Teste Harley-Davidson Road Glide Limited - Papa Léguas

Uma cruiser especificamente concebida para fazer muitos e muitos quilómetros com todo o conforto.

andardemoto.pt @ 31-12-2019 07:40:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Harley Davidson 2019 Ultra Limited | Moto | Touring

O seu aspecto não é consensual, mas a sua fama e popularidade provêm da maior protecção aerodinâmica que oferece a carenagem frontal “Shark Nose”, um dos ex-libris da Harley-Davidson que, por estar ancorada no quadro, ao contrário da “Bat Wing” que encontramos na Ultra Limited (que recentemente também testámos) e nas Street Glide, que é fixada na forquilha, não causa interferência na direcção, sobretudo quando acometida por rajadas de vento cruzado, tornando a condução mais fácil nessas circunstâncias, facto que a torna na preferida dos que fazem longas viagens.

Esta versão que testámos recentemente já faz parte da gama de 2020 da marca americana e a grande novidade que encerra é o tão esperado Controlo de Tracção. Digo tão esperado, apesar de, para os “harlistas dos sete costados”, isto ser a continuação da profanação do verdadeiro espírito da marca pelo advento da electrónica. 

Mas o que é verdade é que a nona geração de icónicos Big Twin da marca, e sobretudo estes Twin-Cooled Milwaukee-Eight 114 com 1870 cc (114 polegadas cúbicas) que têm cabeças de cilindro com refrigeração de precisão por líquido e cujos radiadores estão escondidos nas protecções das pernas, como é o caso do que equipa esta Harley-Davidson Road Glide Limited, debitam um binário tão elevado e a tão baixa rotação (166 Nm às 3.000 rpm), que o pneu traseiro, sobretudo a frio ou em piso escorregadio, tem imensa dificuldade em encontrar tracção, tornando a condução extremamente exigente nessas circunstâncias.

Por isso já há uns anos vinha a reclamar que, para além do ABS e da travagem combinada, o controlo de tracção era uma mais valia, sobretudo nestas motos destinadas a grandes viagens, sujeitas a encontrar condições meteorológicas adversas.

Por isso agora a Harley-Davidson não se limitou a criar um Controlo de Tracção, mas sim aquilo a que chama de Reflex Defensive Rider Systems (RDRS), um sistema que engloba toda a electrónica que promove a segurança activa da moto.

Dele fazem parte o ABS, a travagem combinada (Electronic Linked Braking - ELB) e o controlo de tracção, todos com função “cornering” e ainda a assistência ao arranque em piso inclinado (Vehicle Hold Control - VHC) e a monitorização da pressão dos pneus (Tire Pressure Monitoring System - TPMS). Em  simultâneo ainda mantém o controlo automático de velocidade (Cruise Control).

De todas estas novidades a que tem um efeito mais visível é o VHC, a assistência ao arranque, muito útil em piso inclinado, sobretudo quando se circula com passageiro, e que permite estar parado num semáforo (por exemplo) sem estar a apertar a manete ou a pisar o pedal do travão.

Para accionar o sistema basta, no fim de parar, apertar ou pisar com força a manete ou o pedal do travão, e o sistema liga-se sózinho. A partir daí, e durante cinco minutos, a moto fica automaticamente travada, permitindo colocar ambos os pés no chão e ainda ficar com as mãos livres. Para arrancar basta engrenar a primeira, largar a embraiagem e começar a andar, que o sistema desliga-se automaticamente.


À semelhança do ABS, o novo Controlo de Tracção também se mostra pouco intrusivo, entrando em funcionamento de forma bastante discreta e libertando a potência por completo de forma bastante rápida, sendo que na prática, e numa condução normal, quase nem se dá por eles. Em dias de chuva o sistema ainda oferece uma programação específica que o torna mais interventivo, fazendo com que a roda traseira já não apresente aquela tendência de “descolar” facilmente do asfalto, seja no arranque, seja ao acelerar na saída das curvas.

