Teste Suzuki V-Strom1050 XT - Aventura com todos

A grande aventureira da Suzuki surge renovada para 2020, respeitando a normativa Euro5 e com praticamente todos os sistemas electrónicos que um motociclista exigente não pode prescindir.

andardemoto.pt @ 9-6-2020 07:28:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Suzuki V-Strom 1050 XT | Moto | Turismo

A Suzuki é a marca mais discreta dos 4 gigantes japoneses, mas sempre se distinguiu pela fiabilidade e longevidade dos seus modelos.

Por isso a renovada V-Strom 1050, nesta glamorosa versão XT, estéticamente inspirada nas míticas DR-Z e DR-Big, tem basicamente a mesma base ciclística e motriz da sua antecessora, tendo sido refinada com a homologação Euro5 e com aquilo que a Suzuki chama de S.I.R.S. (Suzuki Intelligent Ride System), um pacote electrónico muito completo que contribui para excepcionais níveis de segurança, que favorecem uma condução animada, mas despreocupada.

No motor, a grande e principal diferença é a sua maior elasticidade, que permite rolar a mais baixa rotação, e acelerar sem as habituais batidas típicas de uma configuração V2, de que a sua antecessora padecia. Isso, e a redução do som do escape, uma das consequências da homologação Euro5, algo que não afectou a sonoridade, que se mantém bastante agradável. 

O bicilíndrico em V a 90 ° desenvolve agora uns mais do que confortáveis 107,3 cv (79 kW), com praticamente o mesmo binário de 100Nm. O consumo de combustível foi reduzido e o fabricante anuncia médias de 4,9 litros/100km. Obviamente que no mundo real estas médias sobem, mas, na prática, a autonomia concedida pelos 20 litros de capacidade do depósito, será facilmente superior a 300 quilómetros.

O novo design das carenagens, de linhas sobretudo rectas, com destaque para o farol quadrado por cima do afamado “bico de pato” herdado das motos que a inspiraram, é outro dos argumentos, já que, sobretudo nesta pintura branco/laranja “a la Marlboro”, evoca a participação do pequeno belga, Gaston Rahier, no Paris-Dakar, em finais dos anos 80 do século passado.

Mas, além do design realmente impactante, o que agora realmente traz a Suzuki V-Strom para ribalta do seu segmento é o novo pacote electrónico, que começa por um acelerador ride-by-wire, que controla dois novos corpos de admissão, maiores 4mm em diâmetro que os da versão anterior, regulados por dois motores eléctricos que controlam a entrada de ar e combustível de forma exemplar, com uma resposta ao punho imediata e sem hesitações, facto a que o sistema de duas velas por cilindro, accionadas de forma independente, também não é estranho.

Os já conhecidos sistemas, como o “Low R.P.M. Assist”, que ajuda a manter o motor em funcionamento a baixa rotação, sobretudo em manobra, e o Easy Start, que põe o motor em funcionamento com apenas um toque no botão do arranque, também estão presentes nesta versão que conta agora com 3 mapas de ignição, com diferentes entregas de potência. O cruise control é outra das funcionalidades agora disponíveis.

Este pacote electrónico estende-se à ciclística, com uma unidade de medição de inércia (IMU) de três eixos, da Bosch, que faz a gestão do controlo de tracção, ajustável em 3 modos, e também do ABS, programável em dois modos, ambos ajustados automaticamente em função das condições de aderência, optimizando ainda a travagem em caso de descidas acentuadas de forma a evitar a descolagem da roda traseira, ou em caso de transporte de passageiro, aumentando em conformidade a potência de travagem do eixo posterior.

Da mesma forma, a IMU é ainda responsável pelo Hill Hold Control, que permite que a moto fique automaticamente travada em pisos inclinados, durante 30 segundos, para ajudar, por exemplo, na subida ou descida do passageiro, desligando-se automaticamente mal se começa a andar novamente, ou quando se pressiona a manete do travão duas vezes consecutivas.

Para aumentar ainda mais os níveis de segurança, não podia faltar uma embraiagem assistida e deslizante, que minimiza o bloqueio da roda traseira, sob o efeito de reduções de caixa mais violentas.


Mas uma moto mede-se essencialmente em termos de prazer de condução, e nesse particular a Suzuki fez subir a V-Strom para um patamar bastante elevado. Além das ajudas electrónicas à condução, a protecção aerodinâmica também foi revista, e o depósito de combustível, a par com o novo ecrã pára-brisas regulável em altura sem ser necessário recorrer ao uso de ferramentas, fornecem uma excelente protecção dos elementos.

Também a ergonomia se mantém irrepreensível, com destaque para o assento, a mostrar-se extremamente confortável, apto para grandes tiradas, mas que os motociclistas de estatura mais baixa vão encontrar demasiado alto, mesmo na posição inferior, podendo recorrer a um assento opcional que, ainda assim, fica a 810mm do chão. O passageiro encontra bastante conforto na posição dos poisa-pés, no assento envolvente e nas bem desenhadas pegas para as mãos.

