MotoGP – Miguel Oliveira satisfeito com o que testou em Brno

Depois do Grande Prémio da República Checa e antes da viagem até à Áustria, os pilotos de MotoGP voltaram à pista de Brno para uma sessão de testes oficiais. 8 horas sem interrupção em pista para testarem novo material e novas estratégias eletrónicas, com o Miguel Oliveira a sair satisfeito com o que testou e com o 15º tempo a pouco mais de um segundo do mais rápido que foi Fabio Quartararo.

andardemoto.pt @ 5-8-2019 22:18:25

Ao contrário do que normalmente acontece, o circuito de Brno recebeu os pilotos da categoria de MotoGP por um total de quatro dias, pois depois do Grande Prémio da República Checa, realizou-se mais uma jornada de testes oficiais da categoria rainha do Mundial de Velocidade.

Com nada menos do que oito horas sem interrupção para testar novos componentes e estratégias eletrónicas, os fabricantes colocaram em pista algumas novidades bem interessantes, incluíndo algumas coisas que veremos em 2020 nas equipas de fábrica.

Quanto ao português Miguel Oliveira, a KTM Racing entregou à equipa Red Bull KTM Tech3 um conjunto variado de componentes para testar. Isso significou que o Miguel Oliveira teve então um dia bastante preenchido aos comandos da sua RC16, um dia após ter estado em boa forma no GP da República Checa em que alcançou um bom 13º lugar.

O jovem “rookie” da KTM completou um total de 54 voltas, e obteve o melhor registo de 1m56.811s na 49ª das suas voltas. Embora a procura de voltas rápidas não estivesse no programa de testes da Tech3, a verdade é que o tempo do Miguel Oliveira deixou-o com o 15º melhor registo dos testes oficiais de MotoGP em Brno, a pouco mais de 1,1 segundos do melhor tempo do teste, autoria do francês Fabio Quartararo.

Os testes correram bem, a o português dá nota bastante positiva ao material que testou para a KTM Racing, revelando já estar focado na corrida do próximo fim de semana, em casa da KTM, o Grande Prémio da Áustria no Red Bull Ring

“Hoje tivemos um dia bastante produtivo, onde estivemos sempre a meio da tabela, o que é muito positivo. Não nos focámos em ter um tempo por volta rápido, contudo acabámos por ser igualmente rápidos às outras equipa. Experimentámos algumas coisas novas relacionadas com o chassi e com o motor e acabámos por ser muito produtivos quanto ao nosso ritmo, portanto de certeza que estamos na direção correta para as próximas corridas. Spielberg é daqui a 3 dias e esta é uma jornada muito bonita, porque temos todos os parceiros da equipa presentes e é um fim-de-semana onde particularmente gostaríamos de suceder por todos os motivos. Sinto que estamos na direção correta para melhorar a nossa moto e resultados”, afirmou o Miguel Oliveira.

Mas o Miguel Oliveira não esteve sozinho em pista. De facto, nestes testes de Brno, todos os fabricantes contaram com a colaboração dos seus pilotos, sendo a única exceção, como já se sabia, a ausência de Jorge Lorenzo por lesão.

Vejamos então o que cada fabricante testou.

Na Yamaha, o departamento de competição da casa de Iwata trouxe para Brno diversas novidades e que foram testadas pelos quatro pilotos que pilotam as YZR-M1. Fabio Quartararo (Petronas Yamaha SRT) foi o mais rápido das Yamaha e o mais rápido do teste. O jovem gaulês utiliza uma M1 especificação “B”. Isto significa que sendo uma moto de 2019, a moto de Quartararo não beneficia das atualizações que a Yamaha Racing disponibiliza aos restantes pilotos Yamaha, sendo que o motor da sua M1 não atinge o mesmo regime de rotações.

Neste teste Quartararo pode usar, pela primeira vez, a forquilha Öhlins que utiliza bainhas em fibra de carbono. Isso parece ter sido uma melhoria, pois o francês da Petronas conseguiu bater por apenas 12 milésimas o espanhol Maverick Viñales (Monster Energy Yamaha).


Viñales testou ao longo do dia o protótipo de 2019 e comparou-o com uma primeira versão do protótipo para a temporada 2020. Já Valentino Rossi, 6º no teste, também rodou com a moto de 2020, com carenagens diferentes, e alguns componentes reposicionados. Tanto Viñales como Rossi testaram um novo assento para as suas M1.

