Honda NT 1100 Experience 2022 Porto - Madrid
A Honda convidou alguns meios de comunicação Ibéricos para porem à prova a sua nova moto para viagens, derivada da bem sucedida CRF1100 Africa Twin.
andardemoto.pt @ 20-4-2022 01:02:50 - Rogério Carmo
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Honda NT1100 MT 2025 | Moto | Touring & Sport TouringUma viagem guiada, em grupo, do Porto até Madrid, visitando algumas das melhores estradas da Península Ibérica? Claro que sim! É para andar de moto? Vamos lá!
O Porto é lindo, mais ainda quando serve de cenário de partida para uma viagem em duas rodas. O pretexto era ir por à prova, em condições reais, a nova moto de viagem da Honda, a NT1100, que já tinha tido oportunidade de testar, mas não em condições reais e menos ainda com piso seco.
A partida estava marcada para cedo e os primeiros quilómetros, depois de deixar para trás o conforto do Hotel Eurostars Porto Douro e o belo cenário da sobranceira Ponte D. Luis I o grupo e respectivos guias dirigiu-se a Amarante fazendo uso da A4, autoestrada que até merece alguma consideração pelo seu traçado panorâmico.
Além de permitir fugir ao trânsito da Invicta, a A4 ainda permitiu regular os espelhos retrovisores para uma excelente visibilidade e criar alguma ligação com a profusão de comandos, para poder “azerar” os totalizadores de quilómetros, ligar o aquecimento dos punhos, ajustar o ecrã pára brisas para minimizar a turbulência e respectivo ruido no capacete, além de permitir criar alguma intimidade com o bicilíndrico e com a ciclística.
A verdadeira condução só começava depois de Amarante, pela EN101 até Mesão Frio, e depois pela EN108 até Peso da Régua.
Cruzada a EN2, a EN222 desenrolava-se em todo o seu esplendor paisagístico, bordejando o rio Douro até ao cruzamento para a Vila do Pinhão, onde estava marcada uma paragem para um café, video e fotos, frente ao Douro e na presença dos sempre bonitos e intrigantes barcos rabelos que outrora transportavam o afamado Vinho do Porto.
Cumpridas as formalidades profissionais e satisfeitas as necessidades fisiológicas, o regresso às curvas da EN222 foi mais do que bem-vindo, proporcionando a oportunidade de, graças ao bom asfalto, aligeirar a NT1100 com uns cuidadosos desbastes dos poisa-pés, em algumas das curvas mais pronunciadas.
A NT1100 revelou-se extremamente estável, tanto na abordagem às curvas, quando os travões eram solicitados com maior ímpeto, ou quando era necessário corrigir a trajetória, situação em que o travão traseiro se mostrou extremamente eficaz e incansável.
Um lauto almoço aguardava os Test Riders em Foz Côa, bem no âmago da sua herança paleolítica, ou seja, no monolítico museu que ilustra o parque arqueológico do rio Côa, bem no seio dos belos vinhedos do Douro.
Mas o repasto foi moderado, para não causar qualquer impedimento na condução durante os últimos quilómetros da N222.
Uma breve paragem à entrada de Almendra, para uma foto de grupo no marco que assinala o fim do percurso da estrada que está em número 1 do ADR, o Avis Driving Ratio que a classifica como a melhor estrada do mundo, segundo complexos critérios que um destacado grupo de especialistas definiu para classificar a estrada ideal para garantir um excelente prazer de condução.
Pois se a fórmula matemática desenvolvida por Tilke e seus colegas, define que a estrada ideal oferece uma curva por cada 10 segundos de recta, a N222 oferece, nas condições ideias, 1 curva por cada 11 segundos de recta, o que a torna realmente exclusiva e uma verdadeira fonte de prazer, sobretudo para os motociclistas.
Com o ritmo de condução bem empenhado, atrás de um guia que conhece a N222 como as teclas do seu portátil, quase que posso garantir que a NT1100 conseguiu muito melhor do que 11 segundos entre cada curva, mas infelizmente não tenho provas.
