BMW R1200R - Despida de preconceitos

A versão “Roadster” da família R da BMW está despida de carenagens e de conceitos que pareciam intocáveis para a marca. Este novo modelo da clássica boxer bávara é agora mais ágil e dominado pela electrónica, sendo uma fonte inesgotável de prazer de condução. Fomos experimentá-lo, venha daí connosco!

andardemoto.pt @ 14-5-2015 21:10:00

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BMW R 1200 R | Moto | Roadster

Texto: Rogério Carmo   Foto: ToZé Canaveira

O novo motor "Boxer" refrigerado por líquido, manifesta nesta R1200R todo o esplendor do seu conceito tecnológico. Mas não terá sido uma “guerra” pacífica para a BMW dotar a minimalista “R” com esta motorização. A refrigeração por líquido implica necessariamente um radiador de dimensões substanciais que, nas versões em que já estava montado (na GS na RT e na GSA), tinha sido dividido e colocado metade de cada lado do suporte da suspensão frontal: o mítico Telever.


No caso desta Roadster, a solução necessária para resolver a questão estética teve que passar por abandonar esse tipo de suspensão, até agora sagrado para a BMW, e usar um radiador colocado na frente do motor, por detrás de uma suspensão convencional de forquilha simples. O conceito continua o mesmo, com o motor a ser o elemento estruturante de dois quadros que suportam as rodas e as suspensões, apenas com umas ligeiras alterações relativamente aos dos outros modelos.


A verdade é que o “Boxer”, dotado de uma redesenhada caixa de ar, de um novo sistema de escape e com uma relação final de transmissão mais multiplicada, ganha uma outra vida, tanto na forma como liberta potência desde muito baixo regime, como em termos de sonoridade.

De resto, em termos mecânicos, o motor é em tudo semelhante, usando a mesma embraiagem e caixa de velocidades já nossas conhecidas e cujo desempenho está muito acima da média. Esta versão de teste estava equipada com o sistema de quickshift a que a BMW chama de “Gear Shift Assistant” e que até pode parecer um verdadeiro desperdício quando se tem uma caixa tão macia e uma embraiagem tão suave ao nosso alcance. 


Mas depois de se perceber bem o funcionamento deste sistema, e de nos conseguirmos libertar da formatação de tantos anos a desacelerar e a apertar a manete da embraiagem para passar de caixa, ele eleva a experiência de condução para outro nível: um viciante patamar de prazer, muitos pontos acima, sobretudo para quem gosta mesmo de andar rápido numa qualquer estrada de curvas. Mas não só, pois também para quem costuma andar com passageiro, esta é a formula mágica para evitar as irritantes cabeçadas, e diminuir substancialmente a fadiga de ambos em longos períodos de condução.

Muito suave, mesmo nas retomas que encara sem problemas logo a partir das 2.000 rpm, graças aos pelo menos 100 Nm de binário que tem sempre disponíveis, o “Boxer” consegue subir alegremente de rotação e tornar-se uma arma muito eficaz no combate ao stress em qualquer estrada de curvas. A versão que testei estava ainda equipada com o opcional “Riding mode Pro” que disponibiliza para além de um modo personalizável, o modo Dynamic que faz toda a diferença se realmente queremos andar muito depressa. 

A resposta do acelerador electrónico é bastante doseável, imediata e contundente, mas feita cuidadosamente sem ser demasiado brusca. O consumo de combustível é que dispara neste modo que nos obriga a sair do sério e dar largas à nossa agressividade. Mas se optarmos pelo modo Road, então podemos contar com um consumo abaixo dos 6 litros aos cem quilómetros (na medição que fiz, em percurso misto, a média ficou nos 5,9). 

O “Riding mode Pro” ainda oferece o Dynamic Traction Control (DTC) em vez do controlo de tracção normal (ASC) melhorando a eficácia do sistema em função da inclinação, aumentando a confiança com que se pode rodar punho à saída das curvas.



No que diz respeito à ciclística o destaque vai para o material de elevada qualidade ao nível da travagem e da suspensão, que tornam a "R" numa das motos mais seguras do mercado. Material de fricção Brembo com pinças de quatro pistões com aplicação radial, garantem uma enorme capacidade de desaceleração e uma grande sensibilidade da manete.

