Contacto Moto Morini Milano e Corsaro ZT em visita à fábrica de Pavia

O sonho de uma moto intemporal italiana, rápida, exclusiva, fabricada à mão, de uma marca cheia de pergaminhos, com equipamento de grande qualidade e garantia de fábrica, é fácil de realizar.

andardemoto.pt @ 30-9-2018 23:20:03 - Texto: Rogério Carmo

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Moto Morini CORSARO 1200 ZT | Moto | Estrada

A Moto Morini já tem importador em Portugal, conforme já tinhamos noticiado nestas páginas, e foi no final do passado mês de Julho que recebi o convite para visitar a fábrica da Moto Morini, com a oportunidade de testar duas novas motos, a Milano Limited Edition, e a Corsaro 1200 ZT de que também já aqui lhe tinhamos falado (clique nos links para ver).

Há alguns anos, cerca de 10, talvez, já tinha tido oportunidade de conduzir duas Moto Morini. Concretamente os modelos Corsaro e Granpasso. E desde então, a dinâmica do seu motor Bialbero Corsacorta (duas válvulas por cilindro e curso de pistão curto), um V-Twin a 87º de temperamento explosivo, nunca mais me saiu da cabeça. 

Antes de partir para Itália, para esta visita, tive também a oportunidade de testar a nova Corsaro ZZ, a joia da coroa da Moto Morini (clique para ver), moto que qualquer motociclista também pode experimentar se for experiente, gostar de sensações fortes, e se deslocar ao importador oficial da marca para Portugal, sedeado no Porto: a Garagem Central. Dessa moto e da sua avassaladora experiência de condução, pode ler o teste recentemente publicado se clicar aqui.

Resumindo a história da marca, Alfonso Morini, o seu fundador, conseguiu nos idos de 1937 uma autorização do governo para construir motociclos. Homem empreendedor, mecânico experiente e piloto dotado, Morini fez furor nas pistas, tendo conquistado diversos recordes mundiais de velocidade, que lhe valeram o respeito e a confiança do mercado.

O sucesso foi granjeado também com a ajuda de grandes nomes do motociclismo que se revelaram aos comandos de máquinas da Moto Morini, como a 250 Bialbero, pilotada por Tarquinio Provini, a mais rápida monocilíndrica da sua época, a 125 Competizione, que consagrou Umberto Masetti como campeão de Itália, ou a Settebello 175 de versão base que foi escolhida pelo então “rookie” Giacomo Agostini, em 1961, para sua primeira moto de competição, na qual ficou em segundo lugar na sua primeira corrida que participou, tendo nela conquistado títulos em 1962 e 1963.
Á semelhança de outros fabricantes, a Moto Morini sofreu as vicissitudes da 2a Grande Guerra, a euforia da reconstrução da Europa, e os contratempos dos desequilíbrios económicos dos finais do século XX. Nos anos 60 a Moto Morini fazia sair anualmente da sua fábrica de Bolonha cerca de 60 ou 70 mil motos, sobretudo modelos de pequena cilindrada, volume que desde então nunca mais voltou a ser registado, mas a aura da marca manteve-se até ao início da década de 90 do século XX.
Nos anos 60 a Moto Morini fazia sair anualmente da sua fábrica de Bolonha cerca de 60 ou 70 mil motos, sobretudo modelos de pequena cilindrada, volume que desde então nunca mais voltou a ser registado, mas a aura da marca manteve-se até ao início da década de 90 do século XX.

Após diversos problemas financeiros, e de ter sido propriedade da Cagiva de Castiglioni e posteriormente da Ducati, e de ter interrompido a actividade entre 2010 e 2012, a marca voltou à actividade. Em 2014, reestruturada, e com novas instalações fabris em Trivolzio (Pádua), a produção foi reiniciada ano em que fabricou apenas cerca de 80 motos, mas desenvolvendo em simultâneo o seu carismático motor de acordo com a normativa Euro 4, e preparando o lançamento da versão ZT da Corsaro e da nova plataforma para a Milano.

Mas a filosofia da Moto Morini mudou radicalmente. Não pretendendo ser um construtor para as massas, reclama agora o estatuto de marca “boutique”, mais interessada em criar experiências de condução sublimes do que em ser recordista de vendas. Apresenta-se por isso como o fabricante Italiano que produz motos exclusivamente à mão (com cerca de 99% dos componentes “made in Italy”), nascidas de uma paixão e moldadas por um sonho, desde 1937.

A produção expectável para 2018 está entre as 150 e as 180 motos, que entretanto já estão todas vendidas. E para 2019 esperam duplicar as vendas, sobretudo com o início de comercialização do novo modelo Milano antes do final de 2018. 2020 afigura-se risonho, mas Riccardo Bertaggia, o director comercial da marca, reconhece que será difícil conseguir produzir mais de 1000 motos por ano, sem afectar a qualidade final dos produtos, já que todas as motos são fabricadas à mão, regra geral com diferentes especificações.

