Márcia Monteiro
Marketeer, “Mulher do Norte” e motociclista em estrada e fora dela (Off Road).
OPINIÃO
Quando o telefone toca...
Para nós, motociclistas e motards, existem determinados assuntos que preferimos ignorar. Mas a verdade é que estamos cientes dos perigos inerentes a quem faz “disto” um modo de vida. Eu própria já experienciei a alegria, a felicidade e a adrenalina que isso me provoca. E infelizmente também já experienciei a perda de quem me é querido.
andardemoto.pt @ 1-8-2019 19:27:57 - Márcia Monteiro
Há alguns anos um companheiro teve um acidente fatal. Naquela tarde de domingo, quando o telefone tocou, eu não queria acreditar. Tinha estado a rolar com ele umas horas antes, separámo-nos num cruzamento e cada um foi para as suas casas. Infelizmente ele nunca regressou a casa. Deixou uma mulher e 2 filhas.
De cada vez que ia à garagem, todas aquelas memórias assaltavam a minha mente e não me deixavam sequer rodar a chave para a ouvir roncar. Até que um dia ela deixou de trabalhar também. Estive 2 anos sem andar de moto e sentia-me completamente incapaz de a montar.No entanto, por mais medo que estejamos a sentir naquele momento, existe aquele chamado “bichinho” que não sabemos de onde vem que nos sussurra de forma incessante “vai lá andar de moto, vai lá ser feliz”. Precisei de 2 anos para voltar a ser feliz.
Pouco tempo depois, o meu pai foi a uma concentração motard. Naquele dia eu decidi não o acompanhar. Nessa noite, o telefone tocou. Um despiste contra uma árvore cuspiu-o da moto e esteve 9 meses em recuperação.
Uns anos depois, numa tarde quente de verão, foi o
telefone da minha mãe que tocou. Felizmente a minha recuperação foi mais breve,
mas esses 4 meses sem andar de moto bastaram-me para confirmar, mais uma vez,
que a nossa vida é efémera.
Ainda hoje, sempre que vou andar de moto, penso nisto, é mórbido e até um pouco sombrio mas sempre que rodo a chave, tenho perfeita noção que aquela pode ser a última vez. Neste profundo momento de reflexão, não é minha intenção apontar as causas, o excesso de velocidade, os descuidos, as más condições das vias etc, teríamos pano para mangas.
A minha
intenção é única e simplesmente incentivar-vos a valorizarem cada momento, cada
alegria, cada memória, vivam com intensidade, mas também com muito respeito e
cautela pela máquina que conduzem.
Sabemos que, fazermos aquilo que tanto prazer nos dá, acarreta um risco. Um risco demasiado elevado para nós, para a nossa família e para os nossos amigos. E bastam apenas uns segundos para correr esse risco. Por isso, façam com que o telefone dos vossos entes queridos nunca toque.
Boas curvas a todos!
andardemoto.pt @ 1-8-2019 19:27:57 - Márcia Monteiro
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