O Dakar 2022 em retrospectiva

Sam Sunderland deu a vitória à GasGas

A edição deste ano trouxe boa competição, um vencedor algo inesperado e a grande satisfação de todos os portugueses à partida terem chegado ao fim!

andardemoto.pt @ 18-1-2022 12:05:05 - Paulo Araújo

01 Janeiro - Etapa 1A - JEDDAH > HA'IL

Ligação 815 km – Especial 19 km

Os 409 veículos da lista de inscritos inauguraram o Dakar com a partida de Jeddah, ao longo do Mar Vermelho, para uma ligação de 225 km para norte, mas o tiro de partida para a fase de qualificação foi disparado à entrada da região de Medina.

A abertura de 19 km de sprint foi um sinal do que estava por vir: pistas arenosas e dunas num sector de areia com todos os tempos, no qual os participantes coroaram e devoraram dunas, por vezes até partidas e subiram a uma altitude de cerca de 400 metros.

O curto prólogo foi ganho pelo Australiano Daniel Sanders (4) e produziu algumas surpresas após uma longa ligação de deserto, com os portugueses Joaquim Rodrigues e Rui Gonçalves em destaque, o primeiro falhando o “top 10” por pouco, em 11º  a apenas 3’ 55” do vencedor. Já Rui Gonçalves foi 22º, a exactamente 7 minutos do homem da frente, estando ambos colocados assim para a partida “a sério” no dia seguinte.

Ironicamente, Gonçalves acabou um lugar à frente de um dos mais notórios estreantes, o ex-MotoGP Danilo Petrucci, que ficou 30” atrás do português em 23º.

Sanders, a sensação australiana do Dakar de 2021, mostrou novamente o seu talento na Gas Gas numa etapa curta e arenosa, que também viu o segundo classificado, Pablo Quintanilla, prosperar na sua nova casa, com a Honda.

Ross Branch foi 3º, à frente da dupla das KTM Red Bull Kevin Benavides e Matthias Walkner, com Adrien Van Beveren a colocar a primeira Yamaha no 6º.

O 25º lugar de "Nacho" Cornejo no dia parecia preocupante, e António Maio marcou presença com a 30ª posição, embora a mais de 10 minutos do vencedor, com Mário Patrão um distante 56º lugar e Alexandre Azinhais a seguir, em 86º, e Arcélio Couto da Bianchi Prata em 97º e Paulo Oliveira, a correr por Moçambique, em 102º.

O veterano Bianchi Prata concluiu em 113º entre os 144 motards que concluíram o prólogo.

02 Janeiro - Etapa 1B - HA'IL > HA'IL

Ligação > 212 km - Especial > 334 km

Sanders venceu outra vez, com Quintanilla por perto, mas uma fuga prematura no início manteve Joaquim Rodrigues ao ataque, com Maio forte no final.

A etapa incluía 333 Km de especial, num grande círculo nas montanhas a norte da Hail, e começou com uma fuga dos homens da frente, que ao Km 120 era liderada por Sam Sunderland sobre Barreda, Brabec e Toby Price, com Joaquim Rodrigues em quinto e Luciano Benavides a seguir, perseguido por Andrew Short.

Pouco depois, porém, já Daniel Sanders liderava de novo e Pablo Quintanilla do Chile era segundo, com Matthias Walkner a uns minutos e, quase logo a seguir, António Maio já era o melhor português em 13º enquanto Joaquim Rodrigues tinha baixado para 16º e também Benavides já estava fora do top 25.

Com o andamento a intensificar-se à conta da necessidade de navegação, Mário Patrão era 53º, Rui Gonçalves 61º, Arcélio Couto 71º, com Azinhais em 75º e Bianchi Prata em 101º, um par lugares à frente de Paulo Oliveira em 103º.

03 Janeiro - Etapa 2 - HA'IL > AL ARTAWIYAH

Ligação > 246 km - Especial > 339 km

No início, foi Rui Gonçalves a liderar quase 120 Km desta especial marcada pela desistência de Petrucci.