A visita à pequena fábrica, rápida por questões de agenda, revelou que a  montagem dos motores é extremamente cuidada, cada um armado integral e exclusivamente por um único mecânico. A construção dos quadros e braços oscilantes, operação ainda mais demorada considerando o nível de personalização bastante detalhado que a Morini oferece aos seus clientes, também é feita dentro de portas. E sendo as motos feitas à medida e gosto do cliente, desde o estilo ao equipamento, tudo concebido por métodos quase artesanais, por pessoal altamente especializado, descarta-se qualquer possibilidade de optimização de recursos tanto de procedimentos como de produção.

Os clientes podem mesmo dirigir-se directamente à fábrica, testar os diversos modelos base (beneficiando do programa Client Experience até podem alugar uma moto durante vários dias para um belo test-ride pelas lindas estradas do norte de Itália, pois caso decidam realmente comprar uma Moto Morini, esse valor é integralmente devolvido), explicar as suas pretensões, ver as opções de materiais e de equipamento, nomeadamente os escapes cujo ronco até podem ouvir e escolher a partir de faixas de um disco de vinil que toca num gira-discos vintage instalado no magnífico salão de exposições, e finalmente ter uma conversa com um designer da casa, que posteriormente lhe apresentará dois ou três esboços (e provavelmente também o orçamento) para aprovação.

Firmada a encomenda começa a produção. Em paralelo a marca dispõe de um departamento “One Off” que se dedica à construção de motos completamente “fora da caixa” e que funciona também como um gabinete de desenvolvimento para novos modelos, e um laboratório de novas soluções.Também o pós-venda é uma das áreas em que a marca apostou fortemente, garantindo a entrega de peças para todos os modelos, na generalidade num período de 24 horas para qualquer ponto da Europa.

A fórmula tem registado bastante sucesso, basta constatar-se que em 2016 trabalhavam na Morini 18 pessoas e agora, em 2018, a marca emprega 30 pessoas, número que irá seguramente crescer em 2019 para garantir o esperado aumento da produção, dado o sucesso comercial que a Milano tem estado a demonstrar.


Moto Morini Milano Special Edition

A Milano representa uma nova filosofia. Uma nova era para a Moto Morini. Assenta numa nova plataforma que pode ser adaptada para diversos propósitos. Uma moto que pode ser facilmente modificada em busca de uma identidade própria e exclusiva, mas sem concessões à performance. Desde a versão de pista à scrambler, passando pela cafe racer ou pela “roadster”, esta nova plataforma pretende ser ainda mais versátil e permitir um mais avançado grau de personalização. Pode inclusivamente vir a servir de base para uma futura versão, lá para 2022, da Corsaro, o modelo mais emblemático da marca, e de que falarei já de seguida.
Aos comandos, a Milano revela-se completamente diferente da Corsaro. Apesar de partilhar o mesmo motor, a electrónica encarrega-se de tornar a resposta ao acelerador bastante mais dócil, tornando a condução muito mais fácil e agradável em ritmos de passeio. No entanto, ao rodar o punho com convicção, o carácter explosivo do Bialbero Corsacorta revela-se para encher a alma de qualquer motociclista com a sua resposta explosiva, subida de rotação vertiginosa e um som viciante.

Além do obrigatório ABS, não existem ajudas electrónicas à condução. As sensações são puras, verdadeiras, sem filtros nem tolerâncias. A posição de condução é bastante relaxada, sem peso nos pulsos, com o guiador mais elevado e o assento mais baixo. A suspensão tem um comportamento irrepreensível, tal como a travagem, fatores que contribuem para uma grande sensação de confiança, mesmo em ritmos mais vivos. 

A Milano Special Edition, aquela que tive oportunidade de testar, cuja produção vai ser limitada a 30 unidades (pode saber mais sobre ela se clicar aqui) está prestes a chegar aos concessionários europeus, e a Milano standard edition estará disponível a partir de Janeiro de 2019.

Veja em pormenor a Moto Morini Milano Special Edition







Moto Morini Corsaro ZT

A Corsaro ZT está, também ela, a chegar aos concessionários. Representa a resposta às preces de muitos potenciais clientes e concessionários. Difere da Corsaro ZZ sobretudo em dois aspectos:

É mais (bastante) fácil de conduzir, com uma resposta mais contida do acelerador, e uma entrega de potência acalmada, sobretudo na faixa inicial do regime de rotação, não deixando no entanto de debitar 140cv, e de transmitir as sensações sem qualquer filtro electrónico. 

É também mais económica, recorrendo a soluções de equipamento menos dispendiosas, mas ainda assim de muita qualidade, mais do que suficiente para quem não quer, sabe ou pode andar sempre nos limites. No entanto o seu desempenho não sai penalizado, ganhando uma melhor ergonomia, e transmitindo uma maior confiança, sobretudo aos motociclistas menos arrojados ou experientes.

O seu estilo é menos agressivo, determinado pelo farol redondo de inspiração clássica que substitui os lenticulares da ZZ, um depósito mais leve e esguio, em plástico e não em alumínio, e outros pormenores menos impactantes. 
Estes novos modelos têm uma previsão de chegada ao mercado em finais de 2018 ou início de 2019.

Veja em pormenor a Moto Morini Corsaro 1200 ZT



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Moto Morini CORSARO 1200 ZT | Moto | Estrada

andardemoto.pt @ 30-9-2018 23:20:03 - Texto: Rogério Carmo