Teste Norton Commando 961 Sport MKII - Puro charme britânico

Uma das mais famosas motos de sempre, chega agora a Portugal completamente renovada, pronta para fazer reviver memórias e paixões.

andardemoto.pt @ 27-11-2018 01:38:02 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Norton Comando 961 Sport | Moto | Comando

Foi há precisamente 50 anos que as primeiras Norton Commando chegaram ao mercado. Apresentadas no ano anterior, no Motocyclorama 67, em Londres, as Norton Commando eram então a mais recente evolução das Norton Model 7 Twin, concebidas por Bert Hopwood em 1940.

A sua grande vantagem residia no novo quadro, que além de permitir que o motor fosse instalado inclinado para a frente, facto que, além de dar um aspecto mais desportivo ao conjunto, tinha a vantagem de avançar o centro de gravidade, além de deixar mais espaço na traseira para a instalação da caixa de ar dos carburadores.

Mas o novo quadro, desenhado pelo Dr. Stefan Bauer, ex-engenheiro da Rolls-Royce, foi a grande sensação. Se quiser saber mais sobre a história da Norton Commando, deve ler o artigo anteriormente publicado nestas páginas (clique aqui).

Quando fazemos um teste a uma moto, é incontornável ter alguma referência para servir de comparação. Mas no caso desta Norton Commando 961 Sport MKII, vi-me na situação pouco comum de não ter qualquer referência. A única experiência que tinha tido com uma Norton, era muito antiga, pouco memorável, e estava bastante apagada na minha memória.  Por isso, rendi-me à beleza das suas linhas, montei-me nela e fiz-me à estrada, sem qualquer ideia pré-concebida.

A primeira sensação que se me revelou foi a leveza do conjunto, bem como a sua grande agilidade, proporcionada por uma quase inacreditável manobrabilidade e firmeza, apoiada por componentes de alto gabarito, como as pinças de travão radiais Brembo, e a suspensão completamente regulável da Öhlins que, consequentemente, acabam por proporcionar um extraordinário desempenho e uma elevada confiança.


A posição de condução é inegavelmente desportiva, com alguma carga a reflectir-se nos pulsos, mas com uma envolvência perfeita da moto, numa atitude bastante reactiva. O conforto também se revela com as suspensões a cumprirem bem os dois propósitos a que se propõem: manter ambas as rodas bem coladas ao piso, mesmo quando este se apresenta pouco regular, como é apanágio das nossas ruas e estradas, e ainda assim, preservar o bem-estar da nossa cervical e do fundo das nossas costas.

Resumindo, e apesar de a Norton ter fama de possuir, desde sempre, uma ciclística de luxo, o desempenho da nova Commando deixaria espantado qualquer protagonista das “juke box cafe races” londrinas, nos idos anos 60. E mesmo por padrões actuais, a ciclística da Norton Commando 961 Sport MKII é praticamente irrepreensível.

No que respeita ao motor, a diferença já não seria tão notada, nem pelo “rocker” com os melhores dotes de mecânica. O bicilíndrico paralelo refrigerado a ar, com 961cc, tem o seu carisma, e evoca na perfeição os seus antecessores, com um nível de vibrações e uma certa irregularidade de funcionamento pouco usuais numa moto actual.

Mesmo o motor de arranque mostra um enorme respeito pelos cânones do seu estilo e época, revelando-se bastante preguiçoso e caprichoso, sem no entanto nunca deixar de cumprir a sua função. A potência não é excessiva, o que também já é uma raridade nos dias de hoje, mas isso, pelo contrário, é uma das vantagens desta Commando da actualidade, que já cumpre as normas de emissões de poluentes ditadas pela norma Euro4.

Os 70 e poucos cavalos de potência são mais do que suficientes, e o binário disponível chega e sobra, para uns passeios terapêuticos por estradas de curvas, onde também se pode apreciar o bom desempenho e suavidade da caixa de velocidades. Esta tem um papel fundamental para manter o motor num regime superior às 4.000 rpm, altura em que o biciclíndrico paralelo se revela em toda a sua essência.

Os acabamentos são extremamente cuidados, e a montagem nota-se sólida, sem ruídos parasitas, folgas ou desajustes. Os cromados aparentam uma boa qualidade, a linha de escape é integralmente fabricada em Inox, a pintura tem uma deliciosa profundidade de brilho, as jantes de raios aparentam ser de boa qualidade e o assento mostra uma decoração cuidada. 

Tudo isto faz com que alguns pontos pareçam menos interessantes, como os espelhos retrovisores, demasiado vulgares e pouco resistentes à vibração, os blocos dos comandos, demasiado “plastificados” e pouco interessantes, os poisa-pés, que não têm mola para os manter na posição de funcionamento, tendo tendência a recolher sem que se esteja à espera, ou até mesmo a própria chave, que mais parece provir de um cacifo de ginásio do que de uma moto, sobretudo se tivermos em conta o preço desta Norton.



Outro pormenor que poderia ser melhorado é o descanso lateral, cuja saliência que permite o seu accionamento com o pé, está praticamente coincidente com o pedal das mudanças, o que, com certo tipo de botas, mais volumosas, se torna numa operação muito difícil.

Mas a Norton compensa tudo isso com o seu encanto e carisma. Onde quer que se passe ou estacione, as cabeças viram-se, os olhares de admiração desconcertam-nos e os comentários deixam-nos realmente orgulhosos. A sua estética não passa despercebida, mas a sua marca ainda menos, e é curioso ver que muitas pessoas a conhecem, e reconhecem, como sendo um verdadeiro mito do motociclismo, carregada de puro charme britânico. 


Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:

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Norton Comando 961 Sport | Moto | Comando

andardemoto.pt @ 27-11-2018 01:38:02 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira