Teste Yamaha MT-09 / MT-09 SP - Fator diversão!
A mudança para as normas Euro5 foi a desculpa que a Yamaha
aproveitou para dotar a hypernaked MT-09 de melhores argumentos. O fator
diversão mantém-se. Mas será que os pontos menos positivos foram corrigidos?
Fotos: Pedro Lopes
andardemoto.pt @ 27-9-2021 15:29:05 - Texto: Bruno Gomes
Originalmente lançada no mercado mundial em 2013, a MT-09 lançou a
Yamaha para um novo patamar de performance acessível ao comum motociclista. A
naked desportiva surpreendeu pelas prestações do seu motor tricilíndrico,
batizado pela casa de Iwata como CP3, ciclística sólida – com alguns problemas,
como por exemplo na dianteira –, relativamente boa qualidade de construção, e
por uma imagem fora do comum que diferenciou a MT-09 da concorrência.
Foi necessário esperar algum
tempo, mais precisamente até 2017, para que os engenheiros da Yamaha
encontrassem forma de refinar este conjunto onde o fator diversão é o foco
principal. Agora, quatro anos depois, a mais recente geração MT-09 aparece nas
nossas estradas, recheada de novidades, mas sempre mantendo o foco na diversão.
A Yamaha serviu-se da desculpa
da mudança para as normas Euro5 para aproveitar e renovar profundamente a
MT-09. E não estamos apenas a referir as novidades visuais! De facto, a marca
japonesa arrisca novamente bastante com uma linguagem visual que cria, sem
dúvida, uma imagem impactante e diferenciada.
Porém, a frente cada vez mais
inspirada nos desenhos de anime japoneses não é um elemento que se torna fácil
de apreciar. É um exercício de estilo que se torna numa característica muito
particular, com a máscara dianteira a envolver a ótica ladeada por luzes
diurnas em LED. O resultado não é do agrado de todos, até porque se olharmos
para o conjunto no seu todo, parece que a ótica dianteira tem um design
exagerado em comparação com os restantes componentes da MT-09.
E por falar em componentes, a
peça central desta naked desportiva continua a ser o seu motor tricilíndrico
CP3. Esta unidade motriz, embora aparente ser igual à geração anterior, viu a
sua cilindrada aumentar para 889 cc. Este foi conseguido graças ao aumento em 3
mm do curso dos pistões. E mais cilindrada é uma excelente forma de combater as
restrições Euro5!
A potência subiu para os 117
cv às 10.000 rpm, enquanto o binário sobe para os 93 Nm às 7.000 rpm.
Mas as entranhas do CP3 escondem mais novidades: cambota mais pesada, árvores
de cames de perfil revisto para beneficiar a entrega de binário a médios
regimes, pistões redesenhados e ainda bielas mais resistentes e fabricadas com
recurso a uma nova tecnologia.
Injetores reposicionados para injetar o combustível mais diretamente na zona
das válvulas de admissão, melhorando a atomização do combustível e
automaticamente conseguindo uma melhor mistura de ar / gasolina, o que resulta
numa combustão mais eficiente, e em que os gases de escape saem do motor
através do sistema de escape muito compacto (1,4 kg mais leve) e escondido
debaixo do motor.
O aumento de potência máxima
não é particularmente notório. Sim, é verdade que a MT-09 continua a mostrar
uma capacidade muito boa nas recuperações, as acelerações acontecem a um ritmo
excelente enquanto a velocidade aumenta rapidamente graças a uma capacidade de
tração mecânica muito boa. Mas o que mais desfrutamos numa naked desportiva não
será tanto a potência, mas sim o binário. E aí, este motor CP3 em formato
Euro5, ganha clara vantagem para o seu antecessor.
Os 93 Nm estão bem espalhados
pela gama de rotações. Sentem-se pujantes, e os três cilindros trabalham de
forma incessante, sem vibrações excessivas, para garantir que entregam sempre o
binário na dose ideal. Com o pico de binário a ser atingido às 7.000 rpm, aos
comandos da MT-09 a diversão é garantida, particularmente quando atingimos as
4.000 rpm, altura em que o CP3 “explode” e nos empurra de forma decidida à
saída das curvas mais lentas.
