MotoGP – Quartararo já é o mais rápido. Miguel Oliveira 17º
Ao segundo dia de testes oficiais de MotoGP no Qatar o piloto francês voltou ao topo da tabela de tempos. Fabio Quartararo é o mais rápido, enquanto Miguel Oliveira continua a sentir alguns problemas com os pneus Michelin na sua KTM RC16.
andardemoto.pt @ 23-2-2020 21:28:44
Concluido
que está o segundo dia de testes oficiais de MotoGP em Losail, Qatar, a ordem
da tabela de tempos sofreu uma significativa alteração. Se no primeiro dia
foram as suas Suzuki a dominar, com Alex Rins e Joan Mir separados por apenas
duas milésimas, o segundo dia voltou a ter uma cara bem conhecida no topo da
tabela de tempos.
Fabio Quartararo (Petronas Yamaha SRT) chegou ao melhor tempo quando faltava
1h30m para o final do segundo dia de testes de MotoGP no circuito qatari, e a
partir daí não mais deixou que algum rival o incomodasse.
Quem mais se aproximou de Quartararo foi Alex Rins. O piloto da Ecstar Suzuki
voltou a estar em evidência tal como no primeiro dia, mas desta feita teve de
se contentar com o segundo lugar a 0.162s de Quartararo.
O terceiro mais rápido deste segundo dia foi Maverick Viñales (Monster Energy
Yamaha), que repetiu a posição do primeiro dia. O piloto espanhol ficou a pouco
mais de duas décimas de segundo do seu futuro companheiro de equipa na Yamaha
de fábrica.
E por
falar em Yamaha, este início de temporada, ainda que estejamos a falar de
testes e isso deve ser levado em conta para analisarmos os tempos por volta,
está a ser bastante positivo para a marca de Iwata. Não apenas temos visto
Fabio Quartararo a liderar muitas vezes com o melhor tempo, como Viñales,
Franco Morbidelli e até mesmo Valentino Rossi têm também conseguido bons
tempos.
Ao que tudo indica a Yamaha terá resolvido uma série de debilidades na sua
YZR-M1. No entanto os seus pilotos estão a queixar-se do efeito travão motor,
mas aparentemente isso não os estará a afetar muito, pois todas as quatro
Yamaha estão dentro do Top 10.
Na Yamaha destaca-se também a utilização do sistema “holeshot” para melhorar o
arranque, com as motos japonesas a passarem a contar com esta inovação já a
partir da primeira corrida no Qatar.
Já na
Ecstar Suzuki o “holeshot” não é uma prioridade e as novas GSX-RR não estão
ainda a testar o sistema. No entanto, tanto Alex Rins como Joan Mir têm focado
a sua atenção na afinação do novo chassis Suzuki para 2020, sem esquecerem a
eletrónica e principalmente o comportamento do novo pneu traseiro Michelin que
tantas dores de cabeça tem dado a marcas rivais como a Honda e a Ducati.
E é precisamente a Honda que parece estar com maiores dificuldades nesta
pré-temporada.
O melhor piloto aos comandos de uma Honda RC213V foi Takaaki Nakagami (LCR
Honda Idemitsu). O japonês foi o 10º mais rápido no segundo dia de testes de
MotoGP no Qatar, a pouco mais de sete décimas de Fabio Quartararo.
A moto japonesa criada pelo HRC está a revelar-se bastante complicada de
controlar, em particular a frente da moto. Marc Marquez e Cal Crutchlow caíram,
com o britânico inclusivamente a ter de abandonar a pista a meio do dia. Já o
mais velho dos irmãos Marquez continua a sofrer com o seu ombro, queixando-se
que o ombro está mais dorido do que estava nos testes de Sepang há algumas
semanas.
Marc Marquez foi hoje o 14º a mais de um segundo do francês Fabio Quartararo.
Com Alex Marquez ainda a perceber como tudo funciona com uma MotoGP e a não ir
além do 19º tempo, a Honda está a sentir a pressao de encontrar soluções para
melhorar o comportamento da RC213V, tornando a moto mais fácil para todos os
pilotos e não apenas para Marc Marquez.
Em
relação à Ducati, a marca italiana tem dado que falar com o seu novo dispositivo
de ajuste de altura da moto.
