Fábio Figueiredo
À procura de um caminho alternativo
OPINIÃO
De Tallinn, Estónia, até ao Cazaquistão - 11ª parte: Tinha chegado onde queria ir
Se era verdade que o ponto de partida para o regresso a casa estava ali ao lado, também era verdade que o objectivo final da viagem não ficaria mais perto durante os próximos meses. Revisitei a minha pesquisa para encontrar uma informação que referia haver um acesso com 60 quilómetros de estrada nova e 40 de estrada em mau estado (que iria dar a Beket Ata, uma mesquita subterrânea), seguidos de 6 km fora de estrada para um lugar de uma vista maravilhosa. Não podia deixar passar.
andardemoto.pt @ 7-10-2019 17:21:00 - Fábio Figueiredo
- 1ª parte
- 2ª parte - Há dias assim.
- 3ª parte - Até Tver, na margem do rio Volga
- 4ª parte - De Tver a Nizhny Novgorod
- 5ª parte - Em direcção a Kazan
- 6ª parte - O serpentear do Volga
- 7ª parte - De Samara ao Cazaquistão
- 8ª parte - Estava onde queria.
- 9ª parte - Oficialmente na Ásia
- 10ª parte - Com a experiência do dia anterior, decidi não ir pelo deserto.
- 11ª parte - Tinha chegado onde queria ir
- 12ª parte - Objectivo alcançado
Segui em direcção a Zhanaozen, o último ponto de abastecimento, por onde passava uma estrada em construção de duas faixas e quatro vias que ligava Aktau até depois de Zhanaozen, talvez até ao Turquemenistão, mais a Sul. Mesmo com gasolina de 92 octanas, a mota não se queixou, mesmo em baixos regimes.
Almocei, abasteci-me com água e combustível, desta vez com a octanagem correcta, e parti para o deserto.
A estrada nova era perfeita, suave, quase aveludada, uma indicação de que este país está a ser reconstruído e onde se aposta na longevidade, os sessenta quilómetros passaram no que pareceu um instante e que fizeram um drástico contraste com o que veio a seguir.
Por baixo de uma camada de pó e gravilha estavam os vestígios de uma velha estrada que só posso imaginar ter sido construída há várias décadas como um monumento às estradas bombardeadas durante a guerra e que servia como percurso de testes às suspensões de veículos de ralis em campos minados e o pior piso onde alguma vez circulei. Era difícil passar dos 50 km/h e mesmo a 30 estava com dúvidas se o meu portátil conseguiria sobreviver à brutal vibração que testava cada parafuso, cada milímetro de curso da minha suspensão e cada osso do meu corpo. Era tão mau que a certa altura decidi sair da estrada para o caminho de serviço dos camiões que construíam a estrada nova que ladeava estas duas vias.
Era melhor, mas mesmo isso acabou. Ao voltar à estrada principal caí por falta de apoio e a mota ficou encalhada entre a roda da frente e a mala lateral onde estava o portátil. Foi mais um aviso do que podia correr mal e mais um teste passado em alguns minutos. O resto do caminho foi apenas melhor que o primeiro troço, mas já conseguia circular a 70. Com o sol a pôr-se, era altura de fazer o desvio pela terra batida para ir acampar. A vista para o canhão de Bozzhira era, de facto, dramática, um testamento à imponência da natureza, um olhar para o que seria esta zona sem influência humana. Era a natureza no seu estado mais bruto. Tinha chegado a onde queria ir.
Podem acompanhar a viagem também no meu Instagram. instagram.com/the.nowherer
- 1ª parte
- 2ª parte - Há dias assim.
- 3ª parte - Até Tver, na margem do rio Volga
- 4ª parte - De Tver a Nizhny Novgorod
- 5ª parte - Em direcção a Kazan
- 6ª parte - O serpentear do Volga
- 7ª parte - De Samara ao Cazaquistão
- 8ª parte - Estava onde queria.
- 9ª parte - Oficialmente na Ásia
- 10ª parte - Com a experiência do dia anterior, decidi não ir pelo deserto.
- 11ª parte - Tinha chegado onde queria ir
- 12ª parte - Objectivo alcançado
andardemoto.pt @ 7-10-2019 17:21:00 - Fábio Figueiredo
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