Paula Kota

Paula Kota

OPINIÃO

Kotices

Convidaram-me para escrever o que me apetecer. Confesso que é um desafio pois há 3 anos que não escrevo regularmente. Até tenho o blogue atrasado em 3 viagens. Mas isto acaba por ser como andar de moto. Nunca se esquece. Quantos de nós não tivemos de parar com as motos por razões familiares (ou profissionais)? Decidimos voltar porque o “bichinho” continua latente, a fazer comichão, até ao dia em que se torna insuportável e voltamos a andar de moto. É o mesmo como escrever. Basta um desafio. Basta começar.

andardemoto.pt @ 15-1-2018 16:22:44 - Paula Kota

E o desafio foi feito. Agora vou ter de escrever pelo menos uma vez por mês. E vai sair o quê? Temas de duas rodas (polémicos ou não), dicas de viagens, pensamentos e inquietações, o que me vai na alma. Seja o que for. O que me apetecer. Deram-me essa liberdade. Nem podia ser de outra forma. Se ando de moto pelos países que eu tenho interesse em conhecer, também irei escrever pela estrada que eu escolher.

Começo por me apresentar aos que não me conhecem ou nunca me “leram”. Sou a Paula Kota, ando de moto há uns anitos. Sempre devagar pois não ganho para pagar multas de velocidade. Sempre devagar pois não me move a adrenalina para conduzir uma moto. Move-me o gosto da liberdade, do vento a entrar na viseira, do cheiro a terra molhada ou a flores na primavera. Move-me a prudência de chegar a casa inteira para junto da minha família. Move-me a paixão de querer continuar por muitos anos. Até já não ter força para me sentar na moto.


Dizem que sou Viajante. Eu digo que gosto de férias e as aproveito o melhor que posso. Passo um ano inteiro a trabalhar para poder vadiar umas semanas. É o meu tempo, é a ausência de horários, é ir conhecer o mundo. Porque há muito mundo por aí para descobrir.

Dizem que tenho mau feitio. Se o “mau feitio” for dizer o que penso, então é verdade. Por vezes até reconheço que sou implacável. Não há desculpas.

Ai e tal, a polícia anda à caça da multa. Andem mais devagar. Se querem correr vão para o autódromo (existem track days, sabiam?).

Ai e tal, aquele tipo ultrapassou pela direita, fez uma razia, é um maluco. Mudem de companhias. Os verdadeiros amigos não nos fazem isso.

Ai e tal, ouvi dizer que …….... e acreditaram? Verificaram a fonte? Já experimentaram para ver se é verdade? Ou apenas acreditaram porque são crédulos e … parvos? E querem à força falar de tudo e quando falam percebe-se mesmo que estão a falar do que não sabem?

Muito mais haveria para falar dos comentários que se leem nas redes sociais obstruídas por “heróis de teclado”. Eu sou amante da velha guarda em que se colocam problemas reais após se pesquisar e não se encontrar. Acho que hoje em dia há uma enorme preguiça em fazer o TPC (trabalho de casa). É tão mais fácil chatear os outros com dúvidas existenciais ou problemas de brilho dos escapes.


Sim, sou proprietária de uma moto a que chamo de “vermelhinha”. Não lhe chamo “montada” nem “burra”. A minha vermelhinha não é nenhum animal. É uma máquina (poderosa J) que me leva onde quero. 650 de cilindrada é mais que suficiente para as minhas necessidades. Não tenho uma moto maior porque não preciso.

Qualquer um conduz uma moto. Basta perceber que as mudanças e a embraiagem mudaram de sítio (face a um carro). Agora conduzir no trânsito ou manobrá-la a seco, já é diferente. Sou mulher e frágil. Não tenho força de braços para a estacionar ou “destacionar” em locais mais complicados. Não tenho força para me esgueirar por milímetros entre os carros onde é preciso curvar com o volante e o peso todo da moto. E assumo a minha incapacidade. Não me impede de ir onde quero.

Dizem que começo logo a “espalhar” veneno. Provavelmente vão (me) adorar ou odiar. É como as motos. Amam-se ou odeiam-se.  

Não têm de concordar (se todos concordassem em tudo o mundo nunca tinha avançado). Mas se quiserem debater alguma questão, aviso já que tem de ser cara-a-cara. Em frente de uns canecos a discutir que “a minha moto é melhor que a tua”. Não discuto por detrás de um teclado. Há que fazer uns km, meditar pelo caminho e só depois estou pronta para falar.

Não sei o que vai sair da próxima. O que me apetecer. Fiquem por aí!

andardemoto.pt @ 15-1-2018 16:22:44 - Paula Kota