Teste Yamaha Tracer 700 - Brilhante!

A sport-turismo de média cilindrada da Yamaha sofreu a sua primeira grande renovação. Se a primeira geração da Tracer 700 já era muito boa, a nova geração desta japonesa deixou-nos apaixonados pela forma brilhante como faz tudo.

andardemoto.pt @ 31-3-2020 09:30:00 - Texto: Bruno Gomes

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Yamaha Tracer 700 | Moto | Moto

Nascida da plataforma CP2, e que tem na MT-07 a sua variante mais conhecida e de maior popularidade, a Tracer 700 chegou ao mercado há quase quatro anos e desde então tornou-se numa verdadeira “canivete suíço” da gama da marca de Iwata. A polivalente sport-turismo de média cilindrada da Yamaha ganhou facilmente o seu espaço, conquistando a crítica especializada.

O motor bicilíndrico paralelo “crossplane” com a sua ordem de ignição desfasada é enérgico. A atitude desportiva derivada da MT-07, e o facto de ser muito mais polivalente e confortável, fizeram da orginal Tracer 700 (que na realidade começou por se chamar MT-07 Tracer) uma máquina imbatível para quem procurava uma moto capaz de fazer um pouco de tudo e ainda por cima a um preço muito razoável.

Os números de vendas ao longo da última mão cheia de anos não são desapontantes, mas também não são acima do esperado, pelo que a Yamaha, aproveitando a entrada em vigor das normas Euro 5, decidiu finalmente renovar de forma mais profunda esta sport-turismo de média cilindrada, dotando-a de argumentos que a tornam numa proposta ainda mais sólida do que conhecíamos.

O motor, o bem conhecido bicilíndrico paralelo de 689 cc, não sofre um aumento de cubicagem para aguentar com as restritivas normas Euro 5 sendo o primeiro CP2 a estar dentro dos parâmetros Euro 5.

James McCombe, da Yamaha Motor Europa, referiu durante a apresentação internacional que decorreu em Tenerife que a “Yamaha tinha duas opções em cima da mesa: ou aumentávamos a cilindrada, ou então melhorávamos a eficiência do CP2. Aumentar a cilindrada não queríamos pois iria alterar o comportamento que conhecemos. Tivemos portanto de trabalhar muito no lado da eficiência”.

Para conseguir cumprir com a nova homologação a Yamaha trabalhou ao nível da admissão, redesenhando a caixa de ar, adotou novos parâmetros de injeção e ignição, utilizou molas de válvulas de baixa fricção, e a caixa de velocidades foi também ela refinada para um funcionamento ainda mais suave.

Tudo isto obrigou também a marca japonesa a instalar na nova Tracer 700 outros componentes como uma cremalheira de 45 dentes, mais dois do que anteriormente, melhorando a aceleração, enquanto o sistema de escape ganha um novo catalizador colocado nos coletores mesmo à saída do motor. Ainda assim a sonoridade do motor não ficou prejudicada.

Na ciclistica as grandes novidades são encontradas nas suspensões. A forquilha mantém as bainhas de 41 mm, mas agora passa a ser do tipo cartucho, enquanto a mola passa de 18 N/mm para 16 N/mm.

Esta escolha permite à Tracer 700 oferecer uma maior qualidade no amortecimento dos impactos, sem esquecer que no topo das bainhas encontramos a possibilidade de afinar a pré-carga e extensão. Já o amortecedor traseiro ganha afinação de extensão, mantendo-se igual nos restantes parâmetros que conhecíamos para garantir um comportamento confortável.

Mas se estas novidades são apenas notadas quando conduzimos a Tracer 700, o mesmo não se pode dizer do seu design. A Yamaha adotou uma estratégia arrojada, vincou bastante as linhas da semi-carenagem frontal aproximando a 700 da sua irmã 900. Um “look” novo e bem conseguido, com as luzes diurnas LED a conferirem uma assinatura luminosa bastante agressiva à Tracer 700.