Provas deu esta nova Honda NT1100, com a sua extrema facilidade de inserção em curva, com a sua intuitividade, com o seu comportamento neutro, com a sua suspensão firme, mas confortável, e a sua travagem incisiva e doseável.
O motor, ou melhor, a sua resposta a alta rotação, é extremamente entusiasmante, respondendo solícito e sem hesitações ao acelerador, com uma nota de escape muito interessante. A baixa rotação, agradece-se o vigoroso binário, para manobrar descansado.
Almendra é terra de muita história, que remonta à idade do ferro e cuja antiguidade, repartida entre portugueses e espanhóis, a torna merecedora de uma visita que será recompensada pelo seu riquíssimo património edificado, com casas apalaçadas, solares e monumentos que a tornam numa das mais bonitas vilas históricas de Portugal, apesar de praticamente desertada pela sua população.
Depois de Almendra o céu escureceu, ameaçando chuva, por isso a menos excitante N332 foi feita de forma célere, deixando sem qualquer contemplação locais imperdíveis como Castelo Rodrigo e Almeida, na expectativa de evitar o piso molhado.
Infelizmente bastou cruzar a fronteira, em Vilar Formoso, para que o céu, cada vez mais plúmbeo, se incontivesse e nos brindasse com alguma da tão necessitada chuva. Mas a intensidade da rega era fraca, pelo que a molha prometida nem sequer chegou a sê-lo.
Até porque neste aspecto, a proteção aerodinâmica da NT1100 é realmente louvável, conseguindo afastar do posto de condução a intempérie e os resíduos do piso, permitindo-me chegar completamente seco e limpo à garagem do hotel, na bela localidade medieval de Alberca.
Na manhã seguinte a chuva era uma realidade. Por isso a visita ao centro da vila e respectivas fotos foram canceladas, provavelmente para evitar que alguma carenagem ficasse agarrada na velha calçada íngreme e escorregadia que sobe para o centro da povoação.
Mas, passado pouco tempo, a chuva tinha acalmado e, por altura da primeira sessão de fotos do dia, em plena Sierra de Francia, no idílico cenário da ponte romana de Sotoserrano, apenas o piso molhado impedia aumentar os níveis de confiança.
O destino seguinte era Bejar, cidade industrial caída em ruína, cujo interesse turístico seria nulo, não fosse a beleza das cerejeiras em flor que, no romper da Primavera, decoram montes e vales em redor, com as suas pétalas brancas, dando ideia de neve. Infelizmente a natureza estava ligeiramente atrasada e negou-me repetir o maravilhoso espetáculo.
No entanto, quem passar por Bejar, se tiver tempo, não deve perder o belo povoado de Candelário, logo ali ao lado, cuja situação geográfica e engenho popular, antes da revolução industrial, tornou propícia à confeção enchidos. A não perder tampouco é a povoação de Montemayor del Río, com toda a sua ambiência medieval.
Logo de seguida a caravana passou Hervás, localidade mais conhecida pelo seu carismático museu automotivo, o primeiro Museu da Moto Clássica de Espanha, mas cujo encanto e importância histórica são dignos de nota. No entanto não havia tempo para paragens.
O Puerto de Honduras esperava-nos a 1440 metros de altitude, com toda a grandeza da paisagem da Serra de Gredos a contrastar com a estreiteza da sinuosa estrada CC-102.
Mas com o piso seco, apesar de bastante degradado, a NT1100 viu a sua suspensão e a robustez dos travões postas à prova, tendo no final merecido nota máxima. Um destaque também para a solidez da construção, comprovada pela ausência de vibrações ou ruídos parasitas, mesmo nos pisos mais degradados.
Como recompensa por tamanha lavagem de vista e extraordinária oxigenação dos pulmões, estava prevista mais uma paragem para fotos e videos, antes de um reconfortante café, às portas de Jerte, onde também as flores de cerejeira ainda não cobriam a paisagem.
Voltava a chuviscar e a temperatura ambiente ia baixando. O trajeto para o almoço foi feito pela panorâmica N110, passando por Tornavacas e Barco de Ávila.
