Teste duplo Kawasaki J125 - Sym GTS 125 - Formosa Tecnologia
A mais vendida maxi-scooter do nosso mercado, a Sym GTS 125, enfrenta a recém chegada Kawasaki J125. Um duelo com origem em Taiwan.
andardemoto.pt @ 7-3-2016 16:57:57
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
Taiwan é um dos grandes produtores mundiais de scooters. A sua experiência vem de longe, desde a década de sessenta, quando então pequenos construtores da ilha Formosa trabalhavam em regime de sub-contratação para grandes marcas japonesas.
A Kymco e a Sym são talvez as mais conhecidas marcas que entretanto se libertaram dos contratos de exclusividade com o Japão, e que começaram a produzir os seus próprios modelos. E se há 10 ou 15 anos, esses modelos pouco mais eram do que cópias de scooters japonesas, hoje em dia estas marcas afirmam-se no mercado à custa de um cada vez maior indice tecnológico de desenvolvimento próprio, tanto ao nível da ciclistica como dos propulsores.
A sua qualidade já há muito atinge padrões bastante elevados, e não é em vão que os números das vendas na Europa continuam a subir, e os grandes construtores mundiais confiam na experiência dos industriais de Taiwan para lhes entregar a produção de componentes, motores ou mesmo até de motos completas.
É o caso desta nova Kawasaki J125 que, apesar de ser desenvolvida sobre a base da Kymco Downtown 125, é produzida em Taiwan com especificações bem próprias, definidas e controladas pelos técnicos de Akashi.
Mas começo pela SYM GTS 125 que praticamente dispensa apresentações. Desde que chegou ao mercado que esta scooter também fabricada em Taiwan tem paulatinamente conquistado adeptos, figurando no topo das tabelas de vendas em vários países europeus.
Referencial em praticamente todos os aspectos, são poucos os defeitos que se podem apontar à SYM GTS 125 EVO. E na verdade, para além da suspensão traseira que podia ser bastante melhor, a qualidade de construção e de acabamentos é muito boa.
Espaçosa, tanto para o condutor como para o passageiro, confortável, excepção feita quando o piso é francamente mau, oferece uma grande capacidade de carga e prestações dinâmicas muito boas a todos os níveis.
O motor desenvolve de forma consistente e linear desde o arranque, os travões são potentes e muito doseáveis e a direcção é bastante precisa, sendo muito estável em curva, mesmo a velocidades perto do limite.
Uma iluminação boa, um painel facilmente legível e com instrumentação bastante completa, boa protecção aerodinâmica, fácil acesso ao depósito de combustível, enfim, basicamente tudo aquilo que é preciso numa moto destinada ao dia-a-dia em ambiente urbano, capaz de nos fazer poupar incontáveis horas de trânsito e muitos euros em gasolina.
Mais imagens da SYM GTS 125
A Kawasaki J125
A Kawasaki J125 acaba de chegar ao nosso mercado. Herda o quadro e alguns componentes da sua “irmã mais crescida” a scooter J300. Mas o seu motor tem apenas 125cc.
Ambas as "J" da Kawasaki são derivadas das plataformas da Kymco Downtown 300, e da Kymco Downtown 125, scooters fabricadas em Taiwan, e também elas um caso de sucesso em alguns mercados europeus, nomeadamente no espanhol onde a Downtown 125 é líder de vendas.
Na Kawasaki o design é refinado, e alguns pormenores são bastante requintados, notando-se a qualidade de construção na ausência de vibrações e de ruidos parasitas.
O variador contínuo exibe especificações próprias, garantindo um arranque mais consistente que distribui a potência de forma muito homogénea até que o conta-quilómetros entre na escala dos 3 digitos.
A suspensão é realmente confortável, conseguindo fazer milagres mesmo nos pisos mais degradados, e garante um comportamento dinâmico muito bom, em curva, em travagem e em manobras a baixa velocidade.
O painel de instrumentos também se apresenta muito legível e bastante completo. Os comandos estão bem colocados e são bastante acessíveis mesmo para mãos mais pequenas.
Mais imagens da Kawasaki J 125
Talvez o aspecto menos positivo da J125 seja o pouco espaço disponível para o condutor. A plataforma dos pés é acanhada e não permite que se estiquem as pernas que na realidade vão demasiado flectidas.
O guiador muito baixo, aproxima perigosamente os joelhos dos pulsos, contribuindo para uma posição de condução muito limitada para as estaturas mais altas.
Pelo contrário, as estaturas mais baixas irão encontrar o assento demasiado alto e largo para conseguirem plantar ambos os pés firmemente no chão, algo fundamental quando se tem que manobrar uma máquina com perto de 180 kg.
Em comparação
Tanto a Kawasaki J125 como a SYM GTS 125 Evo são scooters muito fáceis de conduzir, cujos motores se mostram ao mais alto nível de desempenho, e de fiabilidade.
Oferecem também ciclísticas bastante apuradas, e estão equipadas com as mordomias que uma utilização urbana diária exige, como tomada de 12V, porta bagagens iluminado, descanso central, espelhos retrovisores com muito boa visibilidade e boa arrumação. No capítulo da protecção aerodinâmica a SYM GTS leva alguma vantagem devido ao ecrã mais elevado.
E a verdade é que mesmo qualquer motociclista experiente e habituado a “grandes motões” não fica indiferente aos predicados de qualquer uma destas scooters, seja no meio do congestionado trânsito urbano, seja num relaxante passeio ao fim de tarde ou de semana.
Para além da marca e das linhas de design mais refinadas da Kawasaki, sobretudo nesta versão especial com pintura negra e graficos em verde, a grande diferença de preços entre estes dois modelos é justificada pelo comportamento da ciclística e pelo conforto acrescido que a sua suspensão oferece.
A travagem da Kawasaki também é de um nível ligeiramente superior ao da Sym, sendo mais potente e doseável. Mas em termos de motor praticamente não há diferenças entre as duas. Pelo menos foi o que conseguimos apurar após termos, por várias vezes, submetido as duas scooters à rigorosa ciência do picanço.
A Sym apresentava uma ligeira vantagem no arranque, mas a reduzida quilometragem da Kawasaki augura que, até terminar a rodagem, a J125 deve ficar a responder de igual forma. Mas a Kawasaki oferece uma maior confiança na entrada em curva e a manobrar a baixa velocidade.
Se está na dúvida entre qual escolher, ou recomendar, o melhor mesmo é passar nos concessionários da marca e fazer um "teste ride".
andardemoto.pt @ 7-3-2016 16:57:57
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