KTM 1050 - Aventura garantida

Imagine passar um mês inteiro a ir almoçar e jantar a restaurantes finos e a comer pratos "gourmet" e sobremesas com nomes com mais de 5 palavras. E depois disso, entrar num restaurante rústico e deliciar-se com umas modestas petingas fritas, com açorda e um belo tinto caseiro? Pois bem, esta KTM 1050 Adventure é a petinga com açorda!

andardemoto.pt @ 20-5-2015 12:45:16


Texto: Rogério Carmo   Foto: ToZé Canaveira


Desculpe-me a analogia gastronómica, pode até adaptá-la ao seu gosto pessoal, mas na realidade, desde que me sentei pela primeira vez nesta 1050, na sua apresentação à imprensa internacional, e depois de ter podido desfrutar do cardápio completo que é a sua irmã mais potente (a KTM 1290 Super Adventure) que aprecio a simplicidade e o prazer de condução que ela proporciona.

Livre de complicações, esta 1050 é uma “fast ride”. Basta sentarmo-nos em cima dela, dar arranque, engrenar primeira e dar gás! Intuitiva, equilibrada, divertida, endiabrada, são inúmeros os adjectivos que poderia continuar a utilizar se não parecesse suspeito. Mas a verdade é que a mais modesta moto da família Adventure da marca laranja é um caso sério de eficácia na arte de nos transportar de A para B com a maior rapidez, conforto e segurança.


O motor sobe de rotação com uma alegria contagiante, e apresenta-se muito mais elástico que os demais LC8’s aguentando melhor solicitações a baixos regimes. A caixa de velocidades é literalmente “de sonho”, o accionamento da embraiagem é extremamente leve, a travagem é verdadeiramente potente e a ciclística mantém-se perfeitamente composta mesmo quando abusamos na entrada e na saída das curvas. A resposta ao acelerador é imediata, mas sem ser brusca, mesmo no modo Sport, um dos quatro disponíveis. 


Isto porque, tecnologicamente, a KTM 1050 Adventure é basicamente igual aos modelos mais evoluídos da sua gama, as 1190 e a 1290, tendo sido apenas simplificada, mas com objectivos bem definidos.

Começa por ser mais barata e depois, a sua menor cavalagem torna-a mais apta para os menos experientes (inclusivamente a marca disponibiliza um kit de redução de potência compatível com as especificações da carta A2), é mais económica em termos de consumo, registando um valor de 6,4 litros aos 100km em percurso misto e sem grandes preocupações ecológicas, e o bicilíndrico, bastante acalmado, também irradia muito menos calor para as pernas (e não só) do condutor.

Ainda assim, até às 6000 rpm, as suas prestações mantêm-se praticamente iguais às das versões 1190, acompanhando-as praticamente a par.


Apesar da sua “simplicidade” a 1050 tem embraiagem deslizante, diversos modos de motor proporcionados pelo acelerador electrónico, incluindo um modo “Off Road”, diversas configurações do controlo de tração, e até o ABS, também com diversos modos disponíveis e desligável, é fabricado pela Bosch e apenas não está dotado de MST - o dispositivo que, através de inclinómetros monitoriza e corrige a potência de travagem em curva.

A forquilha é convencional, com jarras mais estreitas e menos complexa, não oferecendo qualquer regulação, mas de uma eficácia inquestionável em qualquer tipo de situação, tal como o amortecedor traseiro, este regulável em pré-carga e compressão, ambos fabricados pela WP e que garantem muito conforto e um bom desempenho mesmo em mau piso.

Quando a inclinamos, ou por outra, quando ela se inclina (já que parece que nos lê os pensamentos), mantém a compostura mesmo em mau piso e com inclinações para lá do razoável, seja em ganchos apertados seja em curvas rápidas.                                               



Em vez de jantes raiadas, a 1050 está equipada com umas jantes exclusivas, muito mais leves, que são um fator decisivo na grande agilidade que demonstra nas mudanças de direcção, a par com as dimensões mais estreitas dos pneus (110/80 na frente e 150/70 na traseira ).

E a jante dianteira continua a ser de 19 polegadas, o que a torna apta para enfrentar qualquer mau caminho (claro que alguns vão dizer que devia ser de raios, mas esta não é uma moto para “profissionais da lavoura” (para isso a KTM disponibiliza a versão “R” da 1190 dotada de jantes de 21 polegadas na frente e 18 na traseira), esta é antes uma moto que não estraga nenhuma aventura apenas pelo facto de o alcatrão ter acabado.

Até porque o curso das suspensões da 1050 (185/190 mm respectivamente na frente e atrás) permite ultrapassar sem problema obstáculos consideráveis, pois também oferece uma altura de 220mm livre ao solo.


A qualidade de construção é a que a marca nos tem habituado, ou seja: elevada, com pormenores que inspiram confiança e demonstram um grande pormenor de acabamento. O equipamento também é de grande nível, com o painel digital navegável a partir do satélite colocado ao alcance do polegar esquerdo, e destacando-se ainda o escape e a ponteira em Inox, a travagem assinada pela Brembo, e uma corrente de transmissão de elevada qualidade. A 1050 ainda tem luz diurna em LED e até os pisca-piscas se desligam automáticamente. 


Em termos de ergonomia, para além de uma posição de condução extremamente confortável, o condutor pode regular manetes, peseiras e guiador para conseguir um conforto acima da média.

O ecrã, regulável manualmente, apesar de não interferir com a linha de visão, oferece um protecção aerodinâmica elevada, conseguindo manter a viseira limpa durante muitos quilómetros, e sem causar turbulência.

A manobrabilidade é elevada, seja no meio do trânsito onde a grande brecagem é um factor muito importante, seja no estacionamento, em que o seu baixo peso permite poupar esforços quando se necessita movê-la à mão.
 

Para completar a lista de predicados, a autonomia também se revela bastante simpática, pois o depósito de 23 litros garante distâncias superiores a 300km, isto se não demorarmos menos de duas horas a cumpri-los.

Foram uns dias bem divertidos os que pude usufruir novamente desta pequena maravilha tecnológica, e se tivesse que tecer alguma crítica, iria seguramente para a falta de descanso central que, numa moto deste tipo, é quase um equipamento de primeira necessidade, apesar de ter que admitir que o descanso lateral é bastante acessível e firme.



Para resumir, esta é uma moto racional, polivalente, capaz de nos levar bem longe e sempre com uma enorme prazer de condução e muita segurança. A diversão está garantida e a aventura também.

Não é barata, mas o nível de equipamento e a sua performance colocam-na num patamar muito elevado, mesmo tendo em conta a feroz e conceituada concorrência.


Se este é o seu estilo de moto, não perca a oportunidade de fazer um Test Ride. Clique aqui para encontrar o concessionário mais perto de si. Para conhecer todos os pormenores técnicos, consulte o nosso catálogo clicando aqui.


andardemoto.pt @ 20-5-2015 12:45:16


Clique aqui para ver mais sobre: Test drives