O último piloto Yamaha que falta falar, Franco Morbidelli, ao contrário do seu companheiro de equipa, usufrui de uma M1 igual às de Viñales e Rossi. Neste teste o italiano não se focou tanto no próximo ano, mas sim em preparar a próxima corrida no Red Bull Ring. Para além de novas estratégias eletrónicas, Morbidelli experimentou ainda usar a manete de polegar para acionar o travão traseiro.

Na Ecstar Suzuki, sortes diferentes para Alex Rins e Joan Mir.

Enquanto Rins conseguiu concluir sem incidentes o programa de testes da Suzuki, continuando a adaptar-se às novas carenagens aerodinâmicas da GSX-RR, para além de experimentar o novo quadro e braço oscilante que a Suzuki já lhe tinha deixado testar em Barcelona, o “rookie” Joan Mir não teve muita sorte e terminou no hospital, quando já na última hora do teste o espanhol sofreu uma queda na curva 1, a GSX-RR terminou em cima das barreiras, e Mir teve mesmo de ser assistido no local.

De momento a Ecstar Suzuki ainda não revelou quais as lesões sofridas por Joan Mir.

A Honda, que continua a dominar em MotoGP através de Marc Marquez, levou a cabo um intenso programa de testes em Brno.

Cal Crutchlow foi o mais rápido dentro dos pilotos Honda, 5º na tabela de tempos geral. O britânico da LCR teve três motos na sua box: a RC213V usada na corrida, uma segunda moto com o quadro reforçado com fibra de carbono, e uma terceira moto com diferentes componentes para testar.

Quem não teve qualquer problema para passar o máximo de tempo possível em pista foi Marc Marquez. O vencedor da corrida deste domingo completou um total de 70 voltas. Teve também três motos na sua box: a da corrida de domingo com quadro em alumínio, uma segunda RC213V com vários reforços de fibra de carbono em diversos componentes, e um terceiro quadro mais reforçado com fibra de carbono. De referir ainda que Marc Marquez rodou também com o já famoso “spoiler” inferior para a roda traseira.


As Ducati de Andrea Dovizioso e Danilo Petrucci seguiram caminhos distintos neste teste de MotoGP. Enquanto Dovizioso testou o novo braço oscilante, Petrucci focou a sua atenção na procura de uma afinação melhor para a Desmosedici GP19. O que Petrucci fez neste teste oficial torna-se especialmente relevante, primeiro porque no Red Bull Ring a moto italiana tem vantagem, pelo menos na teoria, mas porque a Ducati pretende perceber porque é que em Brno a GP19, que deveria ter vantagem sobre a rival Honda, teve tantos problemas com a afinação usada.

Na equipa de fábrica da KTM, Pol Espargaró completou mais voltas do que Johann Zarco. O francês fez pouco mais do que 30 voltas, poupando as forças para o próximo fim de semana. Já o mais novo dos irmãos Espargaró completou um programa de testes mais alongado. Pol Espargaró teve à sua disposição um novo quadro em treliça e novas carenagens para a KTM RC16.

Quanto à Aprilia, a marca italiana continua com muitas dificuldades com a RS-GP.

É verdade que Andrea Iannone não trouxe nada à equipa, por vezes parece pouco interessado em competir, o que até já levou a algumas trocas de palavras mais azedas com responsáveis da equipa, mas também Aleix Espargaró, experiente, e com alguns bons resultados noutros anos, também não consegue extraír o melhor de si aos comandos da RS-GP.

Neste teste de Brno, Aleix Espargaró testou um totalmente novo quadro em alumínio com reforços em fibra de carbono, para além de também ter usado um novo braço oscilante, uma evolução deste componente que a Gresini Aprilia usa este ano.

Os pilotos e equipas de MotoGP terão agora uma curta viagem até à Áustria, onde a partir da próxima sexta feira veremos os pilotos a dar início ao Grande Prémio da Áustria, no Red Bull Ring, casa da KTM, e onde possivelmente o Miguel Oliveira terá uma excelente oportunidade para obter um bom resultado dentro do Top 10.

andardemoto.pt @ 5-8-2019 22:18:25


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