MotoGP 20 – A análise completa ao videojogo oficial do Mundial de Velocidade
Ano após ano os estúdios Milestone tentam reinventar uma fórmula que nos coloca aos comandos das motos mais fantásticas do planeta. Em MotoGP 20 temos diversas novidades que tornam a experiência de jogo mais emocionante. Mas será que são suficientes para nos fazer comprar este videojogo oficial do Mundial de Velocidade?
andardemoto.pt @ 22-4-2020 19:46:48 - Texto: Bruno Gomes
É um
facto que todos estamos com saudades de ver os melhores pilotos do mundo aos
comandos das motos mais fantásticas do planeta. O Mundial de Velocidade está
parado, não sabemos quando estará de regresso, e se sequer regressa até final
de 2020. O melhor que temos para nos entreter são as corridas virtuais que a
Dorna tem organizado com a colaboração de alguns pilotos de MotoGP.
Nessas corridas, os pilotos sentam-se, ainda que virtualmente, aos comandos das
suas motos replicadas no videojogo MotoGP 19, que foi criado pelos estúdios
italianos da Milestone para simular a temporada passada do Mundial de
Velocidade.
Estava por isso na altura da Milestone lançar no mercado uma nova geração do
seu videojogo MotoGP.
O Andar de Moto teve acesso à versão final do videojogo MotoGP 20 ainda antes
de estar disponível nas lojas, a 23 de abril. Por isso, decidimos fazer uma
análise às novidades que a Milestone promete que farão do MotoGP 20 um videojogo
imperdível para qualquer fã do Mundial de Velocidade.
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Começamos então esta análise ao MotoGP 20 pelo conteúdo.
Qualquer bom videojogo de corridas tem de estar repleto de diferentes modos de
jogo. Longe vão os tempos em que tínhamos apenas um modo de jogo. E nesse aspeto,
MotoGP 20 não desilude.
Assim que o jogo carrega, temos de selecionar uma de quatro opções que nos
levam para as pistas virtuais: Quick Modes (Campeonato, Corrida Rápida ou Time
Trial), modo Carreira, modo Multijogador e ainda o renovado modo História.
O principal modo de jogo, e aquele que passámos mais tempo até agora a jogar, é
o modo Carreira. Como seria expectável, a nossa carreira no Mundial de
Velocidade permite-nos competir nas categorias MotoGP, Moto2 ou Moto3, e
podemos saltar diretamente para a categoria rainha se for essa a preferência.
A grande novidade aqui passa pela forma como entramos neste mundo. Não somos
colocados numa equipa real, mas podemos selecionar uma de várias equipas
criadas pelo MotoGP 20 apoiadas por patrocinadores oficiais do Mundial de
Velocidade como a GoPro, DHL, Oakley, entre muitos outros. É uma boa novidade e
que nos deixa mais ligados ao mundo virtual de MotoGP, pois temos uma ligação
emocional à nossa equipa, que ajudámos a crescer e, claro, conquistar os
diversos títulos em questão.
Na nossa carreira a escolha do empresário, engenheiro chefe, ou até do
telemetrista, ganha uma nova dimensão pois são eles que garantem melhores
contratos (e ordenados), permitem desenvolver e evoluir a nossa moto para
garantir uma performance melhorada (mas temos de completar desafios em pista
durante cada Grande Prémio), e ainda permitem ajudar na definição dos diversos
ajustes da moto ao longo do fim-de-semana.
É uma faceta bastante interessante do videojogo, que assim nos obriga a fazer
algo mais para além de entrar em pista, tentar fazer o melhor tempo nos
treinos, depois nas qualificações, e depois ganhar a corrida.
É uma novidade que gostámos de ver em MotoGP 20, até porque temos ainda de
contar com o lado financeiro das nossas opções em termos de contratação de cada
um destes três elementos: um empresário mais experiente obriga a gastar
bastante mais dinheiro ao fim do mês. E não queremos ficar sem dinheiro!
Os modos de jogo rápido são simples e diretos, e revelam-se a forma mais
simples e rápida de entrar em pista sem nos preocuparmos em gerir a nossa
carreira. Para além da corrida rápida, temos o Campeonato, e ainda o modo Time
Trial que nos permite treinar e ficar a conhecer cada moto disponível sem a
pressão de ter de vencer corridas ou garantir a “pole position”.
Nestas poucas horas que passaram desde que o MotoGP 20 está a rodar na nossa
Xbox One X, e porque o jogo apenas está oficialmente disponível algum tempo
depois de estarmos a escrever esta análise, não nos foi possível testar os
modos Multijogador (online), por não conseguirmos encontrar “lobbys”
disponíveis, e não nos pudemos ainda dedicar ao modo História.
No caso do Multijogador, a Milestone garante que a utilização de servidores
dedicados ao MotoGP 20, graças ao Amazon Web Services, irá diminuir a “latência”
baixa nas corridas online, melhorando a qualidade da experiência enquanto
enfrentamos os nossos amigos ou outros pilotos virtuais em qualquer ponto do
mundo.
