Ducati queria motor híbrido na MotoGP em 2027. O custo travou o projeto

Gigi Dall'Igna queria um pequeno motor elétrico na Ducati de 2027. Não conseguiu. O motivo foi económico.

andardemoto.pt @ 16-9-2026 02:56:25

Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp

Gigi Dall'Igna, diretor-geral da Ducati Corse confirmou em declarações recentes que defendeu a hibridização para o novo ciclo de regulamentos da MotoGP. A ideia acabou arquivada assim que os fabricantes calcularam o custo. Segundo Dall'Igna, ele teria gostado de ter um pequeno motor elétrico na moto de 2027. No início, insistiu nesse tipo de solução. Do ponto de vista financeiro, porém, revelou-se muito difícil de concretizar.

O interesse de Dall'Igna tinha uma razão técnica. Um sistema híbrido, na sua opinião, traria aprendizagem para a engenharia. A introdução desse tipo de solução obrigaria a mais criatividade por parte das equipas.

Um regulamento que muda quase tudo

Mesmo sem motor elétrico, o regulamento de 2027 representa uma reformulação completa. A cilindrada desce de 1000cc para 850cc. Os dispositivos de altura variável e de arranque (holeshot) são banidos. Os limites aerodinâmicos tornam-se mais apertados. A Michelin, fornecedora histórica de pneus, dá lugar à Pirelli.


Para os gabinetes técnicos, o conjunto destas mudanças obriga a um projeto totalmente novo. Segundo Dall'Igna, pouco do hardware da atual Desmosedici sobreviverá à transição. A moto tem sido a referência da categoria: venceu quatro títulos de pilotos seguidos, com Francesco Bagnaia em 2022 e 2023, Jorge Martín em 2024 e Marc Márquez em 2025. Esse historial, contudo, não garante o aproveitamento de peças.

Dall'Igna explicou que o mais importante é o conhecimento acumulado, esse sim transita para o futuro. Já os componentes físicos aproveitáveis serão poucos. Com o fim dos dispositivos de altura variável, a nova cilindrada e os pneus diferentes, a Ducati terá de construir uma moto completamente nova.

Dall'Igna: "a folha em branco é o melhor brinquedo"

Para qualquer fabricante, este é um desafio exigente. Dall'Igna, porém, encara-o como a parte mais estimulante do trabalho. Para um engenheiro, começar do zero é, segundo ele, o melhor brinquedo que pode existir.


A primeira demonstração prática da nova fórmula em pista está próxima. Um novo teste privado com protótipos de 850cc está agendado para o próximo mês, na Áustria. Será a primeira validação de hardware antes da mudança completa. Para já, as atenções continuam no campeonato de 2026, que regressa entre 28 e 30 de agosto com o Grande Prémio de Aragão, em MotorLand Aragón, ronda 13 da temporada.

Os argumentos da oposição

A decisão sobre a hibridização é o dado mais revelador sobre o rumo da categoria rainha. Nas últimas épocas, a MotoGP foi acrescentando tecnologia, sobretudo através dos dispositivos de altura variável. O pacote de 2027 vai no sentido contrário: simplifica, retirando vários desses sistemas.

Um elemento híbrido acrescentaria complexidade e custo justamente no momento em que o paddock optou por simplificar. A disposição de Dall'Igna para defender essa ideia, mesmo assim, revela a forma como ele e a Ducati abordam os problemas. O resto da grelha, no entanto, não estava disposto a assumir esse custo.

Fica em aberto se a hibridização voltará a ser discutida num ciclo regulamentar futuro. Para 2027, o desafio é claro nos seus elementos, motores mais pequenos, menos ajudas eletrónicas, pneus novos, mas totalmente em aberto na execução: cada fábrica terá de preencher a sua própria folha em branco.


andardemoto.pt @ 16-9-2026 02:56:25


Clique aqui para ver mais sobre: MotoNews


Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp