Teste Mutt GT-SS 250 - Alternativa Pragmática

Sem pretensões, para além do estilo, esta é uma moto que brilha numa utilização urbana ou nos “pequenos” grandes passeios do fim-de-semana.

andardemoto.pt @ 7-1-2020 00:39:05 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

Quando o estilo é determinante na compra de uma moto, não é fácil encontrar no mercado opções compatíveis com uma utilização urbana. Sobretudo quando o preço é uma condicionante.

Muitos motociclistas têm a tentação de comprar modelos genéricos das principais marcas, muitas vezes já bastante usados, e depois ir fazendo modificações até conseguirem encontrar um resultado final que reflicta a sua identidade.

Mas se alguns conseguem atingir esse objetivo, muitos há que vêem os seus esforços frustrados, sendo frequente gastarem bastante mais do que esperavam, correndo ainda o risco de se verem a braços com questões de fiabilidade ou com verdadeiros “frankensteins” difíceis de vender. 

Por isso algumas marcas, como a inglesa Mutt Motorcycles, se especializam na construção de motos clássicas modernas, inspiradas nas elegantes motos dos anos 60.

Sediada no berço da indústria motociclística britânica, em Birmingham, a Mutt Motorcycles produz uma gama de motociclos focada em modelos de baixa cilindrada, destinados a uma utilização urbana, sobretudo compatíveis com a carta “B” (as 125cc) das quais já tinha tido oportunidade de testar a Hilts 125 e a Mongrel 125, duas rafeiras (Mutt=Rafeiro/a) de raça apurada.

A poucos dias do final de 2019, tive a oportunidade de, literalmente, estrear uma novidade da marca: a Mutt GT-SS 250, uma “Brat” acabada de chegar a Portugal, às instalações do importador da marca, a Unik Edition

Mal a vi, fiquei imediatamente rendido às suas linhas. Compacta, minimalista, nostálgica, com as jantes de 18 polegadas a tornarem todo o conjunto mais musculoso e bem proporcionado. O assento plano, os lindíssimos farolins, os guarda-lamas, cortados, em alumínio escovado e o depósito muito bem esculpido, contribuem para uma silhueta irresistivelmente atractiva.

A protecção de cárter, o painel de instrumentos analógico e de tamanho reduzido, os punhos macios em favo, a tampa de depósito em estilo “Monza”, o escape e a ponteira em aço inoxidável, a pintura irrepreensível e pormenores como as porcas de aperto da forquilha e da mesa da direcção com desenho exclusivo, além de outros componentes maquinados por CNC, ou o logo da marca gravado no suporte do guiador, assim como os piscas em LED e o Farol com lâmpada de halogénio, são exemplo do excelente nível de construção e de acabamentos.


Claro que nem só de coisas bonitas vive um motociclista, por isso há que pôr o motor a funcionar e começar a rolar. Este dá-nos as boas-vindas a bordo com um arranque bastante solícito e uma sonoridade encantadora, com um ralenti típico de monocilíndrico nervoso, prontinho a subir de rotação e, com ele, fazer subir os níveis de dopamina.

Claro que, com apenas 250cc, não se pode esperar sensações alucinantes, mas a verdade é que o prazer e a facilidade de condução que esta Mutt GT-SS 250 confere é realmente gratificante.

O monocilíndrico, replicado da mítica unidade motriz da Suzuki que tornou famosas as imparáveis GN125 e GN250, produz 21 cavalos que acordam cedo, mas se revelam um pouco preguiçosos a atingir o regime máximo de rotação, sendo que, em contrapartida, as vibrações estão muito bem controladas e mantidas num nível bastante aceitável ao longo de toda a faixa de regime.

Tanto que até os espelhos retrovisores conseguem, apesar da boa amplitude do campo de visão que proporcionam, refletirem uma imagem bastante nítida, mesmo quando se atinge a velocidade máxima, que por pouco não alcança os 130km/h.

O seu desempenho é compensado com a grande parte dos 18Nm de binário, a estarem disponíveis desde baixa rotação, o que permite excelentes retomas e uma condução despreocupada que não necessita recorrer frequentemente à caixa de velocidades. Esta, que conta com 5 relações, oferece uma grande suavidade de funcionamento e uma grande precisão na engrenagem das mudanças e do ponto-morto.

A embraiagem, por cabo, mostra-se bastante leve e o curso da manete, apesar de não ter regulação, tem uma amplitude bastante acessível, sendo fácil de controlar durante as manobras.

Ao nível da ciclística, a suspensão faz um bom trabalho tanto no que respeita a conforto, como no que respeita a comportamento dinâmico, com a forquilha que, apesar de não ter afinação, resiste muito bem ao afundamento. Os dois amortecedores traseiros resolvem bem os maiores desníveis do piso, sem perderem a compostura em curva, que a par com a boa firmeza do quadro, permite andamentos bastante vivos que são apenas limitados pelo desempenho pouco eficaz dos travões.

Apesar de estar equipada com discos em ambos os eixos, o seu desempenho, sobretudo no que à mordida inicial diz respeito, e apesar de também não ser favorecido pelo desempenho dos pneus de “marca branca”, podia ser mais incisivo. 

Mas isso pode justificar-se, de certa maneira, pela maior confiança que transmite aos motociclistas menos experientes, e por isso menos propensos a excessos. No entanto, acho que este ponto deveria merecer uma maior atenção do fabricante pois é possível fazer bastante melhor, sem grandes sacrifícios em termos de custos.

Tenho no entanto a certeza que, qualquer motociclista mais experiente e com maior apetência para a velocidade, resolve facilmente o problema. Até porque, por tudo o que já disse, a Mutt GT-SS 250 pode perfeitamente ser a segunda moto que muitos motociclistas ambicionam ter na sua garagem, para uma utilização mais despreocupada, seja só ou acompanhado, nas idas para o trabalho, às compras, ao café, ou mesmo até numas belas voltinhas ao fim-de-semana.


Além disso, o seu peso, de apenas 130kg, e a altura ao solo, de apenas 780mm, em conjunto com o facto do assento ser bastante estreito na zona contígua do depósito, permite, aos motociclistas de estatura mais baixa, um perfeito acesso de ambos os pés ao chão, que consequentemente aumenta a confiança, sobretudo quando chega o momento de manobrar e parar.

A ergonomia pode considerar-se perfeita para estaturas médias, sendo menos confortável para as estaturas maiores do que 1,7 metros, sobretudo quando se transporta passageiro, já que os joelhos ficam demasiado expostos e perto dos punhos.

É certo que, com uma etiqueta a marcar um valor de praticamente 5.000 euros, a Mutt GT-SS 250 não é nenhuma pechincha mas, tendo em conta o seu aspecto, a sua qualidade de construção e o nível de acessorização, customização e pormenor, esse preço até nem é assim tão elevado, revelando-se mesmo bastante tentador!

Afinal não é todos os dias que se anda com uma moto tão simples e prática, mas que faz virar tantas cabeças e atraia a curiosidade de tanta gente que passa.

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andardemoto.pt @ 7-1-2020 00:39:05 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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