Depois de arrancar à frente com uma partida relâmpago, Rui Gonçalves ainda liderava após 118 km, mas o português já só tinha uma vantagem mínima, de apenas 35 segundos, sobre a Honda de Joan Barreda.

Logo atrás, Matthias Walkner voltava ao terceiro lugar, um pouco menos de dois minutos atrás e mesmo à frente de Skyler Howes. Pablo Quintanilla arredondava o top 5 provisório com J. Rod a ascender gradualmente a 6º.

Kevin Benavides, instalado no oitavo lugar na verificação inicial ao cronómetro, passou para a terceira posição após 199 km, um pouco mais de três minutos atrás de Barreda.

Skyler Howes estava entre os pilotos Honda e KTM, enquanto Rui Gonçalves continuava a baixar na classificação da etapa e aguentava o quarto lugar.

Sam Sunderland, que não estava no âmbito das várias verificações de tempo, chegou ao fim da especial com liderança sobre Adrien Van Beveren, Matthias Walkner e Daniel Sanders.

O dia foi bom para Joan Barreda, que acabou por completar a especial do dia com o melhor tempo.

O espanhol terminou 5'33'' à frente de Sam Sunderland. Kevin Benavides chegou à linha da meta em terceiro lugar, também com o estatuto de representante líder da KTM, o que significa que houve três construtores diferentes no pódio do dia!

Com concorrentes ainda a chegar, Rui Gonçalves terminava em 12º, num dia marcado pela desistência de Danilo Petrucci, que no entanto pelas novas regras continuaria em prova.

Mais atrás, o até aqui líder Daniel Sanders apenas registou um modesto 23º, enquanto do contingente português António Maio terminou 36º, Gonçalves em 70º bem na frente de Arcélio Couto, Pedro Oliveira e Pedro Bianchi Prata que registava um 81º e Arcélio Couto um 86º lugar, com Mário Patrão praticamente na cauda do pelotão em 98º.

04 Janeiro - Etapa 3 - AL ARTAWIYAH > AL QAISUMAH

Ligação > 186 km - Especial > 368 km

Contra a expectativa que de início dava Sanders como novo vencedor, Joaquim Rodrigues concretizou a ameaça anterior para dar a primeira vitória de sempre à Hero.

Depois da zona rochosa de Ha’Il, a terceira etapa era um grande círculo na região de Al Qaisumah com o típico terreno de dunas sem grandes declives, deserto quase plano, a perder de vista, a colocar o seu próprio desafio aos concorrentes.

Um verdadeiro bónus para quem gosta de andar em areia ao longo dos 636 quilómetros, dos quais 255 de especial, que o vencedor Joaquim Rodrigues percorreu em 2h 34’41”, deixando Toby Price a 01'03'' para completar a etapa em segundo lugar, à frente do incrível Mason Klein  a 01'14''.

De início, Daniel Sanders era ansiosamente esperado na linha de chegada para descobrir o resultado desta especial, mas no final, caiu para a quinta posição, quase três minutos atrás de Joaquim Rodrigues, que assim alcançou o seu primeiro sucesso no Dakar e também proporcionou à equipa Hero a sua primeira vitória.

Short, Brabec e Benavides foram os seguintes, todos na casa dos mais 4 minutos do tempo do vencedor, e Rui Gonçalves brilhou novamente ao acabar em 23º atrás de Petrucci, que pelas novas regras pode ficar em prova apesar de não ter acabado a etapa do dia anterior.

António Maio foi o português seguinte, já a mais de 16 minutos da frente, em 33º, e Mário Patrão  foi desta 47º a meia hora.

Arcélio Couto acabou exatamente em 80º, seguido de Alexandre Azinhais em 85º, Bianchi Prata em 90º e Paulo Oliveira em 97º, num Dakar que ainda estava praticamente sem desistências entre as motos!