Nestes momentos será
necessário agarrar bem o guiador, que deixa os punhos bem abertos e um pouco
mais longe do assento, mais ao estilo da poderosa MT10 e não tanto numa posição
elevada como a MT-07. A frente revela uma dose de nervosismo que não esperava
encontrar na MT-09, provavelmente devido à geometria da direção, com ângulo
bastante fechado. Isso obriga o condutor a mostrar-se decidido nos impulsos que
faz no guiador, e temos de estar sempre atentos para reagir a alguns movimentos
mais “nervosos” por parte da roda dianteira.
Ainda assim, e graças ao novo
quadro mais leve, mas 50% mais resistente às forças laterais, em conjunto com
suspensões que, ainda que não sendo topo de gama na versão base da MT-09,
revelam-se mais refinadas no momento de compressão e extensão, esta naked da
Yamaha deixa-se “cair” para a curva com muita facilidade.
Revela agora uma capacidade bastante melhor de manter ritmos mais elevados numa
estrada de curvas encadeadas, embora se sinta sempre que não é difícil levar as
suspensões ao seu limite, em particular nos pisos mais degradados onde o
amortecedor traseiro por vezes apresenta um comportamento “saltitão”.
Com apenas 189 kg de peso a
cheio, e para este peso anorético contribuem, entre outras coisas, as jantes
que são fabricadas através de um novo processo de fundição que permite uma
espessura mínima de apenas 2 mm, a MT-09 movimenta-se com graciosidade de curva
em curva, e o assento plano, mas ligeiramente a descair para a frente, garante
que o condutor se consegue movimentar sem problemas para encontrar o melhor
equilíbrio e ao mesmo tempo tem sempre um apoio adicional nos momentos de
aceleração, reduzindo o esforço físico para nos mantermos agarrados à moto.
Outro ponto positivo na nova
Yamaha MT-09 é a sua travagem. A Nissin fornece o sistema, e o ABS está agora
ligado à plataforma de medição de inércia. Uma unidade de ABS da Bosch mais
poderosa permite ao sistema evitar ser ativado tão facilmente, e mesmo em
condução mais agressiva, mesmo procurando obrigar o ABS a mostrar-se, a MT-09
manteve sempre a sua compostura e estabilidade.
A travagem é poderosa o suficiente para obrigar o pneu dianteiro Bridgestone
S22 a “esborrachar-se” contra o asfalto, e o tato na manete é progressivo e
preciso, o que por sua vez permite prolongar a travagem para o interior da
curva sem qualquer receio.
E aqui entramos no tema da
eletrónica. A primeira geração da MT-09 era bastante rudimentar a este nível.
Mas tudo mudou nesta terceira geração e a Yamaha não se fez rogada, indo buscar
inspiração à eletrónica da exótica superdesportiva R1M.
O pacote eletrónico desenvolvido pela Yamaha inclui quatro modos de condução
D-Mode (um deles totalmente personalizável), controlo de tração que tal como o
ABS é sensível à inclinação, “slide control” e ainda um “lift control” –
atenção que não deve ser confundido com um “anti-wheelie”! – que permite
levantar a roda dianteira quando queremos, mas sempre com uma salvaguarda
eletrónica.
Para aqueles motociclistas que
adoram o lado “hooligan” da MT-09, a chegada de mais eletrónica poderia ser
algo menos positivo, por limitar o controlo manual do condutor. Porém, e depois
de um dia aos comandos da nova MT-09, posso garantir que a eletrónica mal se
nota e não retira qualquer prazer de condução.
As diferentes opções
eletrónicas são selecionadas e ajustáveis através do painel de instrumentos TFT
a cores, de dimensão compacta, mas com informações legíveis. Os modos de
condução alteram, como seria de esperar, o nível de intervenção das ajudas
eletrónicas. Aqui, confesso que me senti muito mais confortável em Modo 2, em
que a sensibilidade do acelerador eletrónico se revela mais natural e
progressiva, sendo que no Modo 1, o mais agressivo de todos, a resposta do
motor aos impulsos no acelerador continua a ser, para o meu gosto, demasiado
imediata.
