Teste Harley-Davidson FXDR 114 - Performance Americana

De Milwaukee continuam a chegar motos que não deixam ninguém indiferente. Esta nova Power Cruiser, que promete ser a rainha dos semáforos, é um belo exemplo da estratégia de diversificação da marca americana.

andardemoto.pt @ 5-6-2019 15:39:52 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Harley Davidson Fat Bob 114 | Moto | Softail

Sempre se ouviu dizer que parar é morrer! Por isso a Harley-Davidson está a tentar recuperar o tempo perdido, e mostra-se cada vez mais agressiva na sua estratégia de inovação, em busca de novas clientelas.

Depois de ter encetado uma verdadeira revolução com o Project Rushmore, em 2014, e de recentemente ter anunciado uma futura gama de modelos de elevada mobilidade, a par com a sua coqueluche eléctrica Livewire, que estará em breve a chegar aos concessionários europeus, a Harley-Davidson apresenta agora, sob a forma desta exuberante FXDR 114, aquela que é a mais radical da sua actual gama de motos e, talvez até, a sua mais performante moto de sempre.

Partindo de uma base Softail, alongada até aos 1735mm entre eixos, por um novo braço oscilante em alumínio fundido, capaz de abraçar um pneu traseiro de 240mm montado numa jante de 18 polegadas e com a silhueta baixa e bem definida por um alongado depósito de combustível, esta impressionante power cruiser não deixa ninguém indiferente, mal alguém lhe ponha a vista em cima, motociclista ou não!

Mesmo antes de saberem qual a cilindrada, em resposta à pergunta mais frequente que me que me foi posta por amigos e desconhecidos durante os dias em que pude usufruir dos seus comandos, as pessoas já estavam rendidas às suas linhas limpas, ao seu carácter agressivo, ou aos seus pormenores de acabamento cuidados.

Claro que depois de saberem que a cilindrada do motor Milwaukee Eight 114 é de 1.868cc os olhos começavam a esbugalhar-se-lhes, num espasmo que só terminava segundos depois de saberem que a etiqueta de preço tem inscrito um valor de 25.700€.

Mas é uma Harley… comentavam muitos, vítimas orgulhosas dos efeitos de um marketing agressivo imposto pela marca há já muitas décadas, sábia, subliminar e ininterruptamente!

Verdade seja dita, pelo que pude constatar, grande parte da admiração de que esta moto foi alvo deveu-se a méritos próprios. É efectivamente, e vista de qualquer ângulo, uma “bonita peça”, de esmerado design, que consegue incutir modernidade num conceito cruiser, sem lhe roubar a pureza das linhas que caracterizam o género: Inegavelmente americana, inquestionavelmente potente e indiscutivelmente fascinante!


O lado direito da FXDR 114 é o mais dado a contemplações, pois a chamar a atenção sobre si está o proeminente filtro de ar e a linha de escape 2 em 1 que culmina numa ponteira de formato triangular com um impacto visual muito elevado.

Os 4 cabos de ignição também não escaparam aos mais atentos, que assim descobriram que os dois cilindros de quase 1000cc cada, estão equipados com 2 velas e com 4 válvulas, que em conjunto desenvolvem um binário de 160Nm às 3.500rpm, capazes de produzir uma potência que ronda os 90cv, mais do que suficientes para pôr em marcha, e de forma bastante decidida, os cerca de 300kg de peso total do conjunto.

Inspirada nas “Drag Races” americanas, de cuja história a Harley-Davidson faz parte integrante, a FXDR 114 é, no entanto, mais do que uma “drag bike”. Apesar de ter uma inclinação lateral relativamente limitada, a rondar os 33º para ambos os lados, e de o largo pneu traseiro tornar a resposta da direcção mais lenta do que numa moto desportiva, conseguem-se ritmos bastante animados em qualquer estrada de curvas, sensação potenciada pela posição de condução debruçada sobre o depósito, com os pés para a frente, e os braços bem esticados. Tanto mais porque os travões mostram um comportamento muito bom.

O assento, colocado a uns acessíveis 720mm do chão, proporciona uma boa confiança a manobrar, mas cobra dividendos em termos de conforto, já que o limitado curso da suspensão traseira (86mm) é manifestamente escasso para o mau estado das nossas estradas. Mesmo tendo em conta que os actuais amortecedores usados pela Harley Davidson são muito mais eficazes do que antigamente, disponibilizando inclusivamente regulação remota da pré-carga.

Já a forquilha invertida, de 43mm de diâmetro, apresenta um curso mais generoso, de 130mm, conseguindo ao mesmo tempo mostrar rigidez suficiente em curva, mesmo a alta velocidade, e disfarçar bastante bem o afundamento causado sob travagem, pela inércia dos cerca de 300Kg que o conjunto totaliza.

E velocidade é algo que a FXDR 114 é generosa a dar. Claro que muitos podem ficar admirados pelo facto de tanta cilindrada corresponder a uma velocidade máxima inferior a 200km/h (mais precisamente 190) mas não é para esse tipo de velocidade que esta softail em esteroides foi pensada. O seu foco é ser a mais rápida entre duas curvas, ou entre dois semáforos, numa ultrapassagem ou mesmo num bom picanço, cujas probabilidades de vitória são maioritariamente a seu favor.


O painel de instrumentos é minimalista, e pouco legível, mas fornece todas as informações necessárias. Os comandos são bem ao estilo da Harley, a favorecer quem tiver mãos grandes. Os espelhos retrovisores estão bem colocados e garantem uma boa visibilidade.

No entanto, e tal como as demais motos da Harley-Davidson, não tem controlo de tracção, facto que aliado ao elevado binário e à medida do pneu traseiro, retira todo o prazer numa condução à chuva, onde o 240 se comporta mais como uma prancha de skimming do que como um pneu.

Provavelmente para poupar no peso, a FXDR 114 também não tem regulação das manetes, nem fechadura no tampão da gasolina. Por falar nisso, em termos de consumos, a média registada durante o teste foi de 6,2 litros, facto que se traduz numa autonomia prática a rondar os 250km.

O sistema sem chave continua a não incluir uma fechadura de tranca de direcção (nem do tampão da gasolina), o que é realmente uma pena, sobretudo considerando que se trata de uma moto que não é propriamente uma pechincha!

Quem quiser partilhar a experiência com um passageiro, pode contar com um kit composto pelo assento e por poisa-pés. 

Na prática, a Harley-Davidson FXDR 114 não se pode considerar uma moto própria para iniciados, nem para cardíacos. Os motociclistas de estatura física mais baixa ou débil também vão sentir algumas dificuldades, sobretudo a manobrar. 

Mas os mais experientes, sobretudo aqueles que já tiverem contacto com a radical posição de condução, esses vão adorar este verdadeiro demónio do asfalto, e a sensação deliciosa e quase desconcertante que é engrenar primeira e largar decididamente a embraiagem, mantendo o taquímetro acima das 3.500rpm. Uma verdadeira degustação de Performance Americana.

Equipamento:

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Harley Davidson Fat Bob 114 | Moto | Softail

andardemoto.pt @ 5-6-2019 15:39:52 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira


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