Teste Honda NT1100 - Pronta para viajar

Em contra-corrente com a tendência actual, a Honda concebeu uma moto inovadora, uma New Tourer, para as aventuras no asfalto

andardemoto.pt @ 14-12-2021 00:05:18 - Texto: Rogério Carmo

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Honda NT1100 DCT | Moto | Touring

Potente, ágil e manobrável, para curtas ou longas viagens ou até mesmo para uma utilização diária urbana e extra-urbana, a NT1100 vem ocupar a cobiçada faixa de mercado que há bem poucos anos era dominada pelas saudosas Pan-European, Deauville e até mesmo as CBR1100F, que ainda hoje são companheiras inseparáveis de muitos e felizes motociclistas.

Motos estradistas, concebidas para tragar quilómetros, a solo ou com passageiro e bagagem, proporcionando um elevado conforto para os ocupantes, mesmo sob condições meteorológicas desfavoráveis, sem descurarem as prestações dinâmicas, a autonomia ou a capacidade de carga.


A Honda convidou o Andar de Moto para o evento de apresentação desta nova moto aos mídia internacionais, que se realizou nas imediações da cidade mediterrânica de Tarragona, a sul de Barcelona, na vizinha Espanha. 


Depois de uma detalhada apresentação técnica da NT1100 (que pode ver resumida neste artigo), ou ainda no vídeo que pode ver se clicar aqui, a Honda preparou um circuito de mais de 250 quilómetros, nas deliciosas estradas e cenários do Parque Natural da Sierra de Montsant.

Mas não sem antes nos proporcionar cerca de 50 quilómetros de auto-estrada, para que fosse possível avaliar o desempenho do conjunto na maioria de situações possível, sobretudo a velocidades mais elevadas.

Também não faltaram reviradas e pitorescas estradas de montanha, nem um piso permanentemente molhado, nem neblina e nevoeiro, nem um céu cinzento, mas felizmente praticamente sem precipitação, para que este teste fosse muito completo.

A partida de manhã cedo, com temperatura amena mas sob a ameaça de chuva, anunciava um dia cansativo, com muitas horas de condução, a ritmos bastante interessantes e diversas paragens para recolha das fotos que ilustram estas páginas.

À primeira vista, a nova Honda NT1100 herdou traços marcantes da mais radical scooter do mercado, a Honda X-ADV. A frente volumosa, a traseira esguia, uma cintura estreita e jantes elegantes, resultam num conjunto agradável em que se nota um extremo cuidado ao nível dos acabamentos e da qualidade dos componentes.

Com tecnologia suficiente, a Honda resistiu à tentação de incorporar todo o arsenal tecnológico disponível, regendo-se antes por uma lógica relação qualidade/preço que pretende ser acessível ao máximo de motociclistas possível, mas sem descurar factores fundamentais para a segurança.

Os primeiros quilómetros, feitos em auto-estrada serviram, como previsto, para ganhar alguma intimidade com o conjunto, com a sua dinâmica e o seu interface electrónico, assim como uma avaliação da ergonomia e da proteção aerodinâmica.

A posição de condução elevada, o guiador bastante amplo e o posto de condução a oferecer um espaço desafogado, mesmo com passageiro, potenciam uma utilização polivalente.

O assento favorece os pilotos de estatura mais baixa enquanto garante um bom encaixe na moto. Os joelhos ficam pouco fletidos e os pés ligeiramente recuados permitem um bom apoio sob aceleração e um fácil acesso ao piso. 

O ecrã pára brisas é generoso e bem desenhado, causando pouca turbulência no capacete e permitindo mais de 16cm de amplitude entre a altura máxima e mínima, com 5 posições intermédias que podem ser escolhidas facilmente, à mão, numa operação que não se recomenda ser feita em andamento.

Em conjunto com a frente volumosa, garante um eficaz escudo contra os elementos.O painel de instrumentos, que além do motor também foi herdado da Honda Africa Twin, assim como todos os comandos, é muito legível e completo, sendo ainda personalizável, e conta igualmente com conectividade Bluetooth para smartphone, compatível com Apple CarPlay e Android Auto.

Punhos aquecidos, uma iluminação integral em LED e tomadas elétricas muito acessíveis, uma de 12V e outra USB, para ligação de acessórios, completam a versatilidade e polivalência do posto de condução.


O percurso em auto-estrada serviu também para um reencontro com a caixa de velocidades de embraiagem dupla, já que todas as unidades disponíveis para este teste estavam dotadas de DCT, um sistema que transforma a caixa de 6 velocidades em automática.

Com diversos modos de funcionamento e a possibilidade de o condutor poder intervir a qualquer momento, mudando a relação de caixa, para cima ou para baixo, apenas com um toque nas patilhas instaladas no punho esquerdo, garante uma máxima suavidade nas mudanças de relação, que proporciona um elevado conforto ao passageiro pois, com a sua suavidade, evita o balançar típico das mudanças de caixa normais. 

