MotoGP C. Valenciana – Joan Mir sagra-se campeão 2020!

Piloto espanhol da Ecstar Suzuki assegurou o seu primeiro título de MotoGP numa corrida que teve Franco Morbidelli como vencedor. Joan Mir sagra-se campeão 2020! Miguel Oliveira termina o Grande Prémio da Comunidade Valenciana na 6ª posição.

andardemoto.pt @ 15-11-2020 15:19:28

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Conforme já tínhamos adiantado aqui no seu Andar de Moto numa antevisão aos cenários que serviam a Joan Mir para ser campeão já no Grande Prémio da Comunidade Valenciana, o piloto natural de Palma de Maiorca tinha tudo nas mãos para fechar na penúltima ronda da temporada as contas do título 2020 de MotoGP.

Mesmo sem estar na luta pelo pódio num circuito onde há uma semana alcançou a sua primeira vitória na categoria rainha, Joan Mir fez o que lhe competia, terminou a segunda corrida valenciana em 7º, e assim Joan Mir sagra-se campeão 2020!

Um título que resulta da enorme consistência revelada pelo piloto de apenas 23 anos de idade, e que em pista e mesmo fora dela tem demonstrado uma grande maturidade, mesmo nas declarações que tem passado para a imprensa em momentos de enorme pressão.

Mir torna-se no primeiro piloto da Red Bull Rookies Cup e das Moto3 a conquistar o título de MotoGP. Vice-campeão da RBRC em 2013, campeão em Moto3 em 2017, Joan Mir necessitou de apenas mais três anos para chegar ao topo do motociclismo de velocidade e assim destronar Marc Marquez como campeão de MotoGP.



Este é também um título que será muito festejado pela Ecstar Suzuki.

A equipa liderada pelo italiano Davide Brivio tem vindo a realizar um enorme trabalho de desenvolvimento do protótipo japonês GSX-RR, e a definição de uma estratégia clara de aposta em jovens talentos está a ter agora os seus melhores resultados. Principalmente pelas mãos de Mir, mas também com Alex Rins a secundar muito bem o seu companheiro de equipa num final de temporada muito forte, a todos os níveis, para a casa de Hamamatsu.

Vinte anos depois de Kenny Roberts Jr. se sagrar campeão da categoria rainha, então em 500 cc, aos comandos de uma Suzuki, Joan Mir devolve a coroa à Suzuki, e prossegue então uma linhagem de campeões com a moto japonesa que inclui nomes como Barry Sheene, Marco Lucchinelli, Franco Uncini, Kevin Schwantz e ainda o já mencionado Kenny Roberts Jr. no ano 2000.



Mas vamos à história desta corrida histórica que deu a Joan Mir e à Suzuki o título de campeão de MotoGP.

Com boas condições climatéricas em termos de temperatura ambiente mas muito vento, o que causou bastantes dificuldades para alguns pilotos, conforme referiu no final da prova Franco Morbidelli (Petronas Yamaha SRT), a corrida de MotoGP começou com o português Miguel Oliveira (Red Bull KTM Tech3) a fazer um arranque “canhão” e a saltar de 10º para 5º!

Um excelente arranque que deixou o português atrás de Morbidelli, Jack Miller (Pramac Ducati), Pol Espargaró (Red Bull KTM Factory) e Takaaki Nakagami (Idemitsu Honda LCR), que assim reeditava a batalha que teve com Miguel Oliveira no GP da Europa.

Mais atrás Fabio Quartararo (Petronas Yamaha SRT), talvez em desespero por ver Joan Mir fugir bem dentro dos primeiros 10 classificados com o título, cometeu um erro logo na travagem para a curva 2 do circuito valenciano e foi obrigado a desviar-se, no limite, de uma série de pilotos que estavam à sua frente. O francês continuou em pista depois de sair pela escapatória, mas mais tarde viria mesmo a desistir quando estava sob pressão para recuperar lugares e conquistar pontos que lhe permitissem trazer a luta pelo título para Portugal.



Lá na frente, e com Jack Miller a ser o único dos dez primeiros a optar por pneu médio à frente, Morbidelli tentou escapar-se com a liderança. E até certo ponto o piloto da Petronas Yamaha SRT conseguiu cumprir com o seu plano, pois Miller parecia não ter ritmo para se manter colado à traseira da M1 de Morbidelli.

Pol Espargaró entretanto estava pressionado por Takaaki Nakagami, que tinha recuperado o quarto lugar depois de Miguel Oliveira o ter ultrapassado ainda nas primeiras voltas da corrida.

