Teste Benelli Imperiale - Memória futura

Recordar o passado com linhas, sensações e sons característicos, sem ter de fazer concessões à fiabilidade, nem à facilidade ou prazer de condução é o que a mais recente coqueluche da Benelli oferece, por um preço de espantar!

andardemoto.pt @ 12-5-2020 00:28:32 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Benelli Imperiale 400 | Moto | Cruiser

É curioso que a Benelli tenha escolhido o nome Imperiale para esta moto. Em parte uma homenagem, em parte uma afirmação de imagem de fiabilidade e performance, a verdade é que a Benelli não foi a primeira marca a ter um modelo com o nome Imperiale. Ou então foi. Depende do ponto de vista.

A história da Benelli remonta a 1911. Trágica desde o início, com a prematura morte do seu marido, foi Teresa Benelli, de Pesaro, que investiu todo o capital da família para desenvolver o seu negócio, uma pequena oficina de bicicletas, e assim garantir um futuro próspero para os seus filhos Giuseppe, Giovanni, Francesco, Filippo, Domenico e Antonio ("Tonino").

Os seis irmão, apaixonados pela mecânica e pela caça, passaram a sua vida ligados às duas rodas, já que a Benelli, em 1919, produziu a sua primeira moto, e em 1921 concebeu o seu próprio motor de combustão interna desenhado por Giuseppe, a quem a mãe tinha enviado para a Suíça para estudar engenharia, juntamente com o seu irmão Giovanni.

Com esta segunda moto, a Velomotore, equipada com o novo motor a dois tempos de 98cc de cilindrada, começaram a surgir as primeiras vitórias em competição. O benjamim da família, Tonino, deu cartas nas corridas e rapidamente a Benelli começou a dar provas de fiabilidade e performance.

Após a Segunda Grande Guerra, Giuseppe Benelli desentendeu-se com os seus irmão, e decidiu lançar a sua própria marca de motos, a Moto “B” Pesaro, corria o ano de 1949.

Mais tarde, já a marca tinha abreviado o seu nome para MotoBi, quando da sua fábrica saiu o primeiro modelo com o nome Imperiale, que se revelou imediatamente, à semelhança de outros modelos da gama, um sucesso comercial que parecia querer celebrar o falecimento do seu criador, precisamente em 1957.

Após a morte de Giuseppe Benelli, os seus herdeiros devolveram a MotoBi, sempre ofuscada pelo sucesso desportivo da concorrência familiar, à Benelli que apesar de manter ambas as gamas separadas durante alguns anos, acabou por fundir as duas companhias e remarcar alguns modelos MotoBi, com a sua própria marca, sobretudo para exportação para os Estados Unidos da América.


É por isso que, após tantos altos e baixos na sua história, nesta nova fase da mítica marca italiana integrada no grupo QianJiang Motor Company, surge uma nova Benelli Imperiale, que vem recordar os pergaminhos da marca e que se destaca sobretudo pelo preço: uns bastante agradáveis 3.970 Euros.

Mas o preço não é o único destaque desta clássica moderna, de linhas atrativas, fortemente marcadas pelo grande farol redondo com aro cromado, pelos guarda-lamas envolventes fabricados em metal e pelo grande depósito, também metálico, em forma de gota, tal como o bucal de enchimento cromado, e com protecções de borracha na zona dos joelhos, bem ao estilo das motos dos anos 50. 


O seu desempenho dinâmico e a facilidade de condução que oferece, são realmente notáveis para o preço, mesmo tendo em conta a cilindrada e o segmento em que a Imperiale se insere.

É, portanto, necessário ter em conta que esta Benelli está equipada com um motor monocilíndrico de 373,5cc a 4 tempos, refrigerado a ar, que cumpre a norma Euro4 e debita uns relativamente escassos 20,4 cavalos, mas que regista um binário máximo de 29Nm, às 3.500 rpm, que lhe confere uma elasticidade notável e uma pronta resposta ao acelerador, desde baixa rotação, que proporciona um enorme prazer e facilidade de condução

A electrónica da Delphi garante uma aceleração instantânea e sem hesitações que, a par com a linha de escape em aço inox, proporciona uma sonoridade verdadeiramente viciante.

A Imperiale consegue facilmente alcançar a velocidade de 120km/h, em plano, mas a sua velocidade máxima não é muito superior.

No entanto o nível de vibrações é surpreendentemente baixo ao longo de toda a faixa de regime, e o consumo anunciado pela marca é de 3,6 l/100km, que facilmente se convertem em 4 litros numa condução normal, o que ainda assim garante uma autonomia prática a rondar os 300 quilómetros.

