Márcia Monteiro

Márcia Monteiro

Marketeer, “Mulher do Norte” e motociclista em estrada e fora dela (Off Road).

OPINIÃO

“A minha desculpa... é dia de Natal”

Era dia de Natal. Habituada a acordar cedo, mesmo não tendo obrigações profissionais, tentei permanecer na cama e disfrutar das poucas manhãs em que realmente posso ficar a descansar, virei para vários lados, mudei de posição, mas a minha vontade era outra.

andardemoto.pt @ 27-12-2018 19:04:52 - Márcia Monteiro

Era dia de Natal.

Havia ainda uma infinidade de coisas para fazer nesta quadra natalícia, preparar as últimas doçarias, limpar a casa e terminar outras tarefas pendentes. Mas eram 7h da manhã, demasiado cedo para iniciar todas estas lides natalícias e a minha maior vontade era outra... pegar na mota e partir sem destino.

Era dia de Natal.

Apesar da chuva ter dado tréguas, a manhã estava fria e húmida. Desci até à garagem, rodei a chave da mota e... bolas, não tinha gasolina suficiente, haveria algum posto de combustível aberto neste dia?

Era dia de Natal.

Como se isto não bastasse, era demasiado cedo para convidar alguém para rolar comigo. Nem tão pouco tinha pensado em algum destino suficientemente convidativo para convencer alguém a rolar em plena manhã de Natal.

Era dia de Natal.

O facto de ser dia de Natal não deve ser uma desculpa para não fazermos aquilo que realmente sentimos vontade de fazer, muito pelo contrário, deve ser o mote para fazermos aquilo que nos faz sentir bem. E naquele momento, aquilo que me fazia sentir bem era rolar sem destino, sentir a brisa matinal, disfrutar da minha própria companhia e experienciar aquele misto de liberdade e adrenalina. A decisão estava tomada.

Primeira paragem: posto de combustível. Após duas tentativas falhadas, lá consegui encontrar um local aberto para abastecer. Foi tanque cheio, não vá o diabo tece-las. Em relação à segunda paragem, só o destino saberia.


Iniciei o percurso e a neblina matinal ainda não tinha levantado, todo o cuidado era pouco pois também o asfalto estava húmido. Continuei a rolar com prudência e num ápice estava a atravessar a ponte em direção ao Porto. Podia tentar encontrar mais companheiros nos locais habituais onde normalmente se encontram mas, optei por continuar a rolar comigo mesma em busca de uma paisagem que me obrigasse a parar. E não foi preciso muito... minutos depois avistei um spot junto ao rio Douro e comecei a descer até parar junto da margem. Desliguei a mota, não havia ruídos nem tão pouco pessoas. Tirei o capacete, as luvas e soltei o cabelo... bolas, estava mesmo frio. Quase não havia corrente no rio o que fez com que aquele caudal parecesse um verdadeiro espelho do céu. Naquele instante, os primeiros raios de sol começaram a surgir e transformaram aquele cenário num verdadeiro postal. E por ali fiquei, a contemplar aquilo que de melhor a natureza tem para nos dar. Olhei para o relógio e as obrigações natalícias começavam a chamar por mim, era hora de voltar. E voltei... com muito mais energia, muito mais motivação e um enorme sorriso no rosto que só nós, motociclistas, sabemos o que significa.

Era dia de Natal... por isso se for para arranjar desculpas, pelo menos que seja uma que valha a pena. A minha foi: “Precisamente por ser dia de Natal, preciso de ir rolar”. E foi maravilhoso.

andardemoto.pt @ 27-12-2018 19:04:52 - Márcia Monteiro