Comparativo Piaggio Beverly 350 ABS-ASR / Sym HD 300 - Rainhas da Selva

Duas scooters de média cilindrada, com rodas altas, duas filosofias mas o mesmo objectivo.

andardemoto.pt @ 28-1-2020 01:08:24 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


No que respeita às scooters de roda alta, estamos cansados de saber que, apesar de serem muito mais eficazes em termos dinâmicos, elas não são as preferidas dos portugueses. Apesar do maus caminhos que compõem a rede viária nacional, as scooters de rodas pequenas são as mais populares no nosso país.

O preço, normalmente inferior e a quase sempre maior capacidade de carga debaixo do assento, a par com a menor altura do assento ao chão, são provavelmente os melhores argumentos que consubstanciam a preferência pelas rodas mais pequenas.

Mas a verdade é que as rodas altas, além de melhor preparadas para enfrentar as irregularidades do piso, elas oferecem um melhor desempenho, nomeadamente no que à travagem e ao comportamento em curva diz respeito.

E quem tem a necessidade de fazer muito quilómetros, sobretudo numa utilização diária em ambiente de selva urbana, frequentemente com pressa, ou com passageiro, não consegue arranjar melhor solução para se manter seguro.

Sobretudo se à sua disposição tiver cerca de 25 ou 30 cavalos, potência que permite às scooters de média capacidade (250 - 400cc) desenvolver velocidades suficientes para circular confortavelmente, com passageiro, mesmo em auto-estrada, com consumos de combustível muito interessantes.

Por isso, para este trabalho, fomos revisitar duas scooters de roda alta já nossas bem conhecidas: A Piaggio Beverly 350 ABS-ASR, que já tínhamos tido oportunidade de testar há alguns meses (clique aqui para ver o teste) e a completamente renovada Sym HD 300, cujo teste já tínhamos tido oportunidade de publicar (clique aqui para ver).

Ambas apresentam uma posição de condução elevada, que oferece uma excelente visibilidade sobre o trânsito e uma ergonomia bem ajustada ao tipo de utilização, com as pernas dobradas a 90 graus e bastante espaço para os motociclistas de estatura mais alta.

O passageiro também encontra em qualquer uma delas uma boa posição, com poisa-pés bem posicionados e boas pegas para as mãos.

As duas scooters contam com pequenas plataformas de carga, prontas a receberem Top-Case. A Beverly até vem equipada com um canhão de fechadura extra, para ser aplicado numa mala de origem, sem ser necessário ter que transportar outra chave.

Em termos de capacidade de carga qualquer uma delas tem espaço debaixo do assento para um capacete integral e mais alguns pequenos objectos.

Em termos de iluminação, nenhuma delas pode ser considerada boa, sendo justo qualificá-la como razoável em ambos os modelos. No entanto, cada uma destas scooters apresenta conceitos de fabrico diferentes: a Beverly, mais luxuosa e com mais equipamento, a HD300 mais prática e simples, mas com um preço bastante mais simpático.

Piaggio Beverly 350 ABS-ASR

Começamos pela italiana, uma scooter refinada que remonta a 2001, destilada ao longo de várias gerações, e dona de um excelente desempenho dinâmico a todos os níveis, com acabamentos de muita qualidade e pormenores de construção que seduzem, como a iluminação do compartimento de carga debaixo do assento, ou o grande “porta luvas” com fechadura colocado no painel frontal, que conta com espaço para despejar os bolsos, e ainda tomada USB para carregar o telefone ou outro dispositivo.

Esta versão Sport Touring conta com um ecrã pára-brisas muito conveniente e que não afeta em demasia o comportamento aerodinâmico do capacete. Além da chave com sistema de imobilização integrado, a Beverly 350 conta também com um prático comando à distância para abertura do assento, e que engloba também o sistema “Bike Finder”, que, ao pressionar do botão, faz acender as luzes da moto, para uma melhor identificação à distância, está ainda equipada com o sistema de conectividade PIAGGIO MIA, que permite emparelhar com um smartphone.

O seu motor monocilíndrico, de 330cc, refrigerado por líquido, foi concebido para garantir uma excelente eficiência energética, e debita 30,2cv com 29Nm de binário, que lhe conferem uma resposta forte, limpa e pronta ao acelerador, dando inclusivamente muito trabalho ao bastante discreto e eficaz sistema de controlo de tracção (ASR) que, para os mais afoitos, pode ser desligado com apenas um toque no botão dedicado, instalado debaixo do guiador.


A transmissão automática, por CVT, reage bem desde o arranque sendo, talvez até, demasiado brusca para os motociclistas menos experientes. Muito rápida a passar a potência ao piso, tornando os arranques bastante divertidos, é muito linear até atingir a velocidade máxima, que ultrapassa razoável e confortavelmente os 120km/h.

A travagem é potente e bastante doseável, transmitindo imensa confiança, e o ABS faz o seu trabalho de forma muito competente sem que se note a sua intervenção. A suspensão é firme, digerindo muito bem as irregularidades do piso, mantendo os pneus bem ancorados no piso, apesar de impactos mais fortes se transmitirem com alguma intensidade aos ocupantes.