A caixa de 5 velocidades apresenta um accionamento um pouco rústico, mecânico, mas simultaneamente bastante suave e preciso, com a embraiagem a revelar-se igualmente leve na manete.

Destinada a uma condução descontraída, que permita desfrutar do passeio, seja a solo ou com passageiro, a suspensão conta com uma forquilha de 41mm, bastante eficaz tanto a absorver as irregularidades do piso, como a manter-se bastante estável em curva, mesmo em pisos mais degradados, nos quais os seus 121mm de curso são uma grande vantagem.

A suspensão traseira, com um curso de apenas 55mm, é bastante mais firme; está equipada com dois mono-amortecedores Gabriel, que contribuem para um bom comportamento em curva, a velocidades mais elevadas, sendo por isso um pouco menos confortável. No entanto a violência dos impactos mais fortes é reduzida pelas molas que suportam o assento do condutor. Já o passageiro…

A travagem apresenta discos em ambos os eixos (gostei do pormenor de o cubo da roda traseira simular um antigo travão de tambor) mas vai agradar sobretudo aos motociclistas menos experientes. Suave na mordida inicial, a manete confere alguma dosagem e não é necessária muita força para fazer chiar a borracha do pneu dianteiro e fazer actuar o ABS.

Não é que isso limite significativamente o andamento, numa condução normal, mas para poder potenciar a travagem será aconselhável substituir os pneus de marca Cordial (made in China) que a Imperial traz instalados, por umas borrachas mais macias, para se diminuir significativamente as distâncias de travagem.


Para melhor conseguir o aspecto nostálgico de meados do século XX, as jantes da Benelli Imperiale têm raios de aço cromado e aros em alumínio, com 19 polegadas na frente e 18 na traseira, equipando pneus de medidas 100/90 e 130/80 respectivamente.

O painel de instrumentos é simples, de fácil leitura, com ums estética agradável, igualmente de inspiração retro, com dois mostradores analógicos para a o velocímetro e taquímetro, e um pequeno display digital com o nível de combustível e o indicador de mudança engrenada. Chega e sobra, para não se desviar o olhar da estrada.


Para garantir uns passeios inesquecíveis, a ergonomia não foi desprezada, e a posição de condução revela-se bastante confortável. O assento, ou melhor, o selim, a apenas 780mm do solo, é bastante confortável, ou não fosse suportado por molas, e na generalidade os comandos estão bem colocados, tal como os poisa-pés

O guiador tem a largura suficiente para incutir uma sensação de controlo mesmo quando a direcção está completamente virada, o que permite facilmente desfrutar da generosa brecagem.

Por tudo isto, manobrar a Imperiale revela-se bastante fácil, aparentando menos peso do que realmente tem. Mesmo uma pequena incursão realmente fora de estrada não é grande problema, já que a altura livre ao solo, com os seus confortáveis 170 mm, permite ultrapassar obstáculos que muitas motos com pretensões a offroaders, não serão capazes.

O descanso lateral, tal como o cavalete central, são bastante estáveis, e fáceis de instalar, e os espelhos retrovisores, livres de vibração, oferecem uma visibilidade acima da média, sobretudo na classe das monocilindricas.

A bateria está bastante acessível, dentro da tampa lateral direita, onde também está acondicionada a caixa dos fusíveis. E até mesmo o sistema de tensionamento da corrente de transmissão aparenta ser sólido e é definitivamente fácil de usar.

O aspecto geral impressiona pela qualidade dos cromados, pela pintura, com destaque para a do motor que lhe confere um aspecto robustoe exclusivo, e pelo nível de acabamentos, sem fios nem tubos desnecessários à vista.
Até mesmo os parafusos são de boa qualidade. Em andamento, mesmo em calçada, a ausência de ruídos parasitas faz prova da solidez do conjunto, e faz acreditar que a Benelli, além de projectaras motos em itália, também exerce um esmerado controlo de qualidade na montagem que faz dos componentes fabricados na China. 

Pelo preço, se sempre desejou ter uma segunda moto para os fins-de-semana ou umas pequenas voltas na cidade, nem que seja só para ir ao The Distinguished Gentleman's Ride, com um estilo muito próprio, então páre de procurar.

Não encontra nada mais barato, nem provavelmente nada tão robusto e fiável. Se não acredita, tem bom remédio: há várias unidades disponíveis na rede de concessionários da Benelli. Pode marcar um Test-Ride.

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:

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Benelli Imperiale 400 | Moto | Cruiser

andardemoto.pt @ 12-5-2020 00:28:32 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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