Teste Triumph Street Scrambler - Viver no Campo
Há motos que são marcos na história do motociclismo. A família Bonneville tem vários desses marcos, e um deles é a carismática Scrambler.
andardemoto.pt @ 22-4-2017 19:43:44 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira
Uma Scrambler é, por definição, uma vulgar moto de estrada, modificada de forma capaz de nos levar a qualquer lugar.
Em tempos idos, na primeira metade do século passado, antes do advento do motocross, eram as “scramblers” que dominavam os trilhos, e que levavam os mais aventureiros a desbravar caminhos lamaçentos, a conquistar o cimo das montanhas mais pedregosas e a atravessar ribeiras traiçoeiras, na ânsia de serem os primeiros a chegar.
As scramblers eram modificadas com o intuito de seram mais leves, mais ágeis, mais resistentes e mais manobráveis.
Guiadores mais largos, depósitos de combustível mais pequenos e escapes colocados em posição superior (para proporcionarem uma maior altura ao solo) eram receita quase comum.
Mas foi em meados dos anos sessenta que apareceu o conceito “street scrambler”.
Ao longo dos anos 70, vários foram os modelos que obtiveram enorme sucesso na Europa, como as Honda CL450, ou a Ducati 450 Scrambler. Mas o lançamento da BMW R80G/S em 1980 veio a mudar as regras do jogo.
A Triumph Scrambler nasceu em 2006. Muito antes ainda do começo da recente tendência hipster de parecer “cool”, e de outras marcas terem recomeçado a apresentar modelos com o mesmo nome ou apetência.
Foi inspirada na Triumph Trophy TR6 modificada, que Steve McQueen, o “king of cool”, conduziu no filme “The Great Escape”, e vendeu mais de 70.000 unidades em todo o mundo.
Dez anos depois, em 2016, a moto mais aguardada do construtor inglês era precisamente a renovada Scrambler. Foi preciso aguardar por Novembro para assistirmos à sua apresentação no Salão de Milão. E apenas há poucos dias é que ela chegou aos concessionários portugueses da marca.
Mas mal nos sentamos nesta nova Street Scrambler, damos a espera por bem empregue.
A posição de condução é muito boa, a começar pelo assento que é muito confortável e que oferece bastante espaço mesmo para os condutores mais volumosos, a suspensão é bastante confortável, os poisa pés recolocados e mais avançados mostram-se mais aptos para longas tiradas e para condução em pé, facto que é também potenciado pelo guiador mais elevado, isto considerando a antiga versão de 865cc arrefecida a ar.
A Street Scrambler era a única moto da família Boneville equipada com o novo motor “High Torque” de 900cc refrigerado por líquido que ainda não tínha conduzido. Depois de já ter testado as Bonneville Street Twin, Street Cup e T100 (clique nas ligações para ver os respectivos testes e fotos), a suavidade do motor, da caixa de velocidades e da embraiagem, assim como o desempenho dos travões já me eram familiares, uma vez que constituem a mesma base para todos os modelos.
No entanto a Scrambler é diferente. Além de um quadro reforçado, as suspensões foram adaptadas para garantirem uma maior altura livre ao solo. A forquilha é ligeiramente mais comprida, e a sua afinação é também mais macia. e os amortecedores traseiros são mais longos, apesar de o curso de suspensão se manter idêntico ao dos outros modelos.
A roda dianteira de 19 polegadas, além de melhorar o comportamento em pisos degradados e a transpor obstáculos, também colabora para que a altura livre ao solo seja maior.
Se no alcatrão a Scrambler impressiona pelo conforto e pela ergonomia, é fora de estrada que as suas melhores qualidades se revelam.
A relativamente pouca potência do motor é mais do que suficiente para garantir muita diversão em estradões de terra e em alguns trilhos, sendo a sua suavidade um factor importante de confiança. Os belos escapes elevados emitem uma sonoridade viciante, que a par com a específica afinação do motor, reforçam o prazer de condução.
O travão dianteiro, que a alta velocidade em estrada se pode considerar ligeiramente escasso, em pisos pouco consistentes é uma mais valia, sobretudo quando se desliga o ABS. A propósito, a Scrambler permite também desligar o controlo de tracção temporariamente, sendo necessário voltar a desligá-lo cada vez de se arranca o motor.
Mas obviamente a Scrambler não é uma moto de TT. É um excelente compromisso para quem quer, acima de tudo, ter uma moto polivalente, confortável e capaz de ir literalmente a qualquer lugar, desde que sem grandes pressas.
A suspensão tem um curso demasiado reduzido para enfrentar grandes impactos a alta velocidade, mas ainda assim permite níveis de diversão muito elevados, e mesmo em terrenos pedregosos consegue garantir um excelente conforto.
Na prática, a Street Scrambler será perfeitamente capaz de acompanhar qualquer “big Trail” em qualquer aventura “fora de estrada”, sendo ainda muito mais fácil de conduzir (e eventualmente de levantar do chão). Mas é também capaz de enfrentar a selva urbana, com grande à-vontade, ou aventurar-se a grandes passeios, mesmo com passageiro.
Os condutores de estatura mais baixa também não vão ter grandes dificuldades em colocar os pés bem assentes no chão, já que além de a altura do assento ser bastante contida, o seu formato estreito permite poupar comprimento de perna.
Por tudo isto, a Scrambler é a mais versátil moto da família Bonneville, adaptando-se a qualquer tipo de utilização e a qualquer tipo de condutor. Excepto, claro está, os mais "racers"!
Cabe ainda uma nota especial para o elevado nível de acabamentos e para a atenção a todos os detalhes de fabrico, com soluções estéticas de muito bom gosto, a par com uma enorme funcionalidade e simplicidade.
Será o caso do comutador de máximos/médios colocado no sítio correcto, do menu de navegação do painel de instrumentos, lógico e simples, ou do bonito suporte do farol, dos elementos perfurados nos painéis laterais e ainda das flanges dos colectores de escape. A pintura apresenta um acabamento perfeito e o revestimento do assento é de muita qualidade.
Apenas um pormenor menos positivo, que diz respeito à protecção inferior do motor, fabricada em plástico e que não tem nehuma utilidade prática, Deveria ser em alumínio, ou então nem sequer lá estar para não induzir ninguém em erro.
Com uma gama de mais de 150 acessórios oficiais, que permitem personalizar a Scrambler ao gosto de cada um, a gama “modern classics” da Triumph ganhou mais um elemento de peso, que vai seguramente cimentar o crescimento nas vendas que a marca tem vindo paulatinamente a ter no nosso país. desde que está a ser representada pela KMS.
Equipamento:
Neste teste usámos o seguinte equipamento:
Capacete Nexx X.G10 Purist
Goggles Biltwell Moto
Luvas RSW MSL - 009
Blusão Macna Rush Night Eye
Calças Alpinestars Missile Airflow Leather
Botas TCX Infinity Evo Gore-Tex
andardemoto.pt @ 22-4-2017 19:43:44 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira
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