Parabéns MV Agusta!
Marca sedeada em Varese celebrou no início de 2020 o seu 75º
aniversário. Neste momento de celebração, vamos recuar no tempo e ficar a
conhecer melhor a história dos 75 anos da MV Agusta, uma marca que se tornou
num ícone das duas rodas tanto na competição como nas estradas.
Fotos:
MV Agusta
andardemoto.pt @ 25-2-2020 08:30:00 - Texto: Bruno Gomes
Quando
a 19 de janeiro de 1945 a família Agusta lançou os alicerces da atual MV
Agusta, estávamos todos bastante longe de adivinhar tudo aquilo que a marca
italiana iria passar ao longo dos seus 75 anos de história. E é precisamente
quando atinge os 75 anos que a MV Agusta continua a reeinventar-se, agora sob a
tutela da família Sardarov.
Mas a verdade é que tudo começou em Cascina Costa, local bem perto de onde hoje
em dia encontramos o aeroporto italiano de Malpensa e que serve a cidade de
Milão.
Então sob o nome Meccanica Verghera Srl, a marca nasce a partir do momento em
que a família Agusta vê-se impedida de continuar a projetar a sua paixão pela
velocidade, adrenalina e engenharia de precisão no fabrico de aviões, função
que assumiu durante o período da Segunda Guerra Mundial.
A Meccanica Verghera virou-se então para o mundo das duas rodas, e a primeira moto
com o nome MV Agusta teve, de acordo com as “lendas” da marca, para se
denominar de Vespa. No entanto o nome foi registado por um fabricante rival,
pelo que a primeira MV Agusta ficou então conhecida simplesmente como MV98, em
referência ao seu motor de 98 cc.
Para
além das motos de estrada e que qualquer motociclista podia comprar, a MV
Agusta também soube aproveitar da melhor forma os feitos conseguidos pelas suas
máquinas e pilotos nas pistas. A competição corria, e ainda corre, nas veias da
marca italiana, e isso elevou ao longo dos 75 anos de existência a MV Agusta a
um patamar de ícone.
Se hoje em dia ficamos supreendidos pelas edições especiais e limitadas dos
modelos atuais da MV Agusta, a verdade é que desde o seu início que a marca do
Conde Domenico Agusta soube aproveitar estes modelos especiais para atraír
clientes. Por exemplo, na Feira de Milão de 1947, apresentaram uma versão de
luxo da MV98, mostrando uma vontade insaciável por criar motos verdadeiramente
incríveis, uma vontade que ainda hoje encontramos nos atuais proprietários da
MV Agusta.
Mas
não foi apenas o “olho” para criar motos atraentes que elevou a MV Agusta ao
estatuto de marca de topo. O Conde Domenico Agusta também revelou sempre ter
uma capacidade inaudita para selecionar os pilotos que depois vieram a dar vitórias
e títulos à marca.
Entre os muitos pilotos destacam-se os seguintes: Franco Bertoni, primeiro
piloto da MV, logo seguido por Arcisio Artesiani, Carlo Ubbiali o “flying chinaman”,
Leslie Graham, Cecil Sandford, Fortunato Libanori, John Surtees, Mike Hailwood,
Gianfranco Bonera, Giacomo Agostini and Phil Read.
De todos o mais vitorioso acabou por ser Giacomo Agostini: 13 campeonatos
mundiais, 18 títulos italianos e ainda 10 vitórias no Tourist Trophy na Ilha de
Man.
A
história de sucessos da MV Agusta parecia estar no seu fim após a última
vitória de Agostini, em Nurburgring em 1976. Cinco anos antes, o Conde Domenico
Agusta tinha falecido, e o destino da marca italiana parecia estar escrito. Mas
a família Castiglioni deu à MV Agusta uma nova vida, quando em 1992 a marca
Cagiva , liderada por Claudio Castiglioni, comprou a MV.
