O que muda na aerodinâmica de MotoGP em 2020?
A Federação Internacional de Motociclismo e a Comissão de Grandes Prémios anunciaram que vão alterar a regulamentação aplicada à aerodinâmica de MotoGP para 2020. O objetivo é tornar a interpretação dos regulamentos técnicos menos subjetiva do que acontece atualmente, e evitar problemas como o que aconteceu com o “spoiler” da Ducati.
andardemoto.pt @ 11-11-2019 10:00:00
A velocidade pura e muitas vezes invisível de uma MotoGP pode ser impressionante, mas a palavra mais importante da categoria é hoje em dia, outra para além da velocidade. Aerodinâmica.
Mais do que nunca, esta é a palavra mais ouvida atualmente quando se fala de
MotoGP. É claro que a aerodinâmica numa moto, em particular numa moto de
competição como as MotoGP, é algo que os engenheiros de cada fabricante e
respetivas equipas estudam ao detalhe.
Mas quando a Ducati, em 2015, decidiu começar a explorar esta área técnica da
categoria rainha a um nível até então nunca visto, a marca italiana abriu uma
caixa de Pandora.
Por entre as reações dos fãs que ou adoravam ou detestavam as asas da Ducati
Desmosedici GP15 e as versões seguintes, a realidade é que todos os outros
fabricantes começaram a desenvolver os seus próprios pacotes aerodinâmicos.
As regras foram modificadas ao longo do tempo para evitar exageros, e em nome
da segurança as asas foram proibidas, com as regras a obrigarem então os
fabricantes a incluirem as asas nas carenagens das motos.
Porém
a Ducati voltou a inovar esta temporada. No primeiro Grande Prémio no Qatar, a
Desmosedici GP19 surpreendeu tudo e todos com um “spoiler” inferior colocado no
braço oscilante. Essa peça deu origem a um confronto público entre fabricantes
que participam em MotoGP, com alegações de que a Ducati estava a contornar as
regras da aerodinâmica. O caso acabou por ser decidido pelo Tribunal de Apelo
de MotoGP a favor da Ducati.
No sentido de dimunir a área cinzenta dos regulamentos, sujeita a
interpretações pessoais, a Federação Internacional de Motociclismo (FIM)
publicou um comunicado onde refere que “depois
de consultar os fabricantes que competem em MotoGP, a Comissão de Grandes
Prémios decidiu atualizar os regulamentos que regem os designs aerodinâmicos.
Os novos regulamentos resolvem as áreas cinzentas do regulamento anterior, e
incluem, quando necessário, secções específicas denominadas de Technical
Director Aero Body Guidelines”.
No mesmo comunicado a FIM refere que cada fabricante terá até à primeira
corrida de 2020 para homologar o desenho dos componentes aerodinâmicos das suas
motos.
Mas o
comunicado, apesar de bem-vindo pois revela a intenção de eliminar os “buracos”
nos regulamentos que podem ser explorados pelas equipas, acaba por ser curto em
termos de detalhes sobre o que irá mudar nos regulamentos de aerodinâmica de
MotoGP.
Felizmente o Diretor de Tecnologias de MotoGP, Corrado Checchinelli, abriu um
pouco mais o jogo. Checchinelli admite que na aerodinâmica algo tinha de ser
feito pois “houve um problema na
interpretação dos limites e tivemos de reduzir os limites”, referindo-se
claramente ao famoso “spoiler” inferior da Ducati. Para 2020 os regulamentos
vão ser bastante mais detalhados ao nível das dimensões das peças
aerodinâmicas.
Embora os pacotes aerodinâmicos que vemos atualmente instalados nas MotoGP não sejam
considerados ilegais em 2020, Corrado Checchinelli afirma que “no próximo ano existirá uma nova área que
regula a aerodinâmica de cada moto. Atualmente temos duas áreas: a carenagem e
o guarda-lamas frontal. No próximo ano teremos também uma área aerodinâmica
para o braço oscilante”.
E o
que significa isto? Basicamente significa que cada fabricante terá de ter
cuidado com a forma como usa, ou deixa de usar, o “spoiler” inferior fixo ao
braço oscilante.
Por exemplo, se uma equipa homologar o seu protótipo no início da temporada com
o “spoiler” inferior fixo ao braço oscilante, e se por acaso decidir competir
sem esse componente numa determinada corrida, isso vai contar como uma
atualização ao design aerodinâmico da área do braço oscilante.
Sendo certo que cada fabricante apenas pode fazer uma atualização por
temporada, isto vai levar a que os fabricantes tenham de adotar uma estratégia
mais definida ao longo da temporada.
A
Comissão de Grandes Prémios e a FIM, com a “luz verde” de todos os fabricantes,
decidiram também definir de forma mais clara o que é o conceito de “efeito
aerodinâmico”, uma das coisas que foi amplamente discutida no início da atual
temporada devido ao “spoiler” inferior da Ducati. Para 2020, uma peça ou
componente cujo design não seja necessário para a sua função será
automaticamente considerada como uma peça que faz parte do pacote aerodinâmico
da moto.
Um bom exemplo disto é um braço oscilante com “spoiler”.
No caso do “spoiler” estar apenas fixo ao braço oscilante, o fabricante pode
modificar a estrutura do braço oscilante conforme for necessário ao longo da
temporada. Mas se por acaso o braço oscilante integrar o “spoiler” como numa
estrutura monocoque, automaticamente todo o conjunto braço oscilante e
“spoiler” passam a ser considerados elementos aerodinâmicos que só podem ser
modificados uma vez.
As intenções da FIM e da Comissão de Grandes Prémios parecem
ser boas, e estão num caminho certo, pois não pretendem limitar pura e
simplesmente cada fabricante de desenvolver soluções técnicas inovadoras ao
nível da aerodinâmica.
Mas mesmo com todas as atualizações aos regulamentos técnicos que em breve
serão conhecidas em maior detalhe, de certeza que os fabricantes já terão
elementos especializados em encontrar as “falhas” neste novo regulamento de
MotoGP para tentarem conseguir uma vantagem mínima sobre os fabricantes rivais,
mas que pode significar a diferença entre vencer corridas ou ficar em segundo a
poucas milésimas.
andardemoto.pt @ 11-11-2019 10:00:00
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