Ainda assim, este D-Mode mais
agressivo está claramente mais “suave”, se assim posso dizer. Para isso muito
contribui a cambota mais pesada e as duas primeiras relações de caixa mais
longas, o que reduz de forma notória aquele impulso inicial demasiado
contundente.
Os modos 3 e 4 são demasiado “softs” para adotar um andamento vivo, e tendo em
conta que a Serra da Arrábida foi o cenário escolhido pela Yamaha Portugal para
ficarmos a conhecer as capacidades da nova MT-09, e o grupo de jornalistas
presente não se fez rogado e adotou um ritmo bem “interessante”, estes modos
não chegaram a ser apresentados no painel de instrumentos da minha MT-09.
Diria que o D-Mode 1 poderá ser usado para quem fizer o ocasional “track day”
pela sua agressividade, enquanto o D-Mode 4 para dias de chuva será perfeito.
E já que falo na eletrónica, é
impossível não referir o maravilhoso sistema “quickshift” que equipa a nova
Yamaha MT-09. Funciona para subir e descer de caixa, e revela uma precisão de
funcionamento, mesmo em ambiente urbano, que permite esquecer por completo a
leve embraiagem. Apenas necessitamos de tocar levemente no seletor de caixa e a
relação acima / abaixo é engrenada de forma praticamente impercetível.
Neste dia de contacto com a
MT-09, a Yamaha Portugal deixou-me também experimentar a variante que conta com
melhor equipamento. A MT-09 SP beneficia em grande parte dos melhoramentos que
já referi anteriormente na versão base. Mas para além de uma imagem mais
exclusiva – pintura especial Icon Performance ou assento de costuras duplas –,
a SP apresenta-se ao serviço apoiada em suspensões de melhor qualidade.
Na dianteira brilha uma
forquilha Kayaba totalmente ajustável, enquanto na traseira o monoamortecedor
tem assinatura da Öhlins. As suspensões que na versão base podem ser
consideradas um dos pontos menos positivos neste modelo, no caso da MT-09 SP
são precisamente um dos pontos em maior destaque pela positiva!
Assim que começamos a conduzir e a passar por diferentes tipos de asfalto, é
notório, para melhor, o comportamento das suspensões em ambos os eixos,
garantindo maior estabilidade, particularmente quando inclinamos a moto para
definir trajetórias.
Com este mix de suspensões
Kayaba e Öhlins dei por mim a entrar em curva com muito mais confiança, senti a
direção mais estável na entrada em curva, enquanto o eixo traseiro revela uma
menor tendência para afundar sob a força da aceleração do motor CP3, garantindo
que aproveitamos ao máximo as capacidades dos pneus Bridgestone S22.
Veredicto Yamaha MT-09 / MT-09 SP
As naked desportivas são uma
excelente alternativa às superdesportivas de 1000 cc (ou mais). Sim, o conforto
da MT-09 não é exemplar, mas é significativamente melhor do que uma
superdesportiva, e por isso podemos conduzir um dia inteiro sem grandes queixas
do assento ou dores nos braços.
A diferença de preço entre a
versão base e a SP torna esta última numa proposta mais apetecível,
particularmente quando temos em conta as melhorias que obtemos em termos
dinâmicos através das suspensões de melhor qualidade da Kayaba e Öhlins,
enquanto as suspensões da versão base são, ainda, algo limitativas para ritmos
mais desportivos.
A hypernaked japonesa oferece
muito e a um preço acessível. Contas feitas, temos um motor poderoso,
relativamente económico, uma ciclística agradável, e uma eletrónica evoluída
que deriva da R1M. Tudo isto, no caso da MT-09, por menos de 10.000 euros! Era
uma moto divertida. Mas nesta terceira geração o fator diversão aumentou
bastante. E isso é ótimo!
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção:
Capacete – Schuberth SR2
Blusão – REV’IT! Hyperspeed
Pro
Calças – REV’IT! Orlando H2O
Luvas – REV’IT! Chevron 3
Botas – REV’IT! Mission
Galeria de fotos Yamaha MT-09 e MT-09 SP
andardemoto.pt @ 27-9-2021 15:29:05 - Texto: Bruno Gomes
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