Extremamente fácil de conduzir e manobrar, apenas poderá colocar algumas dificuldades aos condutores de estatura mais baixa já que o assento, relativamente largo e a 790mm do solo, consome uma boa altura de perna. No entanto, o centro de gravidade bastante baixo, faz esquecer o peso a seco de 191kg.


A sua condução revela-se extremamente gratificante, permitindo ritmos bastante elevados com extrema confiança, facto que, aliado à boa protecção aerodinâmica, lhe permite fazer uma viagens bem agradáveis.

Como pormenor menos positivo, o canhão de ignição é de difícil acesso, sobretudo em locais escuros, e numa localização pouco prática para quem estiver a pensar instalar um cobre pernas (vulgo avental). O abastecimento de combustível é outro ponto menos conseguido, já que tem uma fechadura própria, mas que obriga à remoção de uma tampa que fica solta, na mão, durante o abastecimento.

Os intervalos de manutenção a cada 10.000 quilómetros (a primeira revisão é aos 1000 km), e o consumo de combustível a cifrar-se em valores que rondam os 4 litros/100km, e que permitem autonomias a rondar os 300 quilómetros, tornam o custo de utilização muito acessível.

Sym HD 300

A SYM HD300 de 2020 foi quase desenvolvida a partir de uma folha em branco. O resultado sobressai nas suas linhas fluidas e dinâmicas, que apresentam um aspecto muito mais europeu do que anteriormente. A aposta, por parte da marca de Taiwan, foi tornar esta HD300 numa moto muito mais sólida e moderna, e o resultado final é extremamente positivo.

Logo à partida nota-se mais leve e menos intimidante do que a Beverly 350. Apesar de a diferença de potência ser mínima, a SYM HD300 mostra-se bastante mais suave na resposta inicial ao acelerador, sendo por isso mais fácil de manobrar a baixa velocidade, sobretudo para os condutores menos experientes.

O motor, também ele um monocilíndrico refrigerado por líquido, debita 27cv, com um binário de 25Nm, revela-se extremamente silencioso e regular, com uma suavidade impressionante e um nível de vibrações extremamente reduzido, desde o ralenti até ao regime máximo e, ajudado por um peso a seco 12 kg inferior ao da Piaggio, consegue com a mesma facilidade, catapultar o conjunto para velocidades superiores a 100km/h, chegando igualmente a ultrapassar, sem grande dificuldade, a barreira dos 130km/h. A ausência de controlo de tracção é compensada com uma resposta mais suave ao acelerador.

A travagem não é tão refinada como a da Beverly. Mostra-se menos incisiva na fase inicial, e a ritmos mais elevados não é tão eficaz. A dosagem da pressão nas manetes também não é tão sensível como a da moto italiana.

A suspensão tem igualmente uma afinação bastante rija, que favorece o desempenho dinâmico mas que castiga um pouco os ocupantes. Neste capítulo, o estofo do assento também é menos confortável que o da Beverly. Por outro aspeto, com o assento ligeiramente mais baixo e mais estreito, a Sym HD300 oferece mais confiança aos condutores de baixa estatura.

A falta de um ecrã pára-brisas prejudica o conforto, sobretudo tendo em conta que esta scooter permite longas tiradas a velocidades superiores a 120km/h, pelo que a marca propõe como opcionais dois vidros, um mais baixo e outro mais alto, que inclusivamente têm integrado defletor para os punhos, qualquer um deles disponível por um preço de 99 euros, com IVA já incluído.
 


Os intervalos de manutenção são a cada 6.000 quilómetros (a primeira revisão é aos 1000 km), e a SYM oferece, para as suas scooters, uma extensão de garantia de 3 anos, que a aumenta para um período total de 5 anos, ou 100.000 quilómetros.

O consumo de combustível também é ligeiramente inferior a 4 litros, mas o depósito de combustível com capacidade para apenas 10 litros, converte-se em autonomias práticas (até acender a luz da reserva) que dificilmente ultrapassam os 250 quilómetros.

A sua condução e manobra revelam-se extremamente fáceis, necessitando apenas de um pouco de habituação ao guiador, mais estreito e por isso mais sensível que o da Beverly, mas que não interfere com o comportamento em curva, nem com a agilidade do conjunto. Em contrapartida facilita a passagem entre as filas de trânsito.


Apreciação Final:

Tendo em conta que a SYM HD300 custa cerca de 2500 euros menos que a Piaggio Beverly 350, e que em termos dinâmicos práticos o desempenho de ambas é muito semelhante, quem estiver disposto a prescindir do controlo de tracção e do comando à distância, pode perfeitamente encarar o modelo de Taiwan como uma alternativa bastante interessante. No entanto, o charme da scooter italiana e os requintes com que nos seduz, valem perfeitamente o preço a mais. A escolha vai depender de si!

Equipamento:

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:

À esquerda:

Capacete Shark Spartan

Blusão Macna Mountain Night Eye

Calças REV’IT! Orlando H2O

Luvas Ixon Pro Verona

Botas TCX X-Blend WP


À direita:

Capecete Shark Spartan Carbon Skin

Blusão REV'IT! Stewart

Luvas REV'IT! Dirt 3

Calças REV'IT! Orlando H2O RF

Botas TCX Jupiter 4 GTX


andardemoto.pt @ 28-1-2020 01:08:24 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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