E por falar em semi-carenagem frontal, não podemos deixar de destacar o novo ecrã frontal ajustável em altura. A Yamaha redesenhou o mecanismo de ajuste, e é agora possível subir e descer 65 mm o ecrã frontal usando apenas uma mão. E nem sequer precisamos de parar para o fazer, mesmo em andamento é uma tarefa bastante simples.

Passar a perna por cima do assento a 835 mm de altura do solo não é tarefa complicada, pois o a moto continua a ser compacta, e particularmente a ligação do assento, que tem mais 10 mm de espuma para conforto extra, com o depósito de combustível de 17 litros está bastante bem conseguida.

Outras das novidades nesta Tracer 700 para 2020 é o seu guiador. É ligeiramente mais largo, 34 mm para ser mais preciso, e está ligeiramente mais à frente em relação ao assento. Por isso deixa-nos um pouco mais deitados sobre o depósito adotando uma posição de condução mais desportiva, mas ainda assim confortável para passarmos um dia inteiro aos seus comandos.

Conforme referi, a Yamaha realizou a apresentação internacional da Tracer 700 em Tenerife, com o gigante El Teide como “circuito” de testes. Estradas de todos os tipos, com curvas e mais curvas, subida até aos 2400 metros de altitude e descidas impressionantes, um cenário de sonho com piso molhado ou seco dependendo do lado da montanha que estivéssemos. Enfim, foi o cenário perfeito para colocar a nova sport-turismo da Yamaha à prova.

A nova posição de condução não se nota muito diferente e imediatamente senti-me à vontade, e o guiador bem posicionado garante uma boa força de alavanca com a Tracer 700 a deixar-se cair para as curvas sem qualquer esforço da parte do condutor.

A maior diferença notada em termos dinâmicos está diretamente ligada às modificações na suspensão dianteira. A ligação à roda da frente é mais instantânea, obtemos mais “feedback” e isso permite corrigir as trajetórias de forma mais apurada e colocar a frente com mais certeza.

A velocidades mais elevadas ou em curvas mais abertas, onde a Tracer 700 antiga perdia alguma estabilidade, a nova Tracer 700 mostra-se impecável ao nível da estabilidade e certeza de direção. Facilmente dei por mim a raspar com os poisa-pés no asfalto, mas assumo que a essa altura estávamos a seguir o guia da Yamaha a um ritmo bastante “quente” e para lá do que esta sport-turismo foi pensada. É uma moto bastante divertida de conduzir!


A elasticidade do motor japonês CP2 é fantástica, e mesmo deixando cair as rotações não senti grandes vibrações a passarem pelos poisa-pés com apoios de borracha, nem através do guiador ou assento. Não tem, claramente, a mesma capacidade de recuperação da Tracer 900.

Mas esta setecentos não desaponta, e sobe rapidamente de rotações, sem hesitações, e nem mesmo o facto de estarmos a mais de 2400 metros de altitude, onde o oxigénio escasseia, retirou qualquer tipo de resposta ao motor CP2, o que revela bem a excelência da injeção japonesa. Isso também se deve à nova cremalheira, maior.

Felizmente a capacidade de rolar a velocidade de cruzeiro em autoestrada não ficou afetada, com as rotações a permancerem num regime relativamente baixo, cerca de 6000 rpm quando circulamos a 130 km/h, permitindo à Tracer 700 apresentar médias de consumo de combustível na ordem dos 4,8 litros.

Nada mau tendo em conta o ritmo imposto, e que evidenciou uma caixa de velocidades que, mesmo sem recorrer aos cada vez mais habituais “quickshifts”, se mostrou suave e precisa, com um tato um pouco mecânico nas reduções de caixa mais agressivas, mas que para subir de caixa quase nem necessita de recorrer à leve embraiagem para engrenar a mudança acima.

Um ponto que a Yamaha refere que se manteve intocado são os travões. Mas a verdade é que desde o primeiro momento fiquei com a sensação de que alguma coisa foi feita no sistema de travagem.