Na realidade “novo” não é bem o termo que deve ser aplicado a esta solução
técnica. Jack Miller (Pramac Ducati) confirmou que tem usado o sistema há já
algum tempo, nomeadamente em corridas da temporada de 2019, confirmando assim
as afirmações de Alex Rins que disse que já no ano passado via a traseira das
Ducati baixar em andamento em linha reta.
O segundo dia de testes viu Francesco Bagnaia (Pramac Ducati) ser o melhor
piloto da casa de Borgo Panigale com o 5º tempo, mas o destaque vai também para
o surpreendente 6º melhor tempo obtido por Johann Zarco (Reale Avintia Ducati).
O francês parece estar a conseguir encontrar o seu ritmo aos comandos da Ducati
Desmosedici GP20, e o meio segundo que o separa de Fabio Quartararo não deixa
muitas dúvidas de que Zarco terá este ano uma moto com a qual poderá regressar
aos bons resultados que obteve quando pilotava para a Tech3 Yamaha.
Quanto
à Aprilia Gresini, a grande notícia do segundo dia foi a confirmação de Lorenzo
Savadori como novo piloto de testes de MotoGP. O italiano já testou a RS-GP nos
testes de pré-temporada em Sepang, foi confirmado como piloto da marca de Noale
no Campeonato Italiano CIV, aos comandos de uma RSV4 1100 Factory, e junta-se
assim a Bradley Smith na função de ajudar a Aprilia a evoluir a nova RS-GP.
Esta contratação poderá também significar que Andrea Iannone, apesar de ter
sido apresentado como piloto da Aprilia Gresini, não ficará com a equipa devido
ao caso de doping em que está envolvido. Assim a equipa defende-se tendo
Bradley Smith como piloto para o lugar de Iannone, e tem já garantido Savadori
para a função de piloto de testes.
Em relação à nova Aprilia RS-GP, Aleix Espargaró tem-se mostrado satisfeito com
a moto italiana mas com as temperaturas mais baixas da noite no Qatar, o novo
motor V4 a 90 graus sofre perda de potência. Além disso a relação do mais velho
dos irmãos Espargaró com Andrea Iannone já teve melhores dias.
Iannone terá afirmado que as boas prestações nos testes de MotoGP da nova moto
são devido ao seu trabalho de desenvolvimento. Aleix Espargaró não terá gostado
que Iannone tenha dito isso, esquecendo-se do trabalho feito não apenas pelo
piloto espanhol mas também por Bradley Smith que tem realizado incontáveis
testes para evoluir a RS-GP.
Por
último temos a KTM, marca onde milita o português Miguel Oliveira.
A marca austríaca parece ter já encontrado um rumo definitivo para o pacote
aerodinâmico que as mnovas RC16 vão usar esta temporada e já a partir do GP do
Qatar. Apesar da melhor KTM ser a de Pol Espargaró em 13º a oito décimas de
Fabio Quartararo, a verdade é que os pilotos KTM não têm estado à procura de
fazer os melhores tempos por volta.
Na realidade as KTM RC16 precisam de muito trabalho de desenvolvimento noutras
áreas, particularmente na afinação da moto para o novo pneu traseiro Michelin,
enquanto por exemplo Iker Lecuona, “rookie” e novo companheiro de equipa de
Miguel Oliveira, focou o seu dia em realizar simulações de corrida.
Em relação ao português, o piloto natural de Almada e que
este ano compete pelo 10º ano consecutivo no Mundial de Velocidade, terminou o
segundo dia de testes no Qatar com o 17º tempo a cerca de 1,5 segundos do mais
rápido.
Miguel Oliveira continua a sentir dificuldades ao nível do comportamento da
moto com os diferentes compostos de pneus Michelin, e depois de um primeiro dia
relativamente “curto” em termos de voltas completadas, o segundo dia já viu
Miguel Oliveira realizar mais de 50 voltas ao circuito de Losail tendo
melhorado o seu registo face ao dia anterior.
“Para ser honesto hoje tivemos algumas
dificuldades. Inesperadamente, e por algum motivo, não conseguimos encontrar
velocidade com o pneu mole, a minha melhor volta hoje foi realizada com o
composto médio. Tenho a sensação de que de alguma forma perdemos o sentido
durante o dia, por isso o ritmo não foi aquele que esperávamos atingir,
falta-nos ainda meio segundo. Não foi de todo um dia fácil, por isso a nossa
missão agora é, para amanhã, encontrar as décimas em falta”.
andardemoto.pt @ 23-2-2020 21:28:44
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