos, mas lesões de última hora podem reduzir este número. Fique a saber tudo sobre o Rali Dakar neste guia completo.

andardemoto.pt @ 18-12-2020 12:00:26

Foto: ASO

Foto: ASO

É a maior e mais importante prova de todo o terreno a nível mundial. O Rali Dakar, que em 2021 cumpre a sua 43ª edição, volta a levar todo o espetáculo do rali raid para as magníficas paisagens da Arábia Saudita, onde a areia será novamente o adversário dos pilotos das motos.

Ao longo de 12 etapas e 7646 km os pilotos vão enfrentar um percurso que a ASO define como sendo totalmente novo! Mas não será apenas o percurso a obrigar a uma aprendizagem, pois para esta edição do Rali Dakar a organização apresenta grandes novidades tendo em vista o aumento da competitividade e exigência, mas também ao nível da segurança dos pilotos.

Para as cores portuguesas este será um ano complicado. A comitiva lusa está mais curta do que o habitual em termos de números. São cinco os pilotos inscritos para se apresentarem à partida do segundo Rali Dakar na Arábia Saudita, mas este número pode ser ainda mais curto caso se confirme que algumas lesões de última hora são mesmo impeditivas para dois pilotos competirem.


Neste último mês de 2020, Sebastian Bühler (Hero #24) e Mário Patrão (KTM #34) sofreram lesões em treinos.

O piloto da Hero sofreu uma queda e fraturou a clavícula. Buhler foi imediatamente operado e já se encontra em recuperação, tendo inclusivamente afirmado que “Vou estar bom até à corrida!”, apesar do curto espaço de tempo que tem para concretizar a recuperação. Campeão mundial de Bajas, o luso-alemão terá ambições em obter um bom resultado, até porque foi o 3º melhor “rookie” na edição 2020 do Dakar.

Menos sorte teve Mário Patrão. Depois de alguns anos inserido na estrutura oficial da KTM, onde mostrou ser rápido mas muito importante na estratégia da marca austríaca, Patrão também está em “modo recuperação” até ao início do Rali Dakar.

O piloto de Seia sofreu uma queda na preparação para a prova saudita. A fratura do fémur é uma lesão grave e que coloca a sua participação neste Dakar em causa. Uma lesão ainda mais preocupante tendo em conta que Mário Patrão irá competir na chamada classe “Malle Moto” (Original by Motul), onde não terá qualquer assistência técnica externa! Será apenas piloto e moto contra as dificuldades do Rali Dakar, o que exige ainda mais do físico.

Patrão foi entretanto operado e está a cumprir com um intenso e rigoroso plano de recuperação. São 6 horas diárias de trabalho de recuperação, mas não está ainda garantida a sua presença no arranque para o prólogo do Dakar que acontece no dia 2 de janeiro em Jeddah.

Para além destes dois, a comitiva portuguesa conta ainda com a presença de Rui Gonçalves (Sherco TVS #19), Joaquim Rodrigues Jr. (Hero #27) e Alexandre Azinhais (KTM #85).


Se os nossos pilotos são o foco de toda a nossa atenção, convém também não esquecer que a presença lusa faz-se notar a outro nível. Ruben Faria, depois de levar a Honda à vitória em 2020, está novamente como estratega de toda a equipa oficial da marca japonesa. Ruben terá como missão ajudar a definir o melhor plano para garantir que a Honda mantém o título conquistado por Ricky Brabec, pese embora a concorrência da KTM, Sherco TVS, Hero Motorsports, Husqvarna ou GasGas seja cada vez mais forte.

Agora que já sabemos quem serão os pilotos portugueses no Rali Dakar 2021, convém também ficar a conhecer o que muda em termos de regulamentos técnicos.

Para a 43ª edição da maior e mais longa prova de TT do mundo, a ASO decidiu que está na hora de criar dificuldades extra aos pilotos das motos. O objetivo é aumentar a competitividade e assim dar mais hipóteses aos pilotos que apostam na estratégia.

Em 2021 os pilotos das motos terão penalizações a partir do momento em que realizem a segunda troca de pistão no motor das suas motos. Para além das penalizações de tempo já previstas para quem troca de motor, agora basta trocar o pistão pela segunda vez e também haverá direito a penalizações.



A estratégia será ainda mais importante se tivermos em conta que os pilotos das motos terão um limite máximo de 6 pneus traseiros para utilizar nas 12 etapas do Rali Dakar! O andamento terá de ser cuidadosamente gerido para evitar azares mecânicos, até porque a organização vai impedir que os pilotos realizem intervenções mecânicas nas suas motos durante as paragens para reabastecimento. Ou seja, os 15 minutos de paragem serão para colocar combustível nas motos, alimentar / beber, e ainda descansar para enfrentar o resto da etapa.

A segurança foi também um dos principais motivos que levaram a organização a apresentar novidades nos regulamentos e na forma como apresentam o percurso aos pilotos.

Depois de testado em algumas etapas da edição 2020, no próximo Rali Dakar os pilotos vão receber os “roadbook” apenas 20 minutos antes da partida para a etapa. No caso dos automóveis, SSV e camiões o “roadbook” será digital e apresentado num tablet, situação que eventualmente a ASO irá alargar também às motos.

No “roadbook” estarão assinalados os diversos perigos ao longo do percurso da etapa. Mas nesta edição do Dakar, a organização acrescenta avisos áudio para perigos de nível 2 e nível 3. Adicionalmente, zonas do percurso consideradas mais complicadas, serão categorizadas como “slow zones” com limite de velocidade específico.

Ainda a pensar na proteção individual e assim na segurança dos pilotos das motos, a partir de agora todos os pilotos de motos serão obrigados a utilizar um dispositivo de airbag. Depois do teste no Rali da Andaluzia, a utilização destes dispositivos foi considerada obrigatória no Rali Dakar, sendo que os pilotos terão de utilizar os dispositivos aprovados pela Federação Internacional de Motociclismo.


Por último, temos o percurso da 43ª edição do Rali Dakar.

Serão 12 etapas para um total de 7646 km, aos quais se somam ainda os 11 km do Prólogo que ajudará a definir as posições de arranque para a primeira etapa. Os pilotos terão menos hipóteses de abrir acelerador nas suas motos pois a ASO definiu um percurso mais técnico, totalmente novo, e que obrigará os pilotos a explorar e a recorrerem às suas técnicas de pilotagem.

Entre a 6ª e a 7ª etapa os pilotos terão um dia de descanso.

Todas as etapas do 43º Rali Dakar

Foto: ASO

Foto: ASO


2 de janeiro – Prólogo
Distância: 11 km
Início: Jeddah / Fim: Jeddah
Servirá como prato de entrada para o que se segue. O Prólogo terá lugar nas pistas de areia que se situam a cerca de 30 km do Estádio Rei Abdullah. Aqui os pilotos serão tentados a dar espetáculo, mas terão de ter cuidado, pois apesar deste dia apenas definir as posições de partida para a 1ª etapa, se não tiverem cuidado podem deitar tudo a perder.

3 de janeiro – 1ª etapa
Distância total: 622 km / Distância Especial: 277 km
Início: Jeddah / Fim: Bisha
Toda a etapa será realizada em pistas definidas. O grande desafio estará na forma como os pilotos vão ligar um vale ao vale seguinte, e ao mesmo tempo conseguem evitar os perigos de navegação compostos pelas inúmeras interseções das pistas. Algumas partes com piso com pedras podem causar furos.

4 de janeiro – 2ª etapa
Distância total: 685 km / Distância Especial: 457 km
Início: Bisha / Fim: Wadi Ad-Dawasir
Aqui aparecem as primeiras dunas. Farão parte do cenário ao longo de uma extensão de 30 km no primeiro terço da etapa. Os pilotos enfrentam uma longa secção fora de percurso definido, antes da parte final em pistas de areia.



5 de janeiro – 3ª etapa
Distância total: 630 km / Distância Especial: 403 km
Início: Wadi Ad-Dawasir / Fim: Wadi Ad-Dawasir
A porta de entrada no famoso Empty Quarter torna-se no cenário para esta etapa. Deserto puro e sem intervenção humana. Os pilotos vão ter uma dose generosa de dunas, embora apareçam em grupos pequenos e separados entre si. Haverá uma mistura interessante de zonas rápidas com zonas mais técnicas. Os pilotos mais velozes terão a oportunidade de fazer a primeira grande diferença neste “loop”.

6 de janeiro – 4ª etapa
Distância total: 813 km / Distância Especial: 337 km
Início: Wadi Ad-Dawasir / Fim: Ríade
Se incluírmos a ligação, esta será a etapa mais longa do Rali Dakar. O foco estará na diversão aos comandos das motos, embora as pistas ondulantes não permitam aos pilotos muitos momentos de descanso. Convém no entanto ter em conta que é nestas etapas de transição que por vezes se cometem erros graves.

