Fábio Figueiredo
À procura de um caminho alternativo
OPINIÃO
De Tallinn, Estónia, até ao Cazaquistão - 1ª parte
Há dois anos concluí uma viagem a
solo de Portugal até à Estónia. Onze mil km, em duas tiradas, para atravessar o
nosso continente até ao seu extremo Norte, passando por nove países, por
algumas das estradas mais elevadas e por algumas paisagens que até hoje
continuam a ser as que mais me marcaram na vida.
andardemoto.pt @ 7-10-2019 17:21:00 - Fábio Figueiredo
- 1ª parte
- 2ª parte - Há dias assim.
- 3ª parte - Até Tver, na margem do rio Volga
- 4ª parte - De Tver a Nizhny Novgorod
- 5ª parte - Em direcção a Kazan
- 6ª parte - O serpentear do Volga
- 7ª parte - De Samara ao Cazaquistão
- 8ª parte - Estava onde queria.
- 9ª parte - Oficialmente na Ásia
- 10ª parte - Com a experiência do dia anterior, decidi não ir pelo deserto.
- 11ª parte - Tinha chegado onde queria ir
- 12ª parte - Objectivo alcançado
A maior das minhas viagens durou 18 dias, na qual percorri 7.000km de moto. Foi de mais. Para mim, a duração óptima de uma viagem é cerca de 10 dias (4000km), período em que a paz de viajar sozinho se começa a transformar no incómodo de viajar sozinho.
Desde essa altura, idealizei continuar a viagem, desta feita a começar em Tallinn, Estónia, para terminar algures para Este, com destinos que variaram entre a Geórgia, o Azerbaijão e finalmente o Cazaquistão. Este ano, por pouco, essa oportunidade apareceu, mesmo às portas da época da neve. Mas não ia ser fácil.
A Lei de Murphy não deu tréguas e, mesmo a quatro ou cinco dias de partir, não havia garantias de que conseguisse apontar para o destino a que me propus: a província de Mangystau, no Oeste do Cazaquistão – uma das zonas menos populosas do mundo, onde a natureza está o mais próximo do que é estar intocada pelo ser humano e uma das pérolas da Ásia Central – um lugar completamente diferente de todos onde já estive. Este sítio não está no roteiro. Tem de se fazer por descobrir.
Não ter perdido o DUA da minha mota quando me encontro do outro lado do continente contribuiria favoravelmente para seguir nessa direcção, mas a vida, por vezes, teima em não facilitar. Este problema demorou a melhor parte das últimas duas semanas a neutralizar e levou-me a ter de contemplar um destino de contingência algures dentro da União Europeia, onde o risco de me ser pedido esse documento era mais reduzido. “Grécia”, pensei eu, seria o mais a Este que conseguiria ir com os documentos de que dispunha e que me colocasse num ponto favorável para retomar esta viagem.Pelo caminho encontraria de um lado os Cárpatos: 60% do que resta de floresta virgem na Europa e uma das melhores estradas do mundo, a estrada Transfagarasan, na Roménia, seguido pelas paisagens mais secas e desabitadas da Grécia. Uma boa alternativa, portanto.
Contudo, uma agradável reviravolta permitiu que me fosse possível, apesar de com um atraso considerável, obter o documento que tinha em falta, que através de uma amiga que por sorte se encontrava de visita a Portugal, o conseguiria colocar nas minhas mãos, meras horas após o adquirir. Isto colocou em marcha a obtenção do visto, o último passo determinante, que para todos os efeitos também não estava garantido.
Já com revisão feita e todo o material necessário pronto (tenda, saco-cama, algumas ferramentas, peças suplentes, kit de reparação de furos, kit de primeiros socorros, radiobaliza de busca e salvamento, o inevitável material fotográfico e o autocolante com o meu bom nome estampado nas laterais da mota), estava mais uma vez numa situação em que o destino final da viagem dependia desta última variável.
Hoje, 26 de setembro de 2019, depois de muitos imprevistos e uma semana depois da data planeada para partir, foi emitido finalmente o visto para a Rússia.
A minha ideia era que este primeiro artigo fosse um guia de como nos devemos preparar para uma viagem deste lado do mundo. Não foi. Pelo contrário, mostrou o quão um pequeno deslize pode impedir a realização de um objectivo. Quantas vezes o arrancar é a parte mais fácil. Desta vez não foi o ideal, mas por vezes é assim que se começam grandes viagens.
Amanhã é o dia. 28 de setembro de 2019.Até breve, aqui a ANDAR DE MOTO. Entretanto podem seguir-me no meu instagram: @the.nowherer
- 1ª parte
- 2ª parte - Há dias assim.
- 3ª parte - Até Tver, na margem do rio Volga
- 4ª parte - De Tver a Nizhny Novgorod
- 5ª parte - Em direcção a Kazan
- 6ª parte - O serpentear do Volga
- 7ª parte - De Samara ao Cazaquistão
- 8ª parte - Estava onde queria.
- 9ª parte - Oficialmente na Ásia
- 10ª parte - Com a experiência do dia anterior, decidi não ir pelo deserto.
- 11ª parte - Tinha chegado onde queria ir
- 12ª parte - Objectivo alcançado
andardemoto.pt @ 7-10-2019 17:21:00 - Fábio Figueiredo
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