05 Janeiro - Etapa 4 - AL QAISUMAH > RIYADH

Ligação > 242 km - Especial > 465 km

Joan Barreda liderou quase desde o meio da especial mais longa deste Dakar, para vencer pela segunda vez, mas quem brilhou foi Petrucci, em 3º lugar atrás do Chileno Quintanilla que ficou em segundo 2º, enquanto Rui Gonçalves falhou o pódio por pouco ao acabar em 4º

Pertos da marca dos 200 km, ainda nem sequer a meio da especial, Joan Barreda já estava no comando com 44 segundos de vantagem sobre Danilo Petrucci, que estava a aguentar bem o ritmo. Pablo Quintanilla completava o top 3 a menos de 2 minutos.

Dos portugueses, Rui Gonçalves ultrapassara Sam Sunderland e estava então mesmo atrás do seu colega de fábrica da Sherco, Lorenzo Santolino e Joaquim Rodrigues aparecia nos primeiros 17, mas com algum atraso após a vitória de estreia na etapa anterior.

Os intervalos na frente da corrida esvaneceram-se ao km 313. Joan Barreda estava agora a 3'33' de Danilo Petrucci e pouco mais de 4 minutos na frente de Pablo Quintanilla.

Lorenzo Santolino e Rui Gonçalves, ambos montando motos Rally Sherco 450 SEF, completavam o actual top 5.

Entretanto, Daniel Sanders continuava a lutar, a mais de 12 minutos atrás de Barreda! Entrando na parte mais complicada da especial, Joan Barreda permanecia na liderança com uma margem de quase 5 minutos sobre o companheiro de equipa Pablo Quintanilla.

Danilo Petrucci estava a gerir um défice de mais de 5 minutos, na terceira posição. Entretanto, Lorenzo Santolino e Rui Gonçalves, da Sherco, passaram para pouco mais de 2 minutos do pódio da especial, com Gonçalves em 4º a apenas 8 minutos da frente. 

Pouco antes do final da especial, António Maio tinha apanhado Joaquim Rodrigues na 25ª posição, mas Mário Patrão era desta vez um distante 45º em prova.

Joan Barreda chegou ao final do sector cronometrado com o tempo mais rápido para reclamar a sua segunda vitória numa etapa este ano. Desde 2020 que o espanhol nunca deixou de ganhar duas ou mais etapas do Dakar. Pablo Quintanilla ficou em segundo, enquanto Danilo Petrucci conquistou o seu primeiro pódio no Dakar e Rui Gonçalves ficou em 4º, a mais um par de minutos!

No final, Joaquim  Rodrigues sofreu um atraso e acabou a etapa em 32º a 30’ 382 de Barreda, deixando Maio em 20º o melhor português a seguir a Rui Gonçalves.

Na geral, Sam Sunderland mantinha a liderança e Matthias Walkner subiu uma posição. Beveren desceu para terceiro, a quase cinco minutos da frente. Lorenzo Santolino e Pablo Quintanilla fecham o top cinco a cerca de 11 minutos de Sunderland.

Entre os pilotos portugueses, Joaquim Rodrigues foi 19º a 58' do topo, António Maio 26º, mas já a 1H 22’2'' e Rui Gonçalves o 38º com Mário Patrão em 68º, Arcélio Couto em 83º, Bianchi Prata em 104º e Paulo Oliveira em 107º.


06 Janeiro - Etapa 5 - RIYADH > RIYADH

Ligação > 214 km - Especial > 346 km

Uma especial de 346 Km esperava os concorrentes nos arredores da capital do Reino, terreno ideal para jogar ao ataque e foi isso que Sanders fez de início e até 100 Km do final, mas a pressão foi demasiada e Price acabaria 4’ à frente de Petrucci.

António Maio, que falhou o Dakar 2021 por razões profissionais, atacava às portas do Top 10, após 157 km, na frente de grandes como Quintanilla, Short ou Van Beveren, vindo a acabar em 24º. Joaquim Rodrigues, entretanto, acabava em 20º e Rui Gonçalves a dada altura 28º, acabaria em 36º.

Após 310 km, no último ponto de verificação antes da linha de chegada, Daniel Sanders perdeu a liderança da etapa, caindo para o 17º lugar, a quase 13 minutos da frente, e Toby Price assumiu a liderança, 2'04'' à frente de "Petrux", 3'01'' à frente de Cornejo, com Brabec 3'33'' atrás e Branch em terceiro a 3'50''.

Mário Patrão, entretanto, vinha em 41º quando ainda faltava chegar cerca de metade da coluna e viria a acabar em 57º, com Alexandre Azinhais em 72º, Arcélio Couto em 71º, Bianchi Prata em 105º e Paulo Oliveira em 109º.

07 Janeiro - Etapa 6 - RIYADH > RIYADH

Ligação > 216 km - Especial > 404 km

A Etapa 6, o último esforço antes do dia de descanso, complicou-se com as pistas demasiado estragadas pelos carros e camiões que tinham feito esse traçado no dia anterior, na região de Riyadh, e que tornou a prova demasiado perigosa para as motos.

A maioria do percurso do troço cronometrado estava intransitável em certas partes, e obrigou a direcção da prova a parar os motociclistas e quads no primeiro ponto de neutralização partilhado, após 101 km.

No final, as motos e quads só percorreram um quarto do que estava no menu, o que significava que gozavam de um descanso extra, bem merecido, desde o início da tarde. Isto foi uma bênção para certos motociclistas, como Joan Barreda, que tinha partido para esta etapa "remendado" e mal tratado após a sua aparatosa queda do dia anterior.

O eventual vencedor da especial encurtada, Daniel Sanders, disse: "Hoje começou muito bem e consegui recuperar muito tempo antes da paragem para combustível. Depois, no quilómetro 270 acabei por passar duas vezes pelo mesmo ponto de passagem, por isso não tenho a certeza se foi erro meu ou não. Depois de ter acontecido, soube que tinha de avançar até ao fim. Infelizmente, despistei-me e o meu ombro deslocou-se, mas felizmente voltou a entrar sozinho no seu sítio, e consegui continuar até ao fim. Foi um dia de loucos e estou contente por ter chegado à meta".

Esta etapa concluiu a primeira fase do Dakar, a caminho do dia de descanso em Riyadh, uma bênção para os pilotos de fábrica, mas apenas mais um dia de trabalho duro para privados e mecânicos.

09 Janeiro - Etapa 7 - RIYADH > AL DAWADIMI

Ligação > 299 km - Especial > 402 km


Esta etapa começava com um troço de dunas, com uma extensão de cerca de 100 quilómetros, e acabava com um autêntico labirinto de pistas que deu muito trabalho de navegação.

Ignacio Cornejo ganhou, na frente de Kevin Benavides, por 44" e Barreda, que ficou a 2'51", com Joaquim Rodrigues num excelente 6º, a mais 8’ 57”, isto após o abandono do líder anterior Daniel Saunders.

Um pouco atrás, todos os olhos estavam postos nos homens que começaram a especial no topo da classificação geral: Destes, Adrien Van Beveren chegou em décimo primeiro perdendo 12'34", enquanto Walkner e Sunderland terminaram em décimo sétimo e décimo oitavo, respectivamente, mais de 22 minutos atrás de “Nacho” Cornejo.

Infelizmente para Daniel Sanders, o Dakar 2022 terminou após uma queda na sua GasGas RC 450F durante a ligação de abertura do dia, que resultou numa fractura do cotovelo e do pulso esquerdos.

Com duas vitórias em duas etapas no evento deste ano, o jovial australiano vinha fazendo a sua marca no Dakar 2022 e era terceiro na classificação provisória na altura do acidente.

Entretanto, perante a ausência do Australiano, Van Beveren levou a sua Yamaha ao topo da classificação geral, onde entretanto liderava Walkner (KTM) por 5'12" e o piloto Nº 1, Benavides, por 5'23".

Sunderland da Gas Gas estava 5'38" mais abaixo, enquanto Santolino da Sherco está de novo no top 5, a 6'34", graças a um quinto lugar.

Quintanilla e Barreda hastearam a bandeira da Honda a pouco mais de 8', enquanto Cornejo subia para o nono lugar da geral. Price foi décimo primeiro a menos de 30'', seguido de perto pelo piloto revelação Mason Klein.