7 de janeiro – 5ª etapa
Distância total: 625 km / Distância Especial: 419 km
Início: Ríade / Fim: Buraydah
A paciência é uma virtude nas provas de rali raid. E isso vai ser fundamental nesta longa e dura etapa. O percurso terá vários elementos que irão reduzir significativamente a velocidade, incluíndo uma zona de dunas a meio da etapa, mas convém não esquecer as muitas pedras que aparecem nas pistas e que podem resultar num furo.


8 de janeiro – 6ª etapa
Distância total: 655 km / Distância Especial: 485 km
Início: Buraydah / Fim: Ha’il
O percurso para Ha’il vai ser suave e arenoso. Os pilotos vão enfrentar dunas de todos os feitios e de todas as cores, o que será um grande teste às suas capacidades para poderem andar para a frente... e para trás! Alguns pilotos mais lentos poderão inclusivamente ter de ficar a conhecer o deserto durante a noite. Será uma etapa muito exigente do ponto de vista da preparação física.

9 de janeiro – Dia de descanso
Local: Ha’il

10 de janeiro – 7ª etapa (Etapa Maratona)
Distância total: 737 km / Distância Especial: 471 km
Início: Ha’il / Fim: Sakaka
A etapa maratona começa com uma enorme quantidade de montanhas de areia. Serão 100 km de subidas e descidas constantes, quase sem interrupções. Os pilotos terão de ter cuidado com o ritmo imposto, para evitar que os seus motores sobreaqueçam. A primeira parte da etapa maratona termina em zona de pedras, numa mistura de pistas técnicas e também pistas rápidas. Os pilotos terão uma zona para trabalhar nas suas motos que estará vedada a toda a gente.


11 de janeiro – 8ª etapa
Distância total: 709 km / Distância Especial: 375 km
Início: Sakaka / Fim: Neom
A segunda parte da etapa maratona deverá servir de prémio para aqueles que foram cautelosos na primeira metade. Para além da satisfação de poderem acelerar através das pistas de areia e pedras, os pilotos vão poder desfrutar das mais belas paisagens da Arábia Saudita. Se querem tirar fotos, este será o momento!

12 de janeiro – 9ª etapa
Distância total: 579 km / Distância Especial: 465 km
Início: Neom / Fim: Neom
A especial terá início nas margens do Mar Vermelho. Não será totalmente suave, pois o percurso levará os pilotos para pistas demasiado arenosas o que impedirá de acelerar a fundo. A variedade do piso e extensão, tornam esta etapa numa das mais duras das duas semanas do Rali Dakar.

13 de janeiro – 10ª etapa
Distância total: 583 km / Distância Especial: 342 km
Início: Neom / Fim: Alula
Não existem muitas palavras para descrever o cenário da primeira parte desta etapa. As zonas montanhosas são deslumbrantes. Mas as zonas de pistas de areia também. Será aqui que os especialistas em navegação podem usar as suas capacidades para acelerar pelo meio dos vales.

Foto: ASO

Foto: ASO


14 de janeiro – 11ª etapa
Distância total: 557 km / Distância Especial: 511 km
Início: Alula / Fim: Yanbu
Esta será a etapa com a mais longa especial de todo o rali e servirá de cenário para os últimos ataques dos pilotos que procuram encontrar posições mais acima na classificação. Após alguns dias de ausência, as dunas estão de volta. Será um oceano de areia com mais de 100 km de extensão, e onde os melhores têm a oportunidade de fazer as diferenças para os perseguidores.

15 de janeiro – 12ª etapa
Distância total: 452 km / Distância Especial: 225 km
Início: Yanbu / Fim: Jeddah
A última etapa do Dakar não é necessáriamente a mais fácil. Os pilotos vão ter de lidar com cadeias de dunas, onde ficar atascados pode ser a diferença entre um final de glória ou um fim inglório. Contudo, a palavra de ordem será “celebração”. A linha de meta estará nas margens do Mar Vermelho, o que trará algumas recordações do Lago Rosa.

A partir de 2 de janeiro fique atento ao seu Andar de Moto. Vamos acompanhar de perto todas as incidências do Rali Dakar, com especial foco na participação dos cinco pilotos portugueses que vão levar a bandeira de Portugal mais uma vez através das areias da Arábia Saudita.

andardemoto.pt @ 18-12-2020 12:00:26


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