O tato na manete de travão está bastante imediato, muito mais do que me recordo de sentir na anterior Tracer 700, e logo no início do curso da manete as pinças mordem com bastante ferocidade os discos de 282 mm o que obriga a dosear bastante a força que fazemos com a mão. Sente-se que estas pinças de travão têm uma origem desportiva, e de facto têm, pois eram usadas há alguns anos na supersport YZF-R6.

Podemos usar e abusar dos travões, passando bem para lá dos limites, que o ABS só se sente atuar mesmo no limite. Por exemplo o pedal de travão vibra ligeiramente quando se usa o travão traseiro para corrigir e apertar a trajetória em curva.

Na última parte do percurso, cerca de 22 km na TF-436, uma estrada estreita recheada de ganchos de 1ª e 2ª, os travões tiveram de suportar a constante pressão de abrandar os 196 kg da Tracer 700, e fizeram-no sem protestar, sem se tornarem esponjosos, e com a potência a manter-se irreprensível até ao fim. Nota muito positiva!

Os pneus Michelin Pilot Road 4 são uma boa combinação para as características polivalentes da Yamaha Tracer 700. As borrachas francesas necessitaram de um pouco de tempo até aquecer e transmitir mais confiança.

Mas a partir do momento em que atingiram a temperatura, os pneus revelaram um equilíbrio muito bom, maximizando a estabilidade da direção, agarrando-se ao asfalto, por vezes frio e molhado, de uma forma surpreendente e que eu não esperava sentir, permitindo manter um ritmo de condução elevado mesmo nas partes do percurso com curvas encadeadas e retorcidas, onde o apoio em travagem é primordial para sentir confiança.

Por último, e como estamos perante uma sport-turismo, não posso deixar de falar do conforto e capacidade de viajar da nova Yamaha Tracer 700. Começo por analisar a proteção aerodinâmica.

O ecrã frontal é pequeno, deixa os ombros e braços do condutor expostos ao vento, mas na sua posição mais elevada o ecrã acaba por cumprir. As carenagens mais compactas acabam por penalizar um pouco a proteção aerodinâmica, beneficiando, e muito, a imagem desportiva da Tracer.

O conforto proporcionado pelo assento redesenhado com mais espuma é definitivamente melhor do que na geração anterior. Depois de mais de 250 km aos comandos da Tracer 700 não senti qualquer cansaço nem dores, e embora não tenha testado conduzir com passageiro, o espaço no lugar traseiro, mais elevado, parece-me claramente suficiente para o “pendura” sentar-se confortavelmente sem ter de estar colado ao condutor.

Não posso também de deixar de referir o facto de que esta Yamaha não conta, para além do ABS, com qualquer ajuda eletrónica. Não há modos de motor, não há “cornering” ABS, não há controlo de tração, e muito menos suspensões eletrónicas.

O ABS convencional é a única ajuda. E até o painel de instrumentos é uma unidade mais simples em termos técnicos, um ecrã LCD negativo em vez dos mais atuais e “high-tech” TFT a cores, mas que ainda assim oferece uma leitura muito boa das diversas informações.

E por falar em informações, tenho de dar os parabéns à Yamaha: finalmente abandonaram os botões no painel de instrumentos para percorrer as diversas informações disponíveis, e agora temos apenas de carregar num botão no punho esquerdo. Já não era sem tempo!

No equipamento disponível, ou neste caso que não está disponível, a minha única queixa vai para a não inclusão no equipamento de série de uma ficha USB ou tomada de 12V. A Yamaha pré-instala a ligação destes pontos de carregamento de smartphones e GPS, mas terá de ser o cliente a adquirir a ficha ou tomada à parte.

Tendo em conta que antes de arrancarmos com as motos para a nossa viagem de apresentação a Yamaha procurou ativamente que descarregássemos a aplicação My Ride, o que consome energia do smartphone enquanto regista os dados da nossa viagem, é estranho que numa moto atual e sport-turismo não tenhamos a hipótese de carregar o smartphone numa simples ficha USB. Porém, numa moto que custa 8.700€, penso que não se poderia pedir muito mais.


