Teste Kymco XCiting S 400i - Do Bom e do Melhor

Uma scooter do segmento Sport Touring cujos argumentos não deixam ninguém indiferente.

andardemoto.pt @ 13-8-2019 01:29:45 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

A Kymco reposicionou a sua estratégia de mercado apresentando-se como uma marca premium que, a partir de Taiwan, pretende conquistar o mundo com os seus parâmetros de qualidade e desempenho, baseados em tecnologias de topo e sofisticação de design, para criar produtos inovadores, capazes de reunir as preferências dos motociclistas pela sua fiabilidade e desempenho.

No seu plano está o alargamento da sua gama de motociclos a outros segmentos, nomeadamente o da propulsão eléctrica, de que é ex-libris a estonteante SuperNEX, uma moto superdesportiva de altas prestações.

Apesar de em Portugal a sua penetração de mercado continuar a ser inexplicavelmente baixa, os  números de vendas em Espanha, assim como em toda a Europa, fazem inveja à concorrência, liderando a Kymco frequentemente as tabelas de vendas de vários segmentos.

Já tinha tido oportunidade de testar a excitante AK550 (pode ver o teste se clicar aqui) e a prática Kymco Superdink 350 (cujo teste também pode ver nesta ligação), que provaram o elevado nível de desenvolvimento da marca Taiwanesa, propriedade da Kwang Yang Motor Co, Ltd, o 5º maior construtor de motos do mundo, que iniciou a sua actividade a produzir motociclos para a Honda, e que posteriormente também já colaborou no fabrico de motores e outros componentes para a BMW Motorrad.

Mas ainda assim não pude deixar de ficar impressionado com o comportamento desta nova Sport Touring da Kymco que aqui lhe trago neste teste.

Desde o arranque, ao circular por pisos bastante degradados e ruas de calçada, onde não se conseguem distinguir qualquer espécie de ruídos parasitas ou chocalhos irritantes, ou a ritmos mais elevados, em que o comportamento dinâmico se mostra completamente irrepreensível a par com uma grande agilidade, fiquei particularmente rendido ao desempenho do motor.

Este monocilindro de 400cc, refrigerado por líquido, que já respeita a normativa Euro4 em termos de emissões de poluentes, apresenta uma resposta pronta, mas suave e sem hesitações, que permite arranques bastante rápidos e retomas muito interessantes, parecendo disponibilizar muito mais do que os 36 cavalos que constam da sua ficha técnica.

Isto além de conseguir velocidades máximas muito interessantes, bastante para lá dos limites máximos de velocidade permitidos por lei (não foi em vão que a sua apresentação internacional à imprensa foi feita, em parte, em circuito).


Este motor consegue, por isso, tornar-se bastante agradável, mesmo durante longas tiradas, já que praticamente não produz vibrações. E mesmo em situações de pressa, em estrada aberta, nunca dá a sensação de estar a ser “espremido” até ao limite.

O variador de transmissão está muito bem relacionado com o motor e, a par com a embraiagem centrífuga de bom desempenho, garante um arranque instantâneo e progressivo. O efeito travão motor também está muito bem conseguido, sentindo-se perfeitamente a resposta ao punho direito na desaceleração.

Em termos de consumos, numa utilização normal, sem excessos mas sem correr o risco de adormecer de tédio, podem-se conseguir médias a rondar os 4,4 litros/100km, e autonomias práticas (até entrar na reserva) na ordem dos 250 quilómetros, graças ao depósito com capacidade para 12,5 litros.

A travagem é nada menos que excelente, podendo definir-se como referencial para uma scooter. Potente e bastante doseável, a mordida das pinças de fabrico doméstico, que na frente são duas, de 4 pistões cada e de instalação radial nos dois disco de 280mm, é assistida por um ABS de última geração, a cargo de uma unidade Bosch 9.1 M que é obrigada a um trabalho extra à conta do desempenho pouco convincente dos pneus Maxxis que a Kymco XCiting S 400i traz instalados de série.

