Teste Harley-Davidson Softail Slim S - Operação Binário

São mais de 1800cc, capazes de debitar uma potência avassaladora, instalados numa simplicidade de linhas capaz de matar de paixão qualquer amante de cruisers.

andardemoto.pt @ 15-7-2016 00:57:57

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Texto: Rogério Carmo     Foto: ToZé Canaveira
                           
A Slim S que aqui lhe trazemos desta feita, é mais do que uma Softail. É um marco histórico. O seu estilo "bobber" clássico com pneus “gordos” e estreitos e guiador de inspiração retro, que evoca as motos modificadas e simplificadas da década de 1940, esconde no seu âmago (por ser uma nova versão “S”) um motor Screamin’ Eagle de 110 polegadas cúbicas. 

Este propulsor até agora só usado nas mais recentes versões CVO, com mais de 1800cc, é capaz de debitar um binário avassalador de 136 Nm, tão cedo quanto as 3.000 RPM, e oferece um desempenho que, quem se deixar entusiasmar, vai consumir todos os pontos da carta de condução antes até de dar por isso.

Não é certamente em vão que, na sua gama de 2016, a Motor Company de Milwaukee introduz este e mais 2 modelos com esta nova motorização (uma Fat Boy e uma Low Rider). Será muito provavelmente para se defender de eventuais argumentos que possam surgir quando confrontada com o motor Thunder Stroke 111 da sua mais directa e recente concorrência, que oferece valores semelhantes (138.9 Nm às 2.600 RPM).

Mas este motor é mais do que uma estratégia de defesa. Apesar dos escapes “street legal”, o som do “V-Twin” apresenta um registo límpido, sem ressonâncias nas notas graves nem reverberação ou vibrações parasitas nos regimes mais elevados. Aliás, este motor prima por um “feeling” referencial em qualquer regime, consequente com a resposta dinâmica que também impressiona pela grande capacidade de aceleração.


Seja qual for a razão, e tendo em conta que esta versão de maior cilindrada custa apenas cerca de mais 2.000€ que a Softail Slim normal, este motor “enche as medidas” de quem, pretendendo andar legal em termos de nível de ruído, gosta de sentir o “bombar” dos pistões… e acelerar até velocidades que ninguém consegue desconfiar, olhando para o seu aspecto! 

A Slim, distingue-se no catálogo da marca, também pela sua agilidade e simplicidade de linhas. Apesar de o peso de 321kg em ordem de marcha se fazer sentir nas manobras, e nas travagens a alta velocidade, o seu assento a apenas 650 mm do solo proporciona um centro de gravidade muito baixo que, aliado aos pneus estreitos, garante uma grande facilidade de inserção em curva, e muita leveza na mudança de direcção.

Mas a travagem é de muito bom nível, potente e incansável, acusando apenas as leis da física a velocidades que é melhor não mencionar aqui porque a maioria nem sequer ia acreditar. Com um ABS bastante evoluído e pouco intrusivo, tanto a manete como o pedal conferem bastante sensibilidade e uma dosagem muito aceitável.

As suspensões são francamente melhores do que as de outros modelos da Harley-Davidson, mas ainda assim com a traseira a padecer de uns hidráulicos pouco eficazes. Já a forquilha mostra-se sólida e absorve melhor as irregularidades do piso, apesar de estar longe de ser referencial.


Passando ao lado estético, esta Softail Slim S em Olive Gold Denim é linda de morrer. Um facto comprovado pelos incontáveis virares de cabeça, abordagens e comentários que testemunhei e de que fui alvo ao longo das quase duas semanas em que a pude orgulhosamente ostentar.
                           
É realmente uma verdadeira escultura sobre rodas, com o assento "solo" rebaixado, a minimizar a traseira que contrasta com o grande volume da frente, onde o enorme farol redondo e negro confere uma atitude verdadeiramente intimidante.

A consola “olho de gato” incorpora um mostrador “old school” e está colocada no meio do novo depósito, o que contribui para um estilo ainda mais “retro”. Toda a silhueta é dominada pelo negro. Motor, primário da transmissão, filtro de ar e buzina, rodas, forquilha guiador e comandos são lacados a preto, e apenas os raios das rodas e as arestas das aletas de dissipação do motor Screamin’ Eagle Twin Cam 110B mostram a cor do aço, num contraste de brilhos muito bem conseguido. 

As plataformas dos pés em meia-lua conferem estilo, mas são nitidamente nefastas (e consumidas) em percursos de curvas, onde fica a sensação que, em podendo, a ciclística iria continuar a manter-se inabalável  muito para lá dos 25º de inclinação máxima permitida.


Com esta garbosa máquina tive oportunidade de ir até Braga, ao encontro anual da Harley Davidson no passado mês de Junho, e voltar a Lisboa em jeito de “road trip”, pelas estradas recônditas do nosso belo país, e após cumprir quase 2.000 km, não posso deixar de confessar a minha admiração pelo desempenho do conjunto.

O “cruise control”, um brinde que vem com estas versões dotadas de acelerador electrónico (RbW), revelou-se um aliado nos troços mais monótonos, e o sistema de segurança inteligente que prescinde da chave e liga ou desliga automaticamente os sistemas de arranque e o alarme apenas pela aproximação do “comando” à moto, é um descanso para os mais despistados que, como eu, nunca sabem onde meteram a chave.

Apenas a pouca “simpatia” do assento merece um reparo: - não havia necessidade! Um enchimento com gel, ou com algum material mais próprio, iriam garantir o mesmo aspecto e um conforto acrescido. Até porque parece ridículo que a H-D tenha querido poupar num mero estofo, numa moto deste preço! 

Mas no final, bem pesados os diversos prós e contras, se tivesse €spaço, tinha ficado com ela na garagem! 

Um pouco de História


Foi no ano de 1984 que o mundo viu nascer a primeira “Softail”. Obra do génio de Bill Davis, um fã da marca formado em engenharia que, desde os meados dos anos 70 do século XX, desenvolvia um quadro de moto dotado de uma suspensão que replicasse o aspecto dos ancestrais modelos da marca, que ainda careciam de suspensão na roda traseira, e que pelo facto apresentavam linhas muito baixas ao nível da traseira.

Desde então vários modelos de sucesso têm ostentado a suspensão inventada por Davies, que para além do que já foi dito, ainda permite instalar o depósito de óleo do motor por debaixo do assento, o que confere uma ainda maior definição de linhas:

Softail Standard, Softail Custom, Springer Softail, Heritage Softail, Heritage Springer, Night Train, Deluxe, Deuce, Fat Boy, Softail Slim, Dark Custom Cross Bones, Dark Custom Blackline e mais recentemente a Breakout, baseiam as suas linhas na mesma configuração de quadro sem amortecedores à vista.


andardemoto.pt @ 15-7-2016 00:57:57


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