23º Portugal de Lés-a-Lés – 3ª etapa Abrantes a Faro
O palanque final em Faro recebeu os mais de dois mil motociclistas que se fizeram à estrada para cumprir a 3ª etapa que ligou Abrantes a Faro. Terminou da melhor forma o 23º Portugal de Lés-a-Lés.
andardemoto.pt @ 7-6-2021 08:50:22
Muito
calor, longas retas e muitas curvas foram apenas alguns dos ingredientes que
fizeram parte da “receita” da terceira e última etapa do 23º Portugal de Lés-a-Lés.
Uma longa caravana de mais de dois mil motociclistas, com ou sem “pendura”, nos
mais variados tipos de motos, fez-se à estrada partindo de Abrantes tendo como
destino o Algarve, mais precisamente Faro.
Foi precisamente em Faro que os aventureiros do Portugal de Lés-a-Lés deram por
encerrada a maior aventura de mototurismo da Europa, cumprindo, claro, todas as
regras sanitárias em vigor, e demonstrando sempre um enorme espírito de
entreajuda e companheirismo, algo que os motociclistas sabem dar valor.
Uma última jornada longa de 387 quilómetros, que começou com a passagem pela
charneca antes das longas retas alentejanas, entrecortadas por escapadinhas à
descoberta de surpreendentes tesouros de paisagens e monumentos pouco
conhecidos. Porque, esta edição, a primeira de cariz temático, garantia “Muito
mais Que a N2” mesmo se, qual cereja no topo do bolo, terminou com 56 km de
absoluto prazer de condução ao longo das curvas da Estrada Património, autêntico
paraíso para milhares de motociclistas que anualmente aqui vêm arredondar os
pneus.
Um dia de enorme diversão para os mais experientes, como Hélder Alves que vai
na nona participação, sempre aos comandos de uma Jawa 250 fabricada em 1952, “e
que voltou a terminar sem qualquer problema”, como dos estreantes, mesmo sendo
ex-pilotos. Como Luís Filipe Santos que, depois de deixar as pistas de motocross
em 2012, e os trilhos de enduro em 2014 adorou “uma experiência realmente
diferente, com um ambiente muito salutar e onde é visível o prazer em andar de
moto, mas também em estar com os amigos, e assim comungar da paixão mototurística
de uma forma ímpar”.
Com Abrantes pelas costas, a travessia do Tejo foi, para muitos, o despertar
para uma etapa de vistas largas, de paisagens com longínquo fio de horizonte e
retas a perder de vista.
E muitas surpresas, sim, porque há sempre surpresas nos eventos delineados pela
Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal, como a
passagem pela modernaça ponte pedonal de Ponte de Sor ou a travessia na Ribeira
do Andreu que deu para mais do que simplesmente arrefecer motores.
Muitos houve que também ficaram com os pés frios depois de molhados nas gélidas
águas matinais de um dos afluentes da Ribeira de Sor.
Fortunas e contas de outras letras
Manhã fresca antes de uma tarde que haveria de ser abrasadora, através de um
Alentejo que parecia aguardar a passagem da caravana para transformar em
amarelo seco, o verde dos cereais, com colheita adiada por força das chuvas
tardias.
E continuaram as surpresas, seguindo com a fortuna da freguesia de Galveias,
uma das mais ricas do País graças à herança deixada há 50 anos pelo comendador
José Godinho de Campos Marques, e que tem no escritor José Luís Peixoto, um dos
galveenses mais ilustres, e, logo a seguir, a extrema simpatia de Aldeia Velha
que viveu o maior engarrafamento da história.
Bem menor a confusão na passagem por Ciborro, única localidade na N2 que tem um
marco miriamétrico das centenas. E logo do km 500, sendo o único em mármore,
principal fonte de sustento da região.
Montemor-o-Novo e o altaneiro castelo, a passagem por um troço da original N2,
com direito a cruzamento com uma linha de água que, em invernos normais, torna
impraticável a estrada por inundação, foram as notas seguintes de um road-book
que até poderia ter uma página inteira dedicada à Gruta do Escoural. Não fosse
dar-se o caso desta ser uma caravana de dimensões recordistas, inviabilizando
qualquer possibilidade de visita ao espaço.
Menos limitações no jardim central de Alcáçovas, onde a doçaria regional fez as
delícias de todos. Tal como aliás o Museu dos Chocalhos, instalado no Paço dos
Henriques, onde foi selado o acordo em que Portugal e Castelo dividiram o Mundo
na horizontal com linha logo abaixo das Canárias.
Histórias que abriram o apetite para o lanche oferecido no Oásis Honda, na
Barragem de Odivelas, construída em 1972 com água represada da ribeira de
Odivelas, usada principalmente para a irrigação, tem um paredão com 500 metros
de comprimento e 55 metros de altura, com depois desaguar no rio Sado depois de
cumprir os 70 km desde a nascente.
Imponente também as minas de Aljustrel, terras esventradas desde o tempo dos
romanos, com centenas de quilómetros de túneis ramificados ao longo de extensa
área. Uma zona que guarda outras memórias de tempos ancestrais, como a
sangrenta batalha de 1139, quando D. Afonso Henriques venceu exército muito
mais numerosos dos reis mouros de Sevilha, Badajoz, Elvas, Évora e Beja. Mural
de S. Pedro das Cabeças, recordada no Mural de S. Pedro das Cabeças.
Batalha de Ourique que, pelo significado que encerra e pelas características
simbólicas a que está associada, é a principal lenda épica da história portuguesa:
a gesta de D. Afonso Henriques que, sob a proteção divina, dá corpo ao ato
heroico e audaz de pelejar e derrotar o inimigo mourisco, lançado os alicerces
que sustentam a identidade nacional. Claro que depois ia curar-se para as
Termas de S. Pedro do Sul…
Painel bem diferente, muito mais pacífico, à entrada de Almodôvar, com a
representação mototuristas no adeus às planícies deste Lés-a-Lés, entrando na
Estrada Património, pouco mais de meia centena de quilómetros (56 km para ser
rigoroso tem o troço classificado em 2003), de absoluto prazer de condução até
S. Brás de Alportel.
Localidade onde a Casa da Memória da N2 guardava o penúltimo carimbo, começando
a deixar, desde logo, saudades de mais um Portugal de Lés-a-Lés. Que, desta feita,
terminou em Faro onde 35 carimbos em passaporte exclusivo substituíram os
tradicionais controlos com os alicates sendo certo que, em 2022, a capital
algarvia será palco de partida para mais uma edição da grande aventura.
Leia também – Já começou o 23º Portugal
de Lés-a-Lés
Leia também – 23º Portugal de Lés-a-Lés: Passeio de Abertura na zona raiana
Leia também – 23º Portugal de Lés-a-Lés: 1ª etapa Chaves a São Pedro do Sul
Galeria de fotos 23º Portugal de Lés-a-Lés
andardemoto.pt @ 7-6-2021 08:50:22
Clique aqui para ver mais sobre: MotoNews