Teste BMW RnineT Urban GS - Aventura Retro

A moda das “clássicas modernas” veio para ficar. O charme vintage, aliado a prestações e desempenho actuais, conquista o coração dos motociclistas veteranos, e não só. A mais recente a chegar ao mercado é precisamente esta RnineT, inspirada na mítica R80G/S vencedora do Dakar.

andardemoto.pt @ 18-12-2017 19:21:41 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp

Faça uma consulta e veja caracteristicas detalhadas:

BMW R nineT Urban G/S | Moto | Heritage

A RnineT original remonta a 2013. Foi a pioneira da gama “Heritage” da marca bávara. Aproveitava o motor boxer de 8 válvulas e de dupla árvore de cames à cabeça, acionadas por corrente, que deu à GS a sua fama de incansável aventureira, instalado num novo quadro, que abandonava o Telelever e o substituia por uma suspensão convencional, de forquilha invertida, originária da superbike BMW S1000RR.

O seu grande argumento era a capacidade de personalização, que permitia aos seus proprietários, mesmo aqueles com poucos dotes para as ferramentas, conseguirem, na sua garagem, personalizar a sua moto, pelo que tinham à disposição um alargado catálogo oficial de opcionais que se propunham agradar as todos os tipos de utilizador.

No entanto, isso não impediu que a BMW não tomasse nas próprias mãos a tarefa de “inspirar” a sua clientela. Pouco depois, em 2015, apresentou a estonteante Scrambler (cujo teste que então fizémos pode ver se clicar aqui) e em 2016 apresentou a Pure, uma versão mais polivalente da Scrambler e a Racer, uma lindíssima moto de inspiração Cafe e posição de condução radical (cujos testes pode também ver se clicar aqui).


A mais interessante versão da RnineT chega porém este ano ao mercado. Disponível nos concessionários mesmo antes da época das férias, a Urban G/S, com as suas linhas inspiradas nas da mítica R80G/S dos anos 80, vencedora do Dakar por 3 vezes (1981, 1983 e 1984) e que também já foi alvo da nossa atenção nestas páginas (clique aqui para ver o artigo), tem provado ser um sucesso de vendas.

A mais recente RnineT é muito mais do que um exercício de estilo, ou uma evocação histórica. A Urban G/S é, acima de tudo, uma moto confortável, espaçosa, divertida de conduzir, eficaz em qualquer tipo de utilização e dona de uma qualidade de construção impecável.

As suas linhas, fortemente marcadas pelo guarda-lamas frontal generoso e elevado, e pelo pequeno apêndice aerodinâmico que envolve o farol, são realçadas por uma pintura branca inspirada na imagem da BMW Motorsport, que é realçada pela cor negra do quadro, do motor e do paralever, o conjunto que incorpora o mono-braço oscilante e o veio de transmissão.


A sua ergonomia perfeita, promovida por um guiador largo, e muito espaço para o condutor poder manobrar, a par com a relativa pouca altura ao solo e com a grande leveza e sensibilidade dos comandos, tornam-na muito fácil e agradável de conduzir. 

O motor bicilíndrico boxer, refrigerado a ar, de 1170cc, debita uns muito saudáveis e solícitos 110cv de potência, e é assistido por uma caixa de velocidades de funcionamento irrepreensível, que eleva o prazer de condução para outro nível. A tudo isto, acresce a inspiradora sinfonia emitida pelo escape de ponteira única, e a perfeita resposta do motor ao acelerador. O ASC, o sistema de controlo de tracção é opcional.

Na ciclística, o quadro modular que utiliza o motor como elemento estruturante garante uma rigidez inabalável, a par com o excelente desempenho das suspensões, que oferecem um curso de 125mm na frente e 120mm na traseira. Nesta versão, a forquilha invertida foi por razões óbvias substituída por uma forquilha convencional, provida de foles na zona onde as bainhas entram nas jarras, por forma a aumentar a longevidade e a eficácia, quando se lhe exigir que conviva com caminhos de terra.


A Urban G/S conta ainda com uma travagem referencial a cargo de material Brembo, em ambos os eixos, que conta com discos de 320mm e pinças monobloco de 4 pistões na roda dianteira. O ABS é desligável.

Os mais atrevidos, podem confiar nas jantes de raios cruzados, sendo a dianteira de 19 polegadas,  que podem calçar pneus cardados, e fazerem-se ao caminho, sem necessitarem do asfalto para nada. Para isso, também contam os poisa pés e o pedal do travão traseiro serrilhados, para garantir uma perfeita aderência da bota, sobretudo em ambientes escorregadios.

Se é certo que na ficha técnica a Urban G/S acusa uns expressivos 221kg, também é certo que o seu centro de gravidade, extremamente baixo, mitiga esse facto, enquanto que proporciona uma elevada confiança em pisos menos firmes, e em manobras a baixa velocidade.

O painel de instrumentos de inspiração retro, apesar de minimalista consegue transmitir toda a informação básica necessária a uma utilização normal, e além das funções básicas de conta-quilómetros e totalizadores parciais, informa sobre as horas, a mudança engrenada, a autonomia, o consumo e a velocidade média.


Dependendo do espírito, o consumo também varia bastante, e os 17 litros de capacidade do depósito de combustível, garantem uma autonomia que pode variar entre os 300km anunciados pela marca (em cálculo teórico) e os 170 que registei durante o teste.

Obviamente que sou completamente incapaz de resistir ao desempenho deste boxer, e os arranques 0-100 km/h em menos de 4 segundos são uma tentação. A Urban G/S tem uma velocidade máxima que ronda os 200km/h, e tendo em conta a escassa protecção aerodinâmica isso faz todo o sentido. Até porque, importante mesmo, é a rapidez com que se lá chega, e nisso ela não nos desilude minimamente.

Mas a Urban G/S é sobretudo uma moto polivalente, que permite uma utilização diária, até mesmo urbana, sendo também uma opção viável para viajar. Confortável, ágil e fácil de manobrar, com o motor bastante elástico e os comandos dóceis, permite longas tiradas em qualquer tipo de condução e por qualquer caminho. Apenas a intempérie pode estragar os planos de qualquer aventureiro, já que a escassa protecção aerodinâmica vai-se fazer sentir, sobretudo a baixas temperaturas, ou sob chuva intensa.

A versão testada contava com alguns equipamentos opcionais como os Coletores de Escape Cromados (95,00 €), Punhos Aquecidos (225,00 €), Luzes de Pisca em LED (125,00 €), ASC (Controlo de Tração) (340,00 €) e Jantes de Raios Cruzados (420,00 €), que perfazem um valor total final de 15.573,82€.

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção:

Faça uma consulta e veja caracteristicas detalhadas:

BMW R nineT Urban G/S | Moto | Heritage

andardemoto.pt @ 18-12-2017 19:21:41 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira


Clique aqui para ver mais sobre: Test drives


Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp