Teste Keeway Vieste 125 - O segredo está na simplicidade

Novidade na gama de scooters da Keeway, a Vieste 125 é um exemplo perfeito de como o que é simples muitas vezes funciona bem. Com um preço competitivo, a Vieste conta com argumentos interessantes.

andardemoto.pt @ 2-6-2020 09:00:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte


O mundo das scooters está recheado de diferentes opções. Desde as mais acessíveis até às mais dispendiosas, atualmente temos a sorte de poder encontrar em Portugal uma scooter para qualquer ocasião. E isto é especialmente verdadeiro se olharmos para as scooters 125 cc.

E é por isso que num mercado e num segmento tão competitivo, os diversos fabricantes têm de encontrar soluções inovadoras que tornem as suas scooters mais apelativas. Porém, muitas vezes caem no exagero. Esforçam-se tanto para produzir algo diferenciador, que acabam por complicar e o resultado final não se torna agradável.

É aqui que entra a Keeway.

A marca que faz parte do grupo Qiangjiang, que por exemplo também detém a italiana Benelli, tem conseguido conquistar o seu espaço a nível europeu com uma gama de produtos bastante variada e simples. No nosso país a aposta da Keeway tem mais força nas motos de caixa de 125 cc, mas as scooters com essa cilindrada ocupam também uma posição de destaque.

Este ano a gama Keeway cresceu com a chegada da nova Vieste 125.


Desenvolvida para “despertar o prazer de condução”, a Keeway Vieste 125 não é uma scooter da categoria GT. Mas com um comprimento que fica a poucos milímetros dos 2 metros, e uma altura de 1130 mm, a Vieste 125 consegue quase ficar ao nível das maiores GT.

As carenagens adotam formas claramente desportivas, com ângulos vincados e linhas aerodinâmicas que seguem uma imagem bem conseguida desde o frontal onde se destaca a dupla ótica, até à traseira afilada. A iluminação é totalmente em LED. E destaco ainda a opção, bem conseguida, de embutir as luzes de mudança de direção dianteiras nas carenagens laterais. Acima de tudo a Vieste 125 parece, desde o primeiro momento em que estamos ao seu lado, uma scooter bem conseguida em termos de design e detalhes.

Não tem plataforma plana. Por isso somos obrigados a passar a perna por cima do assento que está a uma altura de 770 mm do solo. Sentado aos comandos, o condutor usufrui de um assento confortável e largo, e aqui destaco o bom posicionamento do apoio lombar. O guiador está bem posicionado, e encaixamos na Vieste 125 de uma forma natural.


Para o passageiro o conforto não é mau. O assento tem uma boa largura, e os apoios para as mãos estão bem posicionados para não fazermos grande esforço, seja nos momentos de travagem ou em curva. No entanto, a aresta mais vincada da carenagem traseira fica a tocar na perna do passageiro. Com o movimento da moto, e ao fim de poucos quilómetros, o passageiro vai começar a sentir-se incomodado.

Talvez o ponto menos bem conseguido seja o espaço para as pernas. A secção inclinada da plataforma é bastante subida. Pelo menos para mim, que tenho uma estatura elevada. Fazer manobras com os pés apoiados nessa zona faz com que os punhos toquem nas pernas (quando a direção está totalmente virada para um dos lados), e mesmo em condução não é fácil encontrar uma posição confortável para as pernas.



Como referi, a Keeway Vieste 125 não é propriamente uma scooter GT. Apesar das suas carenagens mais compactas do que uma scooter desse tipo, e de um vidro frontal relativamente curto, a realidade é que a proteção aerodinâmica não se revela má de todo. A 100 km/h o condutor ficará bem protegido do vento, embora os braços e capacete sofram um pouco em estradas mais abertas.

A Vieste 125 conta com um motor monocilíndrico que acorda para a vida sem necessitar de ter a chave na ignição. O sistema “keyless” da Keeway funciona bem, é simples, e mais rápido no desbloqueio da ignição do que sistemas semelhantes usados em motos de maior porte.

Com uma resposta interessante desde baixos regimes, o monocilíndrico sente-se bem nos médios regimes. São notórias algumas vibrações ao ralenti, mas essa sensação vai diminuindo com o aumentar das rotações. Gostei bastante do “feeling” do acelerador, progressivo, e a permitir facilmente usar todos os 10,5 cv de potência.

Nota-se claramente que a injeção está bem afinada, e que a Keeway deu preferência a uma resposta mais forte na passagem dos baixos para médios regimes. Basta uma aceleradela mais contundente no arranque de um semáforo para sentirmos os 10,7 Nm de binário a empurrarem rapidamente os 134 kg do conjunto para uma velocidade de 80 km/h. A partir daí a subida de rotações é mais lenta, e a velocidade máxima é ligeiramente superior a 100 km/h.


Apesar de ser uma scooter que se sentirá melhor no meio urbano, passando por entre os carros com bastante facilidade, e com a direção a revelar-se reativa e leve, bastando um pequeno impulso no guiador para levar a Vieste para onde nós queremos, numa estrada mais aberta esta scooter revela também um bom comportamento.

As suspensões amortecem os maiores impactos e a compressão acontece de forma aceitável. A frente da Vieste é mais controlada do que a traseira. A forquilha telescópica afunda progressivamente enquanto damos uso ao travão dianteiro, mas os amortecedores traseiros afundam bastante em aceleração à saída das curvas. E com passageiro, a traseira fica comprometida e somos obrigados a refrear o andamento numa estrada de curvas.

A travagem fica algo comprometida pela ausência da ABS. Talvez para manter os custos de produção num nível mais baixo, a Keeway optou por travagem combinada. Isso retira um pouco de segurança. Mas felizmente a travagem proporcionada pela pinça de dois pistões a morder um disco de 240 mm, de desenho recortado, garante eficácia.

Desde que não abusemos dos travões de forma consecutiva. Se adotarmos uma condução mais agressiva, os travões tornam-se progressivamente mais esponjosos, e a potência de travagem dilui bastante, obrigado a apertar as manetes com mais força.

As jantes de 13 polegadas ajudam a maximizar a agilidade e rapidez nas trocas de direção. Em condução urbana isto é excelente. Mas em linha reta a estabilidade é menor do que o esperado.


Outro ponto que devemos ter em conta na Vieste 125, são os pneus de fábrica. Se noutras opções e noutros testes já destaquei o facto das marcas estarem a optar por pneus de melhor qualidade, no caso da desportiva Vieste 125 os pneus Timsun nunca chegam a inspirar grande confiança.

Por duas ou três vezes, e apesar de quentes e do bom asfalto, os pneus cederam e senti claramente a frente a escorregar. E isto sem estar a exagerar no andamento. Aconselho os compradores de uma Vieste a trocarem os pneus de fábrica por outra opção.

Como boa scooter que é, não poderia terminar o meu teste sem abordar dois temas: capacidade de carga e economia.

Debaixo do assento o espaço disponível até parece ser bastante. No entanto a forma esguia do compartimento impede a colocação de objetos largos. A altura interior livre também não é particularmente grande, pelo que apenas conseguimos colocar e fechar o assento usando um capacete jet.



Felizmente, e em jeito de compensação, na consola central encontramos um bom espaço para objetos de menor dimensão. Achei especialmente útil a ficha USB colocada no compartimento do lado esquerdo, que permite carregar, por exemplo, o smartphone enquanto viajamos até ao nosso destino.

Em relação à economia, o motor Euro 4 da Keeway Vieste 125 é bastante poupado. Os 9,5 litros de combustível que conseguimos colocar no depósito permitem percorrer facilmente mais de 250 km antes da luz de reserva aparecer no painel de instrumentos digital e analógico. Com algum cuidado, consegui uma média de 3 litros.

Veredicto Keeway Vieste 125


Não posso deixar de ficar impressionado com a boa qualidade de construção e com a imagem desportiva da Vieste 125. Parece-me ser das melhores propostas que a Keeway tem ao nível de scooters 125 cc, e nem mesmo alguns detalhes como a suspensão traseira mais limitada, ou o motor menos espevitado a velocidades elevadas (para uma scooter deste tipo e cilindrada), colocam em causa o bom trabalho feito pela Keeway.

Até porque se tivermos em conta que a Vieste 125 – disponível em três cores – está à venda por 2.390€, associando a isso o baixo custo de utilização fruto do motor Euro 4 económico, então percebemos que esta scooter oferece uma boa relação de custo / benefícios.

Talvez debaixo do assento a Keeway pudesse ter encontrado forma de garantir uma maior capacidade de carga. Mas o prático e rápido sistema “keyless”, o assento confortável, ou ainda um comportamento dinâmico interessante, seja em cidade ou fora dela, garantem que a pequena Keeway Vieste 125 aparece no mercado nacional com argumentos interessantes, e onde a simplicidade é, claramente, uma das suas maiores forças.

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção


Capacete – Shark Spartan

Blusão – Ixon Cobra

Luvas – Ixon RS Slick HP

Botas – REV’IT! Mission

andardemoto.pt @ 2-6-2020 09:00:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte

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