O DCT é uma solução tecnológica exclusiva das motos da Honda, que eleva o prazer de condução para outro nível, diminuindo simultaneamente a fadiga em condições de condução exigente, e que já é utilizada em mais de 200.000 motos, sendo que para a marca japonesa, actualmente, esta opção representa mais de 50% da preferência dos clientes que adquirem os modelos que a disponibilizam.


Chegados às curvas, em húmidas estradas de montanha, algumas bastante sujas e estreitas, e num ritmo que não era propriamente de passeio, toda a atenção era pouca para que a experiência não tivesse um final triste.

Além da preocupação constante com as pedras que rolavam das escarpas, as folhas outonais e a muita lama, resultantes da actividade rural da região e das chuvadas dos dias anteriores, toda a atenção era pouca para delinear a trajetória necessária e evitar qualquer eventual contacto com os intimidantes prumos desprotegidos dos rails, que pululam nas bermas das estradas dos nuestros hermanos.

Foi então que a nova NT1100 se começou a revelar como uma verdadeira estradista. Primeiro o motor e a sua grande disponibilidade de binário. Em modo Tour, um dois dos pré-definidos (além de outros dois que podem ser personalizados ao ponto de permitir desligar o controlo de tração ou diminuir a intensidade do efeito travão-motor), há potência suficiente para, literalmente, enfrentarmos qualquer situação. 


A nota do escape, bastante civilizada em termos de ruído, consegue transmitir a intensidade da aceleração de forma bastante agradável, sobretudo quando o regime de rotação sobe acima das 5.000rpm.

Com o modo S do DCT selecionado, que ao invés do modo D (mais focado na economia) utiliza regimes de rotação mais elevados, a caixa de velocidades reage de forma impressionante, muito rapidamente, podendo ainda ser regulada em três níveis de intervenção que correspondem, basicamente, à intensidade de condução pretendida. 

Assim, e com a ajuda do controlo de tração, que funciona de forma muito discreta mas também muito assertiva, toda a atenção e cuidado podem ser focados nas trajetórias e na travagem, resultando num aumento significativo da segurança e numa redução substancial do cansaço.

A direção é bastante rápida, leve e precisa, com 51% do peso da moto concentrado na roda dianteira de 17 polegadas. A brecagem também é muito boa e juntamente com o centro de gravidade bastante baixo, contribui para uma grande facilidade de manobra a baixa velocidade.


A suspensão, com um curso bastante generoso de 159mm, é capaz de alisar os pisos mais irregulares e, ao mesmo tempo, manter um comportamento muito previsível em curva e sob aceleração.

A forquilha, de função separada, permite regulação da pré-carga, tal como o amortecedor traseiro que tem um conveniente sistema remoto de fácil acesso.

Em curva, pode-se desfrutar da rigidez do quadro e da facilidade de entrada e estabilidade em ângulo e, sob travagem, o pouco afundamento da forquilha também proporciona uma maior confiança, que potencia uma condução mais desportiva.

Neste capítulo tenho ainda de destacar o desempenho dos pneus Metzeler Roadtec 01 que, em piso molhado e sujo, mostraram um comportamento exemplar.

A travagem, na roda dianteira, apresenta uma mordida potente mas bastante doseável, e na roda traseira encontramos uma ferramenta extremamente valiosa para ajudar a definir trajetórias muito bem controladas, revelando-se incansável, sem perder eficácia mesmo sob forte exigência.


Praticidade é outra das condições necessárias para viajar. Poder estacionar em segurança em qualquer lugar é uma grande vantagem, e por isso o descanso lateral é fácil de aceder e revela-se bastante estável.

Mas a NT1100 vem também equipada de fábrica com cavalete central que, além de ser fácil de usar, permite facilmente lubrificar a corrente de transmissão.

O conforto é, talvez, um dos mais importantes factores numa viagem. As grandes etapas, sobretudo sob condições meteorológicas desfavoráveis, são extremamente fatigantes, pelo que qualquer poupança de energia do condutor, potencia a segurança ao mitigar a fadiga. 


Além das ajudas electrónicas à condução, do DCT, da boa proteção aerodinâmica e da excelente ergonomia, esta nova Honda vem, também de série, equipada com cruise control, punhos aquecidos, pisca-piscas com auto-cancelamento e sinalização de travagem de emergência.

Para potenciar o conjunto a Honda criou três Packs de acessórios que incluem items como os faróis de nevoeiro, diversas bolsas e assentos de conforto.

A NT1100 está também disponível em versão com caixa de velocidades convencional, que pode ser equipada com quickshifter.

Disponível em 3 cores, Preto, Cinzento e Branco, com um preço a partir de 14.100€, a nova Honda NT1100 vai chegar aos concessionários da marca em Janeiro de 2022.

Equipamento

Veja o vídeo da apresentação:

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Honda NT1100 DCT | Moto | Touring

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