Teste Triumph Bonneville Bobber - A Razão da Paixão
O poder da sedução está bem expresso na mais recente moto da família Bonneville. E a beleza exterior da Bobber não é o único atributo desta nova Triumph.
andardemoto.pt @ 7-5-2017 16:09:21 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira
Se há um bom exemplo para uma moto de paixão, a Triumph Bobber é um deles. Salta à vista, insinuando-se com proporções pouco comuns, mas perfeitas, e pormenores cuidados e requintados que a tornam irresistível.
As suas linhas voluptuosas, o seu charme “retro” e a simplicidade do conjunto, de inspiração vincadamente cruiser, tendem a remeter para segundo plano o comportamento dinâmico e o desempenho da ciclística. No entanto, é precisamente nesse aspecto que a Bobber vai derrotar sem clemência qualquer argumento racional que se possa tecer sobre esta moto.
Desde o aparecimento da primeira moto Triumph, que então não era mais do que uma simples bicicleta com um motor acoplado, a produção de modelos da marca manteve-se ininterrupta até aos dias de hoje, e teve um importante e incontornável papel na história do motociclismo mundial.
Há 115 anos, Siegfried Bettmann e Moritz Schulte lançaram a sua primeira moto: a "first model". Foi um sucesso imediato, tendo vendido mais de 500 unidades no primeiro ano de fabrico, entre 1902 e 1903. Na época não havia choppers ou bobbers, nem cafe racers, nem scramblers. Havia simplesmente motos. Os modelos customizados e as diversas tendências só apareceram mais tarde, no rescaldo da segunda grande guerra, já no limiar da década de 50.
A marca britânica sofreu vários episódios dramáticos ao longo da sua existência, mas nos últimos anos tem conhecido um crescendo de sucesso que a coloca de novo como um importante “player” na cena motociclística mundial. E a Bobber representa uma lufada de ar fresco num segmento de mercado que tem evoluído exponecialmente nos últimos anos, e que não dá mostras de abrandamento.
Para um fabricante europeu é fácil evocar e replicar Cafe Racers e Scramblers, mas evocar uma cruiser, e tentar conquistar além do mercado doméstico um mercado bairrista como o americano, não é para qualquer um. Fá-lo somente quem pode! E pelo que já se afigura, através da comunicação social especializada do novo mundo, a Bobber tem as portas abertas, e oxalá a produção aguente as encomendas.
Por cá, com muitos europeus mais focados no número de cavalos do que nas coisas importantes, a Bobber é já um caso de estudo. Todos os jornalistas especializados em motociclismo têm tecido elogios a esta nova Bobber, com algumas “reviews” até mais apaixonadas do que lógicas.
No entanto, tenho de concordar que, para além das linhas e do estilo, o desempenho do bicilíndrico e da ciclística garantem prestações dinâmicas de topo no que respeita a este género de motos. Por um lado, o motor oferece uma resposta viva desde muito baixa rotação, com uma subida de regime rápida e linear, um arranque canhão, e tudo isso acompanhado de uma sonoridade verdadeiramente interessante.
Por outro lado, a cliclística oferece um desempenho muito bom em curva, sendo fácil de inserir e manter em ângulo, com um comportamento muito neutro, e com a suspensão a fazer um excelente trabalho a manter as duas borrachas bem coladas ao piso. A agilidade é grande, em parte devida ao baixo centro de gravidade e em parte graças à boa brecagem, potenciada pelo amplo guiador.
A condução é bastante intuitiva, seja pela ergonomia bem calculada, seja pela leveza dos comandos e pela suavidade da caixa de velocidades. Tudo assenta na perfeição, com os interruptores bem colocados, o assento bastante confortável e envolvente, os poisa-pés sem estorvarem as pernas quando se pretende pôr os pés no chão, e o descanso lateral bastante acessível.
O condutor tem ainda direito ao que de melhor existe ao nível das ajudas electrónicas à condução, com, para além do ABS, um acelerador electrónico com dois modos de motor (estrada e chuva), para além de um controlo de tracção desligável e imobilizador com chave codificada.
Olhar para ela é um regalo para a vista, descobrindo-se nas linhas compactas a perfeição dos encaixes, a limpeza das soldaduras, a boa arrumação da cablagem, os pormenores de requinte nas diversas tampas, aros e parafusos, nas inserções em latão ou em rede e em tantos outros cuidados que, a par com a pintura imaculada, contribuem para o aspecto luxuoso do conjunto.
Por isso, apreciar a caixa de bateria, com o fecho e a fita circundante em aço inox, o aro de suporte do guarda-lamas traseiro, o cubo traseiro que evoca um travão de tambor, os elaborados espelhos retrovisores instalados no punhos, os corpos de injecção a simular um velho carburador Amal, os foles negros na forquilha, e o canhão da ignição colocado na base do motor, do lado direito, requer longos momentos de esplanada, em contemplação.
Porventura enquanto se tenta encontrar uma solução para substituir o demasiado moderno farolim traseiro por um mais consequente, e uma alternativa mais refinada para os piscas.
Mas a Triumph Bonneville Bobber é, e apesar de tudo o que já foi dito, uma moto de paixão, destinada a fazer lembrar os encantos do mundo das motos: a sensação do vento no peito, a envolvência com a natureza, o prazer de condução e a sensação de liberdade e o espírito de rebeldia.
A Bobber fica bem em qualquer cenário, e comporta-se bem em qualquer tipo de utilização. Mas a Bobber não tolera pisos degradados. Isso é talvez a maior das suas condicionantes, já que o diminuto curso da suspensão, apesar de garantir um desempenho muito bom, tem uma grande limitação no que diz respeito ao tamanho das irregularidades que consegue absorver, sendo o fundo das costas o primeiro a ressentir-se, imediatamente antes dos pulsos.
No entanto, isso não é razão suficiente para se deixar de gostar da Bobber. Nem um bocadinho que seja!
Pela mesma razão, também se pode desculpar perfeitamente a autonomia limitada pelo depósito de 9 litros e a pouca inclinação lateral que os poisa-pés permitem em curva, muito aquém do potencial do conjunto, assim como também se desculpa facilmente o facto de a travagem dianteira ser ligeiramente escassa, sobretudo em termos de mordida inicial.
O que não vai ser desculpado, sobretudo por algumas penduras mais ciumentas, é o facto de a Bobber ser uma moto para condução exclusivamente a “solo”, já que nem sequer está homologada para transportar passageiro, não apresentando nem poisa-pés nem assento traseiros. Por outro lado, para muitos, esta será mais uma vantagem, tendo assim desculpa para uns momentos de privacidade.
Conclusão:
Se efectivamente está a pensar comprar uma moto para “aqueles” momentos que reserva só para si. Se quer uma moto exclusiva, com potencial para facilmente ficar ainda mais a seu gosto, Se além do estilo também gosta de fazer uma boa estrada de curvas em ritmos bastante “alegres”, e se dá valor à perfeição de construcção e à qualidade dos acabamentos, então a Bobber é a moto que deve ir testar! E vai ver que não vai encontrar nenhuma razão para não se render à paixão!
Para os mais exigentes, a Triumph desenvolveu uma completa gama com mais de 150 acessórios que permite adaptar a Bobber aos gostos de cada cliente.
A Bobber está disponível em três cores sólidas: preto, vermelho e dourado, e uma versão bicolor: Prata e verde. Para mais informações veja a ficha técnica da Triumph Bonneville Bobber (clique aqui).
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Equipamento
Neste teste usámos equipamento de segurança composto por (clique nos links para saber mais):
- Luvas Darts Sunland
andardemoto.pt @ 7-5-2017 16:09:21 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira
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