Em condições normais, em termos de comportamento dinâmico não há nada de novo a assinalar. A ciclística de luxo assegura um bom comportamento em curva, mesmo quando os ritmos passam para lá dos limites do bom-senso. A travagem é excelente, não fosse o material de fricção e hidráulico integralmente assinados pela Brembo, e a suspensão é extremamente confortável, permitindo regulação da pré-carga dos amortecedores traseiros de acordo com o peso da carga. A forquilha também apresenta um bom comportamento, mesmo em pisos mais degradados. A curvar a alta velocidade o conjunto mantém-se estável, sem ondulações ou reacções estranhas.


A protecção aerodinâmica é referencial, protegendo ambos os ocupantes da acção dos elementos, sem ruído excessivo nem turbulências no capacete. No entanto, com chuva, é necessário fechar a grande entrada de ar existente no centro da carenagem frontal, através de uma pequena alavanca colocado por cima do painel de instrumentos, para evitar que a água nos comece a salpicar a viseira e, a partir daí, sobretudo em auto-estrada, vai-se notar alguma vibração nos capacetes. Claro que há que ter em conta a altura dos ocupantes e o tipo de capacete usado.

De resto a Road Glide Limited continua igual a si própria em termos de mordomias. A estrela é, sem dúvida, o sistema de infotainment “Boom! Box GTS” que permite ligação ao smartphone e é apoiado por quatro colunas de som e um ecrã TFT táctil, a cores, com 5,25 polegadas, que integra GPS e que tem ligação por Bluetooth ao Smartphone.

Tudo isto, integrado num interface de utilizador bastante fácil de usar, que disponibiliza ainda uma ficha USB que permite a inserção de uma “pen-drive” com músicas em formato MP3. 

Através de uma App Harley-Davidson e do sistema H-D Connect, compatível com Apple CarPlay, pode ainda receber remotamente, no seu telemóvel, várias informações e usar muitas outras funcionalidades, como por exemplo saber qual o nível de combustível, quantos quilómetros faltam para a próxima revisão ou se o alarme foi accionado, e ainda dispor de um serviço de “tracking” sobretudo útil em caso de roubo.

Mas para além disso, ainda se pode contar com iluminação de topo, integralmente em LED, com os já conhecidos faróis Daymaker que realmente iluminam a noite mais escura como se fosse dia, e punhos aquecidos.


A capacidade de carga é invejável, oferecendo 133 litros de arrumação, com destaque para a “Top Case” que dá para arrumar dois capacetes integrais além de uma série de tralhas e cuja a abertura para o lado é uma mais-valia para quem circula habitualmente com passageiro.

As malas laterais podem ser abertas desde a posição de sentado, e têm espaço para guardar duas boas mochilas, mas não comportam um capacete. Pena é que não tenham fecho centralizado nem comando à distância, como começa a ser habitual nas motos deste preço e segmento.

Os assentos são extremamente confortáveis e envolventes, e sua pouca altura desde o solo facilita o acesso do condutor e do passageiro. A posição de condução é muito ergonómica e, agora que a Harley decidiu finalmente remover o pedal do calcanhar do selector das mudanças, é possível aproveitar completamente as duas plataformas dos pés e mudar a posição de ambas as pernas durante a condução.

Sendo o topo de gama das motos turísticas de Milwaukee, a Road Glide Limited não desilude, afirmando-se com o seu inegável charme Cruiser como uma séria alternativa a outras motos deste segmento, como a sua “irmã” Harley-Davidson Ultra Limited ou a Indian Roadmaster e até mesmo as Honda Goldwing e BMW K1600 Grand América.


Pode ficar a conhecer melhor a Road Glide Limited e toda a sua gama de cores e acessórios, numa visita a um dos concessionários Harley-Davidson em Portugal (clique para ver qual está mais perto de si).


Equipamento:

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Harley Davidson 2019 Ultra Limited | Moto | Touring

andardemoto.pt @ 31-12-2019 07:40:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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