Nesse momento a fábrica da MV Agusta mudou-se do seu local ancestral para as
margens do lago Varese, em Schiranna. É aí que desde então se fabricam todos os
modelos da MV. Claudio Castiglioni investiu fortemente no departamento de
R&D, e a MV Agusta cresceu como nunca, sempre com o objetivo de obter maior
prestígio e reconhecimento enquanto marca italiana.
Foi sob a batuta de Castiglioni que vimos nascer a icónica F4, então com o motor
tetracilíndrico de 750 cc.
Um design intemporal e que se tornou no modelo pelo qual todas as outras
superdesportivas se tiveram de comparar. A F4 original é, ainda hoje, considerada
como a moto mais bela de todos os tempos, a obra prima de Claudio Castiglioni
que faleceu em 2011 depois de lutar algum tempo contra doença.
O seu
filho Giovanni ficou então encarregue de continuar a levar a MV Agusta do seu
pai para novos patamares.
Com maiores ou menores dificuldades, potenciadas pela crise económica que se
fez sentir nessa altura, a verdade é que Giovanni Castiglioni soube continuar o
trabalho iniciado pelo seu pai e a MV Agusta conseguiu, de forma bem sucedida,
concretizar parcerias com nomes importantes como a Pirelli ou o piloto de
Fórmula 1, Lewis Hamilton, que tem o seu nome ligado a diversas edições
especiais e únicas de modelos MV Agusta.
Giovanni soube também alargar o espetro de ação da marca de Varese para além
das motos desportivas. A naked Brutale e a F3 de três cilindros deram o mote
para o que veio depois, como foram os casos da Turismo Veloce ou da Dragster.
Mas isto não foi suficiente para a MV Agusta sobreviver conforme Giovanni
Castiglioni pretendia. Foi por isso que em 2017 a MV Agusta foi adquirida pelo
grupo luxemburguês ComSar Invest, e após dois anos, foi a vez da família
Sardarov adquirir a totalidade da MV Agusta em 2019.
Nesse
momento Giovanni Castiglioni viu o seu papel dentro da marca ficar reduzido a
uma figura praticamente decorativa, com Timur Sardarov a assumir o controlo da
marca italiana e as funções de CEO da MV Agusta.
Desde então, a MV Agusta tem sabido aprofundar ainda mais a sua estratégia de
criação de modelos de produção limitada, continua a deixar os motociclistas de
todo o mundo espantados com as novidades que apresenta anualmente nos grandes
certames das duas rodas, e Timur Sardarov anunciou pouco tempo antes da MV
Agusta atingir os 75 anos de existência um ambicioso plano estratégico para os
próximos 5 anos.
Nesse plano a MV Agusta deverá conseguir responder de forma mais eficiente às
necessidades dos seus atuais clientes, por exemplo melhorando a experiência no
pós-venda, apresentação de novos modelos – estão anunciados nada menos do que
20 novos modelos até 2025 – incluindo uma nova 350 cc, e tudo isto alicerçado em vendas que Timur Sardarov
prevê que atinjam as 25.000 unidades ao ano.
E é precisamente o CEO da MV Agusta, Timur Sardarov, que tem
a dizer o seguinte sobre este momento tão importante na história e vida da
marca italiana: “Estar ao leme da MV Agusta neste momento histórico é excitante
e desafiador. Eu considero isto um grande privilégio, e também uma grande
responsabilidade. Mas olhando para trás para o legado da MV Agusta, eu sei que estamos aos ombros
de um gigante, e isso dá-me grande orgulho e confiança em encontrar novos
caminhos, lançar tecnologias inovadoras, novos modelos incríveis, e expandir
para mercados onde nunca estivemos antes”.
Para todos aqueles que quiserem juntar-se à celebração dos 75 anos da MV
Agusta, a marca vai celebrar o momento histórico recebendo todos os fãs e
clientes nos dias 20 e 21 de junho em Varese.
andardemoto.pt @ 25-2-2020 08:30:00 - Texto: Bruno Gomes
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