Teste Harley-Davidson Street Glide Special 114 - Predadora de paixões

A mais vendida moto da Motorcycle Company ganha novos argumentos que a tornam ainda mais irresistível e apaixonante.

andardemoto.pt @ 6-10-2020 07:39:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

Considero-me um felizardo por ter podido acompanhar a evolução tecnológica das icónicas motos americanas de Milwaukee.

Ainda sou do tempo em que, apesar de a electrónica já começar a tomar conta dos destinos das motos japonesas e europeias, nas apresentações à imprensa da Harley-Davidson apenas se falava das novas pinturas, dos novos guiadores e assentos e, lá de vez em quando, duma nova actualização dos velhos motores “V-Twin”.

Felizmente tudo mudou e as Harleys dos dias de hoje são muito mais sedutoras do que as suas antecessoras. Mais seguras, mais performantes, mais ágeis, mais aerodinâmicas, mais confortáveis e, sobretudo, muito mais funcionais e fiáveis.

Até está a caminho uma nova geração de motos, equipadas com uma nova geração de motores, como é o caso da Harley Davidson Pan America que já está em Portugal para ser apreciada, apesar de apenas por uns breves momentos.





As Harleys mais recentes devem tuda a sua evolução ao advento da electrónica. Embora relutante e discretamente, para não ferirem as susceptibilidades de uma fiel e conservadora clientela, as Harleys foram-se gradualmente adaptando aos desafios de uma nova e exigente geração que, apesar de apreciadora do estilo cruiser, do design americano e da marca, não prescinde dos confortos e vantagens proporcionados pelas novas tecnologias. 
Sobretudo na gama touring da Harley-Davidson já não se encontram diferenças, em termos de tecnologia, quando comparadas com as Tourers da concorrência.

Nos dias de hoje, o antigo e característico parafuso que bloqueava o punho do acelerador para que o condutor pudesse descansar um pouco o braço direito, é apenas uma memória longínqua, há muito substituida pelos actuadores electrónicos do cruise control.

Os pneus passaram a medidas métricas, os travões foram equipados com ABS, magistralmente escondido debaixo de um design que não decepciona os maiores apreciadores do estilo, e os respectivos equipamentos hidráulico e de fricção, foram substituídos por material assinado pela Brembo. E contam ainda com repartição automática da travagem por ambos os eixos, para manter o passageiro e o condutor muito mais estáveis, optimizando a aderência de acordo com o piso e o conforto da viagem.

O motor tampouco foi privado de modernidade e actualizações sucessivas do “big Twin” culminaram com uma unidade motriz totalmente nova, o Milwaukee-Eight, que inclusivamente incorpora refrigeração por líquido, nos modelos Touring.

A cilindrada dos modelos de 114 polegadas cúbicas representa 1.868 cc e debita um binário máximo de 163 Nm logo às 3.000 rpm. E os modelos de 2020  já vêm equipados com controlo de tracção, com modo de chuva, para ser ainda mais fácil digerirmos a potência, no impulso do acelerador.



Graças ao novo desenho do motor o quadro pôde ser estreitado, conferindo uma maior inclinação lateral ao conjunto, permitindo ainda posicionar melhor o seu centro de gravidade, que apesar da distância entre eixos de 1.625 mm, consegue proporcionar um excelente comportamento em curva.

Da enorme carenagem frontal aos fechos das malas laterais, tudo foi revisto, para proporcionar conforto e uma protecção aerodinâmica que se pode mesmo considerar referencial.


O sistema de infotainment, passou rapidamente de equipamentos com qualidade audio discutível, a maravilha tecnológica que, além do emparelhamento com o smartphone, seja IOS ou Android, e de disponibilizar GPS, ecrã TFT táctil a cores e leitor de música em pendrive, ainda produz um som com uma qualidade e volume muito interessantes, que se mantêm audíveis mesmo a velocidades superiores aos limites de auto-estrada.

A única coisa que se vai mantendo mais ou menos igual às motos do passado é o peso, que continua substancialmente acima dos 370 kg quilos.

Mas até a pensar nisso, as mais recentes tourers já contam com um Hill Stop Assist que permite manter a moto parada, em piso inclinado, desengatada, com o motor a trabalhar, mas sem necessitar de estar a pressionar nenhum dos travões, já que a electrónica o faz automaticamente, sendo o sistema acionado de forma extremamente simples!

Foi com a Street Glide de 114 polegadas cúbicas, modelo já de 2020, que pude reviver as sensações de conduzir  o motor Milwaukee Eight nesta que é uma das suas configurações mais potentes e interessantes.

A mais urbana das tourers da Harley-Davidson destaca-se pela agilidade, pela resposta explosiva do motor e pelas suas linhas sedutoras. Desafia-nos a conhecer-lhe bem as medidas, a dominar a sua rústica mas precisa caixa de velocidades, a descobrir os limites da sua inércia sob travagem e a desfrutar das paisagens sob o ronronar do seu motor, sempre disponível para uma qualquer ultrapassagem ou, só porque sim, um terapêutico enrolar de punho para animar o espírito!

É, sem dúvida, uma moto de sensações. produz sorrisos desde estacionada na esplanada a olharmos para ela, à auto-estrada a despachar o trânsito, à beira-mar com uma boa companhia à pendura ou a solo numa qualquer estrada de montanha, a embalá-la de curva em curva. É uma daquelas motos que, tal como a própria essência do motociclismo, não se explica, sente-se.

A Street Glide permite-nos partir para longe, sem grandes preparativos nem planos, dando-nos a liberdade de rolar por mais ou menos 300 quilómetros, sem termos que interromper o passeio para ir à bomba! E 300 quilómetros parecem pouco, quando se conduz rodeado de todos os confortos possíveis e imaginários.


Se procura uma moto exclusiva, desejável, carregada da mais moderna tecnologia, e com um estilo inconfundível que nunca passa despercebida, então procure um concessionário da marca e vá experimentar esta Harley-Davidson Street Glide Special 114. Mas prepare-se para gastar os mais prazerosos 30.000 euros da sua vida.

Equipamento

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:

Capacete Schuberth C4 Pro Carbon

Blusão em pele RSW Dennis

Luvas RSW MSL – 008

Botas TCX Rook WP


andardemoto.pt @ 6-10-2020 07:39:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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