Teste Aprilia Dorsoduro 900 2017 - Espírito Irrequieto

A mais irrequieta das Aprilia já chegou a Portugal e promete sensações fortes e muita diversão a qualquer motociclista que pretenda sobretudo uma mobilidade muito, mas mesmo muito, divertida!

andardemoto.pt @ 14-1-2018 15:05:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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aprilia Dorsoduro 900 | Moto | Motos

Confesso que não sou grande fã do género supermotard. Aprecio o conceito de elevada manobrabilidade, a grande capacidade de ultrapassar obstáculos e o conforto da suspensão. Mas a posição de condução e a falta de protecção aerodinâmica que geralmente é oferecida por estas motos, sempre me deixou bastante descontente. Por isso, e apesar das linhas estonteantes, olhei com algum desdém para a nova Aprilia Dorsoduro 900 que chegou ao nosso país em finais de 2017.

Já conhecia bem a antiga Aprilia Dorsoduro 1200, que é uma moto completamente insana e pouco recomendável a quem não tiver muita experiência ou a quem quiser manter a carta de condução no bolso, assim com também já tinha tido oportunidade de testar a versão de 750cc que, não deixando de ser uma boa moto, carecida de algum “picante” que justificasse as desvantagens da ausência de protecção aerodinâmica, de uma ergonomia um tanto exigente e de uma resposta demasiado “carismática” a baixos regimes, a que no entanto faltava algum “salero” a alta rotação.

No entanto, com esta nova Dorsoduro 900, mal pus o motor a funcionar, senti assim algo… que não se consegue explicar!
A começar no som que me “cantou” aos ouvidos, e na posição de condução bastante mais civilizada, passando pelo tacto preciso e sólido dos comandos e pela quase alucinante resposta ao acelerador, foram factores que me fizeram dar-lhe o benefício da dúvida.

O arranque do primeiro semáforo foi uma provocação imediata aos meus instintos de motociclista. Mas foi a primeira, e logo de seguida a segunda passagem de caixa, que me deixaram imediata e completamente rendido ao novo V2 a 90º  da marca de Noale. 

Na chegada ao segundo semáforo, a agilidade com que consegui passar entre os "enlatados" e a facilidade com que consegui colocar-me na primeira fila da grelha, ou antes, da via, acabou por me convencer completamente.

O arranque, mal caíu a bandeira, ou antes a luz verde, já foi feito com um à-vontade típico das grandes intimidades, com reservas morais apenas sobre um eventual defeito escondido sobre a ciclística, toda ela registada na ficha técnica com componentes de gabarito.

Por isso aproveitei a pequena e nivelada recta, mais do que suficiente para entrar em contravenção, para embalar e testar sériamente a travagem, logo ali, no “nosso” terceiro semáforo. Tudo estragado! Um caso sério de paixão, com um misto de luxúria desesperada e romantismo barroco, pendia sobre o meu capacete. O vermelho desta vez durou uma eternidade! 

Com a luz verde, larguei a embraiagem já com o pensamento toldado pelo som dos escapes, com a roda da frente a flutuar no asfalto, a pensar se arriscava olhar para o painel de instrumentos e tentar perceber qual o nível de intervenção que estava programado para o controlo de tracção, ou se enfrentava a próxima rotunda com os 5 sentidos em alerta vermelho, à espera que os pneus fossem realmente tão aderentes quanto tinham parecido na travagem anterior. 

Veja a Aprilia Dorsoduro 900 em pormenor:


Um pouco de cautela, uma provocação no acelerador, já em ângulo, a resposta exemplar da suspensão, um ligeiro toque no travão de trás, mudança de direcção, enrolar o punho, apontar à saída e pronto: Tudo estragado! Mesmo!

Esta Aprilia Dorsoduro 900 deu-me efectivamente a volta. O resto do dia, e nos dias seguintes, uns bons quilómetros de “alegre convívio” tornaram-nos bastante íntimos. Sinceramente só espero que tenha sido tão bom para ela, como foi para mim! Este novo modelo da marca desportiva do grupo Piaggio foi efectivamente uma agradável surpresa.

Desde que foi anunciada, juntamente com a sua “irmã” Aprilia Shiver 900 que também já tivemos a oportunidade de testar, (clique aqui para ver), com quem partilha o quadro, o motor e alguma da ciclística, que a marca italiana a definia como uma “Thrill Generator”  algo que se traduz como “geradora de emoções”.

Efectivamente, apesar de relativamente modesta em termos de potência declarada (afinal o que é que são, nos dias de hoje, 95 cavalos?), a Dorsoduro 900 é uma verdadeira “desbunda”, com motor mais do que suficiente para qualquer situação (notar que andar acima dos 180km/h, a direito, não é definitivamente a vocação desta moto), e uma ciclística extremamente competente, capaz de digerir e dominar o impulso que os 90Nm de binário são capazes de imprimir!

Por outro lado, a grande vantagem deste novo V2, com exactamente 896,1cc é o seu carácter dócil a baixa rotação. Nem parece (mesmo!) um motor em V. Os técnicos do Reparto Corse Aprilia envolvidos neste processo de desenvolvimento fizeram efectivamente um excelente trabalho.