No caso do modo História, encontramos um modo de jogo profundamente remodelado.
Agora temos um “mercado” onde encontramos pilotos históricos, motos ou equipas.
Teremos de completar desafios que se renovam diariamente e com diferentes níveis
de dificuldade, para garantir os diamantes que depois podemos usar para comprar
no mercado os pilotos que mais gostamos. É uma forma interessante de prolongar
a vida útil do MotoGP 20 e de manter os jogadores ligados ao jogo para não
perder a oportunidade de desbloquear o seu piloto favorito, visto que o mercado
do modo História não se mantém inalterado por muito tempo.
Agora que abordámos os conteúdos, passamos à jogabilidade.
Sabemos que conseguir replicar a dinâmica de uma moto no mundo virtual não é
uma tarefa simples. Mas a Milestone já tem muitos anos de experiência em
videjogos de motos, pelo que há determinadas coisas que não podemos perdoar.
De uma forma geral, pilotar uma MotoGP, uma Moto2 ou uma Moto3 revela-se numa
experiência agradável. A sensação de aderência está bem conseguida através da
função “force feedback” do comando da Xbox One X, a sensibilidade progressiva
dos botões permite ajustar bem a força de acelerador ou travão, e mesmo a moto “dança”
como estamos habituados a ver uma MotoGP a mexer-se na realidade.
E as diferentes ajudas eletrónicas também são uma componente relevante na
experiência de jogo!
Ajustar o controlo de tração, o anti-wheelie, o efeito travão motor, potência
do motor, tudo isto permite adaptar a moto às diferentes fases da corrida.
Obriga a gerir a corrida de uma forma como até agora não tínhamos de fazer nos
outros MotoGP anteriores, e se depois adicionarmos o novo simulador de desgaste
dos pneus e consumo de combustível, temos mesmo de gerir a corrida de uma forma
muito mais real.
Andar sempre a fundo pode garantir uns segundos de vantagem sobre os
perseguidores, mas rapidamente percebemos que não é possível completar toda a
corrida nesse ritmo, pois os pneus desgastam-se rápido e a gasolina não permitirá
cruzar a linha de meta.
Porém, nem tudo é perfeito.
Por exemplo, quando estamos a percorrer uma curva e começamos a visualizar a
saída da curva, aceleramos mais forte e começamos a endireitar a moto. Nesse
momento a moto tem uma reação intempestiva, parece que desliza, e obriga a
estarmos sempre atentos para corrigir se não queremos ir parar a uma
escapatória. Não é um movimento natural.
Depois temos os pneus. Mais concretamente o tipo de composto escolhido.
Seria de esperar que os pneus moles permitam obter tempos mais baixos, devido à
maior aderência. Os pneus médios garantem um pouco mais de resistência ao
desgaste, e os duros deveriam perder bastante para os moles em rapidez, mas
garantir um desgaste muito menor.
Na realidade a escolha do composto de pneu para a corrida ou sessões de
qualificação pouco ou nada afetará o comportamento da nossa moto. Por diversas
vezes consegui fazer tempos melhores usando uma combinação Médio / Duro em vez
de Mole / Mole. Deveríamos sentir diferenças muito maiores entre cada composto.
Na jogabilidade, de referir que sou totalmente a favor das
penalizações para pilotos que saem de pista ou que tentam atalhar uma “chicane”.
No entanto, os limites impostos pela Milestone são inconstantes.
Em alguns
pontos da pista podemos passar em cima do corretor sem qualquer penalização de
tempo, e por vezes numa curva a seguir já somos penalizados. E quem diz
corretor, diz as linhas brancas. Qualquer toque, mesmo sem passar para lá da
linha, pode dar direito a volta inválida, impedindo a conquista da “pole
position”.
Ainda no que acontece em pista, e porque estamos num mundo de corridas, MotoGP
20 oferece uma experiência bastante competitiva.
Os nossos adversários
controlados pela Inteligência Artificial (IA) revelam-se “ossos
duros de roer” quando colocamos a dificuldade acima dos 70%. Abaixo desse valor
os adversários controlados pela IA quase que só estão em pista para ocupar
espaço, muitas vezes travam bem antes do ponto de travagem o que resulta em
queda nossa porque não estamos à espera.
O sistema Neural IA 2.0 que a Milestone desenvolveu para o MotoGP
20 revela um comportamento mais “humano” dos pilotos, que caem mais vezes do
que até agora, escolhem trajetórias alternativas quando necessário, colam-se na
nossa traseira para usufruir do efeito aerodinâmico e assim passarem em
velocidade, e evitam, sempre que possível, os contactos mais fortes. Quando
esses contactos são inevitáveis, pedem desculpa!
Ao nível gráfico, MotoGP 19 já era bom. Mas este MotoGP 20 eleva a fasquia,
pelo menos no que diz respeito às motos, pilotos e ao interior do circuito (incluíndo
as boxes redesenhadas).
As diferenças de iluminação estão bem conseguidas, os detalhes das motos estão
perfeitos, todos os pilotos estão replicados na perfeição (mas podiam mexer-se
mais em cima das motos) e os próprios circuitos vão revelando um ambiente
diferente conforme a hora a que se realizam as sessões em pista. Fora da pista
os cenários cumprem, mas não são brilhantes, nem têm a profundidade que
encontramos, por exemplo, em jogos de corridas de automóveis.
A Milestone garante que o motor de jogo Unreal permite atingir os 60 fps
constantes na Xbox One X (ou na Playstation 4 Pro), e de facto a fluidez da imagem
é assinalável, com qualidade nas texturas e arestas bem definidas. Nota-se que
a produtora italiana perdeu bastante tempo neste particular.
Se os gráficos estão ótimos, o mesmo já não posso dizer do som.
Os primeiros vídeos de “gameplay” que a Milestone divulgou deixaram-me de pé
atrás em relação ao som. E agora que posso jogar e usufruir do som dos
headphones específicos para videojogos, ou do som dinâmico da minha TV, tenho a
certeza: é o ponto mais fraco do MotoGP 20!
Para ser sincero, as únicas motos que têm um som parecido com a realidade são
as Moto3 e os seus motores 4T de 250 cc. E mesmo essas, especialmente quando o
pelotão roda compacto, soam a uma mescla de tons sintetizados. Se passarmos
para as Moto2 a sonoridade piora, e então em MotoGP a situação torna-se
insuportável. Se tiver um sistema de “home cinema” em casa não recomendo usar
para jogar MotoGP 20. Uma verdadeira desilusão e não se compreende como um
videojogo desta geração pode ser tão mau.
Para último nesta minha análise deixo o Editor de Gráficos.
Não é uma novidade absoluta, mas este ano temos a possibilidade de editar o
nosso capacete, fato ou o nosso número utilizando mais materiais gráficos. As
combinações são imensas, tanto a nível de forma como de cores, e utilizar o
editor revela-se fácil e intuitivo. Já perdi umas boas horas para criar o meu
número personalizado, e ainda não comecei a personalizar o meu capacete. De
certeza que os fãs mais acérrimos de MotoGP vão desfrutar muito com este
editor. As botas e luvas podem ser personalizadas com as nossas cores
favoritas, mas não com gráficos.
MotoGP 20 - Avaliação (7 em 10)
A espera foi longa, mas MotoGP 20 está aí e está pronto para nos deixar aos
comandos das motos mais fantásticas do planeta sem precisarmos de sair do sofá
de nossa casa. Eu já não jogava a franquia dedicada ao Mundial de Velocidade
desde o MotoGP 17, pelo que esta versão de 2020 se revelou uma boa evolução,
quer em termos gráficos, quer em termos de jogabilidade e conteúdos mais interessantes.
Todo o modo Carreira está mais imersivo, mas sempre com o foco nas corridas, e
a componente tática de MotoGP 20 ganha uma nova dimensão com a simulação de
ajudas eletrónicas e do desgaste de pneus e combustível.
Falta, para já, e porque não há “lobbys” disponíveis, uma análise à componente
multijogador “online”, que atualmente é muito importante para o sucesso, ou
não, de um jogo de corridas de motos, pois permite que milhares de pilotos de
sofá se enfrentem em corridas épicas e emocionantes.
Se calhar para quem tem o MotoGP 19 não se justificará a compra desta nova
versão. As diferenças não são assim tão relevantes. Mas a possibilidade de
podermos correr com as novas motos, novos pilotos, e até no novo circuito
finlandês KymiRing são aliciantes que se podem revelar irresistíveis!
A Milestone promete dar um apoio bastante significativo ao seu MotoGP 20. Por
exemplo, no momento em que testámos e escrevemos esta análise, e apesar de
todas as melhorias em comparação com o MotoGP 19, os pilotos e motos ainda são
os da temporada 2019.
Assim, a produtora promete várias atualizações e alargamento das classes que
podemos selecionar para competir:
- Início de maio: atualização da categoria MotoGP para pilotos e motos da
temporada 2020;
- Fim de maio: atualização das categorias Moto2 e Moto3 para pilotos e motos da
temporada 2020. Adição da Red Bull Rookies Cup;
- Fim de junho: atualização para adição da categoria MotoE.
O videjogo MotoGP 20 chega às lojas da especialidade a 23 de abril. Está
disponível para Playstation 4, Xbox One X (versão testada), PC, Steam, Nintendo
Switch. O preço varia entre os 23,19€ e os 59,49€.
andardemoto.pt @ 22-4-2020 19:46:48 - Texto: Bruno Gomes
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