Teste Volta BCN City - Receita perfeita

Uma moto eléctrica fabricada em Barcelona, que é a mais lógica e racional proposta de mobilidade sustentada que tivemos oportunidade de testar até hoje.

andardemoto.pt @ 30-1-2017 20:39:48

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Texto: Rogério Carmo        Foto: ToZé Canaveira
                           

Leve e fácil de conduzir, com potência contida no arranque, mas resposta efectiva em andamento, travagem adequada, confortável, ergonómica, a oferecer uma boa capacidade de carga e compatível com carta B, pois é equivalente a uma 125cc, a Volta BCN City tem os argumentos que até agora faltavam a outras propostas eléctricas.

Apresentada no Salão de Milão de 2011, a Volta BCN City foi completamente desenvolvida em Barcelona e apresentava-se como um projecto de mobilidade sustentável, combinando um design desportivo com inovação tecnológica, destinada ao dia-a-dia nos centros urbanos,  oferecendo uma elevada mobilidade e praticidade.

A sua condução revela-se bastante dinâmica, e o motor disponibiliza 3 modos de potência: dois específicos para garantir uma autonomia elevada, e outro para potenciar o prazer de condução. 

E se o modo “ECO” obriga a uma atitude “zen”, o modo “SPORT” permite uma condução despreocupada, com potência mais do que suficiente para escapar ao trânsito, conseguindo-se arranques bastante vivos e uma velocidade máxima a rondar os 120km/h, sempre com uma performance superior à de uma moto “normal” equivalente. 


Isto porque a Volta BCN City, com o seu motor de 11Kw, consegue valores de binário muito interessantes, a rondar os 70Nm, para além de permitir picos de potência de 25Kw, que fazem toda a diferença nos arranques e nas retomas.

(Para ficar com uma ideia mais clara, a KTM Duke 125, uma das mais rápidas da sua classe, debita os mesmos 11 Kw equivalentes a 15cv - o máximo permitido para poder ser conduzida com carta B - mas o seu binário máximo é de apenas 12Nm. Com um binário de 70Nm equivalente ao da Volta BCN City, podemos identificar, por exemplo, outra moto que testámos recentemente: a Kawasaki Z650).

O motor eléctrico que equipa a Volta BCN City é de escovas, e funciona a corrente contínua, uma opção mais económica do que os motores sem escovas, normalmente usados noutras motos eléctricas. A vantagem dos motores com escovas, além do seu preço inferior, consiste no facto de exigirem um sistema de controlo electrónico muito mais simplificado, garantindo ainda um grande controlo de velocidade a baixa rotação.

O funcionamento silencioso, típico de um motor de indução e a ausência de vibrações, potenciada por uma transmissão final provida de correia dentada, causam a sensação de se flutuar no asfalto.

A ausência de caixa de velocidades e de embraiagem, permite que toda a atenção seja posta no trânsito, um factor importante para aumentar a segurança, sobretudo dos condutores menos experientes.


Em termos de baterias, a Volta optou por um conjunto compacto, em polímeros de lítio, com uma capacidade de 3Kwh,que garantem uma autonomia média de 70km.

Recarrega numa tomada normal de 220V, em cerca de 2 horas. Para o efeito, a Volta BCN City vem equipada com carregador interno, e um cabo de 2 metros de extensão dotado de tomada “schuko”, que se arruma debaixo do assento do passageiro.

A marca garante que, mesmo depois de cinco anos de cargas diárias, equivalentes a 2.000 ciclos de carga, ou 75.000km, as baterias ainda armazenam 80% da sua capacidade inicial.

A ergonomia é quase perfeita, sendo a posição de condução bastante reactiva, com as pernas flectidas mas sem obrigar a esforço, e o assento, a cerca de 805mm do chão, é bastante estreito, facilitando a vida aos condutores de menor estatura, e oferece um apoio perfeito.

Os travões, em jeito de scooter, com a manete da esquerda a actuar sobre a roda traseira, são potentes e bastante doseáveis.

A direcção é leve, apenas pecando por uma brecagem relativamente escassa, que se nota sobretudo em situações de trânsito compacto.


A suspensão é bastante confortável, e reage bem aos pisos mais degradados. A forquilha da roda da frente é uma Marzochi, de colocação invertida, e o amortecedor traseiro, instalado no centro do bonito braço oscilante de alumínio fundido, oferece regulação de pré-carga. 

Manobrar com a Volta BCN City é quase desconcertante. O seu peso de apenas 130kg, em conjunto com o centro de gravidade muito baixo e uma distribuição de pesos quase exemplar, tornam as manobras muito fáceis, tanto à mão, como a baixa velocidade (quando se conta também com a ajuda da suavidade do acelerador).

Em andamento, pode-se contar com a ajuda de um limitador de velocidade, accionável facilmente e que pode ser bastante útil para evitar descuidos em zonas de radares de velocidade. 

No dia-a-dia, o porta-bagagens existente no espaço em que convencionalmente está colocado o depósito de combustível, à semelhança das Honda NC750, revela-se de enorme conveniência. Além de albergar sem dificuldade um capacete integral, é iluminado e disponibiliza uma tomada USB.

Por falar em iluminação, todos os farolins da Volta são em LED, e apenas o farol é equipado com lâmpada incandescente.

A Volta ainda disponibiliza uma APP que permite aceder a diversos dados sobre a moto. No caso da City, a ligação com o "smartphone" é feita via Bluetooth.

Para além da versão City, a Volta ainda disponibiliza a versão Sport, que apresenta a mesma funcionalidade multimédia, mas via internet, que aumenta as potencialidades da APP, já que também integra o posicionamento via GPS.

A versão Sport difere da City sobretudo em questões de acabamento, com mais peças em alumínio, um esquema cromático mais "racing" e equipamento de travagem mais potente. O modo Sport também debita mais potência.


A Volta BCN já está no nosso mercado, e além de um preço perfeitamente razoável, de 9.215,00€ apresenta outras vantagens que a tornam um investimento interessante, já que o consumo de electricidade ronda os 0,5 euro/100km, e os custos de manutenção resumem-se a pneus e pastilhas de travão.

Os habituais "haters" dos veículos eléctricos vão seguramente criticar a falta de autonomia, e as duas horas que é preciso para atestar a bateria com electrões, no entanto, quem precisar de elevada mobilidade a baixo custo, para deslocações essencialmente urbanas, vai fazer contas e perceber as muitas vantagens deste conceito.

De todas as motos eléctricas que já tive oportunidade de testar, desde a super-desportiva Energica EGO cujo teste pode ver clicando aqui, até à scooter eléctrica da BMW, e passando por outras scooters e motos com motores de indução, esta é a primeira moto eléctrica que realmente me deixa completamente convencido. Desde o preço à extrema leveza, ela surpreende em todos os aspectos.
                            
Para saber mais sobre as BCN City e Sport, ligue-se ao site da Zevtech, o importador oficial da Volta para Portugal (clique aqui)

andardemoto.pt @ 30-1-2017 20:39:48


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