Packs de equipamentos opcionais Yamaha Tracer 700 - Polivalência dividida em quatro

Numa moto que se pretende que seja o mais polivalente possível, a Yamaha tinha de aproveitar a oportunidade para disponibilizar em simultâneo com o lançamento da segunda geração da Tracer 700, um conjunto de acessórios pensados para reforçar as diversas facetas desta sport-turismo japonesa.

Assim, aqui ficam em detalhe os quatro “packs” de acessórios que a marca japonesa desenvolveu para a Tracer 700:

- Sport Pack – Para emoções fortes, este pacote de acessórios inclui suporte de matrícula em alumínio, proteção de corrente em alumínio, proteção de radiador e ainda apoios de borracha para os joelhos fixarem e apoiarem melhor no depósito de combustível;

- Travel Pack – Se o seu objetivo for viajar com a Tracer 700, a Yamaha disponibiliza este pacote de acessórios que inclui ecrã frontal mais alto, malas laterias e respetivos suportes, assento Comfort (mais ergonómico e almofadado), e ainda a inevitável ficha USB;

- Weekend Pack – Se quer fazer viagens de menor distância, esta será a opção mais indicada para si. Este pacote de acessórios inclui malas laterais e suportes em ABS, ecrã frontal mais alto, ficha USB, e também os apoios de borracha para o depósito de combustível;

- Urban Pack – A opção ideal para uma utilização urbana. Este pacote de acessórios inclui a ficha USB, top-case e suporte, e proteção / apoio para costas do passageiro na top-case.

Para além destes acessórios adquiridos em conjunto, a Yamaha conta ainda com diversas outras opções especificamente pensadas para personalizar a Tracer 700 ao seu gosto. Por exemplo uma ponteira de escape Akrapovic ou suporte para o GPS que se fixa ao guiador. Tudo isto está ao alcance da sua mão.

Através da aplicação My Garage pode modificar a Tracer 700 conforme as suas necessidades, encontrar o “pacote” de acessórios que prefere, enviar a sua preparação para um concessionário oficial da Yamaha, que lhe dirá rapidamente qual o PVP da moto equipada, e assim tornará a sua aquisição ainda mais simples.

Veredicto Yamaha Tracer 700

É difícil, diria até muito difícil, encontrar uma moto que seja tão polivalente e que faça tudo tão bem e esteja disponível a um preço abaixo dos 9.000€ quando chegar aos concessionários Yamaha em abril. Se retirar os detalhes como o tato demasiado imediato do travão frontal ou a falta de ficha USB / 12V como equipamento de série, não encontro nada de realmente negativo nesta nova Tracer 700.

Este projeto global e que envolve diversas áreas de ação da Yamaha em países como Japão, Holanda, Itália ou França, onde a moto é produzida, tem todos os ingredientes para ser um enorme sucesso. O novo design, a suspensão frontal bastante mais eficiente, iluminação em LED, travões incansáveis, o equilíbrio do conjunto, o motor CP2 que se mantém tão elástico como económico... não há nada que se possa usar para baixar a nota final dada a esta nova Tracer 700.

A Yamaha merece um 9 em 10 pelo resultado do trabalho realizado nesta sport-turismo. É uma moto que nos transmite um prazer de condução genuíno, sem recorrer a potência recordista ou a eletrónica complicada. A casa de Iwata pode não ter ficado totalmente satisfeita com os resultados das vendas da original Tracer 700. Mas esta segunda geração tem tudo para ser um dos produtos mais bem sucedidos dentro da gama japonesa. Uma moto brilhante!

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção


Capacete – Shark Spartan
Blusão – REV’IT! Horizon 2
Calças – REV’IT! Horizon 2
Luvas – Macna Outlaw
Botas – Gaerne G.Stelvio

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Yamaha Tracer 700 | Moto | Moto

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