A forquilha convencional é inspirada na unidade que foi desenvolvida especificamente para a desportiva S 1000RR, tendo a rigidez garantida por um diâmetro de 45mm, a estabilidade em travagem assegurada pela sua colocação invertida, e o conforto proporcionado pelo curso de 140 mm. 
O Evo Paralever, ou o monobraço da suspensão traseira que engloba o veio de transmissão, também é apoiado por um amortecedor com um curso de 140 mm. Na versão aqui testada estava também instalado o opcional  Dynamic ESA (Electronic Suspension Adjustment), ou suspensão eletrónica para ser mais curto, facilmente distinguida pelo acabamento dourado da forquilha que oferece dois modos de afinação: um normal para estrada (Road) e outro para andamentos mais desportivos (Dynamic). Qualquer deles reage em milisegundos ao tipo de condução e às irregularidades do piso, tendo em conta a inclinação da moto, podendo, mesmo em andamento, trocar-se de um para outro modo.


O resultado prático revela-se sob a forma de um afundamento muito limitado tanto em travagem como em aceleração, e a uma grande estabilidade na entrada da curva, mesmo quando “pendurado” nos travões, isto sem comprometer o conforto quando se anda com passageiro e por maus caminhos. A pré carga da mola do amortecedor traseiro é regulada eléctricamente de acordo com as preferências do condutor que pode selecionar diversos níveis de carga.


A posição de condução da "R" é bastante relaxada mas permite facilmente adoptar uma atitude desportiva. No entanto, o seu assento de série pode ser considerado demasiado baixo para os condutores mais altos que ficam com as pernas mais flectidas. Para solucionar esse problema existem em opcional diversos assentos adequados a diversas estaturas. No meu caso, a posição fez-me sentir bem encaixado na moto, pronto para rodar punho e em simultâneo ter domínio absoluto sobre os comandos que igualmente me assentam perfeitamente sendo muito suaves e de accionamento delicado. O guiador largo fornece uma grande precisão à direcção e um bom suporte nas travagens. Para resolver o problema da bagagem a BMW disponibiliza uma enorme gama de malas para todos os gostos.


Muito polivalente, a "R" pode ser utilizada todos os dias e em todas as situação, com as devidas limitações impostas pela escassa proteção aerodinâmica. A iluminação é boa e o painel de instrumentos, personalizável, fornece bastante informação. O sistema “sem chave” é um opcional que pessoalmente me encanta, pois permite ligar e desligar a moto, trancar a direção e abastecer de gasolina sem ter que usar chave, já que o sistema funciona através de um comando emissor que basta estar no bolso do blusão. 


Passear com esta “R” pelas estradas de Sintra, num fantástico dia de sol com temperatura amena, foi uma verdadeira terapia que ajudou a ultrapassar o stress da sessão de fotos. E nos dias seguintes, desfrutei realmente da posição de condução relaxada que permite circular devagar a apreciar a paisagem sabendo que a qualquer momento, mal aparecesse uma secção de curvas, bastava rodar punho.



Fiquei ainda deveras impressionado com o desempenho do motor a baixa rotação, que permite, mesmo às1500 rpm, acelerar, ainda que em sexta velocidade, sem me deixar com a sensação de que toda a moto se ia desmanchar. Se algum defeito tivesse que pôr ia para a brecagem, que não sendo pouca, ainda podia ser melhor.

Como avaliação final, diria que esta BMW R1200R é destinada a condutores mais refinados e maduros, que apreciam uma moto "pura e dura" e para quem as prestações dinâmicas são aquilo que realmente importa.


Para além da grande quantidade de opcionais e acessórios de fábrica, existem três versões da “R”: A Basic disponível apenas em Azul,  a Style1, a versão aqui testada com um ar mais desportivo em Branco com o quadro vermelho, e a Style2, mais executiva, disponível em cinzento.


A BMW honra este modelo, considerando-a uma legítima descendente da linhagem iniciada em 1923 com a R32. A evolução passou por fases distintas que originaram modelos emblemáticos como a R100R, a R1100R, e até a versão imediatamente anterior a esta, ainda sem a refrigeração por líquido e que fica para a história como uma das mais bonitas motos da marca: a R1200R Classic de 2012.

Para ficar a saber os preços e as características técnicas deste modelo, clique aqui. Para o poder ver ao vivo e eventualmente fazer um Test Ride, então clique aqui para encontrar o concessionário BMW mais perto de si.

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