A centralina Marelli 7SM, que trabalha em conjunto com o novo sistema de acelerador eletrónico Ride-by-Wire com 3 modos de débito de potência (Sport, o mais responsivo, Touring mais moderado mas igualmente a disponibilizar a potência máxima e Rain, este com a cavalagem reduzida para uns ”escassos” 70cv, mas com uma resposta ao punho direito muito parcimoniosa), oferece uma resposta imediata e sem hesitações a qualquer regime.

O controlo de tracção, também ele regulável (e desligável), transmite uma confiança elevada, sobretudo nos pisos mais “manhosos”. Na prática toda esta tecnologia reverte a favor de uma utilização muito agradável a baixa velocidade, mesmo no meio de trânsito intenso, ainda que com piso molhado.

Também a brecagem é bastante boa, e a altura do assento, 870 mm, conta com a estreiteza do formato para proporcionar um bom acesso dos pés ao chão, facilitando as manobras e aumentando a confiança em pisos mais desnivelados.

A suspensão é simplesmente deliciosa, capaz de fazer parecer que o alcatrão ou foi engomado, ou que estamos na Suiça, e o assento, apesar de deixar espaço mais do que suficiente para manobras radicais, é bastante condescendente com o fundo das costas.

O guiador largo proporciona uma posição confortável, consequente com o triângulo ergonómico que confere um suporte suficiente para aguentar os arranques e as travagens exagerados. Além do mais, e apesar de não parecer, a aprilia Dorsoduro 900 consegue proporcionar uma boa envolvência, e a protecção aerodinâmica, longe de se poder considerar perfeita, garante algum conforto a alta velocidade.

E a travagem é potente! E a mordida inicial, que sem qualquer esforço faz descolar do chão a roda traseira, enquanto permite uma dosagem micrométrica da manete, é de uma consistência completamente irrepreensível. Mesmo quando muito abusada, mostra-se incansável, nunca apresentando o mínimo sinal de fadiga, mesmo após numerosas, sucessivas e exageradas travagens em estrada de montanha, apenas para poder desfrutar da eficácia das pinças de 4 pistões que mordem os discos flutuantes de 320 mm. 

Dizem no “press kit” que a principal razão está nas tubagens em malha de aço, de origem aeronáutica, capazes de suportar elevadas pressões e temperaturas, sem sofrerem qualquer dilatação (um dos factores responsáveis pela diminuição de rendimento (fading) dos travões, sob utilização intensa. A travagem conta ainda com a assistência anti-bloqueio, promovida por um ABS Continental de 2 vias.

A agilidade do conjunto é enorme, mostrando-se a Aprilia Dorsoduro 900 muito intuitiva, tanto na entrada como na saída das curvas, promovendo sempre uma enorme confiança, sendo bem suportada por uma suspensão com um curso de 160mm que, além de confortável, apresenta em simultâneo um comportamento muito firme em curva, e um afundamento bastante controlado da forquilha regulável Kayaba, sob forte travagem.



A iluminação é suficiente para seguir qualquer risco branco na estrada, e o comutador de máximos e médios está ao alcance do indicador esquerdo (como deveriam ser todos), mas podia ser melhorada, já que em andamentos mais rápidos, numa estrada sinuosa, o feixe de luz do farol parece hiperactivo, alumiando muito pouco do interior das curvas.

No entanto, o painel de instrumentos em LED é facilmente legível e fornece um elevado nível de informação, com gráficos “avant guarde” e cores vibrantes. Os menus de configuração dos diversos sistemas são intuitivos fáceis de utilizar.

Os consumos, durante os mais de 600km que durou este teste, mantiveram-se perto dos 7l/100km, mas tendo em conta que o V2 não foi de forma alguma poupado, será possível diminuir significativamente os consumos, desde que se cometa o sacrilégio de fazer uma condução do tipo "Driving Miss Daisy".

Tal como a generalidade das Aprilia, a Dorsoduro 900 tem instalada uma plataforma multimédia, com conectividade Bluetooth ao "smartphone", que permite ao motociclista uma experiência de condução mais completa, através da recolha de dados que permitem analisar, e partilhar, os passeios mais memoráveis, de forma simples e prática.

Resta acrescentar que a Aprilia Dorsoduro 900 está também disponível na versão de 35 kw, destinada aos titulares de carta A2.

Conclusão:

Por isso, se pretende uma moto para o dia-a-dia, e não só, capaz de proporcionar emoções fortes e um elevado prazer de condução, com algum conforto e capacidade de transportar um passageiro, e se não se importar de carregar os seus pertences numa mochila, já que a configuração da Dorsoduro não se adequa à instalação de malotes (seria outro sacrilégio), então não deixe de se deslocar a um concessionário Aprilia (clique aqui para ver qual está mais perto de si), e marcar um test-ride. 

Equipamento:

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:


Capacete Nexx SX.100 Orion

Blusão RSW City

Luvas RSW MSL – 009

Botas Falco Axis 2.1

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