Apresentação KTM 890 Duke R – O bisturi está mais afiado!
A KTM 890 Duke R promete elevar as prestações das naked desportivas de média cilindrada para um novo patamar. A marca austríaca revelou os detalhes técnicos que permitem criar um bisturi ainda mais afiado. Fique aqui a conhecer tudo sobre a nova 890 Duke R.
andardemoto.pt @ 1-4-2020 16:24:02
Apresentada
na passada edição 2019 do Salão de Milão EICMA, a 890 Duke R pode ter sido de
certa forma escondida pela maior estrela da constelação da KTM, a 1290 Super Duke
R.
LEIA AQUI O NOSSO TESTE À NOVA KTM 1290
SUPER DUKE R
Mas a versão mais agressiva da naked de média cilindrada da casa de Mattighofen
tem alguns truques na manga, com a marca a prometer que a 890 Duke R vai dar
que fazer às naked de maior cilindrada!
No mundo KTM, apenas os projetos mais diferenciados merecem levar o simbolo R,
um testemunho de que essas motos são mesmo especiais, recebendo uma combinação
de componentes melhorados e em que muitas vezes o motor também conta com
modificações interessantes.
Definida
como um “Bisturi” (Scalpel), foi através de uma apresentação online que a KTM
desvendou todos os detalhes técnicos mais relevantes e que ajudaram na criação da
versão mais afiada do bisturi de Mattighofen.
Se estéticamente a nova 890 Duke R se destaca pela utilização de gráficos exclusivos
R e de um quadro pintada no típico laranja vivo, a verdade é que é no motor que
esta naked promete fazer a diferença, principalmente quando a comparamos com a
790 Duke.
Instalado num quadro tipo treliça que conta com geometria mais agressiva, o motor
continua a ser o mesmo LC8c, o bicilíndrico paralelo da 790. Mas no caso da 890
Duke R, a KTM decidiu alterar a sua arquitetura interna. O diâmetro dos pistões
sobe dos 88 mm para os 90,7 mm, enquanto o curso também sobe, mas neste caso
dos 65,7 mm para os 68,8 mm.
A cilindrada passa então a ser de 890 cc, com a KTM a garantir ainda que a taxa
de compressão atinge agora os 13.5:1.
Como resultado, o motor LC8c nesta versão mais agressiva da 890 Duke R
apresenta uma performance melhorada. São agora 121 cv às 9250 rpm e 99 Nm de
binário máximo às 7750 rpm, sendo que a KTM revela que existe maior percentagem
de binário nas rotações mais baixas.
E o
que é que a KTM teve de modificar no motor para atingir esta melhoria na
performance?
A 890 Duke R conta com uma nova cambota que contribui para a dinâmica mais
agressiva. Tem mais 20% de massa rotacional, o que confere benefícios no
controlo da subida de rotações ao longo de todo o regime, sem sacrificar a
agilidade em curva. Os pistões de alta compressão são forjados, mais leves, tal
como a biela. Mais acima encontramos árvores de cames com perfil que é mais
agressivo, para uma resposta mais contundente aos impulsos no acelerador “ride-by-wire”.
Num motor que a KTM afirma que é o mais compacto do seu segmento, e para aguentar
com a maior performance, o fabricante austríaco instala um radiador de maiores
dimensões, mais largo, com mais superfície, e assim otimiza o arrefecimento do
motor LC8c.
Os corpos de acelerador de cada cilindro estão separados, Não existe ligação
entre ambos. Isso permite ajustar a injeção de forma individualizada para cada
cilindro, melhorando o comportamento e resposta do motor a baixos regimes e com
acelerador pouco “aberto”, como por exemplo quando conduzimos em ambiente
urbano. Por último, as trompetas de admissão são mais curtas para uma entrada
de ar mais direta nos cilindros.
Numa moto tão especial e exclusiva, e até tendo em conta que é publicitada como
sendo uma naked perfeita para uma utilização em pista, apenas estranhamos o
facto de que a KTM não instala de série o Quickshift+. É um opcional.
Felizmente, e talvez para ajudar a compensar essa decisão, a KTM modificou a
caixa de 6 velocidades, que no caso da 890 Duke R permite trocas de caixa mais
rápidas e suaves quando comparamos com a 790 Duke.
Na ciclística a KTM não altera a sua estratégia, e dotou a 890 Duke R com
componentes que de facto permitem conduzir mais facilmente esta naked no
limite.
As suspensões são da WP, claro. Estamos a falar de unidades Apex (forquilha com
bainhas de 43 mm à frente) em ambos os eixos. São totalmente ajustáveis, e por
exemplo o amortecedor traseiro permite a afinação da compressão para alta e
baixa velocidade, tal como a extensão.
Apesar das afinações das suspensões estarem mais agressivas para complementar o
comportamento do motor, a KTM afirma que ainda assim a 890 Duke R será uma boa
companheira para uma condução em estrada, pois não modificou o curso, o que
garante alguma dose de conforto em estrada.
Mas as
modificações não se ficam por aqui!
A nova KTM Duke 890 R apresenta um sistema de travagem que está equiparado ao
das mais modernas superdesportivas. Isso significa que a naked tem agora pinças
Brembo Stylema monobloco de quatro pistões, que mordem discos de 320 mm de
diâmetro. São 20 mm maiores do que os discos da 790 Duke.
Ainda assim, a KTM revela que pela utilização de suportes em alumínio,
conseguiu reduzir em 1,2 kg o peso não suspenso ao nível dos travões
dianteiros, o que por sua vez ajudou a reduzir o peso do conjunto para 166 kg a
seco.
Ainda na travagem, não podemos deixar de falar da bomba de travão Brembo MCS –
Multi Click System.
Esta bomba de travão permite ajustar e afinar em detalhe o “feeling” da
travagem, alterando o diâmetro do pistão de 19 para 21 mm. O condutor pode
assim selecionar um curso maior, para um comportamento mais homogéneo, ou um
curso mais pequeno para uma reposta mais direta e agressiva.
LEIA AQUI O NOSSO TESTE À KTM 790 DUKE
Para úlimo deixamos a posição de condução.
Pensada para uma condução bastante mais agressiva, a KTM 890 Duke R conta com
uma posição de condução diferente da versão 790. O guiador mais baixo obriga o
condutor a deitar-se mais sobre o depósito de combustível (14 litros), adotando
uma postura que garante um controlo mais direto sobre a direção da moto.
Ao mesmo tempo, e sempre a pensar numa utilização extrema em circuito, a KTM
reposicionou os poisa-pés. Estão mais acima e mais para trás, aumentando a
distância livre ao solo, permitindo atingir ângulos de inclinação bastante mais
pronunciados. Para além disso os próprios poisa-pés oferecem maior contacto com
a bota, sendo maiores.
Estes são os detalhes que tornam a nova KTM 890 Duke R num bisturi ainda mais
afiado. Contamos, assim que possível, poder testar esta novidade de 2020 da
marca austríaca, e assim dizer-lhe o que vale e como se porta esta endiabrada
naked de média cilindrada.
andardemoto.pt @ 1-4-2020 16:24:02
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