O céu, cada vez mais carregado, não fez favor ás impressionantes muralhas de Ávila que, do alto dos seus 1132 metros acima do nível médio das águas do mar, impõem o respeito que toda a sua história lhes confere. Uma daquelas cidades espanholas que é um pecado não conhecer.
A Puerta de la Adaja foi o mais perto que estivemos das preciosidades que Ávila encerra. O almoço esperava mas, apesar do frio, ninguém teve coragem para atacar o típico “chuletón de ternera” da afamada raça autóctone Avileña Negra.
O final da viagem já se fazia sentir. Depois do repasto foram prestadas as últimas homenagens às companheiras de duas rodas. Mais fotos, mais videos, mais elogios, e umas pingas de chuva grossa, a ameaçarem estragar o final feliz da viagem, ditaram a partida apressada.
Já em ritmo quase de cortejo fúnebre, a serra de Guadarrama confirmava a cercania de Madrid. Nas suas fraldas destacava-se imponente o complexo do Mosteiro Real de San Lorenzo de El Escorial. Atravessá-lo, apenas, soube a pouco, mas mais não era possível.
Continuando, à passagem pelo Vale de los Caídos ainda tudo estava seco, mas logo depois, no emaranhado de auto-estradas e vias rápidas que mantém Madrid refém do seu caos rodoviário, o piso estava molhado, mas não chovia.
As NT1100 que nos acompanharam ao longo dos pouco menos de 740 quilómetros, estavam de volta, todas sãs e salvas, ao concessionário Honda Ikono Motorbike.
No painel de instrumentos da unidade que me acompanhou ao longo dos dois dias, o computador de bordo registava um consumo médio de 5,3 litros /100km, a uma velocidade média de 73 km/h, o que considerando o traçado e os ritmos impostos em alguns troços mais sinuosos é um valor quase inacreditável.
No entanto, perfeitamente justificável já que, depois do ultimo reabastecimento, em Ávila, e com o ritmo tranquilo adoptado ao longo dos últimos 150 quilómetros, a rolar descontraidamente, a uma média de 88 km/h, o consumo baixou para uns ainda mais inacreditáveis 4,9 litros/100km.
Devo referir que esta era uma versão de caixa de velocidades convencional, equipada com as duas malas laterais e Top Case!
Mas tenho de admitir que, se tivesse feito esta viagem com passageiro, inquestionavelmente teria escolhido uma versão automática, com embraiagem DCT, que se revela muito mais facil de conduzir, mais confortável, sobretudo para o passageiro que não é sacudido a cada passagem de caixa e, ainda, mais económica, pois, ao contrário de mim, optimiza o binário e a suavidade da aceleração para conseguir esse propósito.
Do desempenho geral da NT1100, fica a convicção de esta ser uma moto do mundo real, competente, tolerante, muito prática, extremamente segura e capaz de incutir muita confiança, perfeitamente capaz de levar um ou dois adultos e respectiva bagagem, com grande nível de conforto.
Sobretudo se optar por instalar um assento conforto, como o da unidade que testei tinha instalado, e que considero maravilhosamente confortável, ao contrário do que vem instalado de série.
Apesar do seu grande volume, manobra-se com extrema facilidade pelo que mesmo os motociclistas de estatura mais baixa, não terão muita dificuldade em manter um grande controlo.
Não sendo perfeita (nenhuma moto o é), e tendo alguns pormenores que pessoalmente não me agradam, nomeadamente os botões de comando em número exagerado e com um desempenho algo confuso, tenho que admitir que o nível de equipamento, a qualidade de construção, a economia de consumo, as prestações dinâmicas e o elevado nível de conforto que proporciona a bordo, tornam-na numa excelente opção para as longas viagens, seja a solo, seja com passageiro.
Pode ficar a conhecer melhor a NT1100 no resumo do primeiro contacto que tive com ela, na sua apresentação internacional.
Equipamento
Nesta viagem usámos o seguinte equipamento de proteção e segurança:
Capacete Schuberth C5
Luvas REV’IT Arch
Fato Rev’It! Poseidon 2 GTX
Botas TCX Clima Surround GTX
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