O travão traseiro é, também ele, bastante eficaz, sendo uma ferramenta importante em manobra. Neste capítulo falta acrescentar que as manetes são ambas ajustáveis.

O quadro mostra-se firme, tal como a suspensão, regulada sobretudo para utilização desportiva, mas que ainda assim, e graças aos seus 110mm de curso em ambos os eixos, confere um bom nível de conforto.

A estabilidade em curva é elevada e a entrada em ângulo é firme, mesmo quando se enfrentam pisos mais degradados. A direcção é leve e a sua resposta é rápida e directa. Os amortecedores traseiros ainda oferecem 5 níveis de regulação de pré-carga, para um ajuste ideal em função do peso dos ocupantes.

Todo o conjunto reage de forma extremamente previsível, proporcionando imensa confiança sob todos os aspectos, seja a manobrar, seja a desfrutar de uma boa estrada de curvas.

A posição de condução é extremamente confortável, com os braços a caírem no guiador numa posição natural e a proporcionar bastante espaço para as pernas do condutor, mesmo os de maior porte, e assentos espaçosos para ambos os ocupantes. As pegas do passageiro são amplas e bem desenhadas.

O painel de instrumentos é muito completo e inclui, no mostrador central, um TFT a cores, circular, dedicado à aplicação Noodoe, que o permite sincronizar com um smartphone e desfrutar de uma grande quantidade de funcionalidades, como o GPS, todas navegáveis por botões instalados no punho direito.

Os dois mostradores laterais, um analógico e outro digital em LCD, apresentam a informação habitual, bastante detalhada e de leitura fácil, apesar de em certas condições de iluminação terem todos uma visibilidade muito reduzida devido aos reflexos.


O seu caráter desportivo tem o lado negativo, inevitavelmente, no que à capacidade de bagagem diz respeito. Debaixo do assento, no porta bagagens iluminado, cabe apenas um capacete integral, sobrando espaço para nada mais do que, eventualmente, um cadeado e um fato de chuva.

No painel frontal existem dois compartimentos para guardar pequenos objetos, cuja abertura fica bloqueada ao trancar a direção, sendo que um deles conta com uma tomada USB.

O ecrã pára-brisas fornece uma protecção aerodinâmica muito razoável, sem causar demasiada turbulência no capacete, sendo a sua altura regulável facilmente sem recurso a ferramentas.

Os espelhos retrovisores estão bem colocados, oferecendo uma boa visibilidade e uma boa amplitude de regulação, conveniente para condutores de diversas estaturas. No entanto estão demasiado perto do condutor, obrigando a desviar bastante o olhar da estrada.

O descanso central é fácil de usar e o lateral é bastante firme. Para estacionar em planos inclinados, a Kymco ainda instalou um conveniente travão de estacionamento (que actua por cabo numa pinça dedicada instalada na roda traseira), um equipamento que é raro encontrar nas scooters do seu segmento.

Para concluir, esta Kymco tem também iluminação integral em LED, que inclui luzes diurnas de alto brilho.

Resumindo, e tendo em conta o elevado nível de equipamento e acabamento, tal como as suas prestações dinâmicas, bem como o preço bastante em conta, relativamente à sua concorrência direta, a Kymco XCiting S 400i mais do que merece ser considerada como uma opção, caso esteja a pensar em melhorar substancialmente a sua mobilidade, com elevados níveis de segurança e diversão. 

Das scooters deste segmento que tenho tido oportunidade de testar ao longo deste ano, esta é sem dúvida a mais desportiva e a mais agradável de conduzir, sob todos os aspectos. Como se costuma dizer, é do bom e do melhor!

É que apesar de ser uma Maxi-Scooter de aspirações desportivas, ela é acima de tudo uma “all-rounder” eficaz, que compensa a falta de capacidade de carga com um enorme prazer de condução em qualquer cenário, a par com a fiabilidade e resistência típicas da marca.

Se duvida, marque um "test-ride" num concessionário Kymco (clique para ver qual está mais perto), e decida por si.

Veja a Kymco XCiting S 400i em pormenor:

andardemoto.pt @ 13-8-2019 01:29:45 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira


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