O japonês, bastante mais rápido do que Pol Espargaró, “cheirava” o seu primeiro pódio em MotoGP, mas tal como noutras situações esta temporada, Nakagami levou longe demais o seu esforço e na entrada para a última curva forçou a passagem por Espargaró, perdeu a frente da sua Honda RC213V, e por pouco não levou consigo o piloto da KTM para a escapatória. Nakagami mais uma vez desistiu quando estava bem posicionado, e deixou então Pol Espargaró à vontade para levar a sua KTM RC16 até ao 5º pódio da temporada.



Enquanto isso, Miguel Oliveira estava em dificuldades. Depois de se ter queixado que a sua moto tornou-se difícil de pilotar quando o nível de combustível diminuiu com o passar das voltas, no Grande Prémio da Europa, parece que também nesta segunda corrida de Valência a moto austríaca voltou a revelar os mesmos problemas na distribuição de pesos.

Miguel Oliveira não foi capaz de responder aos ataques de Alex Rins e logo de seguida de Brad Binder, e a partir daí o português claramente optou por levar a sua moto até à bandeira de xadrez, não mostrando argumentos para lutar por posições mais acima.

Miguel Oliveira fechou então esta corrida na sexta posição, somando mais uma vez pontos importantes para reforçar o seu 10º lugar na classificação do campeonato de MotoGP.


De regresso à luta pela vitória, Franco Morbidelli começou a sentir problemas para inserir a sua moto nas trajetórias ideais. A sete voltas do fim Jack Miller estava então de novo ao ataque, e mesmo com pneu dianteiro que supostamente estaria menos apto a um esforço numa fase tão adiantada da corrida, Miller sentiu que tinha a oportunidade de vencer pela primeira vez em 2020.

O australiano manteve-se a cerca de meio segundo de diferença do líder da prova, até que aproveitou a maior velocidade de ponta da sua Ducati Desmosedici GP20 para, no início da última volta, na travagem para a primeira curva, passar por Morbidelli e assim subir pela primeira vez à liderança da corrida.

Mas Morbidelli não estava pronto a desistir. Respondeu ao ataque de Miller na travagem para a curva 2, recuperou a posição, apenas para a perder logo depois. Mas o italiano da Petronas Yamaha SRT ainda não tinha desistido, e no miolo do circuito voltou a ultrapassar Miller. A partir desse momento Morbidelli fechou todas as trajetórias de ultrapassagem numa enorme lição de como pilotar estando em desvantagem ao nível da performance da moto.

Jack Miller ainda tentou roubar a vitória a Franco Morbidelli numa “drag race” desde a saída da última curva até à linha de meta, mas Morbidelli não foi surpreendido e alcançou a sua terceira vitória da temporada, o que lhe permitiu subir a segundo no campeonato.


Joan Mir, conforme referimos no início deste artigo, fez toda a corrida de calculadora na mão. O jovem espanhol não se mostrou pressionado por ver alguns dos rivais estarem à sua frente, e nem mesmo o facto de Alex Rins poder aproximar-se na classificação fez Joan Mir perder a concentração.

Depois de rodar bastante tempo em 10º e subir algumas posições com as quedas de Johann Zarco (Esponsorama Avintia Ducati) e Takaaki Nakagami, Mir ainda teve coragem para arriscar uma ultrapassagem a Aleix Espargaró (Aprilia Gresini), subindo então ao 7º posto, lugar com que viria a terminar a corrida de MotoGP e sagrar-se como novo campeão da categoria rainha.

Nas contas do campeonato Joan Mir sai de Valência com 171 pontos, mais 29 pontos do que Franco Morbidelli que com a vitória subiu 3 posições sendo agora o segundo classificado. Alex Rins é o terceiro com menos 33 pontos do que Mir, e na última corrida, o Grande Prémio de Portugal, Rins tentará subir ainda a segundo na classificação, o que significaria que a Suzuki terminaria o ano com os dois primeiros lugares da classificação de pilotos.

Na classificação de Equipas, a Ecstar Suzuki lidera com 309 pontos, seguida pela Petronas Yamaha SRT com 230 pontos, enquanto a Red Bull KTM Factory subiu a terceiro nesta classificação com 209 pontos. Também aqui tudo está nas mãos da Suzuki.

Na luta pelo título de Construtores temos a Suzuki empatada com a Ducati, ambas com 201 pontos, sendo que a Yamaha está em 3º com 188 pontos. Esta será a luta mais interessante de seguir, pois caso a Suzuki consiga também assegurar este título, fará o chamado “triplete” de MotoGP: pilotos, equipas e construtores.

andardemoto.pt @ 15-11-2020 15:19:28


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