Teste BMW R1250GS Edição 40 Years GS - Requinte e Eficácia

A aventureira alemã dispensa apresentações, mas não dispensa atenção. Por isso a BMW dedica-lhe uma edição especial para celebrar o seu 40º aniversário.

andardemoto.pt @ 20-4-2021 11:13:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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BMW R 1250 GS Edição "40 Years GS" | Moto | Adventure

Com uma carreira de sucesso que remonta há 40 anos, é normal que a BMW Motorrad queira assinalar o aniversário do seu modelo GS dotado de motor de cilindros opostos, vulgarmente denominado de boxer.

Em 2018 o carismático motor bicilíndrico foi profundamente revisto, com o propósito de acompanhar a concorrência em termos de potência. Mas ao mesmo tempo que melhorava o desempenho, notando-se o acréscimo de potência sobretudo na faixa de regime abaixo das 4.000 rpm, reduzia simultaneamente o consumo e as emissões de poluentes.


Para o efeito a BMW, além de aumentar ligeiramente a cilindrada (84cc para um total de 1254), instalou o “Shift Cam”, um sistema que recorre à utilização de cames que alternam dois perfis diferentes para a abertura das válvulas de admissão, que são selecionados automaticamente de acordo com a programação da centralina, sendo o conjunto de cames de menor perfil, que causa uma menor abertura das válvulas, destinado a potenciar o desempenho a baixa rotação, e o de maior perfil, que proporciona uma maior abertura das válvulas, permite que o motor respire melhor a alta rotação. 

Isto resultou num significativo aumento de binário (dos 125 para os 143Nm) que na prática se traduz numa maior disponibilidade do motor, reduzindo a necessidade de utilização da caixa de velocidades por ser extremamente suave e responsivo nos baixos regimes. Esta característica torna também muito fácil a tarefa de controlar a moto em manobras a baixa velocidade, especialmente na passagem de obstáculos.

No asfalto, para além de mais rápida, a renovada GS mantém-se igual a si própria, com uma mudança rápida de direcção, acelerações vigorosas permitindo ritmos muito interessantes, travagens bastante potentes e uma grande estabilidade em curva, conferindo sempre uma enorme confiança mesmo ao rolar muito perto dos limites, ou em caso de algum sobressalto.

Para esta edição comemorativa dos 40 anos do modelo GS, a BMW apostou na sofisticação e dotou a versão base da R1250GS com alguns “mimos” que fazem toda a diferença.

Graças à IMU, uma unidade de medição de inércia, agora instalada na versão base, o DTC (controlo de tracção dinâmico) assegura uma maior segurança ao optimizar a aderência sob aceleração.

O ABS Pro, que é na prática um “cornering ABS” comandado igualmente pela IMU, garante uma maior eficácia e confiança na travagem com a moto inclinada, ajustando-se automaticamente consoante os modos de condução, além de desligar automaticamente o sistema no eixo traseiro, permitindo bloquear a roda, quando se seleciona o modo Enduro.



Um novo modo de condução Eco permite optimizar a eficiência energética, e faz igualmente parte do equipamento de série. No entanto, a moto que tive oportunidade de testar estava ainda equipada com os modos de condução Pro, um pacote opcional que, entre outras funcionalidades, permite regular o efeito travão-motor para o adaptar às circunstâncias do piso ou do tipo de condução.

Outra funcionalidade que também faz parte do equipamento de série é o (HSC Pro), um dispositivo que permite manter a moto travada, em piso inclinado, sem ser necessário estar a accionar os travões.

O sistema é facilmente accionado premindo com intensidade durante uns momentos a manete ou o pedal do travão, e desliga-se automaticamente mal se arranca novamente, permitindo segurar bem a moto para que um passageiro possa subir ou descer, ou apenas para permitir o acesso com ambas as mãos às malas laterais, ou aos bolsos, sem ser necessário desligar o motor e engrenar uma mudança.

O farol adaptativo, que ilumina sempre o centro da curva, e os piscas em LED com cancelamento automático também vêm instalados de série. E já nem sequer falta uma tomada USB, que agora existe a par com a tradicional tomada de 12V, no painel de instrumentos.

Mas por muito grande que seja a tentação de falar sobre todas as características técnicas, o melhor da R1250GS é andar nela: explorar toda a sua capacidade dinâmica, sentir a confiança que inspira e desfrutar de todas as ajudas eletrónicas à condução que nos fazem sentir maestros de uma sinfonia, de curvas ou de maus caminhos, que tem como solista o respirar grave do motor boxer.

Quem não for dado a altas velocidades nunca vai conseguir desfrutar de todo o potencial que este conjunto oferece, mas a GS adapta-se a qualquer tipo de utilizador, e qualquer motociclista menos experiente vai facilmente descontrair com a grande facilidade de condução e os elevados níveis de segurança, assim como qualquer passageiro vai desfrutar de um elevado conforto a bordo.

A prova disso é o cruise control, que pode ser ligado a partir dos 25 km/h e que proporciona, por exemplo, com a segunda ou terceira relação engrenada, fazer uma verdadeira excursão a um qualquer centro histórico ou aldeia típica, descontraidamente, sem os incomodativos safanões característicos das baixas velocidades, que tanto desconforto causam, sobretudo quando se leva pendura. O único senão de tanta tecnologia é que a viagem parece sempre mais curta do que foi na realidade.

Ao longo dos anos, tive oportunidade de fazer muitos quilómetros, em viagem e não só, aos comandos de praticamente todos os modelos GS produzidos desde a primeira R1200, e cada vez que me sento numa parece que foi na véspera que andei nela, apesar de, por vezes, terem passado intervalos de tempo muito grandes.


Foi o que aconteceu agora. Desde outubro de 2018, aquando da sua apresentação à imprensa, que não conduzia uma R1250GS, mas apenas comecei a rolar, parecia que nunca me tinha separado dela.

Os comandos, os ritmos da caixa de velocidades, a resposta do acelerador e do quickshifter, o momento de aplicar os travões, a facilidade com que entra em curva, a altura certa para acelerar, tudo me pareceu íntimo e familiar.

Tal como então, continuo a achar que esta é uma das mais polivalentes motos de alta cilindrada do nosso mercado, seja numa perspectiva de quem gosta de andar realmente depressa, seja numa perspectiva de quem gosta de fazer muitos quilómetros seguidos em viagem. Sobretudo para quem se faz acompanhar de passageiro.

Claro que também há a versão Adventure, aquela que tem sido a mais vendida em Portugal ao contrário do resto do mundo, mas sinceramente, e tal como o resto do mundo, prefiro esta versão normal, que é incomparavelmente mais ágil e manobrável em cidade, mais estável em curva e a alta velocidade, menos cansativa fora de estrada e, sobretudo, muito mais fácil de subir e descer para ambos os ocupantes.

Seja numa viagem mais longa por asfalto ou em modo aventura por caminhos de terra, mesmo em pistas mais enduristas, a BMW R1250GS revela uma dinâmica de condução e um conforto que poucas outras motos conseguem igualar, transmitindo uma enorme confiança mesmo a quem, como eu, tem pouca apetência para pisos pouco firmes.

Além do mais a instrumentação é realmente bem concebida e rapidamente assimilável, permitindo facilmente aceder e regular todas as funcionalidades ou consultar os dados dos instrumentos ou do computador de bordo. O deslumbrante painel em TFT é outro dos pontos fortes, facilmente legível e com ligação ao smartphone e aos intercomunicadores por Bluetooth.

E claro que outros pequenos “mimos” como o aquecimento dos punhos e dos assentos, a suspensão auto regulável, os sensores de pressão dos pneus, estão disponíveis através de diversos packs de acessórios que devem ser negociados no acto da compra, mas que contribuem significativamente para aumentar o conforto e diminuir a fadiga, fatores muito importantes para quem planeia fazer grandes viagens, com muitos dias consecutivos a rolar.

Esta versão, que agora tive oportunidade de reencontrar, já tem homologação Euro5 e é uma das opções de cores disponíveis, denominada de “40 Years GS”, com gráficos em preto e dourado, a relembrar a moto mítica que deu origem a este conceito em 1980: a R100 GS. Mas há outras cores disponíveis. Visite um concessionário da marca e faça um test-ride!

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BMW R 1250 GS Edição "40 Years GS" | Moto | Adventure

andardemoto.pt @ 20-4-2021 11:13:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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