O painel de instrumentos é agora em LCD integral, monocromático, mas extremamente legível e muito completo, onde não falta a indicação de mudança engrenada, o consumo de combustível instantâneo e médio, temperatura do ar, carga da bateria e relógio, assim como os níveis de intervenção do ABS, do Controlo de Tracção e o mapa do motor selecionado, entre outros. Ao seu lado, bastante acessível, está uma tomada USB de 2A.

Toda a electrónica é controlada através de um pequeno módulo de 3 botões, ao alcance do polegar esquerdo, que permite navegar entre os diversos menus e selecionar as opções pretendidas, num interface bastante intuitivo e fácil de memorizar.

Passando à ciclística, também aqui a Suzuki não correu riscos e montou na V-Strom 1050 equipamento de muito bom nível, começando por manter o excelente quadro de dupla trave em alumínio e o braço oscilante da versão anterior, recorrendo agora a uma forquilha invertida KYB, com bainhas de 43mm de diâmetro, completamente regulável, discos de travão flutuantes de 310mm e a pinças de Tokico, com as da roda da frente a serem de instalação radial.


Assim, o conjunto apresenta um excelente comportamento em curva, mesmo em mau piso e com passageiro, e uma travagem muito potente, capaz de conferir muita confiança por ser muito doseável, factores que fazem esquecer que a V-Strom acusa um peso em ordem de marcha de 247 kg.

No caso da  V-STROM 1050XT, a única versão que vai estar disponível em Portugal, as jantes raiadas da DID, com raios metálicos e aro em alumínio, de 19 polegadas na frente e 17 polegadas atrás, vêm equipadas com os eficazes pneus Bridgestone Battlax Adventure A41, que garantem uma aderência muito boa, potenciando o desempenho da travagem.

O pneu traseiro, de medida 150/70, é o responsável pela excelente agilidade do conjunto, que se revela muito fácil de mudar de direcção, e muito incisivo na entrada em curva, sem se notar nenhuma perda de tracção significativa sob aceleração.

A Suzuki V-STROM 1050XT está equipada com protecções de motor, protecções de punhos, descanso central, piscas e farolim traseiro em LED, assento independente com dois níveis, regulável em altura no lugar do condutor (pode subir ou baixar 20mm) e uma tomada de 12V para o passageiro.

Além do bom desempenho do motor, em andamento a visibilidade é muito boa, mesmo para trás, já que os espelhos retrovisores estão muito bem colocados, mas isso é apenas um pormenor relativamente ao comportamento do conjunto. A aceleração contundente, a travagem eficaz, a entrada em curva intuitiva, a agilidade da direção e o conforto a bordo fazem da V-STROM 1050XT uma excelente companheira para qualquer tipo de utilização.

Claro que muitos vão perguntar como é que a V-Strom se porta em offroad. E para esses, a minha resposta é: não sei! Não sendo especialista, andar fora de estrada com uma moto deste peso e dimensões, equipada apenas com pneus mistos e com o ecrã tão alto, não é algo que me entusiasme, pelo que nem experimentei. 


No entanto, tive oportunidade de fazer uns estradões de terra, e uns trilhos fáceis, e a sensação de segurança que a V-Strom incute é muito elevada, com a posição de condução em pé a ser bastante eficaz, permitindo agarrar bem o depósito com os joelhos e o guiador a cair natural nas mãos.

A altura livre ao solo é razoável e permite ultrapassar pequenos obstáculos com muita facilidade. A grande agilidade do conjunto facilita as manobras, mas será sobretudo em asfalto, entre curvas, que a grande facilidade com que muda de direcção, proporciona ritmos muito interessantes que permitem aproveitar e desfrutar do elevado nível da ciclística.

Claro que, apesar da boa qualidade de construção, há pequenos pormenores que podiam ter sido melhorados. É o caso de a altura do ecrã não poder ser regulada a partir da posição de condução, não ter punhos nem assentos aquecidos e não ter disponível um quickshifter para a caixa de velocidades.

Mas esses pormenores iriam seguramente aumentar o preço que o importador nacional conseguiu manter muito controlado, numa etiqueta com um valor de 14.999 Euros, a que opcionalmente se juntam 350 Euros do praticamente indispensável Pack Tour Suzuki, que inclui 2 Malas Laterais Suzuki de 37 litros e 1 TopCase de 46 litros, também em alumínio, e cujo valor fora da promoção de lançamento é de 1.500 Euros.

Não há dúvida que a Suzuki se esmerou para actualizar a sua “big Trail”, tendo conseguido recolocá-la num nível tecnológico muito elevado. Por tudo isto, a V-Strom 1050 XT é agora, mais do que nunca, uma séria concorrente na sua classe, com todos os requisitos para tornar qualquer aventura, num verdadeiro prazer. Marque um test-ride num concessionário oficial Suzuki e comprove!

Equipamento:

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:

Capacete Schuberth C4 Pro Carbon

Luvas REV’IT Arch

Fato Rev’It! Poseidon 2 GTX

Botas TCX Clima Surround GTX

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