Rui Gonçalves colocou outra Sherco em 16º a 17’ 23” da frente, e António Maio foi 30º já a 27’ 42” dos comandantes.

Com Danilo Petrucci a registar apenas 44º, o português que se seguia era Mário Patrão, em 62º, na frente de Arcélio Couto, em 87º, Bianchi Prata, em 113º e Paulo Oliveira, em 115º.

10 Janeiro - Etapa 8 - AL DAWADIMI > WADI AD-DAWASIR

Ligação > 434 km - Especial > 394 km


Esta foi uma etapa muito complexa, com uma longa ligação por pisos de areia, típicos do sul da Arábia Saudita. Os primeiros 200 quilómetros da especial eram também sobre areia, com dunas a perder de vista, pelo que que muitos concorrentes só iriam atingir o final da etapa noite dentro.

Sunderland da GasGas acabou à frente de Pablo Quintanilla, por 2’ 53” e de Matthias Walkner por 4’ 11” numa especial em que Joaquim  Rodrigues acabou em 15º, a quase uma hora da frente.

Os Americanos Ricky Brabec e Mason Klein foram os seguintes, na frente do Australiano Toby Price e, mais atrás, António Maio foi 25º, Rui Gonçalves 27º e Mário Patrão 47º. Ainda a resistir, Arcélio Couto foi 79º, Bianchi Prata 100º e Paulo Oliveira 103º.

11 Janeiro - Etapa 9 - WADI AD-DAWASIR > WADI AD-DAWASIR

Ligação > 204 km - Especial > 287 km


Esta etapa começaria mais tarde para permitir aos pilotos mais atrasados do dia anterior poderem alinhar na partida. Um “loop” em torno de Wadi Ad-Dawasir, oferecia uma mudança de cenário, com montanhas e desfiladeiros a esconder muitas surpresas e exigir uma grande dose de navegação. 

Nacho Cornejo tinha ficado com um sabor agridoce após a oitava etapa. Um ligeiro erro no final da especial, tinha deixado o piloto da Honda sem o prémio que procurava: o de minimizar quaisquer marcações, para serem os seus perseguidores a abrir a pista ao longo do dia.

O jovem chileno voltou ao bivouac de Wadi Ad-Dawasir com um sorriso sob o capacete após uma segunda vitória neste Dakar, elevando a contagem total para cinco.

Kevin Benavides, da KTM Red Bull, foi segundo a apenas 1’ 26”, enquanto  o americano da Honda Monster Energy Team, Ricky Brabec, também fez uma bela especial, puxando com força e conquistando o terceiro lugar do dia.

Mathias Walkner foi a KTM seguinte, em 4º, a 2’ 06” da frente.

Joan Barreda também completou a etapa do dia com um certo grau de normalidade, uns meros 2'10” atrás do seu companheiro de equipa. Barreda, quinto nesta etapa, ocupava o sexto lugar na classificação geral, menos de 11 minutos atrás do líder da prova.

Finalmente, Pablo Quintanilla fez um trabalho louvável para se preparar bem para a batalha final da vitória deste Dakar de 2022. Ele terminou no oitavo lugar do dia e encontrava-se em quarto lugar na classificação geral, apenas 4'41” atrás do novo líder da corrida.

Joaquim Rodrigues na sua Hero foi 11º, a 6’ 43” do vencedor, e Rui Gonçalves estava um pouco atrás em 15º na Sherco, dois lugares acima de Sam Sunderland, enquanto António Maio brilhou em 21ºe Mário Patrão ficou um pouco mais abaixo, em 36º.

Foi um bom dia para Alexandre Azinhais, que foi 71º, e para Arcélio Couto que chegou em 89º, enquanto Bianchi Prata e Paulo Oliveira acabaram juntos em 112º e 113º respectivamente.

A especial do dia seguinte, entre Wadi Ad-Dawasir e Bisha, prometia um banho de cores aos concorrentes, que tinham de tentar não se perder nos muitos trilhos possíveis de seguir, no que prometia ser uma das especiais mais rápidas deste Dakar.


