Teste Kawasaki Z900RS - Viajar no tempo

Uma moto que reinventa o conceito neo-clássico, com linhas puras e cativantes, e uma condução excelente sob todos os pontos de vista. 

andardemoto.pt @ 6-2-2018 00:07:02 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Rui Jorge

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Kawasaki Z900 RS 2018 | Moto | Sports

Enquanto as bucólicas paisagens do Douro vinhateiro desfilavam através da aragem fria de uma soalheira manhã de inverno, os meus pensamentos perdiam-se na complexa evolução histórica do motociclismo, e na dependência intrínseca que o ser humano tem pelas modas, que em frequentes casos o obrigam a prescindir do conforto em prol de uma identificação com diversos sentimentos colectivos.

Pelo contrário, enquanto a beleza do rio Douro se ia desenrolando curva após curva, encontrava-me bem sentado, numa posição elevada que não sobrecarrega os pulsos, com as pernas flectidas numa medida justa que permite um excelente controlo da direcção e um bom suporte para a aceleração, com os comandos a caírem perfeitamente nas mãos e nos pés.

Aconchegado por um assento muito agradável, os primeiros quilómetros iam decorrendo em ritmo muito contido, sobretudo para evitar surpresas escondidas no asfalto ainda húmido.

Apenas o ronco delicioso do motor da nova Kawasaki Z900RS me trazia esporadicamente à realidade, e quase me forçava a atitudes conscientes tão básicas como engrenar uma mudança a menos do que seria necessário, apenas para desfrutar da belíssima música emitida pelos 4 cilindros, através do esculpido escape cromado.

As familiares curvas da N222 sucediam-se, e levavam-me embalado numa espécie de torpor criogénico, apenas entrecortado por breves sessões de fotos.  À chegada à ponte do Pinhão o esplendor do dia e um café quente relegaram o frio para segundo plano, e a minha atenção pendia sobre as esbeltas linhas desta moto que insistia em trazer-me à memória tempos passados.

O depósito “tear drop”, bojudo, em forma de gota, inspirado no da mítica Z1, que remonta aos anos 70 do século passado e que foi a primeira tetracilíndrica a 4 tempos da marca, predecessora da bem sucedida família Z da Kawasaki, define toda a linha estética desta nova “neo clássica”, sendo o mote inspirador para a criação deste novo modelo, que inclusivamente obrigou os engenheiros de Akashi a redesenhar o quadro da Z900, que serve de base à RS, para o acomodar no conjunto. 

A par com essa alteração, ligeiras modificações foram ainda levadas a cabo para proporcionar uma posição de condução mais ao estilo do inesquecível “jingle” publicitário da marca: “let the good times roll”, sendo que o guiador largo, cromado, em muito contribui para melhorar também a experiência de condução.


Por outro lado, as jantes de alumínio fundido, de desenho muito leve, num padrão cruzado a imitar raios, o guarda lamas traseiro do tipo “duck tail” (cauda de pato), o grande farol redondo, em LED como toda a iluminação, e os reflexos na pintura metalizada Castanha e Laranja da versão mais cara (a Special Edition - modelo que foi disponibilizado ao grupo de jornalistas presentes nesta apresentação organizada pelo importador da marca para o nosso país, a Multimoto), representam pormenores de extremo cuidado que, a par com a boa qualidade de construção não passam despercebidos.

O tacto dos comandos é firme, a cablagem está bastante bem dissimulada, as soldaduras do quadro são de muito bom nível, e não há ruídos parasitas a apontar. O painel de instrumentos é sóbrio, de inspiração retro, mas integra um discreto painel LCD que disponibiliza informação bastante completa. E nem o motor é excepção, com as suas linhas muito limpas, e a mostrar aletas de refrigeração “à antiga”, como se fosse refrigerado a ar.

Depois de regalar a vista, os outros sentidos ansiavam também por alguma emoção, e foi já na N323-3, a subir para Favaios, que os pude saciar. Primeiro com a repetição de algumas curvas rápidas, em “pose” para as fotos (algumas das que ilustram este teste), e depois, em busca do prometido almoço, a caminho de Murça!

A ritmos pouco recomendáveis, o comportamento da Z900RS mostrou-se soberbo a todos os níveis. Com a adição do controlo de tracção (algo de que a Z900 normal carece), que é regulável em dois modos e que também pode ser desligado, abre-se todo um novo mundo em termos de condução, permitindo explorar ao máximo e fácilmente a precisão da direcção, a eficácia da suspensão, a potência da travagem, e a excelente resposta do motor.

A caixa de velocidades é extremamente suave e precisa, e a embraiagem “slip & assist” (deslizante e assistida para tornar a manete extremamente leve) é quase dispensável em andamento.

A potência é sempre suficiente, em qualquer regime, e a menos que se queira ouvir o motor a “cantar”, a sexta relação de caixa é suficiente para nos levar a qualquer lugar. Mesmo em retomas, o binário disponível (cerca de 100Nm às 6.500rpm) é suficiente para proporcionar um passeio descontraído. Claro que os 111cv que reclama, mostram o seu encanto a regimes mais elevados, e com a rápida subida de rotação dá um enorme prazer “esticar as mudanças” e ouvir o ronco do motor.

A resposta ao acelerador é pronta, e caso fosse necessário apresentar algum ponto menos agradável, seria indiscutivelmente o excesso de sensibilidade do acelerador a baixo regime, facto que requer alguma habituação inicial mas que, ao mesmo tempo, acrescenta algum carisma e carácter a uma moto de inspiração retro.


Os consumos, apenas fazendo fé no computador de bordo, e apesar dos ritmos pouco ortodoxos, manteve-se abaixo dos 6 litros aos 100km, o que se revelou uma agradável surpresa.

Revendo rapidamente a ciclística, e já mencionada a sua eficácia, posso ainda destacar a boa capacidade e dosagem da travagem, que conta com discos flutuantes e pinças e bombas de aplicação redial, o excelente desempenho da suspensão, que conta com uma forquilha invertida regulável e um amortecedor traseiro de instalação assimétrica, colocado na horizontal, também ele completamente regulável. 

Depois do almoço, em ritmo de digestão, a N15 e a N2, de regresso ao Peso da Régua, revelaram a faceta turística da Z900RS. O conforto é efectivamente elevado, e a confiança que o conjunto proporciona contribui para que qualquer passeio seja uma verdadeira terapia. E chegado o momento de uma pausa, em qualquer esplanada, ela vai ser um verdadeiro regalo para os olhos. 

Por isso, se pretende uma moto extremamente fácil e agradável de conduzir, em qualquer ritmo ou em qualquer tipo de utilização, capaz de transportar um passageiro com conforto, mas que em simultâneo revele um estilo requintado assente em pergaminhos bem legítimos, então não deixe de marcar já um Test-Ride.

A Z900RS já está disponível na rede de concessionários da marca, em 3 esquemas cromáticos: esta SE castanha e laranja, uma versão em negro brilhante e outra em negro baço com apontamentos em verde.

A versão Cafe, talvez a mais impactante mas a menos discreta, e cuja diferença principal, além do estilo, estará na posição de condução, só vai estar disponível em finais de Março deste ano, e irá ter apenas uma cor disponível: Vintage Lime Green (Verde Lima). Sobre ela falaremos então!

Veja a Kawasaki Z900RS em pormenor:

Equipamento

Neste teste usámos equipamento de segurança composto por:

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Kawasaki Z900 RS 2018 | Moto | Sports

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