12 Janeiro - Etapa 10 - WADI AD-DAWASIR > BISHA

Ligação > 383 km - Especial > 374 km


Uma etapa que à partida parecia fácil, por entre paisagens deslumbrantes, era uma das mais rápidas de toda a prova. No entanto os pilotos iriam ter muito trabalho de navegação e precisar de muita atenção para não se enganarem nas milhentas intersecções das estradas sauditas.

Liderando a corrida, depois de Brabec e Cornejo de Honda terem cometido um erro de navegação e o seu companheiro de equipa Benavides se ter retirado da corrida, Walkner também cometeu um erro na ponta final, perdendo precioso tempo.

O mais rápido foi Toby Price, que deixou Luciano Benavides a 2’ 09”. Adrien Van Beveren chegara a liderar mas baixou para terceiro, a 3’ 35”

Entretanto Barreda chegou a andar em quinto a 3’ 21” e estava de volta à disputa do título ao acabar atrás de de Rui Gonçalves, em 9º.

"Comecei em quinto lugar e deparei-me com alguns problemas de navegação. Foi duro e perdi-me duas vezes, mas tentei puxar o mais forte possível. Os tipos da frente são muito rápidos, vai ser difícil continuar a subir. Espero ganhar algum tempo. Ainda me arrependo de ter perdido 40 minutos no primeiro dia, mas estou concentrado. Temos duas etapas a percorrer, e temos de evitar perder tempo. Queremos ganhar esta coisa para a Honda com certeza". Comentava Barreda.

O espanhol estava então em quinto lugar na geral, apenas a 5’ do pódio.

Dos portugueses, Joaquim Rodrigues impôs-se em 15º, António Maio e Rui Gonçalves brilharam em 22º e 24º, um pouco mais abaixo Mário Patrão foi 44º, com Azinhais 69º, Arcélio Couto em 78º, Bianchi Prata 96º e Paulo Oliveira 100º. Se isso parece um mau resultado, imaginem Kevin Benavides, vencedor do 2021, a acabar em 110º!

13 Janeiro - Etapa 11 - BISHA > BISHA

Ligação > 155 km - Especial > 345 km


Este foi o último grande desafio, e talvez a etapa mais técnica do Dakar 2022, já que contava com dunas de todos os tipos e tamanhos, com destaque para as areias mais macias de todo o rally, demolidoras em termos de resistência física e mecânica.

À chegada, Kevin Benavides tinha o melhor tempo, 4'' à frente de Sam Sunderland, 2'26'' à frente de Joaquim Rodrigues, da Hero, e 4'54'' à frente de Matthias Walkner da KTM.

Após 127 km, Sunderland alcançara o melhor tempo, 8'' à frente de Kevin Benavides'', 1'15'' em frente de Matthias Walkner'', 2'09'' à frente de Joaquim Rodrigues e 2'48'' na frente de Pablo Quintanilla. Joan Barreda estava então na 15ª posição, 9'01'' atrás do líder, enquanto Adrien Van Beveren estava na 29ª posição, 15'38'' atrás do inglês.

Kevin Benavides retomou a corrida de manhã em virtude das novas regras para o W2RC, do qual o Dakar é a primeira etapa. Confrontado com uma possível saída do rally, o argentino regressou para tomar as ordens de partida como o 39º piloto a iniciar a especial.

Matthias Walkner completou 43 km para chegar 24'' atrás de Sunderland e 47'' atrás de Quintanilla.

Pablo Quintanilla, o 10º piloto a começar, com um défice de 5'15'' para o líder à geral Van Beveren, alcançou o melhor tempo após 43 km. Recuperou 12'22'' sobre o piloto da Yamaha e estava na liderança virtual da categoria moto, mais de 6 minutos à frente do francês, com Barreda atrás dele. No entanto, havia 300 km a percorrer e nem Sunderland nem Walkner tinham registado ainda um tempo inicial.

Joan Barreda, o 3º piloto a começar, 3 minutos à frente de Adrien Van Beveren, rebentou com os seus rivais no primeiro ponto de controlo! A apenas 43 km da partida, ele já liderava Van Beveren por 11'05''. Após a passagem das primeiras oito motos, incluindo a de Price, que seguia o espanhol por 6 minutos, "Bang Bang" estava na liderança global virtual na categoria moto.

Na verdade, Barreda acabou por ficar 8'47'' atrás do piloto líder da Yamaha no início da especial, mas em menos de 50 km, o piloto oficial da Honda compensara o seu défice de tempo e parecia estar a liderar.

Walkner e Sunderland, que na véspera tinham ficado para trás, a fim de obterem uma posição de partida mais favorável, partiram em 26º e 17º lugares respectivamente, 8'24'' e 5'59'' atrás de Adrien Van Beveren, da Yamaha, na classificação geral.

O homem da Yamaha tinha escolhida na véspera uma estratégia diferente ao terminar em 4º lugar e assumido a liderança no Dakar com uma vantagem de 5'15 para o seu perseguidor mais próximo, Pablo Quintanilla. J. Rod foi mais um vez melhor Luso em 14º, e António Maio brilhou em 27º com Rui Gonçalves pouco atrás, em 30º.

Na classificação geral na véspera do final, Sam Sunderland era o novo líder do Dakar 2022.

Quando aos restantes portugueses, Alexandre Azinhais acabou em 89º, Arcélio Couto chegou em 80º, Bianchi Prata em 106º e Paulo Oliveira em 116º.

14 Janeiro - Etapa 12 - BISHA > JEDDAH

Ligação > 680 km - Especial > 164 km


Para terminar este Dakar, os pilotos deixavam as dunas, mas não a areia. Pouco mais do que um passeio que, apesar de longo, terminava no pódio, em Jeddah, em frente não do Lago Rosa mas, num eufemismo, frente ao Mar Vermelho.

Aos 32 anos de idade, Sam Sunderland reclamou o seu segundo título no Dakar, cinco anos após o seu primeiro triunfo em 2017. É o primeiro para a GasGas, que o recrutou apenas no dia 11 de Dezembro de 2021. Foi como que um alívio para os austríacos da KTM, o construtor por detrás da marca GasGas..

Os portugueses chegaram todos ao final, 3 deles dentro do Top 25 da geral, com Joaquim Rodrigues a ser mais uma vez o melhor Português ao conquistar o 14º lugar e, um pouco abaixo, António Maio em 21º e Rui Gonçalves em 24º.

Mário Patrão, atual Campeão Nacional de Rally Raid e Europeu de Bajas concluiria o Dakar 2022 em 42º da geral, mas também em 6º lugar da Classe Original by Motul na qual averbou, e ainda, graças aos seus 45 anos de idade, o 1º lugar do Dakar nos veteranos.

Alexandre Azinhais terminou em 69º, Arcélio Couto em 80º, Bianchi Prata em 105º e Paulo Oliveira em 116º.

Benjamin Melot averbou a sua quinta vitória na categoria Original by Motul.

Kevin Benavides abdicaria da sua coroa no final, após uma avaria mecânica que o obrigou a retirar-se na etapa 10. Sam Sunderland, o seu companheiro de equipa na equipa austríaca, averbou a sua segunda vitória no Dakar quando cruzou a linha de chegada.

Pablo Quintanilla arrecadou um segundo lugar para a HRC e Matthias Walkner colocou a KTM no degrau inferior do pódio. Quarto na classificação virtual na última verificação de tempo, Adrien Van Beveren terminou mesmo fora do top 3, em quarto lugar na geral, 18’ 41” atrás de Sunderland.

Um dos seus companheiros de equipa Yamaha, Andrew Short, chegou em oitavo, enquanto o outro, Ross Branch, ficou fora da corrida. Não houve problemas mecânicos a assinalar, graças em parte a John Maillon, antigo mecânico de Peterhansel, agora a trabalhar para a Yamaha como gestor técnico.

andardemoto.pt @ 18-1-2022 12:05:05 - Paulo Araújo


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